A CAMINHO DE SANTIAGO

por jcerca em 21 de Junho de 2014

Convívio, fé e cultura assinalam passeio anual da Asarc
 

Indo ao encontro dos seus  objetivos, realizou-se nos dias 19 e 20 de Junho o passeio anual da  Academia Sénior de Arouca que levou, até à região da Galiza, cerca de 50 dos seus associados, entre alunos e familiares.

E se viajar é também uma forma de aprender e de conviver, isso ficou bem demonstrado ao longo destes dois dias de digressão pelo norte de Portugal e por aquela bela região de Espanha.

Depois de uma primeira paragem em Viana do Castelo para o pequeno-almoço e para apreciar a paisagem que se avista do famoso monte de Santa Luzia, sobre o estuário do rio Lima, a cerca de 220 metros de altitude e de onde se pode avistar um “dos mais belos panoramas do Mundo” como já em 1927 Harriet Adams escrevia na National Geographic Magazine, os turistas seniores pararam na cidade de Vigo para se atirarem à variadíssima mariscada com que o Oceano Atlântico presenteia aquela cidade espanhola.

No centro histórico de SantiagoApós esta pausa gastronómica seguiu-se para Santiago de Compostela, a cidade mundialmente ligada à memória do apóstolo Santiago e onde, mesmo à margem das certezas históricas, se crê existir o seu sepulcro.

Antes da chegada à cidade do Apóstolo e capital da Galiza algumas informações úteis sobre as origens dos famosos “caminhos de Santiago”, através de uma pequena digressão histórica, a cabo do Dr. Afonso Veiga, professor de História da Asarc.

Depois do tradicional abraço a Santiago e da visita ao seu hipotético túmulo, os visitantes percorreram a zona histórica da cidade, dirigindo-se depois para o hotel, fora da cidade e onde pernoitaram.

Na fila para o abraço a Santiago

A queimada

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Durante o jantar no hotel foram brindados com o ritual da preparação da famosa “queimada”, uma bebida típica da Galiza, com origem medieval, ou talvez céltica e que consiste em queimar num pote, com as luzes apagadas, aguardente e açúcar, com grãos de café ou casca de limão. Esta bebida serviria para esconjurar os maus espíritos e os malefícios das bruxas.

Depois de protegidos com a degustação desta “queimada” e animados com os seus efeitos, teve lugar a apresentação de algumas canções do Cancioneiro de Arouca interpretadas pelo coro da Asarc para dois grupos de turistas franceses que partilhavam o mesmo hotel e que receberam com entusiástico acolhimento a oferta deste momento musical.

 A cultura do marisco da Galiza

No dia seguinte, os viajantes seniores seguiram para uma das zonas turisticamente mais conhecidas da Galiza, a zona das rias baixas de onde é recolhida uma boa parte do marisco consumido naquela região do norte de Espanha.

Para compreender um pouco dessa actividade piscatória, o grupo teve ocasião de percorrer de barco,  pela ria de Arousa, na zona do Grove, nas proximidades de Sansenxo,  de modo a aproximar-se de algumas das numerosas plataformas ou bateiras, disseminadas pelas rias baixas e  onde se procede à  cultura  das ostras, das vieiras e à apanha do mexilhão.

Saindo do barco após o passeio pela ria de Arousa

Foi um passeio muito agradável e ao mesmo tempo instrutivo e degustativo, pois durante a viagem no Catamaran o grupo teve, não só a possibilidade de assistir à explicação, em português, dessa actividade, como também de provar abundantemente o mexilhão cozido a vapor e regado com vinho branco da Galiza.

A visita dos numerosos golfinhos que acompanharam esse passeio cultural e gastronómico e ainda a possibilidade que o barco oferecia de proporcionar uma vista submarina para as numerosas algas do fundo do mar enriqueceram este momento alto desta viagem de fim de ano organizada  pela Asarc.

No barco provando os mexilhões

Antes de continuarem viagem até à cidade de Pontevedra, os viajantes da Asarc tiveram ainda tempo para uma pequena visita ao museu da fábrica de cosméticos na ilha de Toja, onde puderam também comprar os famosos sabões Toja.

Terminada a visita ao Centro histórico de Pontevedra, o regresso de novo a Portugal com uma breve paragem em Valença para uma visita às suas famosas muralhas viradas para o rio Minho e para a cidade espanhola de Tui.

A “vaca das cordas” em Ponte de Lima

Tendo escolhido a cidade de Ponte de Lima para jantar, antes do regresso a Arouca, os viajantes da Academia Sénior, ao chegarem àquela cidade minhota, foram surpreendidos pela enorme multidão que enchia todo o seu centro histórico e a ponte antiga.

Tratava-se do início da famosa corrida da Vaca das cordas, uma tradição que data de 1646 e que tem lugar na véspera da festa do Corpo de Deus.

Corrida da vaca das cordas em Ponte de Lima

Sendo um tipo de corrida de touros ao ar livre, esta tradição, após  as tradicionais três voltas à igreja Matriz, termina com  Vaca às Postas servida na Praça principal (Largo do Chafariz) por dezenas de assadores que a distribuem ao  público que aí acorre.

vaca das cordas1Esta tradição tem origem numa lenda local que refere que a Igreja Matriz da primitiva vila era um templo pagão, onde se venerava uma deusa sob a forma de uma vaca. Quando o templo pagão foi transformado em igreja pelos cristãos, a imagem bovina da deusa foi retirada do nicho onde era venerada e, presa por cordas, sendo arrastada pelas ruas da vila até serem completadas três voltas ao templo.

Os turistas arouquenses não tiveram ocasião de saborear a vaca às postas, tendo-se virado para os famosos rojões ou o tradicional sarrabulho de Ponte de Lima. Mas a verdade e que o ambiente inesperado que foram encontrar naquela cidade Limiana contribui também para o enriquecimento cultural e o convívio gastronómico deste excelente e bem organizado passeio de fim de ano da Asarc.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº312 de 27 de junho 2014

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