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Arquivo da Categoria ‘Mirante nacional’

Encontro de Antigos Alunos Salesianos em Arouca

Sexta-feira, 18 de Julho, 2008

Um reencontro de pessoas e de espaços sob o espírito de D.Bosco

Realizou-se no dia 12 de Julho, em Arouca o 3º encontro nacional de Antigos Alunos Salesianos que passaram pelas casas de Arouca, Mogofores e Manique.

Vindos de diversas partes do País, estiveram presentes, nesse encontro, cerca de 250 pessoas entre Antigos Alunos e familiares.

Depois de recebidos na sede do Centro Juvenil Salesiano de Arouca teve lugar, na igreja do Mosteiro de Arouca, a concelebração da Eucaristia presidida pelo Provincial Pe. João de Brito e que foi animada pelo grupo coral do Centro Juvenil salesiano e com a presença de muitas crianças desse Centro.

Após a Eucaristia todos os participantes se reuniram à volta do busto de S.João Bosco, situado no parque da Vila, adjacente ao Mosteiro. Foi um momento muito expressivo e carregado de salesianidade, dinamizado pelo Pe. Ramiro e ao qual as crianças do Centro Juvenil emprestaram um colorido e uma alegre animação, através dos seus cânticos.

Regresso ao passado

Um outro momento emotivamente gratificante para a maioria dos presentes, foi a visita aos espaços, outrora ocupados pelo antigo Colégio salesiano de Arouca , onde muitos terão passado alguns anos da suas vidas, crescendo fisicamente, enriquecendo-se culturalmente e moldando-se espiritualmente, sob a influência do espírito de D.Bosco. Para muitos foi um recuar de 30 ou 40 anos este percurso pelos espaços do ex-colégio e da própria quinta do Mosteiro. Cada canto estava carregado de vivências, ainda religiosamente guardadas na memória de cada um, apesar de algumas décadas já decorridas desde então.

Na senhora da Mó - Largada de pombosMas se a peregrinação pelos espaços do Convento foi algo que a todos tocou, a subida ao Monte da Senhora da Mó, no final do encontro, foi outro momento marcante do dia, não só pelas lindas paisagens que daí todos puderam contemplar sobre o vale de Arouca e através das serranias que o envolvem, mas também porque esse local fazia parte, décadas atrás, de um dos percursos mais apetecíveis nos passeios semanais que o Colégio proporcionava aos seus alunos, não apenas com o objectivo recreativo, mas também com uma excelente oportunidade de contacto com a natureza.

A largada de pombas, levando uma mensagem dos Antigos Alunos salesianos subscrita pela anterior, actual e futura organização destes encontros, foi um momento significativamente expressivo e que encerrou o programa deste dia que conseguiu reunir, sob o espírito de D.Bosco, o maior número de Antigos Alunos até hoje alcançado.

Unidos no espírito de D.Bosco

Todo o programa deste encontro esteve impregnado de salesianidade, como não poderia deixar de ser.

Desde a Celebração da Eucaristia, a partir da liturgia de S.João Bosco, desde os cantos à volta do seu busto, desde os nomes das mesas em que figuravam todas as casas salesianas de Portugal, bem como os nomes de todos os Directores do Ex-Colégio Salesiano, até ao porta-chaves oferecido a todos, como lembrança, tendo numa das faces a efígie de D.Bosco e na outra a fachada do Mosteiro de Arouca, tudo durante esse dia teve a marca do espírito de D.Bosco e da presença salesiana ainda tão marcante em Arouca.

Por isso mesmo, este encontro, de que Arouca foi a anfitriã, serviu não só para uma redescoberta e um reforço deste património humano, cultural e formativo que a todos uniu, sob a figura de D.Bosco, mas também para uma revitalização do espírito salesiano nesta terra que, durante 22 anos, acolheu a obra salesiana nas instalações do Mosteiro de Arouca.

Refira-se, finalmente, a presença discreta de D.Ximenes Belo neste encontro, que, tal como nos encontros anteriores, tem sido uma referência marcante de salesianidade e um apelo à actualização, pelos Antigos Alunos, do espírito de D.Bosco, nos próprios locais de intervenção familiar, social e profissional.

José Cerca

Texto publicado no “Jornal de Arouca” nº723 de 1 de Agosto de 2008

CEF, Curso de Educação ao Facilitismo

Sexta-feira, 18 de Julho, 2008

Depois das palavras violência e indisciplina nas escolas que surgiram, em catadupa, nos meios de comunicação social portugueses, sobretudo na sequência do conhecido caso do telemóvel na Escola Carolina Micaélis no Porto, a palavra que, presentemente, lhes veio ocupar o lugar nos média tem sido o vocábulo facilitismo.

E isso não terá apenas a ver com os resultados, quer das provas de aferição no 4º e 6º ano de escolaridade, quer dos exames do 9º e 12º ano, mas também com a proliferação de CEFs e de Centros de Novas Oportunidades, muitos dos quais, através de umas ligeiras pinceladas disto e daquilo, conferem diplomas a que, na maior parte dos casos, não corresponde uma adequada capacitação já não digo na cultura geral, mas nem sequer nos requisitos mínimos do ler , escrever e interpretar.

Penso que a filosofia que terá presidido à implementação dos Cursos de Educação e Formação, bem como aos Centros de Novas Oportunidades, não terá sido errada, mesmo tendo em mira a subida da estatística na qualificação académica e no sucesso escolar de muitos portugueses que, ou não tiveram ocasião de adquirirem essa qualificação, no tempo oportuno, ou que esbanjaram tais oportunidades para a adquirirem na altura certa.

Até aqui, tudo bem quanto aos princípios, mas tudo mal quanto às metodologias e às estratégias seguidas de se enveredar, a maior parte das vezes, pelo caminho do facilitismo, em prejuízo da exigência, do rigor e da responsabilidade que a sociedade requer para o salto qualitativo que, cada vez mais, se exige em todos os sectores.

Baixar o insucesso escolar pela via do facilitismo ou por métodos burocráticos será, por um lado, colocar os professores perante situações de flagrante injustiça; criar falsas ilusões aos alunos detentores de diplomas ou de certificados que pouco correspondem ao desempenho cultural da maior parte dos seus detentores.

Tal como escrevia Filomena Mónica, numa análise contundente aos exames de Português, recentemente aplicados a alunos do 9º e do 12º ano, com todo este facilitismo “estamos a formar uma geração incapaz de pensar, de falar e de escrever”.

Um caso concreto

Tem funcionado na Escola E.B.2,3 de Arouca, desde há seis anos, Cursos de Educação e Formação (CEF) nomeadamente na área de acabamentos de madeira.

No final do 2º ano do curso, que dá equivalência ao 9º ano, aos alunos que o frequentarem, há sempre um mês de estágio, em empresas locais, para uma transição para a vida activa.

Numa dessas empresas, como se necessitava de admitir novo pessoal, o gerente, em vez de abrir concurso para o preenchimento dessas vagas, perguntou aos 3 formandos estagiários se estariam interessados em trabalharem na empresa, após concluído o estágio.

Com a falta de oportunidades de emprego que existe por todo o lado, pensava o gerente que lhes estava a oferecer uma excelente oportunidade de ocupação, para mais na área para a qual supostamente se prepararam tecnicamente durante dois anos.

A verdade é que nenhum deles mostrou interesse na oferta, o que dá para pensar que, em muitos casos, não será a especificidade do curso que interessa aos alunos que nele se inscrevem, mas sim a facilidade com que podem obter o diploma do 9º ano.

Um deles, aliás, acabou mesmo por abandonar o estágio, pois, na verdade, nunca fora o curso o que lhe interessou, mas sim obter, pela via do facilitismo, o mesmo diploma que outros obtêm com muito mais trabalho, rigor e exigência.

Não será pela via do facilitismo que a escola prepara cidadãos para as exigências de uma sociedade cada vez mais competitiva. O sucesso escolar poderá, deste modo, subir nas estatísticas, mas a verdade é que baixarão, inevitavelmente, as competências mínimas necessárias para um integral sucesso na vida.

José Cerca

Texto publicado no Semanário “Discurso Directo” nº11 de 18 de Julho de 2008

Da notícia ao boato

Terça-feira, 8 de Abril, 2008

A história do aluno e da fita-cola na boca

Já estávamos a ficar cansados com a maneira exaustiva com que a história da professora, da aluna e do telemóvel na Carolina Michaelis, estava a ser relatada e comentada na comunicação social, quando uma outra surge, quase com o mesmo tipo de personagens e dentro de idêntico espaço físico. Refiro-me à infeliz história - infeliz na maneira como foi divulgada- da professora, do aluno e da fita cola de uma escola de Guimarães.

De uma maneira geral, para a maioria dos espectadores portugueses, uma notícia difundida na televisão, seja qual for o canal, é religiosamente aceite como verdade absoluta, sem que sobre a mesma seja posta, a maior parte das vezes, qualquer reserva quanto à sua autenticidade.

Mas infelizmente, nem sempre acontece, não só nas televisões, como em qualquer outro meio de comunicação social, que a notícia transmitida corresponda, com fidelidade, aos factos que a originaram.

Regra básica que qualquer bom jornalista não devia ignorar é que uma notícia, antes de ser publicada, deveria ser confirmada por duas ou mais fontes. Caso contrário, poderá não passar de um simples boato, ou de uma distorção total dos supostos acontecimentos que lhe pretenderam dar origem.

É assim que, muitas vezes, um acontecimento que deu origem a determinada notícia surge totalmente desvirtuado pela notícia escrita, lida ou áudio-visualmente transmitida em qualquer televisão.

Foi o que, ainda recentemente, aconteceu com a notícia transmitida por um canal televisivo sobre uma professora que,alegadamente, teria tapado a boca com adesivo a um aluno para o fazer calar, a acreditar no depoimento do pai desse aluno.

Tal como foi noticiada, a notícia causou uma indignada revolta em muitos ouvintes, originou uma avalanche de comentários, protestos, opiniões em dezenas e dezenas de blogues, até que surgiu o esclarecimento dos factos, tal como teriam acontecido na sala de aula. E mais uma vez, parece que a montanha pariu um rato.

O que aconteceu, efectivamente, parece não ter passado de uma brincadeira feita a pedido dos miúdos à professora, afastando logo assim, de imediato, qualquer violência antipedagógica e humilhante que a noticia fez passar para a opinião pública.
É que, quando se ouve apenas uma fonte, violando, assim, a tal regra básica de qualquer jornalismo sério e responsável, dá-se corpo não a uma notícia, mas sim a um boato, ou calúnia, que acabaria por desvirtuar totalmente os factos que a originaram.

E os factos parecem ter sido estes, tal como foram mais tarde relatados por intervenientes na referida brincadeira.

Numa turma estava uma professora e várias crianças a trabalhar com papel e fita-cola. As crianças estavam irrequietas, não se calavam, e a professora, na brincadeira, ameaçou-os que lhes punha fita-cola na boca. Um dos miúdos respondeu: “Ponha, professora, ponha!” A professora pôs, perante o riso de todos, incluindo o próprio. Ao verem aquilo as outras crianças também quiseram, e a professora fez-lhes a vontade. Depois achou que já chegava de brincadeira, tirou-lhes a fita-cola e a aula prosseguiu em boa paz e perfeita normalidade.

Até aqui tudo normal se não tivesse surgido nesta história um lobo mau, pai de um aluno desejoso de notoriedade, que conseguiu transformar uma esporádica brincadeira numa alegada violência pedagógica, e de uma divertida professora num execrável carrasco.
Mas o verdadeiro carrasco, aqui, foi toda uma comunicação social que, deixando-se levar na onda actual da violência nas escolas, nem se deu ao trabalho de conferir a veracidade dos factos relatados, confrontando-os com outras fontes, tal como mandam as regras básicas de um bom jornalismo.

E assim, em vez de uma notícia criou uma boato, um lamentável e desnecessário boato.

José Cerca

O espectáculo mediático da pequena Esmeralda

Sexta-feira, 4 de Abril, 2008

É deprimente e revoltante o espectáculo mediático que se instalou à volta da pequena Esmeralda.

Um espectáculo que mete pais biológicos, por sinal separados, vivendo um em cada lado e pais afectivos incriminados de sequestro por um tribunal irracional, apenas por, afectiva e efectivamente amarem, protegerem e cuidarem de uma criança à sua guarda, desde há seis anos.

Um espectáculo que mete advogados e técnicos de Reinserção social, que não passam de meros técnicos, quando deviam ser, antes de mais, pessoas humanas, ponderadas e sensíveis.

Um espectáculo que mete pedopsiquiátras e reguladores do poder paternal, num caso em que o pai original se demitiu das suas responsabilidades de progenitor, acordando agora qual Rambo salvador da sua filha e defensor dos direitos paternais a que nunca nada ligou.

Um espectáculo que mete forças policiais, jornais, televisões, tudo ingredientes mais do que suficientes para vender informação, muitas vezes transformada em desinformação e em confusão.

E no meio de todo este aparato mediático e judicial uma criança, feita objecto, joguete e bola de ping-pong entre os pais afectivos, os pais biológicos e o tribunal.

Se para nós adultos todo este aparato mediático nos confunde, nos baralha as ideias e nos revolta, que pensar da confusão que percorrerá a mente e os sentimentos da pequena Esmeralda?

Quem se preocupa com a essência da questão que é o bem-estar psicológico, afectivo e também material desta criança?

Creio bem que se o tribunal estivesse mais preocupado com a felicidade desta criança, do que com a fria e contraproducente legislação que os pais biológicos invocam, há muito tempo que este espectáculo mediático teria terminado, a bem do bem senso e, sobretudo da felicidade da própria Esmeralda.

Afinal,esta “pérola”, porque de uma pérola se trata, não apenas no nome, mas na sua essência de ser humano, bem mereceria um maior cuidado, um maior desvelo e um maior carinho, por parte daqueles de quem depende o desfecho, esperamos que feliz, de todo este espectáculo mediático.

José Cerca