BANDA MUSICAL DE AROUCA

por jcerca em 7 de Dezembro de 2025

Concerto de encerramento do bicentenário

Após um ano repleto de atividades musicais e culturais, chegou ao fim o rico e variado programa das comemorações dos 200 anos da Banda Musical de Arouca, uma das mais prestigiadas bandas do norte do País.
Estas comemorações culminaram com a edição de CD musical cuja apresentação e interpretação do seu conteúdo teve lugar no dia 6 de dezembro, com um excelente concerto na igreja do Mosteiro de Arouca, onde arte barroca e música contemporânea estiveram de mãos dadas.
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O concerto abriu com a interpretação de um passodoble evocando a riqueza e singularidade gastronómica da “Carne arouquesa”.
Da gastronomia passou-se, seguidamente, à riqueza da nossa história e do nosso património artístico, através da execução da sinfonia em três andamentos “Ecos de um Mosteiro”, onde a padroeira de Arouca e os espaços por ela habitados no sec.XIII, foram também homenageados nesta sinfonia.
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E como não podia deixar de ser, também a riqueza musical do nosso cancioneiro foi evocada na “Fantasia popular” com a interpretação de 4 temas do Cancioneiro de Arouca.
Seguidamente, e virando-se agora um pouco para dentro desta centenária banda musical, foi interpretada a rapsódia “Reia & Rido”, com diversas melodias populares e bem conhecidas, numa homenagem a dois dos mais antigos membros desta banda, o sr. Augusto Correia e o sr. Garrido.
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Nem sempre as Bandas Musicais conseguem atuar em magníficos espaços, ricos em história e em arte, como o é a nave da igreja do Mosteiro de Arouca. A maior parte das vezes eram os coretos o seu espaço de atuação. E foi, pois, com a marcha “O coreto” composta pelo arouquense Miguel Brandão e cantada por Simão Oliveira, que este belíssimo concerto da Banda Musical de Arouca encerrou. Longamente aplaudido pelo público presente, este “Coreto” foi, na verdade, uma verdadeira chave de ouro a encerrar as comemorações do bicentenário desta Banda que tem sido uma importante embaixatriz da cultura musical arouquense, ao longo destes dois séculos de existência. Parabéns e obrigado.

José Cerca

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AROUCA RECEBE JOVENS DO MOVIMENTO JUVENIL SALESIANO.

por jcerca em 16 de Novembro de 2025

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Cerca de 200 jovens do MJS tiveram ontem em Arouca o seu encontro nacional da região norte. Os jovens da região sul encontraram-se nesse mesmo dia na casa salesiana de Manique.
Depois de dadas as boas vindas por um dos jovens de Arouca (Simão Oliveira) no Pavilhão da Casa do Povo de Arouca, onde foram recebidos, a jornada iniciou-se com um belo momento musical oferecido pelo grupo juvenil da Banda Musical de Arouca que foi muito apreciado por todos os jovens presentes.
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Terminado este momento musical que fechou com a interpretação do Hino de Arouca e com o Hino a D.Bosco, começaram os trabalhos de reflexão em grupos.
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Divididos por grupos etários, orientados pelos respetivos animadores, os jovens, além da Casa do Povo, reuniram-se em espaços da Escola Secundária e da escola do 1º Ciclo.
O dia de reflexão, de convívio e de oração terminou com a celebração da Eucaristia na igreja do Mosteiro de Arouca que foi presidida pelo Provincial dos Salesianos, Pe. Tarcízio Morais e animado pelo grupo de jovens de Arcozelo.
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A organização do encontro agradece à Banda Musical de Arouca pela presença do seu grupo juvenil neste encontro do MJS. Agradece, igualmente, à casa do Povo de Arouca, bem como ao Agrupamento de escolas de Arouca pela cedência dos seus espaços para este encontro em Arouca.
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FESTIVAL INTERNACIONAL DE ÓRGÃO E MÚSICA SACRA

por jcerca em 1 de Novembro de 2025

Pelo 4º ano consecutivo que o Mosteiro de Arouca recebe o FIOMS, Festival Internacional de Órgão e Música Sacra, já na sua 5ª edição, e que se estende por 12 Municípios da Grande Área Metropolitana do Porto, envolvendo a realização de 40 concertos, de elevada qualidade artística, ao longo das duas temporadas em que decorre este Festival.
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Possuindo o Mosteiro de Arouca um raro exemplar de um órgão ibérico, datado de 1743, este Município não podia, pois, deixar de acolher este evento musical.
Depois de uma primeira parte preenchida com a interpretação de 3 peças para órgão de autores do sec. XVIII, pelo organista Fernando Miguel Jalôto e que permitiram exibir todas as potencialidades sonoras desta bela peça organeira, teve lugar a execução do Requiem de Mozart pelo grupo Ensemble Bonne Corde.
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Fundado em 2009, este grupo dedica-se ao estudo e divulgação de música antiga setecentista, tendo na sua direção artística a violoncelista e investigadora Diana Vinagre.
O Requiem de Mozart que este grupo interpretou foi uma das peças que alcançou grande popularidade no nosso País, no sec. XVIII, sendo a versão utilizada recolhida a partir de um manuscrito que faz parte do arquivo musical da Sé de Évora e no qual a orquestra é substituída por um grupo de instrumentos (baixo,violoncelo, fagote e órgão) que acompanham 8 vozes (2 sopranos, 2 contraltos, 2 tenores e 2 baixos).
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Calendarizado para a véspera de um fim de semana, profundamente de matriz religiosa, como são a festividade de Todos os Santos e a dos Fiéis Defuntos, este magnífico concerto bem mereceria ter uma maior divulgação, não só por parte das instituições religiosas, como também das Associações e grupos musicais de Arouca.
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Na verdade, foi pena que um concerto deste qualidade artística e exibido num espaço tão belo e artisticamente tão rico, tenha passado ao lado da grande parte do público a que se destinava.

José Cerca

Publicado in Voz Portucalense nº 39 de 5.11.2025

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“Mamã, podes escrever um livro a contar a minha história?”
Foi este pedido do pequeno Henrique, portador de uma doença rara, feito à sua mãe, que deu origem a este livro escrito pela arouquense Alice Ramos e que foi apresentado no dia 2 de agosto na Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão.
Trata-se de uma história real, cheia de emoção e perpassada por momentos de incertezas, receios, preocupações e angústias, mas também marcada por momentos de persistência, de confiança, de estímulo e de muita força de vontade do pequeno Henrique, personagem real e central desta narrativa.
Pela primeira vez a apresentação de um livro contou com a presença das personagens principais, neste caso o pequeno Henrique e o seu irmão Afonso, acompanhados de sua mãe, Alice Ramos, a autora desta publicação, com excelente apresentação gráfica e belas ilustrações de Flávia Medeiros.
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Na mesa da sessão de apresentação, além das personagens principais, estiveram os pais, a avó Júlia do Henrique que fez a apresentação do livro, bem como a Vice-Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Drª Cláudia Oliveira que se congratulou com mais uma publicação de autores arouquenses.
Durante a sessão de apresentação foi projetado um pequeno vídeo sobre a história de coragem, de inclusão e de força de vontade do pequeno Henrique.
Possuidor de uma doença rara que o impedia de caminhar, a história do pequeno Henrique prende a atenção do leitor ao longo da narrativa do seu breve percurso de vida, quer na Ilha das Flores, onde nasceu (Açores), quer no Continente, onde passou longos períodos de tratamento.
Além do acompanhamento dos pais, familiares e amigos juntou-se ao seu percurso de vida o irmão Afonso que viria a desempenhar um papel importante de estímulo, de motivação e de inspiração para os sucessivos progressos e para as pequenas grandes vitórias que o pequeno Henrique ia conquistando no seu dia a dia, com o apoio desvelado dos pais e sempre sob a tutela inspiradora da pequena estrelinha Matias que passou a brilhar no céu a partir do difícil processo de fertilidade pelo qual os seus pais tiveram de passar até à chegada tão esperada do Henrique.
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Sendo esta uma história real e de grande exposição familiar, ela deixará, contudo, de ser pessoal para passar a ser dos leitores, a partir do momento em que é editada e passa para o domínio público, transformando-se assim num emotivo testemunho de vida que poderá ajudar outras famílias a enfrentarem situações de superação de dificuldades e de confronto com desafios imprevisíveis como os que o pequeno Henrique teve de enfrentar, sempre apoiado pela sua corajosa família.
Situações de confronto com a incerteza angustiante e com o desconhecido perturbador vividos nesta historia real poderão ser um estímulo motivador e inspirador para outros pais que tenham que passar por idênticas situações de superação como as que acompanharam o pequeno Henrique.
“Mas esta história não acaba aqui. Continua.” Por isso, os leitores ficarão à espera da sua continuação para continuarem a acompanhar a caminhada de coragem, de determinação e de persistência do pequeno Henrique e do estímulo motivador do seu irmão Afonso.

José Cerca

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Precedendo, como preparação para o maior evento cultural de Arouca, que é a sua Recriação Histórica, o evento “Retratos do Barroco” é sempre uma ocasião e um pretexto para descobrir, estudar e dar a conhecer alguns dos mais importantes documentos da história de Arouca.
Se os “Retratos do Barroco” do ano passado trouxeram a Arouca o “Testamento da Rainha Santa Mafalda”, um importante documento do sec XIII guardado na Torre do Tombo e que esteve exposto ao público durante alguns dias, este ano foi a vez de trazer até ao Mosteiro de Arouca um outro importante documento histórico datado de 1649 e que é constituído pelas “inquirições de testemunhas e traslados de documentos respeitantes à beatificação e canonização de D.Mafalda, filha de rei D.Sancho I”.
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Trata-se de um documento com 142 páginas preenchidas com as inquirições de dezenas de testemunhas sobre a vida, santidade, virtudes e milagres atribuídos a D.Mafalda e que faz parte do processo canónico para a causa da sua beatificação e canonização iniciado pelas monjas do Mosteiro de Arouca, sob a direção da Madre Abadessa D. Bernardina de Melo, para enviar à Santa Sé para posterior estudo e aprovação, o que viria a acontecer 144 anos depois, a 27 de junho de 1793, com a sua beatificação pelo Papa Pio VI.
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A abertura da exposição deste importante documento da história de Arouca teve lugar na Biblioteca de D.Domingos de Pinho Brandão, no dia 11 de julho, com a presença da Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Drª Margarida Belém, bem como do prof. Luís Miguel Pinho que está a fazer a transcrição paleográfica deste documento para melhor se compreender e estudar.
Segundo referiu a Presidente da Câmara, além deste documento, agora exposto temporariamente em Arouca, muitos outros documentos originais sobre a história de Arouca aí permanecem guardados sendo de Arouca o segundo documento mais antigo guardado na torre do Tombo.
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Refira-se que esta deslocação temporária de documentos da torre do Tombo ao encontro dos locais da sua origem, tal como já aconteceu o ano passado, foi uma iniciativa inédita da Câmara Municipal de Arouca, apesar dos enormes cuidados e encargos que tal deslocação exige.
Esta exposição estará patente ao público de 11 a 16 de julho.

O díptico-relicário de D.Mafalda

Além deste importante e raro documento da Torre do Tombo, outros dois documentos, também eles relacionados com a Rainha Santa Mafalda, o acompanham e que fazem parte do acervo do Museu de Arte Sacra de Arouca.
Um deles, o diptico-relicário de D.Mafalda do sec. XIII e que faz parte do seu testamento, é considerado o mais antigo retábulo-relicário constante nos acervos nacionais e que, juntamente com o tripico-relicário do sec. XVI, constituem dois dos objetos de ourivesaria mais valiosos guardados no Museu de Arte Sacra de Arouca.
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Com 25 cm de altura, as faces exteriores deste díptico-relicário em prata dourada representam a Anunciação, estando o anjo à esquerda e a Virgem à direita. As faces interiores, também em prata dourada, contêm, do lado esquerdo, alvéolos quadrados destinados às relíquias, sendo o lado direito ocupado por um belo Calvário traçado a buril.

O processo da beatificação

Intimamente ligado a este documento da Torre do Tombo está patente nesta exposição um dos dois volumes do longo processo referente à beatificação e canonização da rainha D.Mafalda Sanchez e que, embora cópia do processo original, faz também parte do acervo deste Museu de Arte Sacra.
Sabe-se que o processo de beatificação de D. Mafalda “Lusitana Servae Dei Maphaldae” foi longo, complexo e algo acidentado, estendendo-se por séculos, apesar da fama de santidade e dos milagres atribuídos a ela já serem amplamente reconhecidos pelo povo, mesmo antes da sua beatificação oficial. 
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Para nos falar desses milagres, o prof.Luis Miguel Pinho fez uma interessante comunicação, logo após a abertura da referida exposição. A partir da transcrição paleográfica que este professor arouquense está a fazer do documento da Torre do Tombo, Luís Miguel revelou-nos alguns dos muitos milagres atribuídos a D.Mafalda e que constam nesse documento do sec. XVII. Esta comunicação foi ainda enriquecida com curiosas informações sobre as diversas tentativas de se iniciar este processo canónico, bem como a referência aos diversos intervenientes neste longo processo. Curiosas foram ainda as informações sobre a transladação do corpo da rainha santa do seu túmulo em pedra para uma urna-relicário em ébano, cristal, prata e bronze dourado, encimada pela coroa real e pelas armas de Portugal e de Espanha, realizado pelo ensamblador e arquiteto portuense José Francisco de Paiva em colaboração com o ourives António Pereira Soares.
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A exposição ao público destes três raros documentos da história de Arouca e todos eles ligados à sua padroeira, é uma ocasião única para os arouquenses poderem conhecer, apreciar e valorizar a riqueza do nosso rico património histórico, muito do qual está guardado no seu belo ex-libris, o magnífico Mosteiro de Arouca.
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José Cerca

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