MOSTEIRO DE AROUCA: um palco de cultura viva

por jcerca em 22 de Abril de 2018

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Integrado no Ano Europeu do Património Cultural (AEPC) a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) promoveu o Programa “Dias do Património a Norte”, que engloba 8 concelhos do Norte do País, desde Arouca, Tarouca, Miranda do Douro, Vila Real, Barcelos, Bragança, Mogadouro e Alfândega da Fé.

Coube a Arouca dar o pontapé de saída deste vasto conjunto de eventos que decorrerão até Setembro, tendo a valorização do Património das referidas localidades como motivação central.

Na verdade e segundo o diretor Regional de Cultura do Norte, António Ponte, “pelo seu carácter e valor muito particulares e capital simbólico, os espaços patrimoniais disseminados pela Região Norte reúnem todas as condições para se assumirem como âncora de uma renovada oferta de experiências culturais e criativas únicas, dinamizando a economia, envolvendo as comunidades e valorizando de forma sustentável a sua paisagem natural e cultural”.

Promovida pela Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), em parceria com os municípios locais, com um investimento total de cerca de 400 mil Euros, cofinanciado pelo Programa Norte 2020, através do FEDER, esta primeira sessão, realizada em Arouca, com um programa bem diversificado, totalmente centrado no Mosteiro de Arouca, revelou-se um verdadeiro sucesso.

O público escolar

O Mosteiro de Arouca foi o 1º palco deste vasto programa dos “Dias do Património a Norte”. Com um programa diversificado e cuidadosamente bem estruturado, este 1º evento não esqueceu o público escolar. Assim, a primeira actividade foi destinada a este público, através da elaboração de um jogo concebido e aplicado pela “Onda Amarela” e que levou as crianças a percorrerem os principais espaços do Mosteiro de Arouca, de uma maneira dinâmica e bem motivadora, sendo-lhe, ao mesmo tempo, fornecidas informações interessantes sobre a história e a vida no Mosteiro de Arouca.

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Para a grande maioria dos intervenientes neste jogo didático, percorrer os diversos espaços deste Mosteiro, desde os Claustros, à cozinha, à sala do capítulo, ao coro das freiras até à subida ao órgão ibérico, datada de 1743 foi, seguramente, uma verdadeira e entusiasmante aventura.

Pelo seu valor pedagógico pensamos que este jogo, acompanhado de um adequado guião para os professores, deveria fazer parte dos recursos educativos deste Mosteiro, de modo a poder ser replicado, ao longo do ano, com outras turmas. Este belo Mosteiro precisa e merece ser conhecido pelas novas gerações que aí encontrarão páginas da nossa história, bem como raros tesouros do nosso património.

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Visita guiada ao Mosteiro

Esta iniciativa permitiu que as portas do Mosteiro de Arouca estivessem abertas, durante todo o dia 21 de abril, ao público que desejasse conhecer um pouco da sua história e percorrer os principais espaços deste Mosteiro, bem como da sua cerca envolvente. E foi isso que aconteceu ao longo desta visita. Guiados por um historiador local, (Afonso Veiga) e por um conhecedor das vivências dentro deste mosteiro (José Cerca), sobretudo durante a vigência do ex-Colégio Salesiano que aí funcionou desde 1960 a 1982, os visitantes puderam, não só ir conhecer alguns dados sobre a história deste Mosteiro, como também evocar algumas vivências nos espaços outrora ocupados pelo Colégio Salesiano.

Conversar sobre Património

Este evento dos “Dias do Património a Norte” permitiu, ainda, um momento de reflexão sobre “Património e redes de saber” através de uma conversa nos claustros do Mosteiro de Arouca e em que estiveram presentes o Diretor da DRCN, António Ponte e a Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém. Estando também prevista a presença do Ministro da Cultura, esta não foi possível devido ao falecimento de um seu familiar.

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António Ponte referiu os diversos eventos previstos neste Projeto promovido pela DRCN e salientou a sua importância para a preservação e divulgação do rico património nas diversas localidades abrangidas. Informou ainda que as obras previstas para a instalação de uma estrutura de acolhimento no Mosteiro de Arouca se iniciarão ainda no decorrer deste ano europeu do Património Cultural.

Por sua vez, Margarida Belém, destacou a qualidade do programa organizado pela DRCN, em colaboração com as Câmaras locais, para comemorar o Ano Europeu do Património Cultural e cujo início teve lugar em Arouca. Referiu ainda que o projecto para a requalificação da ala sul do Mosteiro, de modo aí vir a ser instalada uma unidade hoteleira, está em andamento, sendo a Câmara de Arouca, uma das entidades intervenientes nesse logo e delicado processo.

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A conversa propriamente dita sobre património e redes de saber foi conduzida pelo Dr. Carlos Martins que foi acompanhado, nesta reflexão, pelos professores universitários João Bonifácio Serra e José Manuel Varejão.

Desta conversa destacou-se a ideia de que é importante que as pessoas sintam o património como seu. Daí a necessidade de se promover uma articulação com as escolas, com as pessoas, com as redes de saber e com as entidades locais, pois qualquer património sem pessoas é morto.

Património e gastronomia

Os mosteiros têm sempre uma forte ligação com a gastronomia, especialmente com a sua rica doçaria conventual. O Mosteiro de Arouca, como muitos outros, não foge a esta regra. Daí que na programação preparada para este 1º evento dos “Dias do Património a Norte” este item gastronómico estivesse também presente.

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O espaço escolhido não poderia ter sido outro senão a grandiosa cozinha conventual. Enquanto sob a sua imponente chaminé uma peça de vitela arouquesa ia assando, sob a sua enorme mesa, toda em pedra de uma só bloco, tudo estava preparado para servir a vitela assada como em outros tempos era servida para a comunidade feminina que habitava este Mosteiro cisterciense.

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Para conduzir este delicioso momento gastronómico ninguém melhor do que o premiado e bem conhecido chef Marco Gomes que, antes da degustação da vitela arouquesa ao público presente, manifestou o seu enorme prazer por poder estar num espaço magnífico como o é esta cozinha do Mosteiro de Arouca.

Património e música

Vários e diversificados foram os momentos musicais contemplados na programação para este evento. O primeiro foi preenchido pelo grupo “Mão Verde”, mais dirigido a um público infantil mas que acabou por contagiar todo o público que enchia a sala do Capítulo.

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À noite, e desta vez no magnífico cadeiral, ou coro das freiras, foi a vez do grupo “Rua da Lua” através da voz de Tatiana Pinto e do instrumental que a acompanhou, deliciar o público presente pela qualidade vocal e instrumental deste espectáculo em que a tonalidade do fado predominou e encantou.

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O musical do património

Se quiséssemos destacar um momento alto na variada programação deste 1º evento dos “Dias do Património” diríamos que ele foi atingido com a atuação conjunta de elementos de diversos grupos da comunidade arouquense, tais como o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato, o grupo do Centro Cultural, Recreativo e Desportivo de Santa Maria do Monte, o Conjunto Etnográfico de Moldes de danças e corais arouquenses, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, e Associação de Melhoramentos de Souto Redondo.

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Após a entrada individual de cada um destes grupos,cantando, procedeu-se à atuação conjunto de todos eles, sob a direcção dos artistas António Serginho e Sara Yasmine. Com um trabalho desenhado em grupo, tendo como base a polifonia e as tradições locais, sendo posteriormente trabalhado musicalmente por Serginho, resultou, após 8 ensaios,  um excelente musical original, pleno de alegria e cheio de ritmo e de graça que empolgou toda o vasto público que enchia o cadeiral do Mosteiro de Arouca.

Inicialmente prevista a apresentação deste musical na escadaria monumental da ala sul do Mosteiro, por motivos meteorológicos ela acabaria por ser deslocada para o interior do Mosteiro. Mas a sua interpretação foi de tal modo empolgante que a Presidente da Câmara já garantiu que o musical será repetido na Praça, em data a anunciar oportunamente.

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E deste modo, com o envolvimento de elementos da comunidade arouquense e a orientação de artistas especializados, se constrói também património, mesmo que seja imaterial, como este “musical do património” que ficará certamente a assinalar bem estes “Dias do Património” que tiveram início no Mosteiro de Arouca e se prolongarão até finais de Setembro por mais outros 7 “palcos de cultura viva” escolhidos pela DRCN para assinalar 2018 como Ano Europeu do Património Cultural.

José Cerca

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VISITA DE ESTUDO DA ASARC

por jcerca em 24 de Março de 2018

percorreu espaços emblemáticos da história de Portugal

As visitas de estudo da Asarc são sempre uma maneira de se conviver e enriquecer culturalmente.

A última destas visitas, promovida pela aula de “Cultura e Sociabilidade da Asarc” e aberta a todos os associados, teve lugar no dia 21 de março com destino à cidade dos Templários, tendo como objetivo principal a visita ao famoso Convento de Cristo e, seguidamente, ao não menos famoso Mosteiro da Batalha.

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Com construção iniciada no sec.XII, o primeiro e no sec.XIV, o segundo e fazendo ambos parte do Património Mundial da UNESCO, desde 1983, a visita a estes dois lugares históricos permitiu aos alunos e associados da Asarc calcorrear importantes e emblemáticos espaços da história de Portugal, evocando momentos do seu passado histórico e admirando a beleza artística e a grandiosidade arquitectónica que ficou materializada, ao longo de vários séculos, nestes dois monumentos nacionais.

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Depois da subida ao castelo de Tomar, os visitantes iniciaram a visita ao Convento de Cristo, entrando e admirando a famosa charola que era o oratório privativo dos cavaleiros templários no interior das fortalezas.

Com o acompanhamento didático do professor de história, Afonso Costa, os visitantes seniores puderam apreciar a beleza arquitectónica deste espaço conventual, em forma octogonal, que apresenta uma confluência de diversos estilos, desde o românico ao gótico. Nele se pode admirar ainda alguns elementos decorativos manuelinos, bem como um importante conjunto de pinturas e esculturas quinhentistas.

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Da charola, que no reinado de D. Manuel I passou a funcionar como capela-mor da igreja conventual, a visita seguiu para os diversos espaços do Convento de Cristo, desde os diversos claustros, à sala do capítulo, aos dormitórios, noviciado, refeitório e cozinha.  Mereceu ainda especial atenção dos visitantes a famosa janela manuelina que foi objecto, como não podia deixar de ser, de inúmeras selfies.

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Depois da visita a este conjunto monumental uma pausa gastronómica num dos restaurantes da região de Tomar.

O mosteiro da Batalha

No Ano Europeu do Património Cultural, designado pelo Parlamento Europeu para chamar a atenção para a importância, para a valorização e para o papel que o vasto património cultural desempenha na sociedade, esta visita de estudo da Asarc a estes dois importantes exemplares do Património Arquitectónico Nacional veio ao encontro destes objectivos, pois permitiu aos seus participantes percorrer dois dos espaços profundamente ligados à história de Portugal.

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Na verdade, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais vulgarmente conhecido como Mosteiro da Batalha, está intimamente ligado a um dos períodos críticos da nossa história, nomeadamente com a Batalha de Aljubarrota e a sua construção ficou mesmo a dever-se a um voto de D.João I, enquanto Mestre de Avis, relacionado com essa vitória contra os castelhanos.

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Depois de admirada a imponência exterior do edifício e o rendilhado da sua fachada principal, a visita a este monumento considerado como o expoente máximo da arte gótica em Portugal onde, inclusive, terá nascido  o estilo manuelino, começou com a visita  à capela do fundador, onde repousam os restos mortais não só de D.João I e de D.Filipa de Lencastre, como também  dos seus filhos.

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Depois da visita a este que foi o primeiro panteão régio nacional e após a passagem pela igreja com três naves, os visitantes seniores percorreram os principais espaços deste mosteiro. Num desses espaços, a famosa sala do capítulo, imortalizada por Alexandre Herculano através do seu conto “A Abóbada”, puderam ver não só o monumento ao soldado desconhecido, como também a famosa imagem do “Cristo das trincheiras” que acompanhou as tropas portuguesas nos campos de batalha da I Grande Guerra.

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A visita a este belo exemplar gótico, cuja construção percorreu cerca de seis séculos, terminou nas célebres “capelas imperfeitas” mandadas construir por D.Duarte para panteão privativo  da sua família e seus descendentes.

Nesse espaço, também de forma octogonal puderam os visitantes seniores admirar o belíssimo e exuberante pórtico manuelino, diante do qual fica a capela com o mausoléu de D.Duarte e D.Leonor de Aragão.

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 José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº464 de  6 de abril de 2018

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ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO CULTURAL

por jcerca em 11 de Março de 2018

Um olhar atento para o Convento de Arouca

Por proposta da Comissão Europeia, o Parlamento Europeu designou 2018 como o Ano Europeu do Património Cultural (AEPC 2018),visando, com esta iniciativa, chamar a atenção para a importância, para a valorização e para o papel que o vasto património cultural desempenha na sociedade.

Várias serão as iniciativas, quer a nível nacional, europeu ou regional, que irão surgir ao longo deste AEPC 2018. Uma delas teve lugar nos dias 9 e 10 de março e foi promovida pela Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN). Tratou-se das Jornadas Técnicas sobre “Novos modelos de gestão do património” tendo a primeira sessão (dia9) decorrido no Porto, na Casa das Artes e a segunda (dia10) no Mosteiro de Arouca.

Um novo modelo de gestão para o Convento de Arouca

Estas jornadas técnicas promovidas pela DRCN constituíram uma ocasião de reflexão, partilha e debate tendo como tema a diversidade do Património Cultural.
Em Arouca, o segundo dia destas Jornadas técnicas, decorreu em diversos espaços do Convento de Arouca. No primeiro espaço, agora designado por Biblioteca memorial D.Domingos de Pinho Brandão, decorreu não só a abordagem do novo modelo de gestão para o Convento de Arouca, ainda em desenvolvimento, como também a apresentação da proposta de um novo programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca.

Este novo modelo de gestão que consubstanciará um caso único a nível nacional, prevê a integração de três parcerias para a gestão do Convento de Arouca, nomeadamente, a Direção Regional de Cultura do Norte, a Câmara Municipal de Arouca e a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

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E foram representantes destas três entidades que estiveram na mesa de abertura desta sessão. Por parte da Real Irmandade esteve presente o seu novo juiz, o dr. Carlos Brito que deu as boas vindas a todos os participantes salientando a importância de se ter escolhido o Convento de Arouca para a realização do segundo dia destas Jornadas técnicas. Por parte da Câmara esteve a vereadora da Cultura, prof.Maria Fernanda Oliveira que se congratulou pela realização deste evento integrado no AEPC 2018 manifestando a sua satisfação por Arouca ter sido escolhida.

A DRCN esteve representada pelo Dr.Agostinho Ribeiro e pela Drª Elvira Rebelo que aproveitou para informar que o concurso para as obras de intervenção no Mosteiro de Arouca já está fechado e que, por isso mesmo, estão criadas as condições para as obras avançarem ainda neste ano europeu do património cultural.

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Refira-se que tais obras englobarão três áreas de intervenção sendo a primeira, a iniciar ainda este ano, a “Instalação de uma Estrutura de Acolhimento ao visitante”, que incluirá, não só a criação de um espaço de recepção, na zona onde outrora funcionou a sede do Centro Juvenil Salesiano, como também instalações sanitárias, um bengaleiro, um vestiário e uma loja de vendas. Atendendo às pessoas com mobilidade reduzida, está ainda prevista, nessa zona, a instalação de um elevador para o primeiro piso, tanto mais que a futura entrada dos visitantes para o Museu será feita a partir desta nova estrutura de acolhimento.

Programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca

Coube ao Dr.Agostinho Ribeiro fazer a apresentação de uma proposta para um adequado programa museológico para o Museu de arte Sacra. Na verdade, e de acordo com o protocolo de gestão tripartida já assinado, compete à DRCN a elaboração do programa museológico, o qual se encontra já em fase adiantada.

Criado em 1933, o Museu de Arte Sacra é uma instituição de natureza museológica tutelada pelo Estado, através da DRCN, estando a guarda e administração dos seus bens entregue à Real Irmandade por uma disposição legal  de 1889, anterior, portanto à  criação do próprio museu.

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Detentor de um acervo artístico, histórico e patrimonial de grande relevância nacional, verifica-se, contudo, e desde há muito, a necessidade de melhorar e actualizar, não só a exposição dos seus ricos objectos artísticos, como também de implementar importantes melhorias no espaço, incluindo o seu alargamento, na iluminação dos objectos e na criação de condições climáticas para a preservação dos mesmos.

Num estudo de diagnóstico feito pela DRCN, verificou-se facilmente que o actual espaço do Museu é francamente deficitário e ultrapassado, quer na forma expositiva, quer no discurso museológico. Constata-se, por outro lado, a inexistência de recursos humanos adequados para as respectivas funções museológicas desta instituição. Acrescente-se a isto a falta de um quadro de pessoal qualificado, a insuficiência de recursos financeiros para a obtenção dos objectivos institucionais e ainda a ausência de um regulamento adequado para o seu funcionamento. Por outro lado, o circuito expositivo e de visita precisará de sofrer algumas alterações, de modo a melhorar a movimentação espacial dos próprios visitantes.IMG_3676

De acordo com o estudo, ainda em fase de elaboração, para a criação de um adequado e moderno programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca, a nova disposição do seu acervo assentará em três pilares fundamentais. O primeiro versará a vida do Mosteiro, o segundo centrar-se-á nos testemunhos de fé e o terceiro pilar reunirá os objectos artísticos sobre a glorificação do divino.

Embora distribuído pelos 3 pisos, o acervo do Museu organizado segundo estes três pilares temáticos, prevê-se a criação de outros espaços de apoio ao Museu, tais como um auditório, uma sala para os serviços educativos, uma sala para exposições temporárias, um espaço para reservas do Museu, bem como uma Estrutura de Acolhimento ao visitante.

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Depois da apresentação do programa museológico teve lugar, num outro espaço do Convento, a sua cozinha, um momento gastronómico em que os participantes puderam saborear, não apenas algumas variedades da doçaria conventual, como também diversos produtos regionais que deliciaram todos os presentes. Seguiu-se uma visita às diversas salas do Museu acompanhada pelas explicações do Juiz da Real irmandade e do Dr.Agostinho Ribeiro.

Estas jornadas técnicas terminaram no magnífico cadeiral do Mosteiro de Arouca com uma encenação “Teoria 5S” que proporcionou uma interessante reflexão, acompanhada de um certo humor, sobre a conservação das memórias através de um arquivo morto constituído por objectos do passado.

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E dar vida a objectos do passado é o que se pretende com este novo olhar sobre o Mosteiro de Arouca que agora começa, finalmente a desenhar-se com a futura gestão tripartida do nosso melhor ex-libris.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº463 de  23 de março de 2018

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Não há pessoa alguma que fique indiferente ou que não goste de sentir a magia do ilusionismo ou se surpreenda com a habilidade sedutora dos truques de prestidigitação. Disso se apercebeu cedo São João Bosco que, ainda jovem, começou a querer descobrir e a aprender as técnicas dos ilusionistas que, no seu tempo de jovem estudante, percorriam as feiras ou exibiam os seus truques de magia pelas aldeias.

É por isso que São João Bosco além de ser proclamado “Pai e Mestre da Juventude”, foi também designado como padroeiro dos ilusionistas.

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Tertúlia sobre  D.Bosco e a magia

Como bom educador e comunicador que era, os seus truques de ilusionismo eram, pois, um recurso para atrair e conquistar amigos, através de uma relação de proximidade e de confiança, com a finalidade de frequentarem as práticas de piedade e encaminhar aqueles rapazes pobres e abandonados para um mundo de valores, procurando fazer deles “bons cristãos e honestos cidadãos”.

Foi à volta desta tema e deste recurso que D.Bosco utilizou no seu trabalho com os seus rapazes, que na tarde do sábado dia 3 de março decorreu uma tertúlia integrada na festa da Família salesiana e no 10º aniversário de um dos seus sectores juvenis, o grupo dos ADS do Centro Juvenil Salesiano de Arouca.

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Tendo como moderadora a jornalista Cláudia Oliveira, esta tertúlia contou com a presença do Provincial dos Salesianos, Pe. Aníbal Mendonça, bem como de dois ilusionistas, um deles o presidente do clube ilusionista fenianos do Porto, o pastor evangélico Eduardo. Por parte do grupo dos ADS esteve Gonçalo Pinto que foi transmitindo, ao longo da tertúlia, algumas das características do grupo a que pertence desde há 10 anos, salientando a alegria e o espírito de serviço à comunidade.

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Através de um conjunto de perguntas conduzidas pela moderadora, o público, constituído maioritariamente por jovens do Centro Juvenil Salesiano, ficou a perceber que, para D.Bosco, o ilusionismo nunca foi uma arte para ganhar dinheiro, mas sim um recurso a que ele lançou mão para fazer passar a mensagem evangélica junto dos seus rapazes. Neste sentido, foi notável a maneira como o Presidente do clube ilusionista fenianos soube falar de D.Bosco, da sua mãe Margarida e do próprio Domingos Sávio.

 A entrega dos lenços

 Um dos momentos altos desta festa salesiana foi a celebração da Eucaristia na igreja do Convento de Arouca, durante a qual teve lugar a cerimónia da entrega dos lenços, bem como as promessas dos jovens ADS.

Antes da promessa dos novos animadores, foi evocada a memória da pequena Leonor, que integrava este grupo quando, há cerca de 4 anos  partiu, inesperadamente, com 9 anos de idade, deixando em todos, não só uma grande saudade, como também um estímulo de vida e de imitação. Esta singela evocação foi feita através de entrega do lenço azul à sua irmã Beatriz.

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Presidiu à celebração, que foi animada musicalmente pelos próprios jovens ADS, o Provincial dos Salesianos, acompanhado pelo Pe. Álvaro Lago, Delegado nacional da Pastoral Juvenil Salesiana,  pelo Pe. Ramiro (salesiano) e pelo próprio Pároco, Pe. Luís Mário que no final da celebração dirigiu um apelo aos jovens salesianos no sentido de participarem na vida da comunidade paroquial.

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Depois da cerimónia religiosa seguiu-se um jantar de convívio e confraternização com os membros da Família Salesiana de Arouca em que participaram cerca de duas centenas de pessoas entre jovens, seus familiares , associados do Centro Juvenil e membros dos Salesianos Cooperadores.

No início do jantar foram projectadas imagens que evocaram as principais actividades realizadas pelo grupo juvenil durante os seus 10 anos de existência.

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Refira-se ainda que este jantar foi cuidadosamente preparado e servido por alunos dos cursos profissionais de  Técnico de Cozinha e Pastelaria, Técnico de Restaurante e bar e curso de Empregados de mesa, cursos esses  ministrados na escola Secundária de Arouca.

A noite de magia

Esta festa Salesiana em que também foi homenageado D.Bosco como patrono dos ilusionistas, não poderia ter terminado sem uma sessão de ilusionismo.

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Organizada pelo grupo dos ADS do Centro Juvenil Salesiano de Arouca, com o apoio da Câmara Municipal, esta noite de magia contou com a atuação de 5 ilusionistas que, através de diversos truques, criaram um ambiente, não só de curiosidade e expectativa, como também de divertido bom humor, proporcionado, sobretudo, pelo apresentador desta sessão de ilusionismo, em interacção com elementos do público que eram convidados a participar nalguns dos números de prestidigitação apresentados. Registe-se, aliás a presença da Presidente da Câmara Municipal de Arouca, quer na tertúlia, quer na noite de magia, presença essa que exprime a simpatia com que a autarquia sempre tem acompanhado as actividades salesianas em Arouca.

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Trinta e seis anos após a saída dos Salesianos de Arouca e do encerramento do seu Colégio que, durante 22 anos, funcionou no Convento de Arouca, esta festa Salesiana, que contou com a presença de vários salesianos, bem como de uma representante do Conselho Nacional dos Salesianos Cooperadores , Maria José Barroso, contribuiu para regar e fortalecer a semente do carisma salesiano aqui deixada desde então e que vai  continuando a ser alimentada por momentos de grande salesianidade como este.

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº462 de  9 de março de 2018

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NOITE DE MAGIA

por jcerca em 12 de Fevereiro de 2018

NOITE DE MAGIA
homenageia o patrono dos ilusionistas

Não há pessoa alguma que fique indiferente ou que não goste de sentir a magia do ilusionismo ou se surpreenda com a habilidade sedutora dos truques de prestidigitação. Disso se apercebeu cedo São João Bosco que, ainda jovem, começou a querer descobrir e a aprender as técnicas dos ilusionistas que, no seu tempo de estudante, percorriam as feiras ou exibiam os seus truques de magia pelas aldeias.

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Mas o objetivo de D. Bosco em querer aprender tais técnicas de ilusionismo era para educar, evangelizar e atrair a atenção dos jovens, principalmente os menos favorecidos.

Como bom educador e comunicador que era, os seus truques de ilusionismo eram, pois, um recurso para atrair e conquistar amigos, através de uma relação de proximidade e de confiança, com a finalidade de frequentarem as práticas de piedade e encaminhar aqueles rapazes pobres e abandonados para um mundo de valores, procurando fazer deles “bons cristãos e honestos cidadãos”.

É por isso que São João Bosco sendo considerado um dos santos mais populares da Igreja Católica e do mundo, além de ser proclamado “Pai e Mestre da Juventude”, foi também designado para padroeiro dos ilusionistas. A homenagem surgiu de alguns “mágicos” da Espanha que, conhecendo as histórias dele com o ilusionismo, o aclamaram padroeiro universal dos ilusionistas.

 A Família Salesiana de Arouca

Arouca beneficiou da presença da Obra salesiana durante 22 anos (1960-1982), através do funcionamento do Colégio Salesiano em espaços do Mosteiro de Arouca.

Trinta e seis anos após a sua saída desta terra o carisma de D. Bosco mantem-se aglutinado na Família Salesiana, através da Associação dos Salesianos Cooperadores, do Centro Juvenil Salesiano e do grupo de jovens ADS pertencentes ao MJS e integrados no CJSA.

Embora o dia dedicado liturgicamente, em todo o mundo, a S. João Bosco seja o dia 31 de Janeiro, a Família Salesiana de Arouca vai festeja-lo no próximo dia 3 de março com um programa do qual constará uma Sessão de Magia na Loja Interativa, aberta ao público.

Esta Noite de Magia organizada pelo grupo dos ADS do Centro Juvenil Salesiano de Arouca, com o apoio da Câmara Municipal, contará com a atuação de 6 famosos ilusionistas que, certamente, irão deliciar e surpreender com a sua arte de magia todo o público.

 Programa

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  • 15:00 – Tertúlia sobre a “Magia e D. Bosco” com a presença do Provincial, Padre Aníbal Mendonça, e dois ilusionistas com a presença dos jovens ADS e atletas do CJSA.
  • Às 17 horas missa vespertina e cerimónia de imposição dos lenços dos jovens ADS/ClubeBosco na igreja do Convento.
  • Às 18:50 horas jantar de convívio e confraternização com todos os membros da Família Salesiana de Arouca e todas as pessoas que pretendam participar (inscrição no CJSA ou pelo nº 919261081).
  • Às 21 horas espetáculo “Noite Mágica” na Loja Interativa de Turismo com a presença dos ilusionistas: Miss Andy; José Cambra; Luís Santos; Niké Bás, Gustavo Sereno; Filipe Couto. Este espetáculo será aberto ao público devendo a sua entrada ser acompanhada do respectivo bilhete disponível na Loja Interativa.

O Presidente do CJSA

Pedro Pinto

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