O Fontanário e o pelourinho

por jcerca em 15 de Maio de 2012

Enquanto nos fóruns da informação e da opinião local, desde a imprensa às redes sociais, as posições  pró e contra as obras de regeneração se vão alternando, a verdade é que as obras lá prosseguem a bom ritmo e até o puzzle do polémico chafariz já voltou a ser montado, ocupando novo lugar, alguns metros afastado da antiga posição que ocupou entre 1901 e 2012, mas por sinal, ocupando desta vez, sensivelmente, o lugar onde já esteve instalado o pelourinho, donde terá sido removido em finais do sec.XIX, talvez até com menos polémica do que agora o foi o fontanário, para em 1989 ser colocado no sítio que ainda hoje ocupa, depois de ter jazido quase um século nos claustros do Mosteiro de Arouca.

Posso ser suspeito, pois desde a primeira hora apoiei publicamente estas obras de regeneração, mas a verdade é que, à medida que elas caminham para a sua meta final, deixando atrás de si um novo rosto que se vai lentamente desenhando em toda a zona histórica, a maioria das opiniões que se vão escutando, aqui e acolá, são decididamente positivas.

Mesmo assim, e perante as melhorias que saltam aos olhos de toda a gente, quer na praça interior situada por detrás da Caixa de Crédito Agrícola, a designada zona H7, e que durante muitos anos, apresentou um aspeto verdadeiramente desolador, quer no jardim municipal, quer no terreiro de Santa Mafalda, onde pontifica o imponente portal, ou até mesmo na avenida 25 de Abril, mesmo assim, ainda há quem teime em condenar este investimento. Estarão, certamente no seu direito, mas as evidências dos melhoramentos que estão em curso acabarão seguramente por reduzir a um mero apontamento opinativo esses “contra” face aos “prós” que tal investimento representará para Arouca e nomeadamente para a sua zona histórica.

E uma vez terminadas as obras esperemos que os defensores, quer dos “prós”, quer do “contra”  possam, um dia, sentar-se nos degraus do novo anfiteatro e festejar a nova ágora de Arouca, surgida por cima da antiga praça, mesmo à sombra do seu Mosteiro, tendo como música de fundo o cair da água das bicas do seu velho fontanário.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº208 de 18 de maio de 2012

Publicado no “Jornal de Arouca” nº809 de 31 de maio 2012

 

{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 paulo moreira 15 de Maio de 2012 às 11:39

Sr, Jose como sabe eu nao sou de Arouca ,mas acho que uma regeneraçao (assim é chamada) é uma mais valia para este concelho.
Sou natural paivense e quem me déra a mim e a todos os paivenses vermos o nosso conselho assim tao bem ” enfeitado” .
Ao fim em unanimidade todos havemos de bater palmas a estas obras.
parabens pela sua chamada de atençao com estas magnificas fotos!

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2 António Dias Noites 15 de Maio de 2012 às 11:57

Confesso que estou como o maluco no meio da ponte, não sei para que lado me hei-de virar, fui também dos que não apoiei estas mudanças, mas com o decorrer das obras estou muito confuso, terei que esperar mais algum tempo para ver se de facto estava errado, pois o que tenho visto é do meu agrado, só tenho um reparo a fazer que é no PORTAL. Neste encontrasse umas pedras que não tem nada a haver com o velho portal, segundo consta as referidas pedras estão na posse de determinada pessoa, e que é do conhecimento dos responsáveis da Autarquia. Na minha modesta opinião deviam obrigar a devolver as mesmas, fossem eles Engenheiros, Ministros ou até Presidente da República. Se por acaso este acto fosse praticado por um pé descalço já as pedras estavam no seu lugar. Desculpem mas é esta a opinião dum modesto cidadão de pé descalço.

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3 jcerca 15 de Maio de 2012 às 12:20

Meu caro António Dias Noites
Tem toda a razão no que diz e perante a lei não deveria haver “cidadãos de pé descalço”. E se eu soubesse onde está o paradeiro das pedras que faltam não me calaria até que elas ocupassem o lugar que lhes está destinado por direito histórico. Sou frontalmente contra pilhagens do património que é de todos. E este magnífico portal, em boa hora reimplantado no seu lugar original, é certamente, património de Arouca e nenhum cidadão, por mais importante ou poderoso que se julgue, tem o direito de se apoderar dele!

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