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Arquivo de Abril, 2008

Nos caminhos indirectos de um “Discurso Directo”

Quarta-feira, 30 de Abril, 2008

Tinha acabado de inaugurar a minha entrada no mundo da Blogosfera, com o “Meu Mirante”, quando o meu amigo Dr. Victor Mendes me telefona a convidar-me para colaborar no novo Semanário que iria sair, brevemente, e para o qual fora convidado para Director.

Mesmo ainda sem saber o nome do novo órgão de comunicação social, a surgir no espaço arouquense, e desconhecendo, mesmo, os pormenores referentes à preparação do seu parto, aceitei o desafio.

Lembrei-me, então, que há cerca de dois meses atrás, pouco tempo depois do inesperado encerramento da “Defesa de Arouca”, lançara eu ao Dr. Victor Mendes, como quem atira o barro à parede, o repto de pegar nesse Semanário e dar-lhe continuidade, até porque - disse-lhe eu - seria um projecto dentro do qual ele se movimentaria com bastante à vontade, uma vez que criara e dirigira já, no passado, um outro órgão de comunicação social, dentro do espaço arouquense, nomeadamente em Alvarenga.

Não pondo liminarmente de lado o repto lançado, disse-me que voltaríamos a falar no assunto.

Ainda muito antes do encerramento do único Semanário publicado em Arouca, também eu fora objecto de um desafio para entrar no mundo da Blogosfera, criando um blog no Arouca.biz. Passados vários meses, o repto volta a surgir, pela insistência do meu amigo Rui Gato e, no dia seguinte, o blog “Do meu Mirante” estava aberto no ciberespaço.

Cruzando estes dois caminhos indirectos, conduzidos por desafios, diferentes na forma, mas idênticos no conteúdo, só me resta congratular-me com o nascimento deste novo órgão de comunicação social, e colaborar com o meu possível apoio, montando em qualquer das suas colunas o “Meu Mirante” para semanal, quinzenal ou mensalmente, conforme a disponibilidade de tempo, dele tentar ver, ouvir e ler os sinais de um tempo em constante mudança.

José Cerca

Publicado no Semanário “Discurso-Directo” nº 0 de 2 de Maio 2008

Paróquias de Arouca na Blogosfera

Terça-feira, 29 de Abril, 2008

Por iniciativa dos Párocos Pe.João Pedro e Pe.Paulo, cuja acção pastoral se estende a 8 comunidades paroquiais da Vigararia de Arouca, foi recentemente criado um Blog aberto às Paróquias de Arouca.

Além de um canal de comunicação e comunhão entre os paroquianos, este blog pretende ser, ao mesmo tempo, um meio de formação e de evangelização, junto dos cibernautas que o visitarem ou que nele participarem com as suas sugestões, dúvidas e comentários, exprimindo assim, não só a sua cidadania, mas também a sua fé e o seu cristianismo.

Efectivamente, a sociedade da informação e da comunicação em que vivemos, exige que a presença evangelizadora da Igreja não se limite ao espaço material dos templos de culto, mas que ocupe, cada vez mais, este amplo ciberespaço, como uma maneira de fazer chegar os valores e a mensagem da Boa Nova, não apenas aos seus habituais fiéis, mas a todos os Homens, crentes ou não crentes, mais praticantes ou menos praticantes, mas todos eles a necessitarem de valores sólidos para as suas vidas.

E quem melhor do que ELE, que disse ser o Caminho, a Verdade e a Vida, será capaz de nos oferecer os valores que dão sentido à qualquer vida?

O endereço é: http://paroquiasarouca.blogspot.com/

José Cerca

Prémio Geoconservação 2008

Quarta-feira, 16 de Abril, 2008

Ora aí está uma óptima notícia para Arouca: o prémio Geoconservação 2008 acaba de ser atribuído à Câmara Municipal de Arouca.

Este prémio foi atribuído pela ProGEO que é uma Associação Europeia para a Conservação do Património Geológico e faz parte de uma das várias actividades integradas no Programa do Ano Internacional da Terra e como tal será entregue na Câmara Municipal de Arouca no próximo dia 22 de Abril, por ser o Dia Internacional da Terra e Dia Nacional do Património Geológico.

É mais do que evidente que na base da atribuição deste prémio está o importante trabalho científico-pedagógica, turístico e divulgador junto do público em geral do projecto, do “Geoparque Arouca” que visa a identificação, conservação e valorização do património geológico do Concelho de Arouca, que contém, na sua área geográfica, duas importantes manifestações geológicas de relevância internacional, como são as trilobites de Canelas, únicas no Mundo, pelo tamanho e raridade e o raro fenómeno das Pedras Parideiras, na Serra da Freita.

Refira-se que, ainda recentemente, a empresa Ardósias Valério & Figueiredo, onde foram descobertas as maiores trilobites do mundo, foi distinguida pela Região de Turismo Rota da Luz com o prémio «Mérito Turístico Região de Turismo Rota da Luz», devido ao empenho do seu proprietário, Manuel Valério, na preservação do património geológico - designadamente das trilobites encontradas na sua pedreira.

Sem dúvida que a atribuição destes prémios será um bom apoio e estímulo para a candidatura do Geoparque de Arouca à rede europeia de Geoparques, constituindo, assim, mais um importante pólo de desenvolvimento turístico em Arouca e um importante motor de desenvolvimento científico e cultural, de âmbito internacional.

José Cerca

Da notícia ao boato

Terça-feira, 8 de Abril, 2008

A história do aluno e da fita-cola na boca

Já estávamos a ficar cansados com a maneira exaustiva com que a história da professora, da aluna e do telemóvel na Carolina Michaelis, estava a ser relatada e comentada na comunicação social, quando uma outra surge, quase com o mesmo tipo de personagens e dentro de idêntico espaço físico. Refiro-me à infeliz história - infeliz na maneira como foi divulgada- da professora, do aluno e da fita cola de uma escola de Guimarães.

De uma maneira geral, para a maioria dos espectadores portugueses, uma notícia difundida na televisão, seja qual for o canal, é religiosamente aceite como verdade absoluta, sem que sobre a mesma seja posta, a maior parte das vezes, qualquer reserva quanto à sua autenticidade.

Mas infelizmente, nem sempre acontece, não só nas televisões, como em qualquer outro meio de comunicação social, que a notícia transmitida corresponda, com fidelidade, aos factos que a originaram.

Regra básica que qualquer bom jornalista não devia ignorar é que uma notícia, antes de ser publicada, deveria ser confirmada por duas ou mais fontes. Caso contrário, poderá não passar de um simples boato, ou de uma distorção total dos supostos acontecimentos que lhe pretenderam dar origem.

É assim que, muitas vezes, um acontecimento que deu origem a determinada notícia surge totalmente desvirtuado pela notícia escrita, lida ou áudio-visualmente transmitida em qualquer televisão.

Foi o que, ainda recentemente, aconteceu com a notícia transmitida por um canal televisivo sobre uma professora que,alegadamente, teria tapado a boca com adesivo a um aluno para o fazer calar, a acreditar no depoimento do pai desse aluno.

Tal como foi noticiada, a notícia causou uma indignada revolta em muitos ouvintes, originou uma avalanche de comentários, protestos, opiniões em dezenas e dezenas de blogues, até que surgiu o esclarecimento dos factos, tal como teriam acontecido na sala de aula. E mais uma vez, parece que a montanha pariu um rato.

O que aconteceu, efectivamente, parece não ter passado de uma brincadeira feita a pedido dos miúdos à professora, afastando logo assim, de imediato, qualquer violência antipedagógica e humilhante que a noticia fez passar para a opinião pública.
É que, quando se ouve apenas uma fonte, violando, assim, a tal regra básica de qualquer jornalismo sério e responsável, dá-se corpo não a uma notícia, mas sim a um boato, ou calúnia, que acabaria por desvirtuar totalmente os factos que a originaram.

E os factos parecem ter sido estes, tal como foram mais tarde relatados por intervenientes na referida brincadeira.

Numa turma estava uma professora e várias crianças a trabalhar com papel e fita-cola. As crianças estavam irrequietas, não se calavam, e a professora, na brincadeira, ameaçou-os que lhes punha fita-cola na boca. Um dos miúdos respondeu: “Ponha, professora, ponha!” A professora pôs, perante o riso de todos, incluindo o próprio. Ao verem aquilo as outras crianças também quiseram, e a professora fez-lhes a vontade. Depois achou que já chegava de brincadeira, tirou-lhes a fita-cola e a aula prosseguiu em boa paz e perfeita normalidade.

Até aqui tudo normal se não tivesse surgido nesta história um lobo mau, pai de um aluno desejoso de notoriedade, que conseguiu transformar uma esporádica brincadeira numa alegada violência pedagógica, e de uma divertida professora num execrável carrasco.
Mas o verdadeiro carrasco, aqui, foi toda uma comunicação social que, deixando-se levar na onda actual da violência nas escolas, nem se deu ao trabalho de conferir a veracidade dos factos relatados, confrontando-os com outras fontes, tal como mandam as regras básicas de um bom jornalismo.

E assim, em vez de uma notícia criou uma boato, um lamentável e desnecessário boato.

José Cerca

O espectáculo mediático da pequena Esmeralda

Sexta-feira, 4 de Abril, 2008

É deprimente e revoltante o espectáculo mediático que se instalou à volta da pequena Esmeralda.

Um espectáculo que mete pais biológicos, por sinal separados, vivendo um em cada lado e pais afectivos incriminados de sequestro por um tribunal irracional, apenas por, afectiva e efectivamente amarem, protegerem e cuidarem de uma criança à sua guarda, desde há seis anos.

Um espectáculo que mete advogados e técnicos de Reinserção social, que não passam de meros técnicos, quando deviam ser, antes de mais, pessoas humanas, ponderadas e sensíveis.

Um espectáculo que mete pedopsiquiátras e reguladores do poder paternal, num caso em que o pai original se demitiu das suas responsabilidades de progenitor, acordando agora qual Rambo salvador da sua filha e defensor dos direitos paternais a que nunca nada ligou.

Um espectáculo que mete forças policiais, jornais, televisões, tudo ingredientes mais do que suficientes para vender informação, muitas vezes transformada em desinformação e em confusão.

E no meio de todo este aparato mediático e judicial uma criança, feita objecto, joguete e bola de ping-pong entre os pais afectivos, os pais biológicos e o tribunal.

Se para nós adultos todo este aparato mediático nos confunde, nos baralha as ideias e nos revolta, que pensar da confusão que percorrerá a mente e os sentimentos da pequena Esmeralda?

Quem se preocupa com a essência da questão que é o bem-estar psicológico, afectivo e também material desta criança?

Creio bem que se o tribunal estivesse mais preocupado com a felicidade desta criança, do que com a fria e contraproducente legislação que os pais biológicos invocam, há muito tempo que este espectáculo mediático teria terminado, a bem do bem senso e, sobretudo da felicidade da própria Esmeralda.

Afinal,esta “pérola”, porque de uma pérola se trata, não apenas no nome, mas na sua essência de ser humano, bem mereceria um maior cuidado, um maior desvelo e um maior carinho, por parte daqueles de quem depende o desfecho, esperamos que feliz, de todo este espectáculo mediático.

José Cerca