A Academia Sénior de Arouca realizou, no dia 11 de fevereiro, a recriação gastronómica do Caldo Crespo com a participação de cerca de 80 pessoas.
Inicialmente prevista para ser feita em espaços conventuais, esta recriação acabou por ser feita na cantina da EB1 de Arouca, devido às obras no terreiro de Santa Mafalda.
A ideia desta recriação partiu do professor de História local, Dr. Afonso Veiga que antecedeu a degustação do Caldo Crespo com uma breve explicação histórica sobre esta tradição gastronómica.
“O caldo é, basicamente, a água onde se cozeu carne, que servia para dar sabor a qualquer outro prato. O caldo servia frequentemente de refeição, sobretudo na casa dos pobres. Também nas famílias mais abastadas, sobretudo à noite, se comia caldo, mas mais substancial, uma vez que se juntavam alguns legumes, arroz, feijão branco … e carne de galinha, porco ou vaca. A carne era retirada da panela. Comiam o caldo acompanhado de pão e, no final, comiam a carne, muitas vezes sobre uma fatia de pão.”
Além da comida do caldo, que foi precedido de azeitonas, salpicão, boroa e pão alvo, várias alunas da disciplina de história assumiram o papel de abadessas e de criadas através de adequados trajes feitos com rigor histórico e que foram cedidos pelo Museu Municipal de Arouca, bem como as respetivas alfaias para o caldo, para as bebidas e sobremesa.
Segundo informou o mentor desta recriação, nos documentos do mosteiro aparece a referência ao “Caldo Crespo” (com entulho),enviado em determinadas ocasiões para a casa dos Padres, para o diferenciar do caldo líquido, que extraía o sabor da carne ou do peixe, que servia para temperar, ou para administrar aos doentes, com falta de apetite ou com dificuldades de mastigação, sendo muito rico em proteínas.
De referir que o hábito de comer este caldo, sobretudo à noite, manteve-se, até há bem pouco tempo, entre as famílias rurais.
No início do Ano Europeu do envelhecimento ativo, esta foi uma excelente iniciativa da ASARC que contribuiu não só para a degustação de uma importante tradição gastronómica, como também para o convívio entre todos os que nela participaram.
Depois da sobremesa composta de creme da Abadessa e de farófias, acompanhados de vinho fino fortificado, teve lugar um momento musical pelo Grupo Coral da ASARC dirigido pelo prof. Ramiro Fernandes.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº195 de 17 de fevereiro de 2012
Publicado no “Jornal de Arouca” nº802 de 15 de fevereiro de 2012
Atuação do coro da Asarc


