ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO CULTURAL

por jcerca em 11 de Março de 2018

Um olhar atento para o Convento de Arouca

Por proposta da Comissão Europeia, o Parlamento Europeu designou 2018 como o Ano Europeu do Património Cultural (AEPC 2018),visando, com esta iniciativa, chamar a atenção para a importância, para a valorização e para o papel que o vasto património cultural desempenha na sociedade.

Várias serão as iniciativas, quer a nível nacional, europeu ou regional, que irão surgir ao longo deste AEPC 2018. Uma delas teve lugar nos dias 9 e 10 de março e foi promovida pela Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN). Tratou-se das Jornadas Técnicas sobre “Novos modelos de gestão do património” tendo a primeira sessão (dia9) decorrido no Porto, na Casa das Artes e a segunda (dia10) no Mosteiro de Arouca.

Um novo modelo de gestão para o Convento de Arouca

Estas jornadas técnicas promovidas pela DRCN constituíram uma ocasião de reflexão, partilha e debate tendo como tema a diversidade do Património Cultural.
Em Arouca, o segundo dia destas Jornadas técnicas, decorreu em diversos espaços do Convento de Arouca. No primeiro espaço, agora designado por Biblioteca memorial D.Domingos de Pinho Brandão, decorreu não só a abordagem do novo modelo de gestão para o Convento de Arouca, ainda em desenvolvimento, como também a apresentação da proposta de um novo programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca.

Este novo modelo de gestão que consubstanciará um caso único a nível nacional, prevê a integração de três parcerias para a gestão do Convento de Arouca, nomeadamente, a Direção Regional de Cultura do Norte, a Câmara Municipal de Arouca e a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

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E foram representantes destas três entidades que estiveram na mesa de abertura desta sessão. Por parte da Real Irmandade esteve presente o seu novo juiz, o dr. Carlos Brito que deu as boas vindas a todos os participantes salientando a importância de se ter escolhido o Convento de Arouca para a realização do segundo dia destas Jornadas técnicas. Por parte da Câmara esteve a vereadora da Cultura, prof.Maria Fernanda Oliveira que se congratulou pela realização deste evento integrado no AEPC 2018 manifestando a sua satisfação por Arouca ter sido escolhida.

A DRCN esteve representada pelo Dr.Agostinho Ribeiro e pela Drª Elvira Rebelo que aproveitou para informar que o concurso para as obras de intervenção no Mosteiro de Arouca já está fechado e que, por isso mesmo, estão criadas as condições para as obras avançarem ainda neste ano europeu do património cultural.

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Refira-se que tais obras englobarão três áreas de intervenção sendo a primeira, a iniciar ainda este ano, a “Instalação de uma Estrutura de Acolhimento ao visitante”, que incluirá, não só a criação de um espaço de recepção, na zona onde outrora funcionou a sede do Centro Juvenil Salesiano, como também instalações sanitárias, um bengaleiro, um vestiário e uma loja de vendas. Atendendo às pessoas com mobilidade reduzida, está ainda prevista, nessa zona, a instalação de um elevador para o primeiro piso, tanto mais que a futura entrada dos visitantes para o Museu será feita a partir desta nova estrutura de acolhimento.

Programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca

Coube ao Dr.Agostinho Ribeiro fazer a apresentação de uma proposta para um adequado programa museológico para o Museu de arte Sacra. Na verdade, e de acordo com o protocolo de gestão tripartida já assinado, compete à DRCN a elaboração do programa museológico, o qual se encontra já em fase adiantada.

Criado em 1933, o Museu de Arte Sacra é uma instituição de natureza museológica tutelada pelo Estado, através da DRCN, estando a guarda e administração dos seus bens entregue à Real Irmandade por uma disposição legal  de 1889, anterior, portanto à  criação do próprio museu.

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Detentor de um acervo artístico, histórico e patrimonial de grande relevância nacional, verifica-se, contudo, e desde há muito, a necessidade de melhorar e actualizar, não só a exposição dos seus ricos objectos artísticos, como também de implementar importantes melhorias no espaço, incluindo o seu alargamento, na iluminação dos objectos e na criação de condições climáticas para a preservação dos mesmos.

Num estudo de diagnóstico feito pela DRCN, verificou-se facilmente que o actual espaço do Museu é francamente deficitário e ultrapassado, quer na forma expositiva, quer no discurso museológico. Constata-se, por outro lado, a inexistência de recursos humanos adequados para as respectivas funções museológicas desta instituição. Acrescente-se a isto a falta de um quadro de pessoal qualificado, a insuficiência de recursos financeiros para a obtenção dos objectivos institucionais e ainda a ausência de um regulamento adequado para o seu funcionamento. Por outro lado, o circuito expositivo e de visita precisará de sofrer algumas alterações, de modo a melhorar a movimentação espacial dos próprios visitantes.IMG_3676

De acordo com o estudo, ainda em fase de elaboração, para a criação de um adequado e moderno programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca, a nova disposição do seu acervo assentará em três pilares fundamentais. O primeiro versará a vida do Mosteiro, o segundo centrar-se-á nos testemunhos de fé e o terceiro pilar reunirá os objectos artísticos sobre a glorificação do divino.

Embora distribuído pelos 3 pisos, o acervo do Museu organizado segundo estes três pilares temáticos, prevê-se a criação de outros espaços de apoio ao Museu, tais como um auditório, uma sala para os serviços educativos, uma sala para exposições temporárias, um espaço para reservas do Museu, bem como uma Estrutura de Acolhimento ao visitante.

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Depois da apresentação do programa museológico teve lugar, num outro espaço do Convento, a sua cozinha, um momento gastronómico em que os participantes puderam saborear, não apenas algumas variedades da doçaria conventual, como também diversos produtos regionais que deliciaram todos os presentes. Seguiu-se uma visita às diversas salas do Museu acompanhada pelas explicações do Juiz da Real irmandade e do Dr.Agostinho Ribeiro.

Estas jornadas técnicas terminaram no magnífico cadeiral do Mosteiro de Arouca com uma encenação “Teoria 5S” que proporcionou uma interessante reflexão, acompanhada de um certo humor, sobre a conservação das memórias através de um arquivo morto constituído por objectos do passado.

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E dar vida a objectos do passado é o que se pretende com este novo olhar sobre o Mosteiro de Arouca que agora começa, finalmente a desenhar-se com a futura gestão tripartida do nosso melhor ex-libris.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº463 de  23 de março de 2018

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