DOIS ANOS A PROMOVER CULTURA E DEMOCRACIA EM AROUCA

por jcerca em 4 de Fevereiro de 2018

Criada por escritura notarial no dia 11 de janeiro de 2016, a Associação “Cultura e Democracia” festejou no dia 3 de fevereiro, o seu segundo aniversário com uma conferência pública no auditório da Loja intereativa de Turismo e um jantar que reuniu um considerável número de associados.

Criada a partir da plataforma cívica “Círculo Mais Democracia”, esta Associação teve apenas como objectivo central, ao constituir-se, promover o debate, a reflexão e a partilha com incidências sobre o rico e diversificado território de Arouca, nos seus mais diversos âmbitos.

E essa reflexão, ao longo destes dois anos de actividade, de natureza cívica e cultural, concretizou-se na iniciativa “Conferências de Arouca” que tem trazido a Arouca um conjunto de personalidades de renome nacional, nos mais diversos campos do saber, e que têm proporcionado uma reflexão de qualidade, contribuindo assim para aumentar e estimular cultura e a intervenção cívica neste território.

CCD_2ºaniv (2)

Mas a actividade desta Associação, ao longo destes dois anos, não se esgotou nas “Conferências de Arouca”. Na verdade, as “Jornadas de Ciência de Arouca”, numa organização conjunta com o Agrupamento de Escolas de Arouca, foi a actividade que maior impacto conseguiu em Arouca, permitindo, durante dois dias, o encontro de várias gerações de cientistas que iniciaram o seu gosto pela ciência e a sua caminhada de investigação na Escola Secundária de Arouca e que hoje continuam o seu trabalho de investigadores, nas mais diversas áreas, em instituições universitárias, não só nacionais, como também internacionais.

AgfaPhoto

Já com três edições, a última das Jornadas de Ciência de Arouca teve como tema central as Ciências Sociais.

São inúmeras as personalidades académicas e investigadores que esta Associação trouxe a Arouca e numerosos são os alunos das escolas de Arouca que tem movimentado ao longo das suas diversas iniciativas.

Por isso, podemos mesmo dizer que a criação desta Associação trouxe um importante contributo na animação cultural desta terra, contribuindo assim, para aumentar a CULTURA e aprofundar a DEMOCRACIA, fomentando o diálogo, cimentando a cidadania e promovendo a partilha de saberes adquiridos, nos mais diversos campos do saber e da ciência, ao longo dos tempos, por tão ilustres arouquenses e por tão reputadas personalidades académicas do nosso País.

Repensar a  identidade portuguesa

Uma dessas personalidades que esteve presente na última das “Conferências de Arouca” foi o Professor José Eduardo Franco que veio proporcionar uma interessante reflexão sobre “Cultura e Democracia: a memória, o património e a construção de identidades”.

Como brilhante historiador que é, especializado em História da Cultura, José Franco é ainda poeta, ensaísta e autor de múltipla obra publicada, sendo também Membro da Academia Portuguesa da História.

De entre os vários projetos editoriais que já dirigiu, o último, e talvez o de maior envergadura, foi a edição da Obra Completa do Padre António Vieira em 30 Volumes.       Em 2015, e como reconhecimento dos serviços prestados à Cultura e à Ciência, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural do Estado Português.

Por tudo isso, a escolha deste palestrante, no segundo aniversário desta Associação, não poderia ter sido melhor.

CCD_2ºaniv (3)

Na conferência que proferiu, José Eduardo Franco promoveu uma reflexão sobre o processo dinâmico da construção da nossa identidade, percorrendo através da história da cultura portuguesa, ao longo dos séculos, as diversas maneiras como nos fomos assumindo como povo, quer em momentos de euforia, quer em períodos de crise, ou de ameaças externas.
Constatando que “Portugal foi sempre um País em crise, com intervalos de prosperidade”, o palestrante estruturou a sua reflexão sobre a construção da nossa identidade em quatro pontos ou eixos que foi desenvolvendo recorrendo, com frequência, ao contributo do pensamento do Pe. Manuel Antunes e do filósofo Eduardo Lourenço, referindo simultaneamente um conjunto de outros pensadores que contribuíram para a vasta “literatura da identidade” hoje disponível e com o recurso à qual será possível definir o nosso cartão identitário.

CCD_2ºaniv (4)

De entre os diversos elementos constituintes da nossa identidade, José Franco referiu o património como elemento indispensável à manutenção da nossa identidade como povo, daí a importância de o preservar e valorizar.

O tema inesgotável abordado nesta conferência, acabou por receber diversos contributos durante o debate, através de algumas interessantes questões colocadas pelo público presente.

CCD_2ºaniv (5)

Depois desta reflexão seguiu-se um jantar que congregou cerca de 8 dezenas de associados e que teve como “sobremesa” final um informal momento musical em que o fado de Coimbra predominou através da voz de Arnaldo Brito, acompanhado à guitarra portuguesa por Fernando Cunha Pereira. Além do fado de Coimbra outras melodias foram surgindo animando o ambiente de convívio e para o qual o próprio palestrante deu também o seu contributo vocal.

CCD_2ºaniv (1)

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº460 de  9 de fevereiro de 2018

 

Anterior:

Seguinte: