Esta primeira edição da Feiras das Colheitas no novo espaço da Vila de Arouca, recentemente renovado, graças ao Projeto de regeneração da sua zona histórica, executado pela Câmara Municipal, no âmbito do Programa Polis XXI, obrigou, e bem, a um renovado desenho da montagem da Feira deste ano.
Como sempre em tudo, qualquer mudança que se faça encontrará sempre oposição por parte de pequenos ou grandes grupos, tal como se verificou nas obras de regeneração. Mas a verdade é que, neste caso, a maioria dos opositores acabaria por se render aos benefícios dessa intervenção e hoje já poucos serão os que continuam a manter uma irredutível oposição.
No que se refere às alterações surgidas no desenho da feira, o mesmo se passará. É certo que o desenho tentado nesta edição da Feira das Colheitas deverá sofrer em próximas edições alguns inevitáveis ajustes. Embora visualmente o efeito da iluminação da avenida 25 de Abril tenha sofrido alguma obstrução com a implantação das barracas ao longo de toda a Avenida até à Câmara Municipal e apesar do espaço ter ficado algo reduzido, a verdade é que nos pareceu positiva a disposição das barracas num mesmo espaço, ao contrário dos anos anteriores em que estas ficavam divididas entre a Avenida 25 de Abril e a Alameda D.Domingos de Pinho Brandão.
Por outro lado, a mudança da Feira das Velharias para a Alameda parece-nos que acabou por beneficiar esta atividade e trazer também alguma animação para esse espaço da Vila.
A abertura da Cerca do Mosteiro a diversas atividades da Feira das Colheitas é unanimemente considerada muito positiva como valorização daquele magnífico espaço conventual que este ano foi enriquecido com mais uma entrada, a entrada das “Vivências da Vida Agrícola” pelo lado do topo da Igreja Conventual.
E se a Cerca do Mosteiro é um espaço por excelência para a Feira das Colheitas pensamos que ela deveria ter mais animação, sobretudo junto da zona das Tasquinhas, onde decorreu a Desfolhada. O Teatro Experimental de Arouca, que foi também outra feliz inovação desta Feira, poderia ter sido realizado nessa zona, em vez do relvado do parque municipal, ou então, em ambos os lados com sessões repetidas no mesmo ou em dias diferentes.
Inovação foram também os diversos workshops temáticos, bem como a animação “Fora de horas” que proporcionaram atividades para públicos diversificados.
Quanto aos dois espaços escolhidos para a montagem dos palcos, não há dúvida nenhuma que eles beneficiaram grandemente das obras de regeneração. Tanto o palco montado na praça enquadrando, e muito bem, no sei interior o “polémico” chafariz, como o palco montado no Terreiro de Santa Mafalda , ambos ficaram beneficiados, quer em espaço, quer em visibilidade. A essas vantagens acrescente-se ainda a facilidade no controlo do público em situações de entradas pagas, como aconteceu com os Concertos dos “Expensive Soul” no Terreiro de Santa Mafalda.
Se o novo espaço da Praça Brandão de Vasconcelos, agora configurado a anfiteatro, já tinha sido testado, quer visualmente, quer acusticamente, com o concerto de inauguração e mais tarde com um espetáculo de teatro, foi agora a vez, na feira das colheitas, deserem amplamente confirmadas as suas boas condições, com os concertos que aí se realizaram, quer com o cantor Toy, quer ainda com os concertos das bandas musicais e com a atuação dos ranchos folclóricos.
A zona de restauração colocada no novo parque de estacionamento, nas traseiras do parque municipal, parece ter sido também bem escolhida, pela numerosa frequência que sempre mostrou sobretudo no fim-de-semana.
Em suma, esta edição da Feiras das Colheitas, celebrada em plena época de crise, foi beneficiada, não só com os novos espaços regenerados que lhe conferiram um novo visual, como também com o excelente tempo meteorológico, que arrastou até a Arouca uma enorme multidão de visitantes que durante estes 4 dias de feira e de festa esconderam a crise por baixo do colorido festivo e animado de que Arouca se revestiu neste final de setembro.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº225 de 04 de outubro de 2012



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Feira das colheitas… tinha os meus 11 anos(1968) quando participei nela pela primeira vez. Os carroceis estavam instalados no campo de futebol do seminário, ainda tenho algumas recordações. Foram-nos dadas muitas fixas, aos alunos do seminário para andarmos todos e de graça. Como devem imaginar foi divertido, lembro-me também da cerimónia religiosa onde também participavamos.
Gosto muito dessa terra Arouca!Dois anos que marcaram a minha vida – serra da Mó onde trepei muitas vezes passando tardes muito divertidas, também a serra da Freita onde depois de adulto calcorreei como militar e onde me foi dada a oportunidade de descobrir melhor a sua beleza.
E por isso estou grato a essa terra e às suas gentes.
Também eu recordo com saudade tais festejos. Tempos em que a terra e o Homem se irmanam numa grande cumplicidade nobilitante.
Arouca é sempre uma referência. Penso também que mesmo o povo simples tem muita cultura e civismo. Talvez isto lhe venha do antigo convento que regia todas essas terras.
A Feira 2012 decorreu com alegria e entusiasmo. E o tempo ajudou! Parabéns ao TEA – Teatro Experimental de Arouca. Continuem!