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Arquivo da Categoria ‘Mirante local’

No mundo da Blogosfera

Terça-feira, 17 de Junho, 2008

Quem, como eu, assistiu ao nascimento e ao rápido desenvolvimento da informática na nossa sociedade; quem, como eu, acompanhou o início do aparecimento da Internet e a sua vertiginosa expansão por todo o Planeta; quem, como quase todos nós, que crescemos e vivemos no mundo da digitalização e na sociedade da informação; quem como eu e quase todos nós, que presenciámos e continuamos a acompanhar o fenómeno da massificação do telemóvel, com o seu rápido aperfeiçoamento e com as suas irresistíveis sofisticações técnicas e comunicativas; quem há que não tenha já, não só presenciado e constatado, como também vivido e sentido muitos fenómenos interessantes dentro desta sociedade da informação e da comunicação em que todos vivemos.

E um desses fenómenos é o fenómeno da blogosfera que se implantou definitivamente no ciberespaço, continuando a atrair a si milhões de bloguistas nesta pequena aldeia global em que vivemos.

Aliado ao envio de SMS pelos telemóveis, o fenómeno da blogosfera é um fenómeno tão interessante como poderoso, não só no campo da mobilização, como no campo da influencia de opiniões e para o qual o poder político começa agora, lentamente, a aperceber-se dessa força na sociedade.

Basta ver o que aconteceu com a mobilização de centenas de professores através da multiplicação, em série, de SMS enviados para e por telemóveis.

Basta ver a quantidade e variedade de opiniões, por exemplo, sobre a avaliação dos professores e a força de muitas delas, surgidas em dezenas de blogs e rapidamente replicadas e comentadas em muitos outros.

O mundo da blogosfera é, de facto, uma poderosa e incontornável força que está a surgir na sociedade da informação e da comunicação e que é a expressão, não só da liberdade que os cravos de Abril vieram trazer à sociedade portuguesa, como também a expressão do exercício de cidadania que a democracia a todos oferece.

Oxalá que todos os inúmeros bloguistas, exprimindo as mais diversas opiniões e possuindo as mais diferentes convicções, quer religiosas, quer políticas, saibam pautar a sua postura no mundo da blogosfera dentro destes dois parâmetros: o da responsável liberdade e o da sã cidadania.

*****

Aproveito para saudar deste “Meu Mirante” todos os arouquenses que, em diversos blogs, vêm intervindo na sociedade arouquense, através de notícias, comentários e opiniões sobre a realidade da sua terra.

Saúdo, igualmente, todos aqueles que exercem a sua cidadania, escrevendo e opinando, nos meios de comunicação local, nomeadamente na Rádio Regional de Arouca, no “Jornal de Arouca” e no “Roda Viva”, bem como nos diversos portais noticiosos da Internet.

E saúdo, igualmente, todos aqueles que, através do novo Semanário de Arouca, irão contribuir para ver, ouvir e ler em “Discurso-Directo” todos os sinais de progresso e de desenvolvimento da sociedade arouquense a que pertencem.

José Cerca

A Semana Cultural e as Escolas

Sábado, 14 de Junho, 2008

Teatro para a comunidade escolar

Sendo o livro e a leitura elementos fundamentais no desenvolvimento de qualquer sociedade, a Feira do Livro, realizada em Arouca, desde há 13 anos, numa iniciativa da Câmara Municipal de Arouca, tem congregado à sua volta um conjunto de eventos culturais, desde exposições, concertos, palestras, teatro e cinema.

E sendo as Escolas de Arouca aquelas entidades com maior responsabilidade na formação, desenvolvimento e incentivo cultural, não se poderia conceber que elas continuassem alheias a este conjunto de eventos a que, habitualmente, se tem designado por Semana Cultural.

Além da participação com diversos trabalhos de expressão escrita e plástica sobre o património de Arouca, nomeadamente o que se refere às trilobites de Canelas e ao Geo-parque de Arouca, as escolas apresentaram, às diversas comunidades escolares, algumas peças de teatro que traduziram, não só um grande trabalho interdisciplinar, como uma revelação mesmo de novos talentos, no âmbito musical e de expressão dramática.

“Cabe tudo na Caixa” - Agrupamento de Escolas de Escariz

Um desses trabalhos produzido no âmbito do projecto “Cabe tudo na caixa” coordenado pela professora Maria Ester Ferreira e que envolveu alunos não só da EB2,3 de Escariz, como também escolas do 1º ciclo e do jardim de infância desse Agrupamento foi baseado na peça “Pedro e o Lobo”. Além de uma exposição com trabalhos de expressão plástica produzidos a partir da abordagem dessa obra, foi realizada uma Apresentação multimédia sobre o desenvolvimento do projecto nos jardins de infância e foi levado ao palco a representação dramática dessa história de Prokofiev.

“Instrumentos musicais” - Escola E.B.2,3 de Arouca

Tendo também como tema a música e por cenário e adereços alguns instrumentos musicas, artisticamente desenhados, não só no cenário, como na própria vestimenta das personagens, também a Escola E.B.2,3 de Arouca marcou presença no palco dos Bombeiros Voluntários de Arouca, com a representação de duas peças, levadas a cabo pela turma do 5ºD.

As peças apresentadas, “O chorão” e “Os instrumentos musicais” foram ensaiadas pela professora Susana Fonseca em tempos livres dos alunos, a partir de textos adaptados pela professora de Português Rosa Maria Oliveira.

De acordo com a opinião da ensaiadora, estas peças foram fruto, não só da carolice, como também do entusiasmo dos próprios alunos que se disponibilizaram, fora do horário lectivo, a apresentaram estas peças à comunidade escolar.

Iniciação ao teatro - Escola Secundária de Arouca

Possuindo no seu currículo a disciplina de teatro nos 7º e 8 anos, a Escola Secundária de Arouca, apresentou também às diversas comunidades escolares, sobretudo do 1º ciclo e jardins-de-infância, algumas peças ensaiadas não só no âmbito da Disciplina de teatro, mas também integradas no Plano Nacional de Leitura.

Foi o caso do conto “A Estrela” de Virgílio Ferreira. Fazendo parte das leituras integrais do Programa de Português do 7º ano, este conto mereceu uma interessante abordagem dramatizada no palco, feita por alunos do 7ºB da ESA, sob a orientação da professora Ana Guimarães. Tratou-se efectivamente de uma leitura bastante motivadora desse conto, tanto mais que, ao entrar no campo do maravilhoso, despertou uma renovado interesse junto da plateia infantil a quem ele se dirigia.

Uma outra peça também adaptada ao nível etário da assistência foi a representação de “O vendedor de gelados” da escritora Esther de Lemos e levada ao palco pela turma do 8ºB, sob orientação e ensaio da respectiva professora de teatro, Isabel Oliveira.

Através desta representação, conseguiram os pequenos artistas transmitir, ao numeroso público infantil, a mensagem da solidariedade, da amizade e da felicidade que brota dessa mesma solidariedade.

Por sua vez, a turma do 8ºD, sob a orientação da mesma professora, apresentou a “Caça ao Talento“. Com texto escrito por uma das alunas e intérprete da mesma peça, Diana Catarina Pinho, esta divertida representação, além de oferecer momentos humorísticos, serviu também para revelar alguns talentos no campo da música e da expressão dramática.

Ler uma peça de teatro, adaptá-la, escolher os personagens adequados e ensaiá-la para a apresentar em palco leva o seu tempo e exige esforço, paciência e muita dedicação. Foi o que fez a professora Márcia Ferreira com a peça “O Colar” de Sophia de Mello Breyner, na turma do 8ºA da disciplina de teatro.

Desse trabalho que contou também com a colaboração da professora de Português, Ana Isabel Jesus, resultou mais uma subida ao palco de alunos da ESA.

No final do espectáculo os pequenos artistas, questionados por diversos elementos da plateia, manifestaram a sua opinião sobre esta sua experiência de pisarem um palco, tendo todos eles considerado isso como uma “experiência gratificante” e uma maneira diferente de “se expressarem e de conviverem com as pessoas”.

“A lenda da sopa de pedra” - Aicia

Ainda dentro do teatro, embora num outro nível e num contexto um pouco diferente, refira-se, finalmente, a presença de um pequeno grupo de artistas especiais da Aicia que apresentaram no palco o conhecido e engraçado conto da sopa de pedra.

Tanto esta, como as restantes experiências no campo da dramatização, foram um belo contributo às comunidades escolares e que permitiram não só trazer para fora das escolas muito do trabalho que lá se realiza, como também se transformaram numa ocasião e num estímulo à revelação de novos talentos.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo” n.º6 de 13 de Junho de 2008

Iº ENCONTRO DE COROS Nádia Oliveira

Sexta-feira, 13 de Junho, 2008

Entre o artístico e o espiritual

Seria o XVII Encontro de coros organizado pelo Orfeão de Arouca. Quis o destino que um dos elementos mais proeminentes dessa Associação, a Nádia Oliveira, desaparecesse, fisicamente e de modo trágico, do nosso convívio.

Mediante esse facto, que emocionou toda a comunidade arouquense, a Direcção do Orfeão de Arouca, em homenagem à pessoa e à voz desta jovem arouquense, decidiu passar a designar esse evento anual por “Encontro de Coros Nadia Oliveira.”

O primeiro teve lugar no passado dia 7 de Junho na Igreja do Mosteiro de Arouca e integrado na Semana Cultural, promovida pelo Município.

Homenagem de 100 vozes numa só voz

Coro de SerzedoParticiparam neste 1º Encontro cerca de 100 vozes pertencentes não só ao Coro anfitrião, o Orfeão de Arouca, dirigido por Ivo Brandão, mas também ao coro da Associação Cultural e Recreativa de Serzedo, dirigido por Gergina Teixeira e ainda ao Ensemble Vocal Pro Música, sob a direcção do mastro José Manuel Pinheiro.

O encontro teve ainda a participação especial de um trio de amigos da Nádia Oliveira: Mafalda Campos Leite (soprano), Pedro Rodrigues (tenor) e Leonilde Castro Ramos (piano). Com a sua magnífica interpretação, quis este trio prestar homenagem a uma voz que se calou inesperadamente, mas que continuará presente na memória de todos.

Entre o artístico e o espiritual

Se a excelente execução musical dos grupos participantes acentuou a vertente artística deste 1º Encontro, o espaço onde ele teve lugar acrescentou a esta vertente artística uma sentida dimensão espiritual, reforçada ainda com o predomínio de peças interpretadas em latim.

Orfeão de AroucaTendo o Encontro começado e terminado com a audição gravada da voz da Nádia Oliveira que encheu a ampla igreja do Mosteiro de Arouca, ao mesmo tempo que humedecia os olhos de muitos dos participantes, a vertente emotiva da saudade acabaria assim por encerrar este 1º Encontro que quis ser, acima de tudo, uma homenagem a uma jovem que fez da sua curta vida, um momento de arte, de alegria e de dedicação aos outros.

O encontro terminou com a entrega de lembranças aos vários patrocinadores e aos grupos participantes.

Quis ainda o Orfeão de Arouca entregar aos pais e irmã da Nádia uma lembrança deste 1º Encontro Nádia Oliveira. Por sugestão do pai, Fernando Correia, a lembrança foi recebida pela irmã, Diva Oliveira.

Finalmente usou da palavra o Vice-presidente da Câmara Dr. Campelo que afirmou que a Nádia “adquiriu por direito próprio fazer parte da nossa cultura”.

José Cerca

Artigo Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº 6 de 13 de Junho 2008

Rota do Xisto

Quarta-feira, 28 de Maio, 2008

Novo percurso pedestre

Com muita gente, alguma chuva e uns pingos de sol, de vez em quando, inaugurou-se, no passado dia 24 de Maio, mais um percurso pedestre -o PR9 - na Freguesia de Canelas. Apesar da meteorologia ter afastado muitos dos 560 inscritos, mais de 300 pessoas, e no meio delas muita gente nova, percorreram, durante 5 horas, os 16 quilómetros que compõem este novo percurso.

Foi junto à igreja paroquial de Canelas, sob uma bátega de chuva, que já se vinha a anunciar há largos minutos, que o Presidente da Câmara, Artur Neves descerrou o placard de mais um novo percurso pedestre, todo ele traçado dentro desta Freguesia.

Mesmo com aguaceiros, já anunciados pelos meteorologistas, desde há alguns dias, o entusiasmo entre as centenas de participantes, muitos deles vindos mesmo de fora do Concelho, não foi prejudicado, muito embora a chuva tenha acrescentado algumas dificuldades a certos troços do percurso.

A primeira paragem teve lugar no Centro de Interpretação Geológica, junto ao qual foi servida, a todos os caminhantes, uma deliciosa broa com mel, produtos confeccionados na Freguesia, e que foram acompanhados de cachaça com mel.

Aí, e junto ao chamado Museu das trilobites, o Presidente da Câmara descerrou mais um placard, desta vez referente ao GR 28 “Por montes e vales de Arouca”, grande rota que, a partir dali se separa da “Rota do Xisto” em direcção ao Gamarão de Cima, terminando em Arouca.

Segundo informações do Presidente da Câmara, este percurso pedestre e esta grande rota, juntamente com outros já homologados, fazem de Arouca a “capital do pedestrianismo”, atendendo às condições excepcionais que o Concelho possui para a prática destas actividades.

Durante o percurso os participantes foram encaminhados para um miradouro donde puderam desfrutar de uma magnífica vista sobre a queda de água das Aguieiras a despenhar-se no caudaloso rio Paiva. Puderam também, mais à frente, espreitar algumas bocas de minas de exploração do volfrâmio, nomeadamente a mina do pereiro, com uma galeria de cerca de 150 metros, mas só possível de ser percorrida com o auxílio de lanternas.

O troço do percurso mais belo, mas que se tornou um pouco mais difícil, devido à chuva, foi aquele que acompanha, muito de perto, o rio Paiva, desde a praia do Vau ao moinho da ribeira. A beleza do Paiva, ali mesmo ao lado, a riqueza e variedade da vegetação envolvente, a cascata do ribeiro da Estreitinha em toda a sua pujança, o moinho ainda em funcionamento (e que bem poderia estar aberto a todos os quer por lá passaram), fizeram deste troço o verdadeiro ex- -libris deste novo percurso.

A caminhada terminou no largo da capela da Senhora dos Anjos, onde todos os participantes foram surpreendidos com a oferta de dois porcos no espeto, servidos com muito pão, azeitonas , fruta, sumos, vinho e música popular.

A animar este lanche, comido com bastante apetite, esteve a actuação do Rancho Folclórico “As Lavradeiras de Canelas” que cantou e dançou para todos os numerosos caminhantes.

Refira-se que tudo isto foi oferecido pela Junta de Freguesia de Canelas que, como anfitriã, desempenhou um importante papel no lançamento e na inauguração deste novo percurso, muito justamente designado por “Rota do Xisto”.
José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº719 de 30 de Maio 2008

Celebrações festivas da catequese

Domingo, 25 de Maio, 2008

Primeira ComunhãoTal como aconteceu em muitas das paróquias da Vigararia de Arouca, ocorreram, na passada semana, na Paróquia de S.Bartolomeu de Arouca, duas celebrações festivas integradas no percurso catequético de crianças e adolescentes desta comunidade paroquial.

Assim, no Domingo, dia 18 de Maio, celebrou-se a festa da 1ª Comunhão, na qual 48 crianças, depois de devidamente preparadas, ao longo de um ano de catequese, receberam, pela primeira vez, o sacramento da Comunhão.

Por sua vez, no dia 22 de Maio, dia da festa do Corpo de Deus, 42 adolescentes celebraram a festa da sua Profissão de Fé, renovando, agora mais conscientemente, perante a sua comunidade paroquial, a Fé que receberam no dia do seu Batismo, através de seus pais e padrinhos.

Pena foi que as condições climatéricas não tivessem permitido a realização da habitual procissão pelas ruas da Vila de Arouca.

Mesmo assim, foram dois momentos festivos que animaram as celebrações eucarísticas desses dois dias e que ficarão, certamente, gravadas na memória daqueles que foram os principais intervenientes nessas duas celebrações festivas.

Espera-se que, para haver uma certa coerência entre estes momentos celebrativos e a prática normal da vida cristã, os adultos, e sobretudo os pais destas crianças e adolescentes, que tão festivamente acompanharam os seus filhos nestes momentos celebrativos, possam continuar a ser o seu ponto de referência de vida cristã, na caminhada de fé destas crianças e adolescentes.

Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº4 de 30 Maio 2008

José Cerca

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