O Islão na Europa

por jcerca em 20 de Novembro de 2010

Uma decisão corajosa

Face à pretensão do Governo Saudita em construir mesquitas na Noruega, financiadas, não só pelo Governo, como também por ricos doadores privados, totalizando dezenas de milhões de euros,  o Ministro dos Negócios Estrangeiros norueguês Jonas Gahr Støre tomou a decisão de recusar esse financiamento alegando que seria «paradoxal e contraproducente aceitar um financiamento vindo de um País que não aceita a liberdade religiosa ».

Embora a lei norueguesa permita aos países estrangeiros apoiar financeiramente as comunidades religiosas, a verdade é que o Ministro dos negócios estrangeiros não apenas recusou aprovar esse financiamento, como justificou essa sua decisão argumentando que tal «aprovação seria tanto mais  paradoxal quanto se sabe que pretender estabelecer uma comunidade cristã na Arábia Saudita, é considerado um crime.»
Perante a passividade que se vai notando na Europa face ao avanço do Islão, muitas vezes acompanhado de atitudes de intolerância e discriminação religiosa, como a denunciada pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros da Noruega, são necessárias atitudes corajosas como a sua, sem medo das represálias a que o fundamentalismo islâmico lança mão com frequência.

Perseguição religiosa

Por todo o mundo são cada vez mais numerosos e frequentes os casos de perseguição religiosa, por parte de muçulmanos,  a pessoas que professam uma religião diferente da sua, nomeadamente a cristã.

E um dos casos recentes  mais escandalosos é o de Asia Bibi injustamente condenada a morte no Paquistão, alegadamente, por blasfémia, mas o verdadeiro motivo está apenas no facto dela ser cristã e ter recusado converter-se ao islamismo, tal como a tentou convencer o próprio juiz que a está a julgar. De facto, o juiz, ao prometer-lhe que  “se te converteres ao islão, salvar-te-emos a vida”,  Ásia Bibi ter-lhe-á respondido  “que preferia morrer como cristã do  que sair da prisão como  muçulmana».
Esta atitude, vinda sobretudo da parte de um juiz, é totalmente condenável e revela, só por si,  a falta de liberdade religiosa que se vive naquele País.

Representando apenas 4% da população, a comunidade cristã do Paquistão, consciente da sua situação minoritária frente a uma maioria muçulmana, confia no apoio internacional para que o caso de Asia Bibi possa ser reaberto e a condenação à morte anulada.

Perseguição aos cristãos

Este caso chocante da condenação à morte de Ásia Bibi, levou mesmo o pensador ateu, Bernard-Henri Lévy, intelectual francês considerado como uma respeitável referência da Nova Esquerda, a tomar posição a favor desta paquistanesa, escrevendo mesmo no diário italiano “Corriere della sera” que  “é necessário defender os cristãos perseguidos em todo o mundo”.
E afirma mesmo nesse artigo que hoje os cristãos constituem à escala planetária “a comunidade mais constante, violenta e impunemente perseguida”.

José Cerca

Publicado no "Jornal de Arouca" nº775 de 30 de Novembro 2010

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1 Jorge de Resende 22 de Novembro de 2010 às 18:29

Muito interesante este artigo, todo apoio a atitudes corajosas e condenação a intolerâncias religiosas.

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2 F Santos 30 de Novembro de 2010 às 12:40

Toda a vida a religião, muitas vezes em sentido contraproducente, foi motivo de guerras, ódio, mortes e descriminações. Ora com os templários, ora com as invasões árabes, ora com os cruzados e agora com a intolerância que se tenta colar aos muçulmanos.
Pois têm razão nesse aspecto: alguns muçulmanos são de facto intolerantes, e nenhuma questão semelhante à de Asia Bibi deveria passar impune.
Mas e então os cristãos? Alguns deles (de nós) não descriminam as Testemunhas de Jeová? Não descriminam os protestantes? Não descriminam os ortodoxos russos? Não foram os portugueses, católicos cristãos, que andaram pelo mundo no séc. XVI a pregar o cristianismo e a castigar quem não se convertia?
E não são os católicos (portugueses e não só) que descriminam os ciganos, os pretos, os chineses e tudo o que não seja branco e católico? Não foi um católico que tentou exterminar os judeus, há apenas 60 anos?

Defendo o direito à indignação, eu próprio naturalmente condeno de forma veemente estas situações. Mas, reflectindo bem, é por isto que cada vez menos pessoas ligam à religião. Seja qual fôr.

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3 António da Cunha Duarte Justo 8 de Dezembro de 2010 às 14:24

Parabens pelo seu artigo!
De lamentar o moralismo do último comentador e afirmações gratuitas.
Com a sua reflexão justifica a perseguição em nome de outras perseguições.
Em assuntos de religião é-se preso por ter cão e por não ter cão.
Põe sob a capa dos caolicos a discriminação cigana, como se o que se faz mal em Portugal fosse coisa dos católicos.
Hitler perseguia os cristãos e queria implantar o socialismo e uma outra religião. Muitos, como ele, não perdoaram aos cristãos o facto de terem convertido os bárbaros e deste modo pervertido a raça…

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