A intervenção na Praça Brandão de Vasconcelos
Perante a indiferença dos cartazes contestatários contra a intervenção das obras na praça e perante os olhares curiosos de muitos mirones, eis que, finalmente, a praça Brandão de Vasconcelos começou a ser vedada para nela se iniciarem as obras da sua reformulação, integradas no projeto mais amplo da Regeneração Urbana/Polis XXI da zona histórica de Arouca.
Concluídas que foram as obras na Travessa da Ribeira e no Pátio das Laranjeiras (zona H7) que vieram dar um aspeto mais limpo e digno a uma zona que, durante muitos anos, esteve completamente entregue a si própria, a intervenção avançou para o Parque Municipal e para o Terreiro da Santa Mafalda onde as obras estão a decorrer a bom ritmo e em fase já adiantada, eis que se chega finalmente à zona que gerou alguma polémica e alguma contestação contra a sua intervenção.
Para dar uma ideia do aspeto final dessa intervenção na zona menos pacífica, foram coladas, na vedação da praça, virada para o Mosteiro, grandes fotografias ilustrando diversos ângulos da zona a intervencionar.
E se a faixa colocada sobre esta zona a ser intervencionada, apelando à “Preservação da nossa praça” lá continua serena no ar, talvez ela possa agora ser passível de uma outra leitura, indicando que preservação também poderá rimar, pacificamente, com modernização, desde que seja respeitada a memória histórica destes espaços, mesmo que conjugados com perspetivas de modernidade e, ao mesmo tempo, de funcionalidade social.
E tudo leva a crer, pelas imagens afixadas na vedação em metal, que tais parâmetros serão alcançados, para bem de todos os arouquenses e para uma maior dignificação da sua zona histórica para a qual a reimplantação do imponente portal do sec.XVIII, à entrada do Terreiro de Santa Mafalda, também muito virá a contribuir.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº193 de 10 de fevereiro de 2012
Publicado no “Jornal de Arouca” nº802 de 15 de fevereiro de 2012
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{ 5 comentários… lê abaixo ouadiciona }
Infelizmente NÂO RIMA !! NÂO NESTE CASO !!
Rimar ou não rimar, eis a questão! Aqui talvez se trate de um problema não tanto de sensibilidade poética, em que a rima será de importância secundária, mas mais de visão histórica em que o apego a ideias estáticas e de algum modo ligado a uma espécie de fundamentalismo patrimonial, não se coaduna de modo algum com e evoluir imparável que o progresso a tudo imprime, muito embora desejavelmente regulado pelo bom senso e pelo respeito à história de qualquer comunidade.
Sr. Professor, falta de bom senso teve o autor do projecto e quem o aprovou….ou então repare, no projecto recuperam, por um lado, o património que existiu há uma centena de anos (o Portal do Terreiro) , mas, por outro lado, deitam abaixo o que existe há uma centena de anos , a Praça Brandão Vasconcelos!!!
Onde está o respeito pela comunidade? onde está o progresso nestas opções ? o apego às ideias estáticas ?? ” o imponente portal do sec.XVIII, à entrada do Terreiro de Santa Mafalda o Portal” é o quê? Futurista, Modernista? …Poupe-nos Sr. Professor de tamanha falta de argumentação ! Veja o caso de Guimarães Sr. Professor, será para si um bom caso de estudo e quem sabe de reflexção !!
Bem, minha cara Elvira, um caso de reflexão tem sido para mim esta oposição legal, mas extemporânea, deste pequeno grupo de contestação a este projeto de regeneração. Defendi este projeto (e fi-lo publicamente) desde o dia em que foi apresentado no Salão Nobre da Câmara Municipal. Não me consta que tenha surgido qualquer oposição ao mesmo, a partir daí, embora tenham surgido algumas sugestões de melhoramento de um ou outro pormenor.
Agora vir a público movimentar-se contra um projeto quando já estava tudo aprovado e até mesmo adjudicado é que me parece incorreto, insensato e talvez um tanto irresponsável. Por isso, parece-me que quem nos deveria poupar desta contestação”fora do prazo de validade” seria, isso sim, este pequeno movimento contestatário.
Pois, como em tudo na vida, se toda a gente gostasse de amarelo…
Este é um caso curioso.
Não que a as obras na praça não me mereçam reflexão sobre se valem ou não a pena e se vão melhorar funcional e esteticamente esta zona da vila; aliás acho sinceramente que vão. A sala de recepções de Arouca já merecia um lavar de cara há muito, assim como a reconstrução do portão do convento me parece muito bem também (ainda torna mais imponente o edifício).
Mas é curioso que não veja tanta agonia e palavras duras contra ou a favor de outros projectos como vi neste caso. Não consegui perceber o porquê de tanta polémica, sinceramente. Já se fez obras em tanta coisa, já se contruiu sem sentido (o mercado…) e pouco ou nada se disse.
Isto vem provar duas coisas: a força do Facebook e o interesse cada vez maior dos arouquenses na sua terra. A primeira vale o que vale, a segunda orgulha-me.
Só espero que esta força reivindicativa e de debate público não se esfumaçe neste episódio. Há coisas também muito importantes (todos sabem ao que me refiro) que não podemos deixar cair no esquecimento, custe o que custar (usando palavras do nosso PM).
Um dia todos vamos olhar para a praça e gostar do que vemos. Um dia não sei se o meu filho vai olhar para a Variante feita, cuja promessa eu não me esqueço e que já vem da minha infância.
Lutemos, debatamos e reivindiquemos. É saudável.