275 ANOS A ENCANTAR COM A SUA SONORIDADE

por jcerca em 22 de Outubro de 2018

Com uma série de três concertos programados para comemorar os 275 anos de vida do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca, teve lugar no dia 20 de outubro o segundo desses concertos, com o organista titular da Igreja da lapa, Tiago Ferreira, a dar vida ao rei dos instrumentos musicais.

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O primeiro desses concertos teve lugar no passado dia 7 de julho  com a atuação do grupo musical “Ventos do Atlântico”. O próximo concerto ocorrerá no dia 24 de novembro com a atuação, além do órgão, de outros instrumentos barrocos de cordas e flautas.

  O Órgão Monumental

Exibindo a data de 1743 na sua fachada barroca, o órgão de tubos do Mosteiro de Arouca foi fabricado por Manuel Bento Gomes Ferreira, natural de Valhadolid, residente, então, em Lisboa e autor também do órgão da Capela da Universidade de Coimbra. Ao que se sabe, a sua construção iniciou-se em Lisboa em 1739, tendo sido implantado no Coro alto em 1743, na zona localizada  entre o coro das freiras e a igreja do mosteiro, o que tem feito dele, ao longo dos anos, um instrumento não só para a liturgia, como também para a execução de concertos diversos.

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Possuindo 1352 vozes, alimentadas por 24 registos, alguns deles imitando a trombeta de batalha, trombeta real, baixos imitando o mar agitado, registo de bombo, registo de vozes de canários, registo de vozes de ecos, flauta, clarinetes, flautins, trompas, etc.  este órgão ibérico é  considerado pelos especialistas um dos instrumentos mais importantes da escola de organaria ibérica em todo o mundo.

Tendo sido já objeto de obras de restauro há mais de duas décadas, a última intervenção foi feita em 2009, em Barcelona, durante um ano e esteve a cargo da empresa Gerhard Grenzing, considerada  líder na recuperação de órgãos. Graças a um cuidadoso trabalho foi possível recuperar-se a sonoridade original deste órgão, uma vez que restauros anteriores lhe haviam adulterado a sua identidade sonora.

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Apesar dessas vicissitudes, ao longo dos tempos, este órgão 275 anos depois de instalado no Mosteiro de Arouca, continua a encantar os ouvintes com as potencialidades da sua extraordinária sonoridade.

No passado sábado dia 20 de outubro, no segundo dos concertos programados para esta efeméride, o público que aí acorrer pode, uma vez mais, comprovar isso.

O Concerto

Promovido pela Real Irmandade da rainha santa Mafalda, com o apoio da Câmara Municipal de Arouca, este segundo concerto teve lugar no dia 21 de outubro, tendo como protagonistas o órgão ibérico e o organista Tiago Ferreira da Igreja da Lapa e maestro do coro da Sé do Porto. Foram  interpretadas obras de compositores do sec.XVII, tais como  Manuel Rodrigues Coelho, Frei Diego da Conceição, Pablo Bruna, Pedro de Arauxo e Johann Sebastian Bach.

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O reportório que fez parte deste concerto foi seleccionado pelo organista, tendo em conta as características sonoras deste órgão, o que permitiu ao público apreciar a beleza acústica de toda a sua sonoridade, como ainda escutar alguns dos registos mais raros deste órgão.

Dado que o teclado deste órgão, localizado no coro alto do Mosteiro, não permite a sua visibilidade, por parte do público, a extraordinária sonoridade deste concerto foi completada e enriquecida com a projecção, em tela gigante, do organista que explorou todos os recursos acústicos deste magnífico órgão ibérico. Esse suporte visual permitiu, assim, que o público pudesse também acompanhar não só o teclado e os registos desta rara peça organeira como também seguir a expressão corporal do seu organista. Na opinião de vários ouvintes este terá sido um dos melhores concertos ocorridos neste rico espaço barroco do Mosteiro de Arouca, como o é o seu emblemático cadeiral.

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O concerto terminou com uma improvisação do organista sobre o Hino da Rainha santa Mafalda com que todos os anos se encerram os festejos da padroeira de Arouca.

José Cerca

 

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ABERTURA DO ANO MISSIONÁRIO NA DIOCESE DO PORTO.

por jcerca em 14 de Outubro de 2018

Na sequência de um apelo do Papa Francisco para a realização de um “mês missionário extraordinário” em outubro de 2019,  a Conferência Episcopal Portuguesa decidiu criar o Ano Missionário especial que decorrerá, em todas as dioceses católicas do país, de outubro de 2018 a outubro de 2019 para promover “um maior vigor missionário em todas as dioceses, paróquias, comunidades e grupos eclesiais, desde os adultos aos jovens e crianças”.

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Foi em Arouca que teve lugar a abertura desse Ano Missionário para a diocese do Porto, o que aconteceu no passado domingo 14 de outubro, na celebração da Eucaristia solene com que encerrou a Semana Missionária em Arouca e, conjuntamente, o Dia Vicarial da família.

A Semana Missionária

Promovida pelo Secretariado Diocesano das Missões do Porto esta Semana Missionária, que decorreu em Arouca de 8 a 14 deste mês, foi dinamizada por cerca de 14 missionários que animaram um conjunto diversificado de atividades nas diversas comunidades cristãs do concelho de Arouca. Devido à extensão do Concelho foram criados dois núcleos e três grupos de trabalho de modo a abranger todas as paróquias.

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Assim, ao longo dessa semana e nas diversas paróquias, houve encontros com catequistas e catequizandos, reuniões com jovens e com grupos paroquiais; houve visitas às escolas, às instituições e aos doentes; deu-se início às actividades catequéticas com reuniões de pais, filhos e respetivos catequistas. Houve ainda uma Vigília Missionária na igreja do Mosteiro de Arouca, tendo como tema “agarra o desafio da Missão”e que foi desenvolvido sob o ícone da Luz.

A abertura da Semana Missionária em Arouca teve lugar no dia 8 de outubro, à noite, com uma concelebração da Eucaristia na igreja do Mosteiro de Arouca, presidida pelo Vigário Pe. Araújo e durante a qual houve a cerimónia do envio dos Missionários:

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“Caros missionários: levai a alegria do Evangelho, expulsai o mal dos corações, falai a linguagem do Amor e do Bem, animai os doentes, escutai as crianças e os jovens, fortalecei as famílias…”

Esta Semana Missionária terminou no domingo, dia 14, com uma Eucaristia Solene Presidida pelo Bispo do Porto D.Manuel Linda e concelebrada por numerosos sacerdotes e diáconos da diocese, bem como pelos missionários intervenientes, estando animação musical a cargo do Grupo Coral de Urrô, acompanhado pela sonoridade do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca.

 Dia Vicarial da Família

A celebração da Eucaristia do encerramento da Semana Missionária foi precedida de um encontro de reflexão no auditório dos Bombeiros Voluntários de Arouca sobre “O amor no matrimónio”, a partir da encíclica “Amoris laetitia”.

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Promovida pelo Secretariado Diocesano da Pastoral  Familiar (SDPF) e orientada pelo casal Sónia e Manuel Martins esta reflexão foi essencialmente dirigida aos 41 casais jubilados vindos de diversas comunidades da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra e que faziam neste ano, 10, 25, 50 ou 60 anos de vida matrimonial.

A anteceder a reflexão houve um momento musical instrumental com o grupo Rão Kyao que interpretou diversos temas populares de autores portugueses dedicados a Nossa Senhora.

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Intercalada e enriquecida com breves testemunhos vivenciais do casal orientador esta reflexão abordou diversas passagens muito práticas sobre como crescer no amor em casal, de acordo com as orientações da encíclica AL.

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Durante a Eucaristia, e após a homilia do Bispo do Porto, foi feita a renovação do compromisso matrimonial assinalada, no final, com uma salva de palmas da assembleia e com um cântico adequado ao momento pelo grupo coral.
Refira-se ainda que, no momento do Ofertório, foram levados ao altar alguns objectos simbólicos referentes, quer ao matrimónio, quer à acção missionária.

A Eucaristia do envio missionário

IMG_6397Com a igreja do Mosteiro de Arouca completamente cheia e a funcionar, nesse dia, como catedral diocesana, foi daqui que saíram as 22 talhas luminosas para cada uma das Vigararias da Diocese do Porto e que foram acesas por D.Manuel Linda, a partir da talha maior que, por sua vez, recebeu a luz do círio missionário. Com as talhas todas erguidas no corredor central desta catedral temporária foi cantado pelo coro “A luz de Cristo”. E com este gesto, lindo e bem expressivo, se iniciou o Ano Missionário na Diocese do Porto.

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Antes, porém, tinham sido apresentados à assembleia todos os missionários que animaram a Semana Missionária, dizendo cada um deles o seu nome, a localidade e a ordem religiosa a que pertenciam.

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Coube, seguidamente, ao Pe. Farias, como coordenador de zona da ANIMAG (Animadores Missionários Ad Gentes) fazer um balanço da Semana Missionária que hoje terminava, considerando-a um êxito pelo envolvimento das pessoas nesta iniciativa pastoral de animação missionária e pelo apoio recebido dos respectivos párocos.

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Como Vigário, coube ao Pe. Araújo agradecer a presença do sr. Bispo, pela primeira vez nesta Vigararia, bem como a todos os missionários que animaram as comunidades cristãs ao longo da semana missionária, assim como a todos os casais jubilados que aderiram ao Dia Vicarial da Família.

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Após as palavras de agradecimento do Bispo do Porto aos missionários que já percorreram as 26 paróquias da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra, bem como a todos aqueles que com eles colaboraram mais directamente,  foi rezada por toda a assembleia a Oração do Ano Missionário, seguindo-se o cântico “Todos Discípulos Missionários”.

José Cerca

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EMPREENDIMENTO TURÍSTICO NA PARADINHA

por jcerca em 30 de Agosto de 2018

Banhada pelos rios Paiva e Paivó, considerados ainda dois dos rios menos poluídos da Europa, o lugar da Paradinha constitui uma das aldeias de xisto mais típicas do concelho de Arouca, na freguesia de Alvarenga e cuja paisagem natural foi sofrendo, ao longo dos anos, progressivas transformações.

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Sendo as vias de comunicação elementos importantes em qualquer paisagem construída, refira-se que, durante muitos anos, o acesso a esta aldeia foi feito apenas por um estreito caminho em terra batida. Desde há alguns anos, esse acesso foi significativamente melhorado, não só no seu ligeiro alargamento, como no seu asfaltamento, que terminou em 2008.

Da desertificação à recuperação

Aldeia essencialmente agrícola, a Paradinha, como muitas aldeias do interior do País, começou a sofrer, sobretudo a partir dos anos 80, uma progressiva desertificação, a ponto de ficar totalmente abandonada há cerca de 30 anos. Este abandono dos moradores teve como consequência o início de uma progressiva e rápida degradação das habitações todas elas construídas em xisto, com cobertura em ardósia, materiais esses que abundam na região.

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Foi o equilíbrio da mancha visual desta aldeia e a perfeita integração das suas habitações na paisagem natural, bem como a sua proximidade a dois dos mais importantes cursos de água que atravessam o concelho de Arouca, que fizeram da Paradinha uma das aldeias mais típicas de Arouca. Por esse motivo era urgente inverter a sua desertificação e travar também, não só a sua degradação, como a eventual adulteração da sua paisagem original.

Há cerca de 25 anos e já quando muitas das habitações se encontravam em processo de degradação acentuada, começaram a surgir vários pessoas, a maior parte delas fora do concelho de Arouca, interessadas em comprar as casas e recuperá-las para habitação de fim-de-semana ou de férias.

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Foi então que, tal como a Fénix renascida das cinzas, também esta aldeia começou lentamente a erguer-se das suas ruínas, transformando-as em habitações de férias ou de fim-de-semana.

Apesar de haver um ou outro caso menos feliz, a verdade é que, no geral, os novos proprietários da aldeia procuraram respeitar, tanto quanto possível, a sua traça original, quer nos materiais utilizados exteriormente, quer na envolvência que deram às suas habitações.

Equipamentos turísticos

Banhada pelo rio Paiva a aldeia da Paradinha tem ótimas condições para o lazer, nomeadamente na época de verão. Nesse sentido a Câmara Municipal de Arouca elevou-a, desde há vários anos, à categoria de praia fluvial tendo aí instalado equipamentos de apoio aos banhistas.

Por sua vez a Associação dos Amigos da Paradinha (ASAP) constituída em 2000 pelos novos moradores da aldeia equipou uma extensa área com um parque de merendas junto ao rio, devidamente arborizado, com mesas em xisto e ardósia e alguns grelhadores.

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Todos estes melhoramentos que têm vindo a beneficiar turisticamente esta aldeia criaram condições para que, desde há 12 anos a esta parte, no mês de Agosto, aconteça um interessante evento musical denominado “Sons da água” e que consiste na realização de um concerto sinfónico, num palco montado sobre o rio Paiva, o que tem atraído a esse local numerosos amantes da música e da natureza.

Museu da cera

Além dos melhoramentos turísticos já referidos, há um outro que bem se justificaria ser criado dado que está profundamente ligado ao passado desta aldeia: um museu da cera.

Efetivamente, foi na Paradinha que Manuel da Costa e Silva, avô da pintora Norvinda Assunção, exerceu, durante mais de 50 anos,  a profissão de cerieiro, tornando-se, então, no principal fornecedor de velas para quase toda a diocese de Lamego, bem como para todas as paróquias do concelho de Arouca e de algumas freguesias de Castelo de Paiva, de onde era natural e onde exerceu várias profissões, nomeadamente a de acendedor da luz pública, que, nesse tempo, ainda era a petróleo.

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Tendo vindo a casar no lugar da Paradinha tornou-se então mais conhecido por “cerieiro da Paradinha”.  Era, no dizer de suas filhas Maria dos Anjos e Norvinda Assunção,um homem simples e alegre que depressa granjeava amizade e simpatia junto de todos aqueles que com ele conviviam

É certamente a este homem que Norvinda Assunção deve também a sua maneira de ver o mundo e encarar a vida, através das telas que pinta. E é em homenagem à sua memória que ela ainda hoje conserva, na sua casa, a maior parte das alfaias utilizadas para o fabrico da cera. Daí a necessidade e oportunidade da criação de um museu com essas peças, perpetuando assim um património já há muito em vias de extinção e que se tornaria, certamente, em mais um motivo de interesse para esta emblemática aldeia.

Turismo de Natureza

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Consciente das crescentes potencialidades que esta aldeia tem vindo a adquirir, sobretudo desde que começou a ser restaurada e, nomeadamente, após o enorme sucesso dos Passadiços do Paiva, o grupo FARCIMAR começou, recentemente, a construir um empreendimento turístico, para alojamento em condomínio fechado, constituído por 11 unidades construídas com o sistema Gomos. A maior parte dessas unidades serão da tipologia T2, mas haverá algumas unidades em T1 e T0. Construído numa zona arborizada, bem perto do rio Paiva, este empreendimento disporá ainda de uma piscina para uso privado dos seus utentes.

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Refira-se que o autor da arquitectura do Sistema Gomos é o arquitecto arouquense Samuel Gonçalves e que em 2015 foi montada em Arouca, na quinta do Serrado, uma habitação modelo construída nesse sistema.

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Embora a construção destas habitações esteja ainda na sua fase inicial, a facilidade do transporte dos módulos das habitações e a rapidez da sua montagem farão com que este empreendimento turístico possa, possivelmente, vir a ser inaugurado por ocasião da inauguração de um outro relevante empreendimento turístico para Arouca: a inauguração da ponte suspensa nos Passadiços, junto à cascata das Aguieiras e que está já considerada a maior ponte suspensa da Europa.

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Com este empreendimento de alojamento turístico, aliado aos equipamentos atrás referidos; com o projectado prolongamento dos Passadiços até esta aldeia; com a atração que a nova ponte em construção trará a Arouca e com todo o envolvimento natural que rodeia esta aldeia de xisto, a Paradinha reúne condições excepcionais para fazer dela uma excelente estância de turismo de Natureza.

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José Cerca

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FALECEU O ÚLTIMO DIRETOR DO COLÉGIO SALESIANO

por jcerca em 23 de Julho de 2018

Faleceu no dia 21 de julho, na casa Salesiana de Manique (Estoril) aquele que foi o último director do ex-Colégio Salesiano, o Pe. Fernando Eusébio de Castro.

Natural da ilha da Madeira coube-lhe a ingrata tarefa de encerrar o Colégio Salesiano que funcionou no Mosteiro de Arouca entre 1960 e 1982.

Pe. Eusébio

Nascido a 16 de Dezembro de 1938, o Pe. Eusébio foi o primeiro padre saído da Escola Salesiana de Artes e Ofícios do Funchal, tendo sido ordenado no dia 20 de Abril de 1968. Já bastante debilitado ainda celebrou, a 20 de abril deste ano, as suas Bodas de Ouro Sacerdotais.

Muito ligado a Arouca, ainda mesmo antes de ser ordenado sacerdote, Eusébio de Castro trabalhou no Colégio Salesiano de Arouca como professor (assistente), onde se notabilizou pelos seus dotes na música, no teatro e no desporto. Aliás, foram os seus dotes futebolísticos que o levaram, então, a jogar como federado no Futebol Clube de Arouca, participando no respectivo Campeonato Distrital como “interior/direito” deste Clube.

Pe.Eusébio_bodas ouroTerminados os estudos de Teologia em Barcelona e em Sevilha e após a sua ordenação sacerdotal regressaria a Arouca para assumir a direcção do Colégio Salesiano.

Apesar de ter exercido essa função em diversas outras casas salesianas, tais como Mogofores, Estoril, Vendas Novas, Évora e Funchal onde foi também Diretor durante os últimos 9 anos da sua vida, a verdade é que o cargo de Diretor que desempenhou em Arouca foi aquele que mais doloroso se tornou, uma vez que lhe coube a ingrata tarefa do encerramento deste Colégio.

Depois da celebração das exéquias, no domingo, dia 22 de julho com Missa de Corpo Presente, e respectivo Ofício de Defuntos, na capela dos Salesianos de Manique, o corpo seguiu no dia seguinte para a Madeira, sua terra natal, onde foi sepultado.

Refira-se que o Governo Regional da Madeira emitiu uma nota de pesar pela morte deste ilustre madeirense, testemunhando o seu mais profundo pesar pelo falecimento do sacerdote madeirense, Fernando Eusébio de Castro, antigo diretor do Colégio dos Salesianos no Funchal.

Nessa nota o executivo madeirense endereça à família enlutada os mais sinceros pêsames e associa-se à sua dor.

Também a Família Salesiana de Arouca, Salesianos Cooperadores e Centro Juvenil Salesiano se associam, com um sentimento de tristeza e luto, à derradeira partida deste salesiano que tão ligado a Arouca ficou.

No próximo sábado, dia 28 de julho, na missa vespertina das 18.00h, a Família Salesiana de Arouca mandará celebrar missa de 7º dia em sufrágio do Pe. Fernando Eusébio de Castro.

José Cerca

 

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº472 de  27 de julho de 2018

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Como preparação cultural para a edição de 2018 da Recriação histórica, a Câmara Municipal de Arouca, promotora deste evento desde 2004 (com interrupção de 2009 a 2013) organizou um vasto programa cultural que designou por “retratos do Barroco” e que tiveram lugar dentro dos diversos espaços conventuais, durante uma semana.

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Durante esse período, os retratos foram vários, como vários foram os espaços em que eles foram tirados, mas o local foi sempre o mesmo: o Mosteiro de Arouca.

Retrato musical

Foi com um retrato musical, com relevo para a polifonia vocal, que este conjunto de eventos culturais abriu no dia 13 de julho. Num cenário ricamente barroco, como é o cadeiral do Mosteiro de Arouca, coube ao grupo “Cupertinos” deliciar todos os presentes com a beleza da harmonia vocal dos seus 8 elementos.
Com um reportório de temática totalmente mariana, o programa deste concerto foi todo ele dedicado ao compositor português Pedro de Cristo (1550-1618) considerado um dos mais importantes polifonistas portugueses dos séculos XVI e XVII e foi integrado no 4º centenário da sua morte.

IMG_5554No final do concerto e depois de vivamente aplaudida a sua atuação, o grupo brindou o auditório com o trecho “Benedicamus Domino” do compositor Aires Barbosa e cuja partitura se encontra no famoso “Códice polifónico de Arouca”, guardado  no Museu de Arte Sacra, ao lado de muitos outros manuscritos musicais de grande valor documental e histórico. Trata-se de um livro de música polifónica copiado originalmente entre a primeira e segunda décadas do século XVII, para ser usado pelas freiras do Mosteiro de Arouca nos ofícios litúrgicos desta comunidade cisterciense.

Retratos gastronómicos

Estes “retratos do barroco” proporcionaram ao púbico a oportunidade de descobrir não só os diversos espaços conventuais, mas também de poderem saborear a doçaria conventual e regional. Foi para isso que, durante todo o sábado, dia 14, esteve patente, nos claustros inferiores, uma mostra de licores e de doçaria conventual e regional, não só de Arouca, mas oriunda também de outras localidades do País.

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E para dar a conhecer ao público todo um vasto e rico património gastronómico, ligado à doçaria conventual e regional, disperso por todo o País, foi também apresentado na sala do Capítulo a Coletânea designada “A doçaria portuguesa – Norte”. Trata-se de um ambicioso projecto de Cristina Castro iniciado em 2015 com um trabalho de recolha por todo o País e que pretende registar, para memória futura, a riqueza de um vasto e diversificado património ligado á doçaria portuguesa. Neste momento estão prontos dois volumes, um sobre o Norte (157 doces) e o outro sobre o Sul do País (172 doces) Não se trata de um vulgar livro de receitas, mas sim de uma pesquisa sobre a origem desses doces, contendo o relato de algumas histórias de quem os confeciona e algumas curiosidades sobre as localidades onde foram recolhidos.

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Jantar barroco

Mas a gastronomia não se pode limitar à teoria, nem ficar apenas pela informação histórica, ou geográfica. Foi por isso que um dos pontos mais altos destes “retratos do barrocos” foi a realização de um jantar barroco nos claustros superiores do Mosteiro de Arouca.

Com uma ementa cuidadosamente preparada, de acordo com os costumes culinários da época barroca e com personagens rigorosamente trajados à moda da nobreza, este jantar barroco foi ainda animado com a recitação de poemas amorosos, bem como a execução de danças dessa época, interpretadas pelo grupo “Ensemble Portingaloise”, grupo criado em 2015 e que se dedica ao estudo, à reconstituição e à divulgação da dança europeia dos séculos XV a XVIII.

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Foi aliás, este grupo que orientou, na tarde deste dia, no espaço dos claustros superiores do Mosteiro,  um Workshop sobre a dança barroca francesa, e durante o qual, sob a orientação de  um dos seus elementos, foram ensinados e treinados alguns passos da dança tão praticada nos salões da nobreza daquela época.

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Teatralização do barroco

Depois do jantar barroco teve lugar, no belíssimo espaço da igreja conventual, uma encenação tendo como tema central a arte do barroco. Embora este espectáculo de teatro pouco ou nada tenha de religioso, a verdade é que foi utilizado este espaço conventual para enaltecer a beleza e a riqueza da arte barroca. E como demonstração dessa arte, nada melhor do que um espaço tão cheio de barroco, como o é a igreja do mosteiro de Arouca e o seu magnífico cadeiral.

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Este espectáculo designado por “Ventos da discórdia” foi realizado pelo grupo cultural e recreativo de Rossas em colaboração com o teatro de Montemuro.

Outros retratos

No variado programa que estes “Retratos do barroco” englobaram teve lugar, novamente, no cadeiral do mosteiro de Arouca, na noite de segunda feira, 16 de julho um recital de música barroca levado a cabo pelo grupo “Iberian Ensemble”, um quinteto que interpreta música barroca, com recurso a instrumentos característicos da época, tais como o cravo, o traverso, o fagote, o alaúde e o violoncelo barroco.

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E se no primeiro retrato musical deste programa cultural esteve em destaque a harmonia e a versatilidade da voz humana, aqui foi a vez de dar lugar aos acordes deste conjunto de instrumentos barrocos, que atuaram perante o silêncio do rei dos instrumentos, o órgão ibérico datado de 1743 e que pontifica neste magnífico espaço barroco.
Muito ligada à vida conventual está também a arte das iluminuras que ornamentavam muitos manuscritos produzidos nos Scriptorium monacais. Foi por isso que estes “Retratos do barroco” contemplaram também um atelier de iniciação à iluminura orientado por Tânia Pires do atelier Sabbath. Nesse atelier prático, os curiosos que nele se inscreveram aprenderam a elaborar as cores a partir de materiais naturais, tais como ovos e diversos pigmentos, aplicando-as, seguidamente, em trabalhos da sua criatividade. Esta sessão sobre iluminuras terminou com a aprendizagem da técnica de aplicação de folhas de ouro com o recurso a diversos mordentes.

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O vasto programa destes “Retratos do barroco” contemplou ainda uma palestra sobre  “o papel das boticas religiosas na sociedade portuguesa” que decorreu noutro espaço conventual, a Botica e que foi proferida  pelo diretor do Museu da Farmácia, João Neto.

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O programa terminou com uma visita-jogo inspirada na “Lenda da Rainha Santa Mafalda” e destinada aos mais jovens. Seguindo um roteiro que lhes foi distribuído no início da visita, junto ao fontanário dos claustros, os pequenos visitantes percorreram os mais emblemáticos espaços conventuais, recebendo em cada um deles alguns conhecimentos históricos, bem como algumas interessantes curiosidades sobre esses espaços. Uma maneira interessante, motivadora e pedagógica de dar a conhecer aos mais novos a história deste magnífico mosteiro cisterciense que orgulha todos arouquenses e delicia todos aqueles que o visitam.

José Cerca

 

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº472 de  27 de julho de 2018

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