COMO UM GRÃO DE AREIA

por jcerca em 8 de Dezembro de 2018

A inspiração é, para qualquer poeta ou escritor, quase sempre “como um grão de areia” que, grão a grão, areia atrás de areia, acabam por formar uma acolhedora e aprazível praia e, neste caso, por produzir  um livro de poemas.

Foi para apresentar um desses livros, ”Como um grão de areia”, saído da inspiração poética de Maria de Lurdes Duarte, que no dia 8 de dezembro, se realizou na Biblioteca Municipal uma sessão pública.

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Com a sala repleta de pessoas, muitas delas de Alvarenga, onde Maria de Lurdes reside desde há 17 anos, a Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, começou por manifestar o seu orgulho por estar presente na apresentação de mais uma obra produzida em terras de Arouca.

Por sua vez o editor José Carlos de Brito, responsável pelas edições de poesia “Mimos e Livros”, da Editora Lugar da Palavra, agradeceu o apoio que a Câmara Municipal de Arouca e a Junta de Freguesia de Alvarenga deram à edição deste livro, o 4º de poesia desta jovem editora. Referiu que a proposta desta edição partiu não da autora, mas sim da editora, o que, já por si, garante a qualidade do conjunto de poemas agora publicados, afirmando que se trata de um trabalho “de grande maturidade e de um brilhantismo notável”.

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Coube ao alvarenguense Dr.Reinaldo Noronha fazer a apresentação do livro falando um pouco de alguns dos seus poemas, ele que também gosta muito de escrever poesia, mas que o tem feito, desde há muito, apenas “para o baú”. Para o apresentador, a poesia não se vê na cara das pessoas, mas “está na busca das palavras e na sensibilidade de quem as escolhe”. Pela leitura rápida que fez de alguns “grãos de areia” que compõem este livro, Reinaldo Noronha afirmou que se trata de uma poesia “ligada ao sofrimento dos outros, ao transcendente e também à fé, quer seja ela cósmica ou divina”.

Finalmente, coube à autora agradecer a todos aqueles que contribuíram para este momento de apresentação do seu primeiro livro constituído por alguns (80) dos seus numerosos poemas que, desde há muito, vem escrevendo mas que tinham ficado não na gaveta, mas sim no disco do seu computador.

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Foi a partir de 2015, depois de ter ganho o 1º prémio num concurso de poesia, organizado numa Semana Cultural em Alvarenga, que começou a surgir a possibilidade desta publicação. Para isso muito contribuiu o incentivo, não só dos seus filhos, como também de alguns colegas professores e de muitos amigos que foram conhecendo a qualidade dos  seus textos, não só em poesia como também em prosa, através da sua divulgação nas redes sociais em “Palavras à solta” e também na publicação de algumas crónicas na revista digital “Bird Magazine”.
Para Maria de Lurdes Duarte “as palavras são uma forma de superação”. Que elas transmitam “algo de bom e de positivo” foi o desejo da criadora desta praia “como um grão de areia”.

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Como vem sendo habitual nestas ocasiões, a sessão de apresentação terminou com um momento de autógrafos seguido de um porto d’honra.

José Cerca

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VISITA DE ESTUDO A SANTO TIRSO

por jcerca em 6 de Dezembro de 2018

 Percorrendo espaços beneditinos

Organizada pela disciplina de “Cultura e Cidadania”, mas aberta à participação de todos os alunos e associados da Academia Sénior de Arouca, teve lugar no dia 5 de dezembro uma visita de estudo a Santo Tirso que, permitiu aos seus participantes, conhecer, não só alguns aspectos deste território do Vale do Ave, como também percorrer dois importantes espaços beneditinos situados neste Concelho.

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Mosteiro beneditino de Santo Tirso

O primeiro espaço beneditino visitado foi a igreja monástica e actual igreja matriz de Santo Tirso e que remonta a meados do sec.XVII, muito embora a origem deste mosteiro date do sec.X. Da igreja, onde foram fornecidas, por uma guia, importantes informações históricas sobre o recheio artístico aí presente, os visitantes seniores passaram à sacristia onde puderam admirar um imponente retábulo-relicário fechado por volantes pintados, tendo de seguida, percorrido todo um outro amplo espaço monástico constituído pelos belos claustros de forma quadrada e emoldurados por colunas dúplices encimadas com capiteis ornamentados por rostos de humanos, animais ou por diversos motivos vegetalistas.

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Escola profissional agrícola Conde de S.Bento

Ocupando parte das instalações monásticas, bem como a quinta do Mosteiro beneditino esta escola profissional, criada em 1913, é a mais antiga escola agrícola do país. Acompanhados por um dos seus professores, os alunos seniores puderam visitar alguns dos espaços monásticos que estão sob a sua dependência, nomeadamente a adega, onde se produz o vinho verde “Conde de S.Bento”; a sala do capítulo, agora transformada em capela, com uma exuberante decoração em azulejos e afrescos no teto e nas paredes;  e a antiga biblioteca do Mosteiro, actualmente a funcionar como Salão Nobre da escola agrícola. A visita à escola terminou nos segundos claustros deste mosteiro beneditino, bem mais simples do que os primeiros.

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O final da manhã foi ainda preenchido por uma visita guiada ao Museu Abade Pedrosa, instalado num dos pisos da Hospedaria do Mosteiro, que foi discretamente requalificada, pelo  arq. Souto Moura para aí albergar o espólio arqueológico do Abade Pedrosa. Mesmo ao lado deste Museu tiveram os visitantes ainda ocasião de conhecerem a sede do Museu Internacional de escultura contemporânea, obra do arq. Siza Vieira. Trata-se de um museu invulgar, pois o seu acervo, composto por 55 esculturas, está espalhado por diversos espaços públicos da cidade. Uma ou outra dessas esculturas pode ser vista ao longo de uma pequena caminhada que os visitantes fizeram até um dos Restaurantes da cidade onde lhes foi serviço um excelente almoço.

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Após o almoço, uma subida ao Monte de Nossa Senhora da Assunção, sobranceiro à cidade de Santo Tirso, a 502 metros de altitude e onde os visitantes arouquenses puderam visitar o santuário mariano inaugurado pelo Cardeal Cerejeira em 1934, bem como contemplar a paisagem sobre a cidade e sobre todo o vale do Ave.

Mosteiro beneditino de Singeverga

Bem diferente do primeiro espaço beneditino visitado é este mosteiro localizado na freguesia de Roriz, ainda dentro do Concelho de Santo Tirso. Diferente pela sua arquitectura e diferente por se tratar de um Mosteiro ainda habitado por monges (cerca de 25).

Recebidos na moderna igreja do Mosteiro pelo Abade D. Bernardino Costa, os visitantes receberam algumas interessantes informações sobre os diversos elementos artísticos existentes nesse belo templo, nomeadamente sobre a única obra existente em Portugal, do pintor veneziano, do século XVI, Tintoretto, representando a Adoração dos Reis Magos e magnificamente colocada por debaixo do órgão de tubos.

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Da igreja passou-se à sala do Capítulo onde foram dadas mais informações sobre algumas pinturas aí presentes evocando diversos momentos da obra beneditina. Não faltaram também as explicações sobre as diversas fases do fabrico do famoso licor de Singeverga e em cuja composição entram 12 especiarias diferentes. Seguiu-se, depois, uma prova deste licor que pode também ser adquirido pelos visitantes.

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A passagem por este espaço beneditino terminou com uma visita a um pequeno Museu de Etnografia.  Pequeno no seu espaço mas rico na colecção de arte africana aí exposta, sendo de realçar uma deslumbrante colecção de borboletas, considerada única na Europa.

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Conhecer território e absorver cultura

Realizada em pleno Ano Europeu do Património Cultural esta visita de estudo proporcionou, a todos os que nela participaram, um maior conhecimento de alguns dos muitos exemplares do nosso património espalhados pelo País, nomeadamente no âmbito da rica arquitectura beneditina.

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Acompanhada de um guião “conhecer território e absorver cultura” elaborado pelos serviços de turismo de Santo Tirso, que disponibilizaram ainda uma simpática guia para nos acompanhar durante todo o dia, esta visita revelou também como os serviços municipais de turismo do nosso País poderão contribuir para estimular junto dos turistas o “Vá para fora cá dentro”. Efetivamente, além de uma mensagem do vereador do Turismo, transmitida pela guia, esteve a receber-nos, no final da visita, a Chefe dos Serviços de Turismo que entregou a todos os visitantes lembranças que contribuirão, certamente, como actividade de “trabalho para casa”, para um maior aprofundamento, sobre o território visitado.

José Cerca

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IX OLIMPÍADAS SENIORES

por jcerca em 29 de Novembro de 2018

Desde há 9 anos que a Câmara Municipal de Arouca vem organizando as Olimpíadas seniores integradas nas atividades promotoras do envelhecimento bem-sucedido, junto da população sénior do Concelho de Arouca.

A edição deste ano decorreu no dia 29 de novembro, no pavilhão da Casa do Povo, tendo nelas participaram 22 equipas constituídas por 4 elementos com mais de 65 anos de idade, pertencentes a diversas instituições sociais do Concelho de Arouca.

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Cada uma das equipas teve que realizar cinco actividades diferentes, pretendendo, cada uma delas, desenvolver diversas capacidades, desde a resistência, pontaria, rapidez, destreza e equilíbrio dos participantes.

Aos participantes das três equipas com melhor pontuação foi entregue uma medalha comemorativa.

A equipa classificada em 1º lugar, nesta 9º edição das Olimpíadas seniores, foi a  equipa da Freguesia de Várzea. O 2ºlugar foi para a equipa 2 da Academia Sénior de Arouca (Asarc). Para a equipa 3 do Espaço Sénior da Câmara Municipal de Arouca coube o 3º lugar.

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A realização destas Olimpíadas contou com a colaboração de alunos do 12º ano da Escola Secundária de Arouca que frequentam o Curso Profissional de Técnico de Auxiliar de Saúde.

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A demonstração inicial de cada um dos exercícios foi feita por alunos do 1º ciclo da EB1 de Arouca, numa participação intergeracional nestas Olimpíadas seniores.

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José Cerca

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HÁ INCÊNDIO NA FLORESTA

por jcerca em 24 de Novembro de 2018

Numa altura em que não só Arouca, mas também todo o País ainda estará bem recordado da tragédia que, recentemente, afetou  numerosas das suas  localidades, atingindo-as nos seus recursos humanos, materiais  e florestais, a publicação desta história infantil “Há incêndio na floresta” não poderia ter sido mais oportuna, pelo contributo que poderá trazer  para a sensibilização desta problemática, a partir das crianças.

Técnica superior da Câmara Municipal de Arouca, a trabalhar nos serviços da Biblioteca Municipal, Margarida Rocha é a responsável por esta história infantil que a editora “Trinta por uma linha” trouxe a público numa bela obra gráfica e ricamente ilustrada por Hélder Barbosa.

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Na sessão de apresentação que teve lugar, no dia 23, dia da Floresta autóctone,  na Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão, a Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém, ao referir-se a este “espaço tão belo e significativo do Mosteiro de Arouca”, aproveitou para anunciar, que nesse mesmo dia, tinha sido lançado pelo Instituto do Turismo de Portugal o concurso para a instalação de uma unidade de alojamento na ala sul, integrado no Programa governamental “Revive”.

Referindo-se à apresentação da obra Margarida Belém considerou-a “especial”, por se tratar de uma obra infantil de uma arouquense; “especial” por abordar um tema que está na ordem do dia, e “especial” por a autora ser também colaboradora municipal na respectiva Biblioteca.

Por sua vez, o editor João Manuel Ribeiro referiu que uma das linhas de orientação da editora “Trinta por uma linha” é dar voz a autores que nunca editaram qualquer obra. Considerado que o tema da história abordada nesta obra é muito bonito, muito actual e enriquecido por uma linda ilustração gráfica, entende que este livro poderá funcionar como uma campanha de prevenção contra incêndios, mesmo que as personagens da história não sejam pessoas, mas sim animais da floresta.

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Muito ligado à temática dos incêndios e das florestas, pelos  cargos que já ocupou à frente do Município de Arouca e pelo cargo que, presentemente, ocupa como Secretário de Estado da Protecção Civil, Artur Neves transpôs para a sociedade e para a vida real a lição e a maneira de agir das personagens desta história que, perante a realidade do incêndio imediatamente se organizaram, montaram vigilância,  trataram do ordenamento e apostaram na prevenção. Artur Neves considerou esta obra infantil muito didáctica, abordando uma problemática muito actual como são a floresta e os incêndios.

Coube a autora falar um pouco da obra, começando por manifestar o seu grande gosto, a sua “paixão” em ler e em escrever. Agradeceu à Editora esta oportunidade que lhe deu e à Câmara salientou todo o apoio que sempre dá à divulgação do capital humano arouquense.

Esclarecendo que escreveu inicialmente esta história para o seu filho, referiu que nela não há uma atitude de culpabilização de ninguém perante a evidência do incêndio surgido, mas uma grande união de todos os personagens para fazerem frente ao incêndio deflagrado no mundo dos animais.

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Entende a autora que esta história será um pequeno contributo para a educação das novas gerações e uma sensibilização de todos para a preservação e protecção da floresta em permanente perigo de vida. Seguiu-se um momento para a autora autografar, com uma breve dedicatória personalizada, os livros adquiridos.

A sessão de apresentação terminou com um porto d’honra acompanhado da habitual doçaria conventual.

José Cerca

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LENDAS E HISTÓRIAS DE AROUCA

por jcerca em 18 de Novembro de 2018

Era uma vez….

Era assim que, antigamente, sobretudo aos serões, à volta da lareira e no aconchego familiar, muitas das histórias populares eram transmitidas oralmente, de geração para geração, criando mesmo aquilo que viria a ser designado mais tarde, como “literatura oral”, amplamente estudada em ambientes académicos.

E foi baseado nessa rica “literatura oral”, existente também em Arouca, que a associação “Circulo Cultura e Democracia” promoveu mais um dos seus serões, no dia 17 de novembro, na Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão, instalada em espaços conventuais.

Importância da literatura oral

E para introduzir esse tema ninguém melhor do que Arnaldo Saraiva, professor emérito da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

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Através da sua grande capacidade comunicativa, Arnaldo Saraiva galvanizou a atenção do público presente falando da importância da memória sem a qual “não se pode viver”; descrevendo a linguagem como “um mistério” e as cordas vocais como “uma maravilha”; falando dos diversos tipos de comunicação, nomeadamente a comunicação oral e a comunicação escrita e privilegiando a comunicação oral, até porque qualquer ser humano começa sempre por falar antes de escrever.

Na sua fluente e cativante digressão pelo tema da oralidade, Arnaldo Saraiva considerou que os serões eram momentos e espaços favoráveis à transmissão da oralidade e referiu que são cada vez mais raros os informadores da memória oral, devido à evolução social e tecnológica em que vivemos.

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Depois de fazer uma breve análise a um dos textos mais conhecidos da nossa literatura oral “A Nau Catrineta” (Catarineta, melhor dizendo, pois esta narrativa refere-se à nau Santa Catarina), o professor universitário referiu outros exemplos de oralidade tais como, contos populares, lendas, adivinhas, provérbios, anedotas, quadras populares e até mesmo cantares ao desafio e que constituem toda uma vasta e diversificada literatura oral que têm resistido à evolução vertiginosa dos tempos.

Exemplos locais de literatura oral

Depois desta introdução, entrou em acção o Grupo Cultural e Recreativo de Rossas que, de uma maneira criativa e bem divertida, interpretou alguns dos contos populares  e algumas das lendas de Arouca, através de três dos seus elementos. E foi assim que deram vida à “lenda do  preto de Terçoso”, à lenda das “laranjas do Burgo”, à lenda de “Soror Rosimunda” e à lenda das “pegas da rainha santa Mafalda”.

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A intervalar estas interpretações, foram sendo lidos alguns contos populares, também relacionados com Arouca e recolhidos, junto de pessoas mais idosas, por alunos da professora Maria Antónia Soares dos Reis Brandão, quando leccionou na Escola Secundária de Arouca, durante o ano lectivo de 1994-95. Essas histórias viriam a ser reunidas, anos depois, em 2015, na colectânea “Histórias de Arouca”. Foi dessa colectânea que foram lidos, pela referida professora, três dessas histórias pertencentes ao  acervo do património oral de Arouca.

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Lançado o desafio ao público presente, foram ainda acrescentadas ao reportório oral deste serão mais três narrativas, uma sobre a Fada Capuchinha, narrada por uma jovem (Ortelinda);  outra sobre a lenda da Senhora da Mó, narrada por uma criança (David);  e finalmente,  a evocação do episódio das “relas” passado, há muitos anos,durante uma semana santa, na vila de Arouca, recordado pela memória de Carlos Esteves.

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E assim, através da dramatização, da leitura e da narração de alguns exemplares do acervo oral de Arouca se realizou mais uma sessão dos “Serões do Círculo”, contribuindo assim para a preservação dos valores da nossa cultura oral.

José Cerca

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