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	<title>Comentários em: Dia da Mãe:uma breve homenagem</title>
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	<description>Ver, Ouvir e Ler os sinais de um mundo em permanente mudança.</description>
	<pubDate>Sun, 07 Sep 2008 13:18:23 +0000</pubDate>
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		<title>Por: jcerca</title>
		<link>http://mirante.aroucaonline.com/2008/05/04/dia-da-maeuma-breve-homenagem/#comment-8</link>
		<dc:creator>jcerca</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 May 2008 08:02:41 +0000</pubDate>
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		<description>Obrigado, Cristina pelo teu contributo.
Um outro lindo poema, de um outro grande poeta português e que eu, efectivamente desconhecia.
José Cerca</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Obrigado, Cristina pelo teu contributo.<br />
Um outro lindo poema, de um outro grande poeta português e que eu, efectivamente desconhecia.<br />
José Cerca</p>
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		<title>Por: Cristina Saavedra</title>
		<link>http://mirante.aroucaonline.com/2008/05/04/dia-da-maeuma-breve-homenagem/#comment-7</link>
		<dc:creator>Cristina Saavedra</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 May 2008 22:49:50 +0000</pubDate>
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		<description>Envio um outro poema à Mãe e à Matemática

Mãezinha

A terra de meu pai era pequena e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.
Segundo informação, concreta e exacta, dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data, 3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade, chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.
28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos…
(De resto, as senhoras casadas, pelas suas próprias condições, 
não têm que ser consideradas nestas considerações.)
Das outras, 10 por cento, eram meninas casadoiras, 
seriíssimas, discretas, mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas, não se inclinavam para o casamento.
Além destas meninas havia, salvo erro, 32, 
que à meiga luz das horas vespertinas se punham a bordar por detrás das cortinas 
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.
Dessas havia 9 que moravam em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam 
no troço habitual que o meu pai percorria, 
tranquilamente no maior sossego, às horas em que entrava e saía do emprego.
Dessas 9 excelentes raparigas uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas; outra, que veio a ser grande senhora, 
teve as suas fraquezas mas casou-se e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se não se sabe porquê.

A que sobeja chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.

António Gedeão</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Envio um outro poema à Mãe e à Matemática</p>
<p>Mãezinha</p>
<p>A terra de meu pai era pequena e os transportes difíceis.<br />
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.<br />
Corria branda a noite e a vida era serena.<br />
Segundo informação, concreta e exacta, dos boletins oficiais,<br />
viviam lá na terra, a essa data, 3023 mulheres, das quais<br />
45 por cento eram de tenra idade, chamando tenra idade<br />
à que vai do berço até à puberdade.<br />
28 por cento das restantes<br />
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.<br />
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido<br />
desde o dia da morte do extremoso marido;<br />
outras, senhoras casadas, mães de filhos…<br />
(De resto, as senhoras casadas, pelas suas próprias condições,<br />
não têm que ser consideradas nestas considerações.)<br />
Das outras, 10 por cento, eram meninas casadoiras,<br />
seriíssimas, discretas, mas que por temperamento,<br />
ou por outras razões mais ou menos secretas, não se inclinavam para o casamento.<br />
Além destas meninas havia, salvo erro, 32,<br />
que à meiga luz das horas vespertinas se punham a bordar por detrás das cortinas<br />
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.<br />
Dessas havia 9 que moravam em prédios baixos como então havia,<br />
um aqui, outro além, mas que todos ficavam<br />
no troço habitual que o meu pai percorria,<br />
tranquilamente no maior sossego, às horas em que entrava e saía do emprego.<br />
Dessas 9 excelentes raparigas uma fugiu com o criado da lavoura;<br />
5 morreram novas, de bexigas; outra, que veio a ser grande senhora,<br />
teve as suas fraquezas mas casou-se e foi condessa por real mercê;<br />
outra suicidou-se não se sabe porquê.</p>
<p>A que sobeja chama-se Rosinha.<br />
Foi essa que o meu pai levou à igreja.<br />
Foi a minha mãezinha.</p>
<p>António Gedeão</p>
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