Congresso Internacional de Geoturismo em Arouca

por jcerca em 14 de Novembro de 2011

Um marco na história do  Geoturismo e do Arouca Geopark

Considerado o maior monumento português construído em granito, rocha essa oriunda da região englobada pelo Arouca Geopark, a realização do Congresso Internacional de Geoturismo não poderia ter tido melhor palco do que o Mosteiro de Arouca.

Foi aí que, de 9 a 12 de novembro, se reuniram alguns dos maiores especialistas em Geoturismo para se debruçarem sobre esta nova vertente no setor do turismo. Desse encontro resultou a “Declaração de Arouca” documento que contribuirá para a clarificação do conceito de Geoturismo  e segundo o qual se deverá entender o Geoturismo como “o turismo que sustenta e incrementa a identidade de um território, considerando a sua geologia, ambiente, cultura, valores estéticos, património e bem-estar dos seus residentes”.

As boas vindas aos congressistas: Welcome!

O encontro foi organizado pela AGA – Associação  Geoparque Arouca e pela Câmara Municipal de Arouca, tendo tido o apoio de algumas instituições, não só locais, como a ADRIMAG, a Real Irmandade Rainha Santa Mafalda e a Caixa de Crédito Agrícola, como também nacionais, como a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal, as Universidades de Aveiro e de Trás-os-Montes e Alto Douro, o ISLA, bem como a Comissão Nacional da Unesco, entre outras.

A abertura do Congresso

Foi rodeado de um cenário muito colorido e juvenil que se assinalou a abertura deste Congresso Internacional no dia 9 de novembro. No espaço central do Mosteiro de Arouca, constituído pelos seus emblemáticos claustros, teve lugar um desfile de numerosas crianças de algumas das escolas do 1º ciclo de Arouca, vestidas com curiosos adereços referentes a diversos geossítios do Arouca Geopark.

Desfile de abertura do Congresso através dos claustros do Mosteiro de Arouca

Foi certamente um belo momento, alegre e multicolorido, abrilhantado ainda com o lançamento de numerosos balões que, erguendo-se por cima do fontanário central dos claustros, se espalharam pela extensa zona geográfica do território do Arouca Geopark.

A pedra parideira e a trilobite

Da mesa da sessão de abertura que teve lugar no refeitório do Mosteiro de Arouca, técnica e visualmente, bem preparado para este Congresso, fizeram parte, além dos presidentes das entidades anfitriãs, Artur Neves, pela Câmara Municipal de Arouca e Margarida Belém, pela AGA,  Tito Rosa, Presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, em representação da Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural; o embaixador Fernando Andresen Guimarães, Presidente da Comissão Portuguesa da Unesco; Paulo Gomes, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte; Melchior Moreira, Presidente da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal; Jorge Mangorrinha, Presidente do Centenário do Turismo em Portugal; Guy Martini, pela Coordenação da rede europeia de Geoparques e Artur Sá, em representação da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD) e na qualidade de coordenador científico do Arouca Geopark.

 O Programa científico

Durante quatro intensos dias, a Sala do Capítulo e o refeitório do Mosteiro de Arouca, foram espaços de reflexão e de partilha de informação sobre a recente realidade do Geoturismo, tendo não só contribuído para a clarificação do conceito deste novo segmento da atividade turística, como também para o  lançamento de algumas  pistas e orientações sobre a geodiversidade e a geoconservação que quer ficaram consignadas na “Declaração de Arouca”.

O desfile infantil na abertura do congresso

Cerca de centena e meia de participantes, entre os quais representantes de 13 países, muitos deles ligados a instituições académicas, a entidades científicas, ou a organismos ambientais, debruçaram-se sobre esta temática do geoturismo e da geodiversidade, ao longo de 8 painéis em que foram apresentadas 43 comunicações, umas apontando pistas, outras partilhando experiências, algumas clarificando conceitos, outras aprofundando diversas vertentes no âmbito do geoturismo e da geodiversidade.

Além do valioso contributo científico de várias instituições académicas, estiveram também presentes nas dezenas de comunicações apresentadas, algumas empresas especializadas, não só no marketing de Geoparques, como também na criação de recursos de divulgação turística, quer através da realização de vídeos, construção de páginas web, edição de revistas, quer também na produção de sistemas de informação áudio portáteis, consideradas plataformas muito adaptadas à realidade do geoturismo, pela sua mobilidade e grande versatilidade.

O programa cultural e recreativo

Intercalado com o intenso programa científico, quis a organização deste Congresso enriquecê-lo e amenizá-lo, ao mesmo tempo, com um programa cultural e com algumas saídas de campo que muito contribuíram também para dar a conhecer aos participantes a riqueza e a variedade do Arouca Geopark.

Assim, além de uma visita ao centro histórico de Arouca, com destaque para o Mosteiro e o seu Museu de Arte Sacra, guiada pelo Dr. Manuel Joaquim Moreira da Rocha, professor da Faculdade de Letras do Porto, puderam os participantes visitar também o Museu Etnográfico de Arouca, o Museu das trilobites de Canelas, bem como alguns dos 41 geossítios, como a Serra da Freita, a frecha da Mizarela e as pedras parideiras, a pedra boroa e os rios Paiva e Caima.

Um dos momentos musicais do Congresso

Os congressistas tiveram ainda ocasião de apreciar o variado património musical de Arouca, não só através de uma pequena audição do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca, como também através da apresentação de música tradicional portuguesa interpretada, quer pelo Rancho folclórico da Casa do Povo, quer pelo Grupo de Cantas e Cramois de Moldes, quer ainda pelo Orfeão de Arouca.

A inclusão do Festival da Castanha no programa cultural do Congresso permitiu também que os congressistas tivessem ocasião de conhecerem algumas das tradições populares portuguesas, nomeadamente a que se refere ao S.Martinho, quer através de duas pequenas encenações cénicas sobre a lenda deste santo popular, quer através da organização de um magusto, com as inseparáveis castanhas assadas, acompanhadas de vinho e de danças populares.

Estando o Arouca Geopark integrado na Grande Área Metropolitana do Porto e pretendendo este Congresso Internacional dar também a conhecer algumas das potencialidades turísticas do Porto e Norte de Portugal, o quinto e último dia deste Encontro foi ocupado com uma visita a uma das caves do Vinho do Porto em Gaia e com um passeio de barco pelo rio Douro, durante o qual foi servido um almoço flutuante.

Programa gastronómico

A gastronomia é uma realidade importante e imprescindível na oferta de qualquer produto turístico e aquela praticada na região do Arouca Geopark já ganhou fama, não só pela sua irresistível qualidade, como também pela sua grande diversidade. Disso tiveram suficiente prova os participantes neste Congresso internacional.

Un dos momentos gastronómicos do Congresso

Efetivamente, além do excelente jantar de abertura do Congresso, servido em espaços conventuais, os congressistas tiveram ocasião de saborear a variada gastronomia arouquesa, não só na visita que fizeram a dois restaurantes geoparqueanos, o  “Trilobite” em Canelas e o “Refúgio da Freita” no Merujal, como também durante os lanches (coffee-break) que todos os dias foram oferecidos aos participantes durante os intervalos, quer na cozinha, quer na botica do Mosteiro.

Aí, além da doçaria conventual, herdada do saber e da arte gastronómica das freiras, puderam os congressistas deliciar-se com muitas das variedades da doçaria regional, algumas delas inspiradas mesmo em geossítios como a pedra parideira, a trilobite e, mais recentemente, a pedra-boroa.

Mas a variada ementa gastronómica que foi sendo servida ao longo do Congresso, não se limitou à doçaria, mas estendeu-se também a outras produtos locais em que não faltaram o mel, o presunto e o salpicão. E até na prova de frutas e de gelatinas, as trilobites e outros fósseis estiveram presentes em artísticas disposições, aplicando em todas elas a marca do Arouca Geopark.

A Declaração de Arouca

Momento importante e significativo deste Congresso foi a leitura da “Declaração de Arouca” na sessão de encerramento que contou com a presença da Secretária de Estado do Turismo, Dr.ª Cecília Meireles.

Secretaria de Estado do Turismo encerrando o Congresso

Nesse documento ficaram sintetizadas algumas das principais linhas orientadoras saídas deste encontro internacional. Após a sua leitura pela Presidente da AGA, Margarida Belém, Jonathan B. Tourtellot,  da National Geographic Society, manifestou a sua concordância e a sua satisfação pela “Declaração de Arouca” tendo mesmo classificado o Arouca Geopark como «um dos melhores geoparques do mundo». A afirmação recebeu, obviamente, o aplauso entusiasmado de todos os presentes.

Com uma excelente organização técnica e uma elevada qualidade científica das numerosas apresentações que fizeram parte dos oito painéis temáticos; com um impecável programa cultural e gastronómico que o acompanhou, este Congresso Internacional ficará como marco, não só da história do Geoturismo, como do Arouca Geopark.

E não será por mero acaso que, no próximo ano, Arouca voltará a ser palco de dois importantes encontros sobre esta temática, a saber: a realização das I Jornadas Nacionais de Geoturismo e a 11ª Conferência Europeia de Geoparques, esta última ter lugar de 19 a 21 de Setembro de 2012.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº796 de 15 de novembro de 2011

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1 Daniela Rocha 15 de Novembro de 2011 às 5:44

Caro Professor Cerca, obrigada pela reportagem que muito bem retrata a intensidade do Congresso Internacional de Geoturismo – AROUCA 2011.

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2 Sofia Vechina 15 de Novembro de 2011 às 12:07

Felicitações a Arouca, à organização do evento, à Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda e a todos os colaboradores. Arouca é cada vez mais um pólo de cultura que merece ser visitado. Parabéns!

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