DAS CRIANÇAS QUE FOMOS AOS ADULTOS QUE SOMOS

por jcerca em 2 de Dezembro de 2017

Considerado por muita gente como “uma das pessoas mais ilustres, mais cultas e mais inteligentes de Arouca”, é sempre muito agradável ouvir o Dr. Armando Zola que, durante 12 anos esteve à frente dos destinos da autarquia e sobre a gestão do qual se iniciou a grande modernização do Concelho de Arouca, a qual, 24 anos depois, prossegue ainda a bom ritmo.

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Foi para ouvir a larga experiência deste ex-Presidente da Câmara Municipal de Arouca que a Direção da Academia Sénior convidou o Dr.Armando Zola para a sua primeira palestra deste ano lectivo, no dia 30 de Novembro de 2017.

Depois de enumerar um conjunto diversificado de temas que poderia abordar nesta tertúlia com os alunos e associados da Asarc, e que poderiam ir desde a história local, à filosofia, à teologia, ao direito, passando pelo poder local, pela guerra colonial ou pela revolução do 25 de abril, o que, só por si, revela já a sua vasta cultura e a sua larga experiência de vida, o Dr. Armando Zola optou por abordar e reflectir sobre a vasta e rápida evolução pela qual todos nós passámos nas últimas seis décadas, período esse que abrange a maior parte do público presente.

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Começando por salientar a evolução vertiginosa dessas transformações, o palestrante diria que em poucas décadas fomos atingidos por mais e maiores mudanças do que aquelas que aconteceram durante milénios.

A evolução tecnológica e as transformações sociais que ela produziu no último meio século colocou-nos entre dois mundos que muitos dos mais novos  já não conhecem, apesar desses mundos estarem à distância de poucas décadas. Por isso, entende o palestrante, que somos uns privilegiados por vivermos esses dois mundos, apesar de muitos valores,  muitos hábitos e muitas tradições se terem diluído na voragem dessa rápida transformação social e tecnológica.

Perante o progressivo e inevitável desaparecimento desse mundo, essencialmente rural, é importante e premente – referiu o palestrante – deixarmos testemunho daquilo que vivemos e daquilo que aprendemos, com o risco de tais vivências do passado desaparecerem para sempre da nossa memória colectiva.

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Partilhando dessa preocupação,  e considerando que seria um serviço valioso à comunidade, Armando Zola lançou um desafio à Academia Sénior  para que se deixasse registado para os vindouros vivências desse mundo rural, que as gerações mais novas quase já não conhecem.

E com esse desafio de se registar “Arouca em memória” se encerrou esta primeira tertúlia deste ano na Academia Sénior.

José Cerca

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VIII OLIMPÍADAS SENIORES

por jcerca em 29 de Novembro de 2017

Desde há 8 anos que a Câmara Municipal de Arouca vem organizando as Olimpíadas seniores com o objectivo de promover a prática desportiva, junto da população sénior do Concelho de Arouca e o convívio num ambiente lúdico e saudável.

A edição deste ano decorreu  no dia 28 de novembro, no pavilhão da Casa do Povo, tendo nelas participaram 22 equipas constituídas por 4 elementos com mais de 65 anos de idade, pertencentes a diversas instituições sociais do Concelho de Arouca.

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Cada uma das equipas participantes teve que realizar cinco actividades diferentes, pretendendo, cada uma delas, desenvolver diversas capacidades, desde a resistência, pontaria, rapidez, destreza e equilíbrio.

Aos participantes das quatro equipas com melhor pontuação foi entregue um troféu comemorativo.

A equipa classificada em 1º lugar, nesta 8º edição das Olimpíadas seniores, foi a  equipa 1 do Espaço Sénior da Câmara Municipal de Arouca. O 2ºlugar foi para a equipa da Academia Sénior de Arouca. Para a equipa 2 do Espaço Sénior da Câmara Municipal de Arouca coube o 3º lugar. Em 4º lugar ficou a equipa da Casa do Povo de Alvarenga.

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A entregar os troféus esteve presente a vereadora da Câmara Municipal de Arouca, Prof. Fernanda Oliveira, que se congratulou pelo entusiasmo que esta actividade sénior despertou em todos os participantes.

Além do troféu entregue às equipas classificadas nos primeiros quatro lugares, foram também entregues lembranças a todas as instituições representadas.

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Mas mais do que as troféus contou o ambiente de convívio e de são desportivismo que as diversas actividades destas olimpíadas a todos proporcionaram.

José Cerca

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UMA NOVA FASE NA VIDA DO MOSTEIRO DE AROUCA

por jcerca em 28 de Novembro de 2017

Foi apresentado publicamente, no dia 25 de novembro,  na Sala do Capítulo, o Programa de intervenção no Mosteiro de Arouca cujo investimento se encontra integrado na Operação Mosteiros a Norte, desenvolvida pela Direção Regional de Cultura do Norte e cofinanciada pelo Programa Norte 2020.

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Esteve presente o Ministro da Cultura Dr. Luís Filipe de Castro Mendes, acompanhado do Diretor Regional da Cultura do Norte, Dr. António Ponte, bem como da Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Drª Margarida Belém e do Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

A apresentação detalhada das intervenções para melhorar o circuito de visitas ao Mosteiro e ao Museu de Arte Sacra foram apresentados pela arquiteta Elvira Rebelo da DRCN.

Após esta apresentação, e sendo a primeira vez que o Ministro da Cultura vinha a Arouca, seguiu-se uma visita ao cadeiral, à igreja conventual e ao Museu. No cadeiral, os presentes tiveram ocasião de, durante alguns minutos, apreciar a sonoridade do magnífico órgão ibérico, pelas mãos do seu organista titular, Nicolas Roger.

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A visita terminaria na cozinha do Mosteiro onde foi servida uma prova da doçaria conventual. Prevê-se que este conjunto de intervenções seja executado em 24 meses, devendo já na próxima semana, este projecto ser publicitado na plataforma digital, para seguidamente ser lançado a concurso público.

A urgência desta intervenção

Depois das últimas obras de intervenção no Mosteiro de Arouca, nomeadamente na recuperação de toda a sua cobertura e na pintura das fachadas e janelas que ocorreram nos anos de 2002 a 2004 com um investimento de cerca de dois milhões de euros, chegou, finalmente a ocasião de uma nova intervenção, com vistas a dotar o Convento de Arouca de melhores condições para o acolhimento dos turistas que o visitam.

Na verdade, desde há muito que se fazia sentir a necessidade da modernização das instalações não só reduzidas como obsoletas que acolhiam os turistas e nas quais nem uma bilheteira condigna, nem sequer uma casa de banho,  contemplava.

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Era pois urgente esta nova intervenção que já esteve incluída no projecto de requalificação urbana da zona histórica de Arouca, mas que, por motivos alheios á própria autarquia, não avançaram nessa altura.

Cinco anos depois parece, finalmente, que as obras terão inicio já no próximo ano, logo que esteja terminado todo o processo do concurso público.

Refira-se que este Programa de intervenção será objeto de três candidaturas ao “Norte 2020″, o programa operacional regional do actual quadro comunitário de apoio.

Essas obras englobarão, portanto, três áreas de intervenção. Uma delas, e talvez a mais visível para os visitantes, será a “Instalação de uma Estrutura de Acolhimento ao visitante”, que incluirá, não só a criação de um espaço de recepção, na zona onde outrora funcionou a sede do Centro Juvenil Salesiano, como também instalações sanitárias, um bengaleiro, um vestiário e uma loja de vendas. Atendendo às pessoas com mobilidade reduzida, está ainda prevista, nessa zona, a instalação de um elevador para o primeiro piso, tanto mais que a futura entrada dos visitantes para o Museu será feita a partir desta nova estrutura de acolhimento.

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Um outro tipo de intervenção designado por “Espaço da Memória”, para além da musealização de vestígios medievais, irá albergar sistemas multimédia para visualização e audição de conteúdos interpretativos do Mosteiro, nomeadamente sobre Mafalda Sanches, a “Rainha Santa Mafalda”, e “10 Séculos em 10 minutos”.

A complementar estes trabalhos, será ainda concebida e implementada sinalética para melhor informação dos visitantes.

Atendendo ao mau estado dos janelões da Igreja e coro-alto está também previsto uma outra intervenção nessa área, de modo a substituírem-se todos os respetivos caixilhos tendo em conta questões de sustentabilidade térmica, ambiental e de manutenção com o objetivo de melhorar as condições de conforto dos visitantes.

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Operação Mosteiros a Norte

O Mosteiro de Arouca, conjuntamente com o de  Grijó, Rendufe, Tibães, Pombeiro e Vilar de Frades – constituindo um importante legado da arquitetura religiosa monástica a norte de Portugal, está integrado na rede de MOSTEIROS A NORTE, de modo a dar continuidade às intervenções de consolidação do edificado, melhorando e criando espaços de receção/acolhimento, articulando com o reforço de iniciativas culturais e artísticas e de divulgação dos espaços monásticos como pólos de atração no território e consequente aumento do número de visitantes e criação de novos públicos.

Todos os referidos mosteiros estão classificados como Monumentos Nacionais ou Imóveis de Interesse Público, sendo por isso prioritária a sua preservação, valorização e divulgação.

José Cerca

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MUSEU DE ARTE SACRA FEZ 84 ANOS

por jcerca em 27 de Novembro de 2017

Inaugurado a 27 de novembro de 1933, e instalado em antigas celas do Mosteiro de Arouca com um rico espólio  à guarda da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, este Museu é considerado, depois do Museu da Gulbenkian, um dos mais importantes Museus particulares de Arte Sacra do País. O seu rico e muito variado recheio é constituído por obras de arte que pertenceram à comunidade cisterciense do Mosteiro de Arouca, além de muitas outras peças artísticas oriundas de diversas proveniências.

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Numerosas peças de pintura, escultura, ourivesaria, paramentaria e mobiliário preenchem diversas celas e compridos corredores do Mosteiro de Arouca. Entre elas destaca-se um belo díptico-relicário do sec.XIII e que, segundo a tradição, parece ter pertencido à Rainha Santa Mafalda.

Embora não exposta ao público, refira-se ainda a existência de uma rica coleção de Antifonários, ilustrados com magníficas iluminuras, algumas das quais do sec. XIII.

Este Museu, de entre muitas outras peças de grande valor histórico e artístico, alberga ainda um dos originais do Foral de Arouca doado por D.Manuel I há mais 500 anos, precisamente no dia 20 de dezembro de 1513.

Parados no tempo

Motivo de atração turística, tal como o Mosteiro que o acolhe, este Museu de Arte Sacra, apesar do seu valiosíssimo espólio tem estado parado no tempo, quer na forma como estão expostos, iluminados e tratados os objetos da sua exposição permanente, quer na maneira como se tem vindo a fazer a sua dinamização, não só junto do público escolar e dos próprios arouquenses, como também junto da avalanche de turistas que, arrastados pelo fenómeno “passadiços do Paiva”, têm procurado Arouca como destino turístico.

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Incompreensivelmente a Real Irmandade, instituição criada em 1886 para a guarda e preservação do valioso recheio do Museu de Arte Sacra, bem como para perpetuar a celebração da festa à padroeira de Arouca, tem estado, nos últimos anos, estagnada, fechada, ignorando completamente a grande transformação turística que se tem operado em todo o imenso, diversificado e rico Geoparque de Arouca.

Esperamos que o novo Juiz da Real Irmandade, Dr. Carlos Brito e da sua nova mesa administrativa eleita no passado dia 25 de novembro, assuma, com visão estratégica e com espírito de abertura à comunidade, os destinos desta instituição, extremamente importante para a dinamização do Mosteiro de Arouca e do seu valioso Museu de Arte Sacra que, brevemente, irão ser beneficiados com importantes obras de modernização, anunciadas publicamente pelo Ministro  da Cultura no passado dia 25 de novembro e que ficarão completas até 2019.

José Cerca

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ACADEMIA SÉNIOR DE AROUCA VISITA LAMEGO

por jcerca em 20 de Outubro de 2017

Cultura e sociabilidade

Para alcançar os seus objectivos, a Academia Sénior de Arouca  tem programadas, ao longo do ano lectivo, diversas actividades que visam a promoção de uma melhor qualidade de vida para os seus alunos e associados.

Além das aulas de Português, Inglês, Geografia e Informática, estão disponíveis também as áreas de Artes e Pintura, Viagens Virtuais, Grupo Coral, iniciação ao Cavaquinho, Dança rítmica e Cultura e Sociabilidade.

Orientada pelo prof.Afonso Veiga, a área de Cultura e Sociabilidade, que veio substituir a anterior disciplina de História, pretende proporcionar aos alunos, não apenas a abordagem de temas culturais em sala de aula, como também a realização de diversas visitas de estudo que aliem o conhecimento e a cultura ao convívio e à sociabilidade.

E foi isso que aconteceu no dia 18 de outubro de 2017, com a visita de estudo à cidade de Lamego e ao vale do Douro na região da Régua.

O Museu de lamego

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Instalado no antigo paço episcopal, num imponente edifício que se situa próximo da famosa Catedral de Lamego, este Museu está aberto ao público precisamente há 100 anos e alberga no seu interior, um valiosíssimo espólio, do qual fazem parte 18 tesouros nacionais.

Acompanhados pelas explicações da guia do Museu, os alunos da Academia Sénior puderam apreciar, ao longo das suas 30 salas de exposição, todo o variado e rico recheio artístico deste Museu.

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Muito interessante foi a descrição pormenorizada que a guia fez de alguns dos 18 tesouros nacionais expostos neste Museu, tais como o Políptico de Vasco Fernandes, constituído por cinco painéis, de um conjunto de 20, encomendados a Gão Vasco para a capela mor da Sé de Lamego; as 4 enormes tapeçarias sobre a história do rei Édipo e que são únicas no mundo; a arca tumular do sec XIV atribuída a Teresa Anes de Toledo, a 3ª mulher do conde de Barcelos, D.Pedro Afonso, cujo túmulo se encontra na igreja do Mosteiro de Tarouca.

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Após a visita a este Museu o grupo passou de, imediato, para os claustros da Sé de lamego, a única Sé portuguesa que não foi capital de distrito e cuja origem remonta ao sec.XII.

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Enriquecidos com as explicações do guia da Sé e do professor Afonso Veiga, os alunos puderam ainda admirar o interior barroco desta Sé de 3 naves, bem como os magníficos frescos do seu teto  pintados, na primeira metade do século XVIII, com numerosos episódios bíblicos, pelo pintor-arquitecto italiano Nicolau Nasoni.

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A fachada da Sé mereceu também uma atenta observação pela sequência dos diversos estilos arquitectónicos que ela apresenta e na qual sobressai a sua torre medieval de forma quadrada.

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Caves da Raposeira

Fazendo Lamego parte de uma importante região vinícola, os visitantes seniores tiveram ainda ocasião, após o almoço, de visitar as mais antigas caves de Portugal, as caves da Raposeira criadas em 1898. Depois de percorreram os corredores das suas caves, repletos de enormes tonéis e de milhões de garrafas, os visitantes tiveram ocasião de provar este famoso espumante lamecence.

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Seguiu-se depois uma passagem pela região do Douro vinhateiro, com uma paragem na quinta de S.Domingos para mais uma prova vinícola de uma das maiores e mais emblemáticas riquezas deste região vinhateira, considerada, desde 2001, “Património Mundial da Humanidade”.

José Cerca

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