Libertação dos mineiros chilenos

por jcerca em 18 de Outubro de 2010

A base silenciosa de um grande êxito

Segundo o engenheiro que fez a perfuração do buraco para resgatar os 33 mineiros a “fé e a oração estiveram na base do sucesso” que resgatou, de cerca de 700 metros de profundidade, os 33 reféns que aí estiveram retidos durante mais de 2 meses.

Claro que para determinada comunicação social estes aspectos não são, nem podem ser, objecto de notícia, muito embora eles traduzam um corajoso e convicto testemunho de quem fez esta afirmação.

Greg Hall é o dono da empresa Drillers Supply International, responsável pela perfuração que permitiu o resgate dos 33 mineiros.

Este engenheiro americano, que se assume como um católico convicto afirmou que “a fé para superar os obstáculos e a oração diária foram as chaves do êxito da sua missão.”

Hall, que a 12 de Fevereiro será ordenado diácono permanente, exprimiu a sua emoção perante o êxito da operação de resgate afirmando que “foi um árduo trabalho, mas que valeu a pena porque agora estes 33 mineiros já se podem reunir com as suas famílias. Foi uma sensação maravilhosa  ter contribuído para o resgate destas vidas humanas.”

A empresa de Hall trabalha no Chile desde há 20 anos e especializou-se na perfuração de rocha dura e o Ministério das Minas de Chile escolheu-a

para perfurar o túnel de 622 metros, por onde saíram os mineiros, no passado dia 13 de Outubro.

Quando souberam que a sua empresa tinha sido escolhida para a tarefa do resgate, tanto o engenheiro como a sua esposa Angélica  sentiram ” o peso do mundo” sobre os seus ombros. Efectivamente, tudo o que sabiam sobre perfuração teve que ser alterado porque era a primeira vez que utilizavam os seus conhecimentos para resgatar vidas humanas. A perfuração tinha que ser muito precisa, muito cuidadosa, para que não provocasse nenhum desmoronamento no interior da mina. “Foi uma tarefa muito tensa”- confessou o engenheiro, esclarecendo que procurou manter-se, emocionalmente, afastado da situação dos mineiros “para não perder a concentração numa tarefa assaz complicada e delicada” a qual, para além da oração, envolveu muitas capacidades, muito planeamento e preparação para fazer as coisas o mais perfeitas possível.

“Os momentos em que tudo parecia falhar – confessa o engenheiro – eram momentos para a oração”.

José Cerca

{ 2 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Darius 22 de Outubro de 2010 às 9:36

… a “fé e a oração estiveram na base do sucesso” que resgatou, de cerca de 700 metros de profundidade, os 33 reféns …

E eu a pensar que a tecnologia tinha sido a base do tal sucesso…

Saudações
Darius

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2 jcerca 23 de Outubro de 2010 às 17:02

Meu caro Darius
Tudo na vida poderá ser visto sob dois planos diferentes, que, em muitos casos, até poderão não ser antagónicos.
A sua observação, com alguns resquícios de fina ironia, até está correcta, pois é feita apenas sob o ponto de vista material e tecnológico e não há dúvida que ele foi fundamental para o êxito da operação de resgate.
No entanto, e passando agora para o outro plano, menos visível, menos palpável, mas também ele importante, pelo menos para o responsável pelo projecto técnico, que assim o confessou, o que poderia ter acontecido se, os momentos de desânimo, de dúvida e de incerteza (existentes em qualquer projecto) não fossem preenchidos com essa força da fé e da oração?
É esta uma realidade que, não podendo ser contabilizada em termos humanos, também não deverá ser menosprezada, como me pareceu intuir na ironia da sua observação.
Não exijo,caro Darius, que acredite nessa dimensão espiritual, mas gostaria que, pelo menos, a respeitasse. E quem sabe, se um dia não lhe será mais fácil entrar um pouco dentro dessa vertente do espírito e receber dela a força orientadora que, eventualmente, precise para a sua vida.
Um abraço de consideração e amizade.

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