GERAÇÃO FMI

por jcerca em 21 de Abril de 2011

Já foi “geração rasca”, depois atingiu a etapa evolutiva da “geração à rasca” e agora estamos a entrar todos numa nova etapa, a da “geração FMI” que, durante décadas, nos irá deixar a todos “à rasca”.

É óbvio que, 37 anos depois do 25 de Abril, esta situação a que chegámos por (des)governo, incompetência, falta de transparência e corrupção de muitos daqueles que o nosso voto escolheu para dirigirem os destinos do País, não augura nada de bom e fácil para os cidadãos.

E isto, devido aos hábitos desequilibradamente consumistas criados em determinadas camadas da nossa sociedade; devido ao abandono de muitos equipamentos produtivos, a começar pela agricultura e devido ainda à elevada percentagem de população em idade ativa, mas em situação não produtiva, de que o elevado índice de desemprego é a prova mais evidente e talvez a mais grave.

Esta “geração FMI” se quiser ultrapassar a grave crise que a afeta, terá seriamente que reformular os seus hábitos sociais e a sua postura perante a vida, sem ficar passivamente à espera do Estado para tudo, numa improdutiva subsidiodependência a que determinadas políticas erradas conduziram muitos cidadãos. Também neste caso, mais do que dar-lhes o “peixe” melhor teria sido fornecer-lhes a “cana de pesca”. E não foi isso que aconteceu, na maior parte dos casos.

As expetativas desta “geração FMI” não serão muito positivas, face à realidade nacional, europeia e mundial mesmo, mas a verdade é que, devido a erradas políticas económicas e a um incorreto planeamento social, a situação do nosso País, cada vez mais endividado e cada vez menos produtivo, era insustentável.

E se os sacrifícios forem equilibradamente assumidos por toda esta “geração FMI” e puderem contribuir para sairmos do “buraco” de cabeça erguida, o mais rapidamente possível, então também aqui poderíamos aplicar o ditado popular de que “há males que vêm por bem”.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº156 de 29 de Abril de 2011

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