Faltou o sol mas o brilho da festa permaneceu
Mesmo com condições meteorológicas adversas e completamente diferentes das do ano passado, a festa da Rainha Santa Mafalda, não deixou de ter o seu fulgor, que a igreja, conventual, completamente cheia de fiéis, quer de manhã, quer nas cerimónias da tarde, bem pôde comprovar.
O altar com o túmulo-relicário da rainha, sempre muito concorrido de fiéis, durante todo o dia, e que o encheram, não só de numerosos objetos em cera, mas também com algumas ofertas, como prova de agradecimento por graças obtidas por sua intercessão, testemunham, uma vez mais, o caráter eminentemente religioso desta festa.
Se algo terá conseguido roubar algum brilho à festa foi a chuva que não permitiu que a procissão percorresse as ruas da Vila de Arouca. Mesmo assim, foi numerosa a multidão de fiéis que se incorporou na procissão que se realizou no interior do Convento, através do coro das freiras e dos claustros.
A celebração litúrgica
Presidida pelo bispo auxiliar do Porto, D.João Lavrador, acompanhado de diversos sacerdotes de Arouca e musicalmente enriquecida pelo coro de Urrô, dirigido pelo seu maestro Mário Teixeira e acompanhado ao órgão pelo organista titular, sr. Nicolas Roger, esta Missa Solene foi, certamente, o ponto alto das festividades deste ano em honra da padroeira de Arouca.
Na homilia proferida e transmitida pela Rádio Regional de Arouca, o bispo auxiliar do Porto referiu que uma das notas caraterísticas de santa Mafalda foi “o encontro com os pobres e a partilha dos bens com eles.” E ao falar das grandes preocupações de Mafalda, D.João Lavrador referiu, como tais, a necessidade que ela teve de “encontrar espaço de silêncio, de oração e de partilha com as suas irmãs” o que a terá ajudado na reforma do estilo de vida conventual, de modo a que ele pudesse corresponder melhor aos ideais ascéticos da sua comunidade para fazer dela “testemunha de Jesus Cristo na sociedade envolvente.” E ao referir-se ao espaço físico que ainda alberga os restos mortais de Santa Mafalda, D.João Lavrador referiu que este mosteiro e santa Mafalda “interpelam-nos sobre a herança que nos deixaram e sobre a responsabilidade presente que nos incumbe na evangelização do mundo de hoje.”
A componente cultural
Vem sendo habitual, na festa da padroeira de Arouca, que religião e cultura se irmanem na mesma evocação da memória daquela que foi, não só a neta do primeiro rei de Portugal, mas também a grande reformadora da vida monacal da sua época.
Por isso, a festa deste ano, além da habitual atuação da centenária Banda Musical de Arouca, teve também uma forte componente cultural, através de um Concerto de órgão e voz, na tarde do Domingo 29 de Abril e de um concerto polifónico na tarde do dia 1 de maio, pelo Grupo Coral “Mille Vocci” que fez a apresentação do CD áudio “Rainha Santa”, interpretando, no cadeiral do Mosteiro de Arouca, os 11 temas musicais do Cancioneiro de Arouca que compõem este CD.
E sendo o Mosteiro de Arouca um dos numerosos sítios cistercienses da Europa, refira-se ainda, como ato cultural, integrado nas festas da padroeira de Arouca a apresentação ao público do livro “Sítios Cistercienses da Europa”, um excelente guia bilingue sobre alguns dos numerosos sítios legados pela Ordem de Cister por toda a Europa.
Todo o programa cultural que envolveu esta festa foi da responsabilidade da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.
E se a meteorologia não foi, desta vez, muito favorável a eventos festivos, contudo a componente religiosa e cultural da festa deste ano acabaria por ultrapassar as adversidades do tempo que, vistas por outro lado, até acabaram por ser consideradas como uma bênção de Santa Mafalda para os agricultores preocupados, não só com a crise, como também com a grande seca que se vinha fazendo sentir por todo o País.
José Cerca
Publicado no “Jornal de Arouca” nº808 de 15 de maio 2012
Publicado na “Voz Portucalense” nº19 de 16 de maio 2012


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José Cerca os Arouquenses aqui do Brasil vos agradesse por este importante Post com esta Narrativa tão iluminada referente á rainha santa Mafalda ,muito Grato …