TROVAS & CANÇÕES

por jcerca em 8 de Dezembro de 2016

Uma homenagem artística à Língua portuguesa

Com a lotação do Auditório da Loja Interativa  completamente esgotada, teve lugar no passado dia 7 de dezembro, um espectáculo em que atores, poetas e cantores  homenagearam, através do canto e da declamação, a Língua Portuguesa.

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Realizado para comemorar os 25 anos da Biblioteca Municipal, instalada desde 1991 no edifício conhecido por “Casa dos padres” este espectáculo contou com a presença dos atores Rui de Carvalho, João de Carvalho (seu filho)  e Henrique de Carvalho (seu neto). Este elenco de artistas que contou ainda com a voz da fadista Ana Marta, foi acompanhado por Ricardo Gama na guitarra portuguesa e por João Correia na viola.

Declamados uns, cantados outros, foram numerosos os poemas de diversos autores portugueses que, ao longo de quase duas horas,  deliciaram a plateia nesta homenagem à Língua Portuguesa.

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Desde Gil Vicente a Camões, passando por Fernando Pessoa, José Régio, António Gedeão, Florbela Espanca, Miguel Torga, Bocage, Ary dos Santos, Manuel Alegre e muitos outros, todos os poemas destes autores, quer cantados, quer declamados, constituíram uma expressiva e artística homenagem à Biblioteca Municipal de Arouca que, ao longo dos seus 25 anos de existência, tem disponibilizado, nas suas numerosas estantes, as obras não só destes autores como de muitos outros, contribuindo assim para o enriquecimento cultural dos seus numerosos leitores.

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No final do espectáculo a vereadora da Cultura, Drª Margarida Belém, referiu a qualidade do espectáculo e relacionou-o com a celebração das bodas de prata da Biblioteca Municipal, tendo entregue a cada um dos artistas um ramo de flores que simbolicamente exprimiram também a beleza artística do espectáculo com que o público foi brindado.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº432 de 09 de dezembro de 2016

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1 jcerca 8 de Dezembro de 2016 às 18:03

Ser poeta, de Florbela Espanca, foi um dos vários poemas cantados neste belo espetáculo de Trovas e Canções:
(Faz hoje 86 anos que esta poetisa pôs fim à sua vida, tendo apenas 36 anos de idade: 8.12.1930)

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

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