RECRIAÇÃO HISTÓRICA

por jcerca em 15 de Julho de 2013

O Mosteiro agradece, o público retribui

Ainda recentemente, há cerca de dois meses e meio, o Mosteiro de Arouca escancarara as suas portas, permitindo a numeroso público percorrer todos os espaços conventuais, muitos deles fechados durante quase o ano inteiro.

Foi por ocasião do evento-âncora “Cister, saberes e sabores 2013” que proporcionou um conjunto de atividades que contribuíram para a divulgação do património contido no Mosteiro de Arouca.

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Agora, de 12 a 14 de julho, o Mosteiro voltou a abrir as suas portas, oferecendo desta vez muita vida e animação em muitos dos seus espaços cistercienses. Foi a Recriação Histórica que, após três anos de interrupção, regressou em força, envolvendo o Mosteiro e toda a sua zona histórica, desta vez com renovado visual, após as obras do Projeto de regeneração urbana.

Cenas do quotidiano da comunidade cisterciense

Organizada pela Câmara Municipal de Arouca, sob a coordenação artística de José Carretas da Panmixia e com a coordenação científica do Dr. Manuel Joaquim Moreira da Rocha, professor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, esta edição da Recriação Histórica contou com a atuação de cerca de 250 figurantes, a maior parte deles recrutados de diversas Associações arouquenses e que ofereceram ao vasto público que nesses dias acorreu a Arouca, cerca de 30 cenas recriadas, não só dentro do Mosteiro, como também no Terreiro de Santa Mafalda e em toda a zona histórica de Arouca.

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Graças a estes figurantes, os espaços conventuais, nomeadamente os claustros, os locutórios, a sala do capítulo, a cozinha, o refeitório, a botica e a cerca, ganharam nova vida com a recriação de cenas do quotidiano da comunidade cisterciense no sec.XIX.

Outras cenas diversas foram também recriadas noutros espaços do Mosteiro, servindo uns de enfermaria, outros de paramentaria e até a cela de uma freira moribunda foi recriada.

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No interior do Mosteiro destaque não só para a reunião das freiras na sala do Capítulo, sob a presidência da Abadessa, como também para Ceia no amplo refeitório da comunidade que ultrapassou de longe a capacidade dos comensais, impedindo assim que muitos interessados nela não pudessem participar, por falta de espaço, não obstante a refeição recriada ser pago pelos interessados inscritos previamente.

Os festejos de S.Bernardo

Se esta recriação trouxe muita vida e animação ao interior do Mosteiro, também toda a zona histórica, nomeadamente o terreiro, agora fechado pelo seu imponente portão,  foram palco de grande animação popular,  recriando os festejos de S.Bernardo, patrono  da Ordem Cisterciense.

Numerosas foram as cenas recriadas por todos esses espaços da zona histórica, alternadas com momentos de animação musical, com a  atuação de malabaristas de rua, de contadores de histórias populares e de muitos outros figurantes, devidamente trajados e oriundos dos diferentes estratos sociais da época.

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E se no 1º dia da recriação se poderá destacar a cena da prisão de Frei Simão de Vasconcelos, no 2º dia o ponto alto foi, seguramente, o incêndio de parte do Mosteiro cuja recriação encheu completamente o terreiro de pessoas, enquanto, durante meia hora, as chamas iam alastrando por todo o segundo piso, a partir da torre do Mirante, consumindo também parte do 1º piso.

Se a simulação foi bem conseguida, através de efeitos sonoros e de uma cuidada luminotecnia também a agitação dos populares e a aflição das freiras contribuíram para dar a esta cena uma grande expectativa, atestada pelo numeroso público que a ela assistiu do terreiro de Santa Mafalda, até que a intervenção miraculosa da Santa Mafalda ajudasse à extinção do mesmo, tal como reza a tradição popular e também aqui tecnicamente recriada.

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Das cenas do último dia destaque-se a visita do bispo de Lamego a Arouca  o qual, saindo da Casa dos padres, com importante séquito, percorreu a zona histórica  até á entrada da igreja conventual, sentado numa cadeira transportada aos ombros por elementos da sua comitiva.

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dêntica cena, mas em sentido contrário e no interior do Mosteiro foi a morte de uma freira assistida no leito de sua cela pelas suas irmãs e membros do clero e transportada em esquife  desde a sua cela até à Sala do Capitulo para aí ser sepultada e receber a última despedida de toda a sua comunidade.

O cronograma da recriação

Revelando já um certo amadurecimento e uma boa planificação, a recriação deste ano, através de um rigoroso cronograma, permitiu manter, quase em permanência, pontos de interesse nos diversos espaços, quer dentro, quer fora do Mosteiro, conferindo-lhe ao mesmo tempo uma grande diversidade de interesses, com momentos de animação, não apenas musical, como também teatral, incluindo improvisos que os diversos figurantes iam criando no meio dos visitantes.

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O despique entre a banda Musical de Arouca e a de Figueiredo no anfiteatro da renovada praça constituiu também um desses motivos de alegre diversão, através das picardias improvisadas entre ambas as coletividades, a ponto das forças da ordem terem de intervir.

Por outro lado a presença de diversos artesãos populares com as suas bancas montadas à sombra do Mosteiro contribuiu também para o bom enquadramento da época que se pretendeu recriar.

“Ecos de Arouca”

Em formato de jornal local distribuído por ardinas aos visitantes, o Programa da recriação foi também ele um dos elementos bem conseguidos e no qual iam sendo fornecidas ao público, não só informações úteis e alguns elementos de contextualização histórica, como também a sequência horária das diversas cenas que iam decorrendo ao longo desta recriação histórica.

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Pela grande afluência do público que acorreu a Arouca nestes três dias, pela enorme animação que esta recriação trouxe ao Mosteiro e a toda a zona histórica, e pelo nível de execução artística que já revelou, estamos convencidos de que este evento-ancora tem condições para alcançar o estatuto de um dos eventos culturais e recreativos mais emblemáticos de Arouca, transformando-se assim, ao lado da Feira das Colheitas, no porta-voz destes “Ecos de Arouca” para a Grande área Metropolitana do Porto e para toda a região norte do País.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº266 de 19 de julho 2013

{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Elvira Bugalho 15 de Julho de 2013 às 10:53

Alcobaça também deveria fazer algo semelhante e não dedicar-se somente ao Pedro e Inês…!!!!

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2 António Justo 26 de Julho de 2013 às 15:03

Parabéns Arouca!
Obrigado caro amigo José Cerca
Abraço

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3 João Francisco 3 de Março de 2017 às 11:04

Boa tarde. Aceitam vagas para voluntariado para as recriações históricas? Se não, têm conhecimento de outras recriações que pedem?

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