O caminho de Santiago

por jcerca em 1 de Setembro de 2013

Do peregrinar ao pintar

            Teve lugar no dia 31 de agosto, na sala D.Domingos de Pinho Brandão,(antigo refeitório do Mosteiro de Arouca), a abertura de uma exposição de pintura de António Carvalho, inspirada em vivências do pintor  ao longo deste mítico percurso medieval.

            Natural de Ovar onde reside, António Carvalho frequentou o Curso de Desenho Livre da Escola Superior de Belas Artes do Porto. Isto e a sua paixão pelos caminhos de Santiago, que já percorreu por sete vezes, resultaram num conjunto de 12 obras que constituem esta exposição promovida pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca.

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            Inspirados na obra do espanhol Chencho Pardo, estes quadros, na opinião de Lídia Paz, são “uma homenagem sincera e sentida de alguém que já percorreu alguns caminhos de dentro de si e outros, que levam a Santiago e um pouco mais longe, onde a terra encontra o mar…”

            Assim como ao longo deste peregrinar, rumo a Santiago, se entrecruzam na vivência do peregrino a paisagem natural com a paisagem da alma, provocando-lhe sensações intimistas indeléveis no seu espírito, também António Carvalho, a partir de vivências suas, e através de um estilo próprio em que a harmonia das cores vivas predomina, cria uma certa intemporaneidade deste mítico caminho de Santiago. Se no verdadeiro caminho de Santiago, que continua nos nossos tempos a congregar diferentes caminhares e  diferentes motivações, a poesia da natureza se irmana com a oração do espírito, também nestes quadros de António Carvalho a arte e a imaginação se dão as mãos e se harmonizam para construírem beleza perpetuada em tela.

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            A abertura da exposição foi enriquecida por uma breve descodificação de cada uma das telas expostas, algumas das quais têm  subjacente uma leitura crítica à situação política atual, como por exemplo no acrílico sobre tela intitulado “Os cães empurram-nos para o precipício” em que 3 cães, cada um deles com as cores da Alemanha, empurram para o precipício Portugal representado no galo de Barcelos e a Espanha expressa no touro, ambos colocados pelo artista à beira de um precipício.

            Refira-se que esta exposição estará patente ao público durante todo o mês de setembro.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº270 de 6 de setembro 2013

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