Semana Cultural Musical

por jcerca em 7 de Junho de 2009

II Encontro de Coros Nádia Oliveira

Foram numerosos os momentos musicais que aconteceram ao longo da Semana Cultural 2009.

Desde as diversas participações de alunos e professores da Academia de Música de Arouca, nomeadamente através da actuação da Classe de flautas e violinos nos Claustros do Mosteiro, até aos vários concertos musicais que tiveram lugar no Terreiro de Santa Mafalda, podemos dizer que a música foi uma presença constante ao longo dos dias em que decorreu a Semana Cultural.

De entre as várias manifestações musicais destaque-se a primeira actuação ao público da Orquestra ligeira “Olá Swing” que nos presenteou com uma outra faceta da Banda Musical de Arouca, mais virada para o público juvenil e com um reportório menos clássico.

Mas quem  conseguiu atrair um vasto público ao terreiro de Santa Mafalda, apesar das ameaças da chuva, foi o grupo “Os Deolinda”.Interpretando música popular portuguesa inspirada no fado, este grupo, sobretudo através da sua vocalista, despertou um grande entusiasmo no numeroso público jovem que  acorreu ao terreiro de Santa Mafalda .

Estilos e espaços musicais

Se foram diversas no estilo as interpretações musicais, ao longo da Semana Cultural, diversos foram também os espaços de actuação dos diversos intervenientes.

E se o amplo terreiro entre o Mosteiro e a Biblioteca Municipal foi adequado para a audição de música ligeira e popular, já o espaço dos Claustros foi palco excelente para a audição dos sons das flautas e dos violinos da Academia de Musica de Arouca.

Mas o espaço por excelência para manifestações musicais de estilo mais clássico e religioso foi o magnífico coro baixo do Mosteiro, também conhecido por Cadeiral do Mosteiro.

Foi nesse rico cenário que tiveram lugar as duas últimas manifestações musicais desta Semana Cultural.

Encontro de coros Nádia Oliveira

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Orfeão de Portalegre

Organizado pelo Orfeão de Arouca e integrado na Semana Cultural, o II Encontro de coros Nádia de Oliveira no Sábado e a excelente interpretação da Associação “Vox Angelis” no Domingo, foram dois excelentes momentos musicais que encerraram a Semana Cultural deste ano, promovida, mais uma vez, pela Câmara Municipal de Arouca, com a colaboração de numerosas associações e entidades arouquenses.

Além do coro anfitrião, este II Encontro de Coros teve a participação do Coro de Câmara de S.João da Madeira que interpretou algumas peças religiosas dos sec.XVII e XVIII, tendo terminado a sua participação com a execução de 3 temas de cariz mais popular e que fazem parte de um disco gravado por este coro, precisamente neste espaço de actuação.

Com um reportório variado e que alternou entre a música popular alentejana, a música tradicional do Brasil, de Moçambique e de Cuba e ainda alguns temas religiosos em latim, a actuação do Orfeão de Portalegre trouxe a este Encontro de coros uma diversidade de temas musicais, brilhantemente interpretados através da unidade polifónica da suas vozes.

O encontro terminou com a actuação do Orfeão de Arouca, sob a direcção de Ivo Brandão e que contou com as vozes de Magda Brandão e Mafalda Castro, tendo sido acompanhado ao órgão por António Ricardo Toste.

Após a actuação seguiu-se uma troca de lembranças entre os grupos participantes, bem como a entrega de algumas simbólicas ofertas aos grupos e ás entidades que apoiaram a realização deste evento.

Ouro sobre azul

Contando o Orfeão de Arouca com a presença de um organista açoriano, António Ricardo Toste, habituado a tocar em órgãos ibéricos, teria sido ouro sobre azul se este Encontro de coros tivesse a acompanhá-lo o som emanado pelos tubos do recém restaurado órgão do Mosteiro de Arouca.

Não se compreende que tal não tenha acontecido, tal como referiu não só o apresentador do Orfeão de Arouca, como o próprio Presidente da Câmara.

imgp1905António Ricardo Toste tocando num órgão moderno, tendo por cima de si
um excelente órgão ibérico datado de 1743. Que desaproveitamento!

Compreende-se perfeitamente a existência de regras quanto à utilização desta rara peça da organaria ibérica, datada de 1743 e em que foram recentemente  investidos pela Autarquia 255 mil Euros no seu restauro. Só não se entende quais os motivos que terão impedido a sua utilização neste Encontro de coros, tendo sido necessário recorrer ao órgão eléctrico da Paróquia de Arouca.

Sem se pretender banalizar a sua utilização, pensamos que será de todo o interesse, quer para a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, quer para a Autarquia,  quer  sobretudo para o público em geral, organizar eventos que permitam a utilização do órgão, não apenas com fins religiosos, mas também culturais.

E, quanto a nós, este II Encontro de Coros Nádia Oliveira poderia ter sido um desses eventos, mas que, infelizmente, e por motivos que desconhecemos,  não proporcionou a utilização do órgão do Mosteiro, impedindo assim que o ouro do som dos seus tubos fosse derramado sobre o azul das magníficas vozes dos coros presentes neste Encontro.

José Cerca
Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº 58 de 12 de Junho de 2009

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1 Ivo Brandão 7 de Junho de 2009 ás 10:22

Caro Professor; em meu nome pessoal e do Orfeão de Arouca, os sinceros agradecimentos pela sua presença e pelas suas notas. Em ordem a corrigir alguns eventuais mal-entendidos que possam surgir, parece-me pertinente abordar alguns pontos.
Antes de mais, devo frisar que o acesso ao órgão nunca nos foi vedado. Houve um contacto por escrito, em que foi dado a conhecer à Real Irmandade o programa que seria apresentado, bem como o curriculum do organista, os quais foram deferidos. O que sucedeu foi que nos foi vedado o acesso ao espaço para ensaios, durante a Semana Cultural, porque, alegadamente, isso iria constituir um encargo extra para a Real Irmandade, ao ter de pagar essas horas aos funcionários que ali tivessem de estar para nos darem acesso ao Cadeiral. Assim, apenas nos foi facultado acesso ao espaço no próprio dia do concerto, durante a tarde, quando decorriam, ao mesmo tempo, celebrações religiosas na Igreja. A título pessoal, confesso que estranhei esta decisão, dado que havia sempre alguém da Real Irmandade presente, no decurso da Semana Cultural (a Feira do Livro esteve sempre em funcionamento no Claustro). Mas há que respeitar as regras que nos foram impostas.
De qualquer forma, o órgão que utilizámos, e que pertence à Paróquia, é, também ele, um órgão de tubos, pelo que a alternativa encontrada não foi de má qualidade. A este respeito, devo salientar a enorme disponibilidade do Pe. João Pedro, que não só nos cedeu o instrumento como nos facultou o espaço da Igreja para ensaio. Ao Pe. João tive oportunidade de transmitir que o mínimo que o Orfeão de Arouca poderia fazer era colocar-se à inteira disposição para lhe retribuir a amabilidade com que sempre nos tem acolhido.
De uma forma geral, creio que ainda estamos todos a aprender a conviver com esta nova realidade. As dinâmicas ainda não estão criadas, ainda não existem normas concretas e conhecidas para a utilização do instrumento, há inúmeros cuidados a ter. Esperemos que, com o tempo, as coisas possam começar a frutificar de outra forma, para bem do espaço, do instrumento e do povo de Arouca. Como ontem disse, da nossa parte (músicos), estamos com a firme vontade de, em breve, podermos fazer uma apresentação do trabalho desenvolvido pelos alunos da classe de órgão da Universidade de Aveiro. Iremos, agora, dar conhecimento às entidades dos nossos projectos, e talvez possa ser este o tal primeiro passo.

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2 Cristina Saavedra 23 de Junho de 2009 ás 19:59

Olá Professor Cerca. Permita-me dizer que não concordo de todo com o seu artigo.
Como sabe, pois é “membro” da Irmandade da Rainha Santa Mafalda, existem regras, já estabelecidas, no que respeita à utilização do Órgão de Tubos, recentemente inaugurado.
Se, conforme diz: “Sem…pretender banalizar a sua utilização, pensamos que será de todo o interesse, quer para a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, quer para a Autarquia, quer sobretudo para o público em geral, organizar eventos que permitam a utilização do órgão, não apenas com fins religiosos, mas também culturais.”, deveria saber e sabe com certeza que existe essa possibilidade, e mais, as entidades que refere conhecem muito bem essas regras, assim como os organistas autorizados.
Na frase que profere: “E, quanto a nós, este II Encontro de Coros Nádia Oliveira poderia ter sido um desses eventos, mas que, infelizmente, e por motivos que desconhecemos, não proporcionou a utilização do órgão do Mosteiro, impedindo assim que o ouro do som dos seus tubos fosse derramado sobre o azul das magníficas vozes dos coros presentes neste Encontro.”
Devemos ser compreensivos e principalmente procurar a informação verdadeira, isto é, porque é que assim aconteceu? Pretendo dizer com isto que poderia ter procurado os motivos, em vez de dizer “…por motivos que desconhecemos.”
Devemos ser compreensivos e principalmente procurar a informação verdadeira, isto é, porque é que assim aconteceu? Pretendo dizer com isto que poderia ter procurado os motivos, em vez de dizer “…por motivos que desconhecemos..”

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