Histórias de vida

por jcerca em Julho 1, 2009

Todas as pessoas, por mais simples e humildes que sejam, têm um papel na comunidade a que pertencem. Muitas delas, mercê da sua longa experiência de vida e da Universidade da Vida que frequentaram, ao longo dos seus anos, são autênticas bibliotecas vivas que urge preservar para o futuro. Ouvir as suas histórias, escutar a sua experiência é, não só uma maneira de promover a sua integração pessoal e social, como também preservar um rico património humano que, não sendo registado, se tornaria numa irremediável perda para a memória colectiva de toda uma região.

O Projecto MemoriaMedia  surgiu deste necessidade de se proceder à recolha, registo  e difusão da literatura tradicional/ oral/ popular e de todas as formas de manifestação desta cultura enquanto parte do património imaterial, nacional e universal da humanidade. Iniciado há dois anos este Projecto pretende transformar-se no futuro  e-Museu do Património Imaterial.

 

Uma bofetada misteriosa: uma história passada em Arouca


De entre os inúmeros registos em vídeo realizados no âmbito deste projecto e já disponíveis na Internet, fomos encontrar um, passado em Arouca, há cerca de meio século e que nos é narrado por José Quaresma dos Santos que, pela sua capacidade narrativa aí evidenciada, se revela um autêntico contador de histórias.

O narrador desta misteriosa bofetada  que aconteceu na sua infância, mora presentemente em Pedroso, Vila Nova de Gaia e gravou essa história integrada num Curso realizado no âmbito das Novas Oportunidades.

José Cerca

Vejam o vídeo aqui: 

 

Uma  bofetada misteriosa

  

{ 1 comentário }

Feira Solidária do Livro Escolar

por jcerca em Junho 29, 2009

Com o objectivo de ir ao encontro das dificuldades que algumas famílias enfrentam com os pesados encargos na aquisição de livros escolares, a Paróquia de Arouca, vai organizar durante todo o mês de Julho, uma campanha de recolha de livros escolares que estejam em condições de serem utilizados por outros alunos, no próximo ano lectivo.

Os livros deverão ser entregues na Secretaria interparoquial até ao fim de Julho. Na primeira semana de Setembro, realizar-se-á, então, uma feira solidária do livro escolar, , onde os interessados poderão procurar os livros que eventualmente venham a precisar.

Colaboram nesta campanha os jovens do Movimento Juvenil Salesiano de Arouca.

Pretende-se com esta iniciativa fomentar gestos de partilha e de solidariedade cristã na comunidade paroquial, nomeadamente entre os mais novos.

José Cerca

{ 0 comentários }

Festa de S.João das Costeiras

por jcerca em Junho 25, 2009

Festa popular em tempo de crise

 Não havia mordomos para fazerem a festa este ano, na capela de S.João das Costeiras, ali mesmo ao lado do antigo campo de futebol. E o facto foi comunicado ao pároco, Pe. João Pedro Bizarro que, de imediato, sugeriu que se arranjassem umas sardinhas que a festa havia de se fazer. E fez-se!

Fez-se sem foguetes perigosos, nem conjunto musicais dispendiosos.

Fez-se sem cartazes afixados nas paredes, nem peditórios, de porta em porta. Fez-se sem leilões para arranjar dinheiro, nem bandas musicais para cantar a Missa.

A festa fez-se e o convívio entre os paroquianos que apareceram, ao fim da tarde, aconteceu espontaneamente.

Com a capela completamente cheia, o pároco celebrou a Missa, um grupo de pessoas animou-a musicalmente e o S.João teve a sua festa, simples, mas digna de quem foi o precursor de Cristo, há mais de dois mil anos.

Depois da Missa e no amplo recinto da capela, completamente limpo pela Junta de Freguesia de Arouca, fez-se o convívio com fêveras grelhadas, sardinhas assadas, boroa caseira, caldo verde e o indispensável tinto da região.

Depois de sossegada a fome, a música enlatada animou o bailarico, que a noite estava agradável e o espaço convidava a um pé de dança, a que nem os mais idosos conseguiram resistir.

Enquanto o convívio decorria, no adro, em cima de uma mesa, frente ao palco, uma caixinha convidava os presentes a um segundo “Ofertório” de modo a que, quem o desejasse, pudesse também sentir-se, desse modo, participante e contribuinte nesta singela e popular festa a S.João.

Sem grandes orçamentos, nem dispendiosos programas festivos, mas com alguma imaginação e muita vontade de uns tantos devotos do Santo, assim se fez a festa ao S.João das Costeiras, num ano dito de crise.

Mas enquanto não houver crise de ideias, nem de vontades, nenhuma crise vencerá.

Que o exemplo seja seguido. Que a lição seja aprendida!

 

José Cerca

{ 0 comentários }

Agrupamento de Escolas de Arouca

por jcerca em Junho 22, 2009

Encerramento das actividades lectivas

 exposicoes

Exposições, desporto, pedy-paper, teatro, canções, danças, declamações, marchas populares e teatro de fantoches. Foi com um leque de actividades, assim tão diversificadas que o Agrupamento de Escolas de Arouca encerrou o ano escolar, no passado dia 19 de Junho.

Apesar de, nesse mesmo dia, de manhã, os alunos do 9º ano terem o seu exame nacional a Língua Portuguesa, foi possível coabitar festa com exames, pois durante a manhã, a maior parte dos alunos esteve ocupada com actividades desportivas no pavilhão de jogos da Casa do Povo.

 Exposições

Durante todo esse dia, várias salas da escola estiveram ocupadas com diversas exposições que patentearam, a toda a comunidade escolar, alguns dos muitos trabalhos realizados durante o ano lectivo, não só em diversas disciplinas, nomeadamente, História, Inglês e Educação Visual, mas também  em alguns clubes e em temas relacionados com o ambiente local, desenvolvidos na Área de Projecto de algumas turmas e em diversas escolas do Agrupamento, quer do 1º ciclo, quer do pré-escolar.

“Discurso Directo” ficou mesmo surpreendido com a qualidade e diversidade de trabalhos expostos nas salas, onde havia, durante a tarde, a presença de alguns alunos que iam explicando aos visitantes os trabalhos expostos.

 O palco

musica

Por um amplo palco, montado no recinto escolar, passaram muitos alunos que exibiram aí, não só cantos corais mas também diversos números de flauta que foram interpretados por alunos do 5ºD e alunos do  6º ano, sob a orientação da professora Adelina .

Apesar das condições técnicas não serem as melhores, foram aí representadas também duas peças de teatro, levadas à cena pela turma do 5ºI que apresentou a história do “Macaco do rabo cortado” dramatizada a partir de um texto de António Torrado e a peça de teatro “Falar verdade a mentir” de Almeida Garrett interpretada  pela turma do 8ºB, sob a orientação de alguns professores das referidas turmas.

Por esse palco desfilaram também as Marchas do S.João, emolduradas numa interessante coreografia e que foram levadas a efeito pelos alunos das turmas do 6ºD e 6ºI que as prepararam nas aulas de Área de Projecto, sob orientação dos respectivos professores.

Atendendo ao grande investimento de tempo e de material cénico, pena foi que não tivesse sido possível apresentar este número, à noite, na festa organizada pela Associação de Pais.

 A festa

marchas-populares

Embora ultrapassando algumas dificuldades e resistências, a Associação de Pais da Escola E.B.2,3 de Arouca conseguiu organizar, na noite desse dia, uma festa-convívio que trouxe à escola muito público, desde alunos, professores, encarregados de educação e seus familiares.

Foi um momento de convívio muito agradável, durante o qual e paralelamente às actividades culturais que se iam desenrolando no palco, ou às exposições que continuavam abertas nas salas, se iam servindo, a todos os interessados, comes e bebes preparados pela Associação de Pais.

Durante a noite, esteve também presente, à entrada para as exposições, uma projecção de imagens sobre as inúmeras actividades realizadas, quer dentro, quer fora da escola, ao longo do ano lectivo.

 Entrega de prémios

Integrado ainda no encerramento das actividades escolares, teve lugar na Biblioteca da sede do Agrupamento, na tarde do dia 18 de Junho, uma sessão cultural, no fim da qual foram entregues prémios em livros e Diplomas referentes a actividades e concursos promovidos, quer pela Biblioteca/Centro de Recursos, quer por algumas disciplinas, nomeadamente Língua Portuguesa e História.

Além de uma exposição com trabalhos realizados no âmbito do Projecto “Interteca, Arouca como recurso”; além da declamação de poemas e da dramatização do conto “Filémon e Báucis” feita a partir de um texto de António Sérgio e representado pela turma do 6ªF, a sessão cultural contou ainda  com a participação de diversos alunos da escola que frequentam a Academia de Música de Arouca e que executaram diversos trechos musicais em   flauta, saxofone e violino, acompanhados ao piano pelo professor Pedro Cunha da referida Academia.

 José Cerca
Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº 60 de 26 de Junho de 2009

{ 1 comentário }

O fim da indisciplina

por jcerca em Junho 21, 2009

Agora que o ano escolar chegou ao fim, será oportuno ler-se este artigo publicado este fim de semana no Expresso por José Alberto Quaresma e que retrata, globalmente, a situação vivida na maior parte das nossas escolas, no que se refere à disciplina na sala de aula. Querendo, poderá comentar este artigo, clicando em “Comentários” no fim do mesmo. 
José Cerca

expresso

A gente precisa de um olhinho de fora para nos vermos melhor. Desta vez um estudo da O.C.D.E. (e deixemos de lado a bizantina questão se é inquérito ou sondagem) revela que somos dos países da Europa onde os professores perdem mais tempo a manter a disciplina dentro da sala de aula e, ocupados em tarefas administrativas, passam menos tempo a ensinar.

Quem está dentro de uma sala de aula, sobretudo no 2º e 3º Ciclo, sabe que não é fácil chegar àquele momento de acalmia, silêncio, atenção, sem o qual a aprendizagem se torna quase impossível. Passam muitas vezes quinze, vinte, minutos sobre o toque de entrada e o sururu e a rebaldaria continuam.

Em disciplinas, pouco menos que inúteis, como “Formação Cívica” ou “Área de Projecto”, a indisciplina grassa ainda com maior leveza. Nunca compreendi por que razão, de há muitos anos a esta parte, se sobrecarregam os currículos dos alunos com estas disciplinas bizarras, acrescentando mais horas inúteis, roubando tempo e energia, ao que devia ser essencial no Ensino Básico: precisamente a aprendizagem de práticas e de conteúdos de formação básica.

Os conteúdos de “Formação Cívica” são transversais a todas as disciplinas. E não é pelo facto de “Formação Cívica” existir como disciplina autónoma que os problemas, de indisciplina e de falta de civismo dentro das escolas, se atenuaram nos últimos anos. Pelo contrário.

Por outro lado, a disciplina autónoma, de “Área de Projecto”, no Ensino Básico, é um absurdo. Se há projectos a desenvolver com os alunos - e são desejáveis -, o espaço disciplinar ou interdisciplinar é mais do adequado para os concretizar.

Outra das bizarrias que, em minha opinião, não contribuiu para minimizar os problemas de indisciplina dentro da sala de aula, é a descoberta da polvorosa crença de que as aulas de noventa minutos são melhores para as aprendizagens. Num tempo de comunicação instantânea, e de globalização, exceptuando as disciplinas de conteúdos práticos, é penoso para um aluno manter-se atento, e concentrado, noventa minutos consecutivos. E é igualmente penoso para um professor, por mais criativo e perseverante que seja, inventar estratégias mirabolantes que permitam este desiderato.

As aulas, muitas vezes, acabam por ser o prolongamento natural do recreio. O recreio, aquela maravilhosa terra de ninguém, onde é raro ver um vigilante. Onde tudo acontece, do “bullying” à violência impura e dura.

E é o espírito do “recreio” que, salvo muitas excepções, continua a presidir às “boas” práticas educativas. Então nos não foi vendido, durante décadas, o peregrino e ditirâmbico ideário pedagógico de que o professor devia tudo fazer (pinos à parede se fosse preciso) para tornar os conteúdos leves; o professor como “facilitador das aprendizagens”; o professor “estimulador” do aluno para “aprender a aprender”; e outras balelas que nos têm garantido coriaceamente a cauda da Europa nos indicadores da Educação?

Não desesperemos. A indisciplina nas aulas está a desaparecer. O ano lectivo está no fim. As escolas vão entrar num doce sopor. E, lá para Setembro, voltaremos a ouvir falar de arruaça, de indisciplina, de simples bruaá ou de nada mesmo. Passa-se alguma coisa na escola em Portugal

 Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

José Alberto Quaresma

In:http://aeiou.expresso.pt/o-fim-da-indisciplina=f521683

{ 0 comentários }