A mobilização dos egípcios que levou à demissão do presidente do Egito Osni Moubarak ,após 18 dias de manifestações, foi talvez a mais recente prova da força mobilizadora que passa pelas redes sociais. De facto, foi a uma das redes sociais mais conhecidas em todo o mundo e com mas de 500 milhões de inscritos, o Facebook, que se deve grande parte da mobilização dos egípcios para se manifestarem contra as condições de vida que Moubarak lhes proporcionou ao longo dos 30 anos que esteve no poder e que levou mesmo ao seu afastamento.
Mas nem só a politica é alvo desta força mobilizadora que passa cada vez mais pelas redes sociais.
Também aqui, mais perto de nós, em Espanha, um problema de falta de liberdade religiosa desencadeou na internet uma grande mobilização de protestos contra a tentativa do governo espanhol encerrar um espaço de culto, a Basílica de Santa Cruz do Valle de los Caídos. Graças à pressão surgida nas redes sociais a Basílica acabaria por ser reaberta.
Idêntico problema foi também o que se passou na Universidade de Barcelona onde o reitor, sob pressão de um grupo de “laicistas-progressistas” mandou encerrar a capela da Faculdade de Economia da Universidade de Barcelona, impedindo assim os estudantes e docentes daquela Universidade Espanhola de exercerem o seu direito a professarem livremente sua fé.
Um mês após o seu encerramento a capela daquela universidade catalã voltou a ser aberta graças a um forte movimento que se gerou em redes sociais que reuniu mais de 17.000 pedidos a solicitarem a sua reabertura.
Estes casos e muitos outros que, diariamente, mobilizam milhares de cidadãos à volta de causas humanitárias, politicas ou religiosas, bem como de diversos projetos de intervenção social, mostram a força mobilizadora das redes sociais, oferecendo assim à sociedade atual uma enorme arma de intervenção social e cívica a não ignorar ou menosprezar por ninguém.
José Cerca
Publicado em “Jornal de Arouca” nº 781 de 28 Fevereiro 2011
