Já Camões escrevia,no sec.XVI, num dos seus mais conhecidos sonetos que “Todo o mundo é composto de mudança”:
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades”
É óbvio que a esta mudança, tão artisticamente comprovada pelo nosso épico, a Língua Portuguesa não pode, de modo algum, subtrair-se. A própria evolução semântica, verificada ao longo dos séculos, nos comprova que qualquer idioma é um sistema vivo e não estático, que vai evoluindo ao longo dos séculos, introduzindo novos vocábulos, deixando morrer outros, ou atribuindo significados diferentes a muitos deles.
Vem isto a propósito do tão polémico “Acordo Ortográfico” que tem despoletado as mais díspares posições, colocando, de um lado, quem é radicalmente contrário á sua aprovação, e do outro, quem o apoie incondicionalmente.
Toda e qualquer mudança, seja ela a que nível for, é sempre passível, quer de apoios entusiásticos, quer de resistências à inovação. Sempre assim tem sido e o “acordo ortográfico” não será excepção, como se tem visto, aliás, em inúmeras opiniões espalhadas pelos mais diversos órgãos de comunicação social e por inúmeros blogs disseminadas no ciberespaço.
Como cidadão e como professor de Português parece-me que este acordo tem sido visto, por alguns comentadores e até por certos investigadores, apenas circunscrito ao rectângulo português, esquecendo-se de o situar no âmbito da grande comunidade lusófona que é a CPLP que engloba milhões de falantes, usando o mesmo idioma, o qual, mercê do enorme e tão variado espaço geográfico por ela ocupado, exigirá acordos num determinado conjunto de vocábulos, de modo a tornar o seu uso o mais abrangente possível. E este processo de globalização da terceira Língua mais falada no ocidente é irreversível, não obstante toda a polémica que ele tenha vindo a desencadear.
É fundamentalmente esta a filosofia subjacente a este acordo ortográfico. E como tal, apesar de o mesmo implicar pesados investimentos editoriais, estou perfeitamente aberto á sua implementação com a certeza de que dele não surgirá nenhum cataclismo linguístico. E como, desde há muito, toda a gente escreve farmácia sem a marca etimológica do ph, também se passará a escrever batismo, ótimo, adoção, atual, redação elétrico e muitos outros vocábulos, despidos agora dos apêndices etimológicos que, durante muitas décadas, os acompanharam, atestando a sua evolução semântica e fonética.
Tal como os mil réis deram lugar ao escudo e este se apagou perante o euro, sem grandes dramatismos, o mesmo acontecerá com as novas mudanças ortográficas preconizadas com a entrada em vigor do novo acordo ortográfico, que, afinal, já não é tão novo como isso, pois foi assinado em 1990.
José Cerca
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Saudações Professor Cerca,Realmente Não Temos Como Fugir Ao Acordo Ortográfico, Principalmente Em Relação Ao Brasil, Mas É O Maior Prazer, Como Estou Tendo Agora Lendo A Edição De 1905 Do Livro De Anthero De Figueiredo, Recordações E Viagens, Estou No Capitulo Bom Jesus Do Monte, As Expressões São Fantasticas, Como Esta: (Se Bem Me Lembro, Teria Eu Uns Nove Annos Quando Fui Pela Primeira Vez Ao Bom-Jesus-Do-Monte.Não Havia Ainda Americanos,Nem Elevador: Fomos Numa Vitoria Do Mesquita,De Manhãzinha,Com O Cesto Fardeleiro Na Concha Do Carro, Almoçámos Debaixo Das Carvalheiras, Para Os Lados Da Mãi-De-Agua) Acho Muito Agradavel,Aproveito Para Lhe Dar Os Parabens Pela Qualidade E Bom Gosto De Seu Blog,Trabalho Com Livros Raros, Se O Amigo Precisar De Algo Aqui Do Rio, Será Um Prazer O Presentear, Saudações, Carlos Pinho,Arouquense Do Burgo E Residente No Rio De Janeiro
Carlos Pinho, arouquenses, conheço pelo menos dois: um, meu colega de profissão e o outro, um conceituado industrial da construção civil, pelo qual já passaram inúmeras obras públicas e privadas no Concelho de Arouca.
Resta-me acrescentar agora a esta lista mais um Carlos Pinho, arouquense e a residir, como acabo de saber, nessa linda cidade brasileira que alberga muitos outros arouquenses, que continuam a manter uma forte ligação à sua terra natal.
E ainda bem que as novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC) são, na verdade, um precioso e fantástico instrumento ao serviço do estreitamento dessa ligação entre Arouca e o Brasil.
Bem-haja, caro amigo, e muito obrigado pelas suas referências elogiosas a este “Meu Mirante”, que poderá ser também uma pequena janela para, através dela, lançar, de quando em vez um olhar de saudade para esta linda terra de Arouca.
eu achei muito legal.