DIÁLOGO(S) COM MÚSICA: ENTRE O POPULAR E O ERUDITO

por jcerca em 25 de Outubro de 2016

Decorreu no dia 22 de outubro mais uma «Conferência de Arouca», promovida pela Associação Círculo Cultura e Democracia e que teve como tema central a influência da música popular na composição de algumas obras eruditas de diversos compositores.

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Esta Conferência de Arouca teve como moderador Adriano Pinto que começou por recordar que somos herdeiros de uma grande recolha de música popular de Arouca realizada por Virgílio Pereira a qual deu origem ao “Cancioneiro de Arouca”  editado em 1959 pela Junta de Província do Douro-Litoral  e que, ao longo das suas 904 páginas, contém mais de 500 canções recolhidas por todo o Concelho de Arouca na década de 1950.

Adriano Pinto referiu ainda outros trabalhos, não só bibliográficos, como também e discográficos produzidos no âmbito da música tradicional de Arouca e foi lançando para este “diálogo com música” algumas questões sobre esta temática.

O tema propriamente dito desta conferência de Arouca foi desenvolvido por Ivo Brandão, director do Orfeão de Arouca e por Fernando Valente, compositor e professor de Análise e  Técnicas de Composição no Conservatório de Música do Porto.

Para Ivo Brandão a questão do popular e do erudito é uma falsa questão, uma vez que é muito ténue, por vezes, esta distinção. E procurou demonstrar esta sua afirmação através da audição de diversos excertos de composições, algumas delas clássicas e outras contemporâneas, construídas a partir de singelos motivos populares e tradicionais.

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Por sua vez, Fernando Valente entendeu que as recolhas de melodias tradicionais são importantes, sobretudo para a preservação da nossa identidade arouquense, mas entende que não se pode ficar apenas na recolha, é preciso saber o que fazer com esse espólio musical recolhido.
Como compositor arouquense que é, Fernando Valente falou de alguns dos seus trabalhos de harmonização, feitos a partir de melodias tradicionais de Arouca. Nessas harmonizações Fernando valente procura sempre respeitar a melodia tradicional que faz parte da identidade de Arouca e é expressão do povo de Arouca e das suas múltiplas vivências sociais e culturais, mas reveste-as de uma nova roupagem com o seu trabalho de harmonização. E passou a demonstrar esse equilíbrio entre o popular e o erudito através da audição de diversos excertos musicais que fazem parte do seu “Melodias de Arouca”.

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Estando este trabalho de Fernando Valente baseado na polifonia vocal tradicional da região de Arouca, nada melhor para abrir e encerrar esta Conferência de Arouca do que a apresentação de algumas melodias do riquíssimo património musical de Arouca, interpretadas pelo grupo de cantas e cramóis do Conjunto Etnográfico de Moldes.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº427 de 28 de outubro de 2016

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