Secretário de Estado do Turismo visita Arouca

por jcerca em 3 de Maio de 2011

Com um dia excelentemente primaveril e uma natureza magnificamente enfeitada de verde, amarelo e roxo, Arouca recebeu, no passado dia 28 de abril, o Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade.

Convidado pelo Turismo do Porto e Norte de Portugal e pelo Geopark Arouca, a presença do Secretario de Estado estava inicialmente prevista para os dias 27 e 28 de abril, mas, por motivos de última hora, foi impossível estar presente nos dois dias. Mesmo assim o programa previsto para esse primeiro dia  foi cumprido, com a presença do Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Dr. Melchior Moreira, acompanhado pelo eng. Artur Neves e demais individualidades relacionadas com o turismo.

Desse programa fez parte uma visita noturna ao Mosteiro de Arouca e ao Museu de Arte sacra com guia explicativo da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda. Essa visita incluiu também um mini concerto de órgão dado pelo organista titular do Mosteiro de Arouca, Nicolas Roger o qual, durante 15 minutos, demonstrou as potencialidades sonoras e a versatilidade dos diversos registos deste magnífico órgão ibérico datado de 1743.

Esta visita terminou na cozinha do Mosteiro onde foi servida uma prova de doçaria conventual. Além de saborearem algumas das suas variedades, os convidados puderam também presenciar o fabrico de castanhas doces, assadas na brasa no próprio local.

O Paiva, como motivo e centro desta visita

Sendo o rio Paiva seguramente um dos elementos mais importantes do vasto território do Geopark  Arouca, o motivo central da visita do Secretário de Estado a Arouca foi precisamente a apresentação oficial do projeto de “Desenvolvimento do Turismo Ativo no Rio Paiva”.
Do programa da visita constou uma descida de rafting entre a praia do Vau e Espiunca. Depois de equipados na ”Quinta da Vila”, unidade de turismo rural e de eventos de Alvarenga, os convidados foram conduzidos até ao rio Paiva, onde duas empresas de desportos radicais, a Lusorafting e o Clube do Paiva, lhes proporcionaram esse contato com as potencialidades do rio Paiva, no âmbito dos desportos radicais. Durante 4 km cerca de 30 participantes puderam experimentar, alguns pela primeira vez, não só a emoção da descida dos vários “rápidos” que surgem ao longo do rio, como também apreciar a beleza selvagem deste magnífico troço do rio “menos poluído da Europa”.

Turismo ativo no Rio Paiva – O Projeto

Terminada a prova demonstrativa de rafting seguiu-se um almoço num dos restaurantes típicos de Alvarenga, o restaurante Mota, no qual foi feita a apresentação do referido projeto, quer pelo presidente da Câmara Municipal de Arouca, quer pelo prof. Mário Rui Silva, um dos vogais do ON2 (Programa Operacional Regional do Norte) da CCDRN.

Lançado pela  autarquia, conjuntamente com a  Associação Geopark Arouca, no âmbito do Programa PROVERE (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos) este projecto, já aprovado financeiramente, representa um investimento na ordem dos 2,5 milhões de euros, financiado a 80%, cabendo à autarquia suportar os restantes 20%.

A área de intervenção deste projeto situar-se-á no rio Paiva entre a praia fluvial do Areinho e da Espiunca e prevê a construção de diversos passadiços sobre o rio e outras infraestruturas de apoio aos desportos radicais no rio Paiva. O Presidente da Câmara teve o cuidado de referir que essa implantação será feita com o máximo de respeito pelo ambiente, por empresas especializadas e não implicará o derrube de qualquer árvore, antes pelo contrário, será feita a reflorestação de algumas zonas com árvores autotones.

O património geológico

Se o Paiva é elemento estruturante dos diversos geossítios espalhados pelo território do Geopark, a riqueza  e a raridade de fenómenos geológicos, tais como as pedras parideiras da Freita e as trilobites de Canelas são outros elementos que valorizam o Geopark Arouca e lhe conferem alguma individualidade no campo científico.

Nesse sentido, a visita ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas, foi paragem obrigatória do programa do 2º dia. Aí, sob a explicação do empresário Manuel Valério foi apresentada a  história da pedreira onde foram encontradas as maiores trilobites do mundo. Este facto e a variedade de trilobites expostas no centro de interpretação geológica chamou a atenção da comunidade científica do mundo e a curiosidade da comunidade escolar que tem proporcionado cerca de 10 mil visitas por ano. E a verdade é que, enquanto os convidados apreciavam a rica colecção de trilobites expostas no Centro de Interpretação Geológica, cá fora dois autocarros com alunos de escolas de Póvoa do Varzim esperavam a sua vez para visitarem este interessante “Museu da Terra” que é mais um dos valiosos elementos do Geopark Arouca.

Com os seis 41 geossítios já classificados pela comunidade científica, este projeto de desenvolvimento ativo no rio Paiva, agora publicamente apresentado vem contribuir para uma maior importância do Arouka Geopark através da “valorização das margens de um troço do rio, tendo como principal objectivo a criação de um espaço público de educação ambiental, através do contacto directo com a natureza numa atitude de utilização sustentável dos recursos naturais e de valorização do território”, tal como afirmou o presidente da Câmara Municipal, José Artur Neves no momento da sua apresentação perante o Secretário de Estado do Turismo..
Este projeto será certamente “um produto estratégico para a região, reconhecida pelo seu riquíssimo património geológico, e que deve continuar a merecer a atenção de todos” concluiu o presidente da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº786 de 15 de maio 2011

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