Evocando uma tragédia que emocionou Arouca
Terça-feira, 1 de Abril, 2008Faz hoje uma semana que um grave acidente, tema de notícia nacional, abalou Arouca e deixou completamente destroçada, pela dor, uma família arouquense .
Embora a milhares de quilómetros de distância não fomos também poupados à dor e à emoção desta tragédia que haveria de vitimar mortalmente uma jovem psicóloga, na flor da idade, deixando em estado muito crítico a colega, amiga e sócia que a acompanhava no momento do trágico acidente.
Integrados num grupo de 8 arouquenses tínhamos acabado de chegar a Richmond, na Virgínia, vindos de Nova Iorque e depois de uma paragem em Baltimore, para almoçarmos, quando a notícia atingiu, quase simultaneamente, os dois carros em que íamos: a Nádia morreu de acidente!….
Eram 18.45h, hora local quando esta tão inesperada, como absurda notícia, nos deixou a todos completamente abatidos.
Pelo conhecimento que todos tínhamos da Nádia, pela longa amizade que nos ligava a seus pais, esta trágica notícia deixou-nos a todos consternados, sem palavras, perante o brutal choque que tal notícia em todos provocou.
Foram momentos, sem dúvida, dolorosos para todos nós, mas em nada comparáveis à dor avassaladora que, a milhares de quilómetros de distância, atingira, inesperada e cruelmente, uma família nossa amiga que acabara de perder, trágica e absurdamente, a sua filha mais velha.
Por momentos, e quase instintivamente, cada um de nós se colocou no lugar do Fernando Costa e da Izilda para experimentar imaginar a dor que subitamente os atingira e que nenhuma palavra seria suficientemente expressiva para a descrever.
Mergulhados na impotência de nada podermos fazer, perante tão grande tragédia que desabara sobre este casal amigo de longa data e companheiro das nossas caminhadas dominicais pela Freita, restou-nos, por breves momentos e a largos quilómetros de distância, darmo-nos as mãos e, num gesto de amizade e de solidariedade na dor, implorar para o Fernando e para a Izilda aquela paz e aquela força tão necessárias para os ajudar a mitigar a dor, pela partida da sua querida Nádia.
E um porquê misturado de alguma compreensível revolta e revestido, ao mesmo tempo de um insondável mistério sobre a fragilidade da vida humana ergueu-se sobre cada um de nós, qual densa nuvem a ofuscar dolorosamente o sol radiante que até aí brilhara sobre todos nós, em plena época pascal, passada em terras da América.
Para o Fernando Costa, para a Izilda e para todos aqueles que mais dolorosamente se viram atingidos por esta fatalidade, o meu abraço de solidariedade na dor em que a crueldade do destino os mergulhou.
José Cerca