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Homenagem a Nádia Oliveira

12 de Maio, 2008

Fé e Arte de mãos dadas

“Há momentos na vida em que a música fala por si, diz o que o coração sente e as palavras não sabem traduzir.”

Foi com estas palavras que a Academia de Música de Santa Maria da Feira quis, no passado Domingo, 11 de Maio, homenagear aquela que foi sua aluna, Nádia Oliveira, através da celebração de uma Eucaristia -Concerto, na Igreja do Mosteiro de Arouca, celebrada pelo Pe.José Augusto Correia de Oliveira, tio da homenageada e musicalmente animada pelo coro e orquestra dessa Escola de Música.

Mas se a Arte esteve ligada à Fé, nessa Celebração, a homenagem, esteve, por sua vez, intimamente ligada à saudade da família, dos colegas e dos muitos amigos que a Nádia por todo o lado deixou.

E esta homenagem da Escola de Música que Nádia Oliveira frequentou, desde os 4 aos 18 anos, foi também para evocar “a aluna, o seu empenho, a sua alegria e dedicação, o seu enorme talento musical, a força de vontade, o respeito, a bondade e o muito mais que a Nádia transportava consigo e nos deixou como referência.”

Associando-se a esta homenagem, o Presidente da Assembleia Municipal, Zeferino Duarte Brandão leu, no final da Celebração, a acta da última reunião deste órgão autárquico, realizada no dia 30 de Abril e na qual foi aprovado, por unanimidade, um voto de pesar pelo trágico desaparecimento desta jovem arouquense que, tal como consta nesse documento entregue à família, “tinha uma postura que a nenhum de nós deixava indiferente, para além de grande aptidão para a música e uma voz maravilhosa, que ao longo da sua curta vida, de modo tão desinteressado, sempre pôs ao serviço das instituições concelhias culturais, de solidariedade e outras.”

Por sua vez, Fernando Correia de Oliveira, pai da homenageada e membro da Associação do Orfeão de Arouca, agradecendo a homenagem conjuntamente prestada à sua filha, informou que o próximo encontro de coros, o XVIIº, a organizar pela Associação, passará a ter a designação de “1º Encontro de Coros Nádia Oliveira”.

Quem é Belo

é belo aos olhos

e basta.

Mas quem é Bom,

é subitamente Belo!

Safo, poetisa da Grécia Antiga

José Cerca


Inverno demográfico

10 de Maio, 2008

A expressão “Inverno demográfico” surgiu num relatório apresentado há dias no Parlamento europeu pelo Instituto de Política Familiar e revela a grande preocupação pela situação que se está a viver na Europa, no que se refere ao crescimento demográfico.

De facto, segundo esse estudo, mais de 54 milhões de europeus vivem sozinhos e dois em cada três lares não têm nenhuma criança, daí que seja fácil concluir-se que os europeus estão a ficar cada vez mais velhos, sozinhos e sem filhos.
Segundo o mesmo relatório europeu, relativamente a 1980, nascem cerca de menos um milhão de crianças por ano. Por sua vez e nos últimos 27 anos, a Europa perdeu mais de vinte milhões de jovens, enquanto a população com mais de 65 anos aumentou em 23 milhões, superando assim os 80 milhões em 2007, o que representa 17 por cento da população europeia.

Esta preocupação demográfica, sendo real, traduz, de certo modo uma certa contradição e uma escondida hipocrisia, no sentido em que, em muitos casos, são as mesmas forças política que lutaram afincadamente pela legalização do aborto, que vêm agora defender políticas de apoio à família e de incentivo à natalidade, como medida para descongelar este “inverno demográfico” em que a Europa está a mergulhar, desde há algumas décadas.

Mas a este “Inverno demográfico” não será, certamente, alheia a situação que se vive nos 27 países da União Europeia, relativamente à prática do aborto.

Segundo o mesmo estudo sobre a evolução da família na Europa em 2008, são praticados por ano, na Europa, mais de um milhão e 200 mil abortos “o que equivale a um aborto em cada 27 segundos”.

“O aborto, juntamente com o cancro, é a primeira causa de mortalidade na Europa“, refere o documento, acrescentando que cada dia deixam de nascer na Europa 3.199 crianças.

No dia da Europa que ontem se celebrou e que ficou assinalado em Portugal com a assinatura do decreto-lei que ratifica o Tratado de Lisboa, firmado pelos 27 Estados-membros da EU, a 13 de Dezembro de 2007, esta preocupação sobre o decréscimo da natalidade na Europa, deverá fazer reflectir os responsáveis políticos sobre as urgentes medidas a serem tomadas em defesa da família e da natalidade, de modo a que este “Inverno demográfico” se venha a transformar numa urgente Primavera demográfica.

José Cerca


Arouca celebra a festa da sua Padroeira

7 de Maio, 2008

Beneficiando de excelentes condições meteorológicas, a Vila de Arouca encheu-se, mais uma vez, no passado dia 2 de Maio, para celebrar a festa da sua padroeira, a Rainha Santa Mafalda.

Rainha Santa Mafalda, padroeira de Arouca

Com um programa desenhado dentro dos moldes de anos anteriores, a festa este ano contou com a presença do senhor Bispo do Porto, D.Manuel Clemente que presidiu, não só à Celebração Eucarística na Igreja do Mosteiro de Arouca, como também às cerimónias religiosas da tarde, que incluíram a procissão do SS.mo Sacramento, pelas ruas da Vila, acompanhada pela Banda Musical de Arouca e na qual se incorporaram numerosas pessoas.

Tratando-se de uma festa concelhia, incorporaram-se também nessa procissão as cruzes paroquiais de todas as paróquias de Arouca, como expressão da unidade à volta da sua padroeira.

As cerimónias religiosas terminaram com o Hino da Rainha Santa Mafalda, frente ao altar lateral onde repousam os seus restos mortais, dentro de um túmulo relicário, datado de 1718, e feito em ébano, com aplicações de prata e bronze, rematado por uma coroa real.

Na homilia, D.Manuel Clemente, referindo-se à herança espiritual que a Rainha Santa Mafalda nos deixou, evocou as palavras de Pio VI que, em 1792, numa época conturbada para a Igreja e para o mundo, a declarou bem-aventurada, enaltecendo a atenção e a dedicação de Mafalda por tudo aquilo que dizia respeito à vida das pessoas.

E ao evocar o testamento que a Rainha Santa deixou, expresso no seu Saltério “de que me nutri”, o Bispo do Porto fez um apelo a todo o vasto publico, que enchia completamente a Igreja conventual, para que, à imitação de Mafalda, nos alimentássemos também da palavra de Deus. E fez-lhes mesmo o desafio de rezarem um Salmo por dia, actualizando assim a herança espiritual da padroeira de Arouca.

Túmulo-relicário da rainha santa Mafalda que se venera no Mosteiro de AroucaAlém dos párocos da Vigararia de Arouca, concelebrou com o senhor Bispo do Porto o Abade do Mosteiro Cisterciense de Santa Maria de Arousa, na Galiza.

Para além da presença, já habitual, da Irmandade de Mosteiro de Lorvão, onde jazem as duas irmãs de D.Mafalda, as beatas Teresa e Sancha, foram também convidados para esta festa da Padroeira alguns cavaleiros da Ordem de Malta, bem como alguns voluntários da mesma.

Todas as cerimónias religiosas foram musicalmente abrilhantadas pelo Grupo Coral de Urro e transmitidas em directo pela Rádio Regional de Arouca.

Ao contrário dos dois últimos anos, não teve lugar em Arouca o evento sobre “Sabores e Saberes” que se vinha realizando, por esta altura, o que enriquecia cultural e turisticamente a festa da Padroeira de Arouca.
Pensamos que a realização de tal evento poderia, futuramente, ser programada com a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda e com a Autarquia, de modo a contribuir para uma maior dignificação deste feriado municipal e uma mais ampla divulgação de Arouca e do seu rico património.

José Cerca


Peregrinação inter-paroquial a Fátima

5 de Maio, 2008

Teve lugar no passado dia 25 de Abril a 3ª peregrinação inter-paroquial a Fátima.

Foram cerca de 700 as pessoas que, nesse dia, se dirigiram a Fátima em peregrinação, aproveitando o feriado nacional, para um gesto religioso e de acção de graças e, ao mesmo tempo, de alegre convívio entre as três comunidades paroquias, sob a jurisdição pastoral do Pe. João Pedro.

Além de alguns carros individuais, 12 autocarros, sendo 3 de Arouca, 5 de Santa Eulália e 4 de Rossas, levaram de Arouca até Fátima cerca de 7 centenas de paroquianos que souberam preencher o seu feriado nacional cantando, rezando, convivendo e partilhando até os seus farnéis, num dia que, meteorologicamente, não poderia estar melhor.

O primeiro momento desta peregrinação foi a celebração da Eucaristia, na Basílica de Fátima.

Seguiu-se depois o almoço em que os farnéis se abriram para saciar a fome, pôr em prática a partilha e fomentar o convívio e a boa disposição entre todos.

Seguiu-se depois um tempo livre para compras ou devoções particulares, mas que todos aproveitaram para visitar a moderna e ampla Igreja da Santíssima Trindade, desenhada pelo arquitecto greco-ortodoxo Alexandros Tombazis e inaugurada no passado dia 12 de Outubro.

Ao contrário do que vinha acontecendo, em anos anteriores, em vez da via sacra até ao Calvário Húngaro, como era habitual, teve lugar um momento de oração e de reflexão sobre algumas passagens da vida de Cristo após a sua Ressurreição, designadas por Via Lucis. Seguindo o esquema da Via sacra com as suas 14 estações, esta Via Lucis, foi apoiada pela projecção de diversas imagens de obras de arte sobre cada uma dessas 14 estações. Foi um momento de muita interiorização e de grande participação de todos, através de cantos e de orações colectivas, apoiadas pela projecção áudio-visual sobre cada uma das estações do Caminho Luminoso de Cristo.

Esta cerimónia teve lugar na capela da Morte do Jesus, amplo espaço com óptimas condições para acolher as 7 centenas de peregrinos e que faz parte do vasto complexo da Igreja da Santíssima Trindade.

De regresso a Arouca, ainda uma paragem para dar cabo do resto dos farnéis, em mais um momento de convívio que, depois, se prolongaria em cada um dos 12 autocarros, até à chegada a Arouca.

José Cerca


Uma “infoética” nos meios de comunicação social

4 de Maio, 2008

Consciente do grande poder e da enorme responsabilidade que os meios de comunicação social desempenham no mundo de hoje e conhecendo as suas grandes potencialidades no campo da informação, da formação e da comunicação, desde há muito que a Igreja lhes vem dedicando uma especial atenção.

A prova disso está no Dia Mundial das Comunicações Sociais, instituído pela Igreja Católica, desde há 42 anos e que este ano ocorreu no dia 4 de Maio, dia em que se celebrou, no mundo cristão, a Ascensão de Cristo.

Na sua mensagem para este 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais, Bento XVI lança o desafio para a necessidade da criação de uma “INFOética” por parte de todos aqueles que trabalham nos diversos meios de comunicação social (MCS).

Se os rápidos desenvolvimentos no campo científico, com as suas profundas implicações na vida do homem, criaram a necessidade de se estabelecer uma BIOética, também a omnipresença dos MCS em todos os sectores da sociedade levaram o Papa a propor a criação de uma “INFOética” para este imenso, poderoso e indispensável sector da sociedade de hoje que são os MCS.

É que, tal como Bento XVI alerta na sua mensagem para este ano, os meios de comunicação social podem, por vezes desvirtuar a sua função essencial que é comunicar e informar, quando “em certos casos os media são utilizados, não para um correcto serviço de informação, mas para criar os próprios acontecimentos”.

Considerando as potencialidades extraordinárias dos MCS, no que se refere à circulação das notícias, ao conhecimento dos factos, à difusão do saber e à livre circulação do pensamento, bem como à sua influência extraordinária na vida das pessoas e da sociedade, a mensagem de Bento XVI manifesta ainda a sua preocupação para um outro perigo que é servir-se do poder dos MCS para manipular, ou influir negativamente sobre as consciências, condicionando a liberdade de opção ou de decisão.

Um terceiro perigo que pode surgir na utilização dos MCS e que bem justifica a necessidade de se estabelecer uma INFOética junto dos responsáveis e operadores do sector, é a defesa exacerbada que muitos deles fazem do “materialismo económico e do relativismo ético” a que o Papa apelida de “verdadeiras chagas do nosso tempo”.

Embora acentuando os imensos aspectos positivos e as suas inúmeras potencialidades no desenvolvimento global da sociedade, este documento do Papa para o 42º Dia Mundiais das Comunicações não deixa de ignorar os reais perigos que lhes estão subjacentes e propõe, por isso mesmo, a institucionalização de uma INFOética para este fundamental sector da sociedade moderna.

Pensamos que este documento, será um bom contributo que a Igreja apresenta no sentido de fazer dos MCS instrumentos não apenas ao serviço da difusão da informação, mas também ao serviço da construção de uma sociedade mais justa e solidária.

José Cerca