ENTREVISTA AO PE. JOÃO PEDRO BIZARRO

por jcerca em 3 de Agosto de 2016

Nomeado a 18 de julho de 2005 pároco de Arouca e de Santa Eulália, depois de já ter paroquiado as comunidades cristãs de Rossas, Canelas e Espiunca, desde 21 de Setembro de 2003, o Pe. João Pedro Bizarro deu entrada como pároco das paróquias de Arouca e de Santa Eulália no dia 18 de Setembro de 2005. No dia 23 e 24 de julho passado anuncia às 4 comunidades paroquias que dirigia, a sua saída de Arouca, em obediência às novas tarefas de que o Bispo do Porto o incumbira. Será substituído pelo Pe. Luís Mário Araújo Ribeiro, natural da freguesia de Árvore, em Vila do Conde e ordenado a 9 de julho de 2006.

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Antes de partir para Roma, onde irá aprofundar os seus estudos em Direito Canónico na Pontifícia Universidade Gregoriana, Discurso Directo, através do nosso colaborador José Cerca, fez uma breve entrevista ao Pe. João Pedro.

1. Um dia após ter completado 43 anos de vida, 13 dos quais passados em Arouca, à frente das comunidades paroquiais que tinha sob a sua responsabilidade, estas  foram  surpreendidas pela noticia da sua saída, em obediência ao Bispo do Porto. Esta decisão foi também surpresa para si, ou já estava à espera que tal mudança acontecesse?

A possibilidade de um dia sair de Arouca era real. Com o meu trabalho no Tribunal Eclesiástico do Porto seria de prever uma aproximação à cidade do Porto. A ida para Roma foi, de certa forma uma surpresa. Com a necessidade de tomar conta da Paróquia de Salvador, e tendo isto ocorrido há pouco tempo, não contava com mudanças este ano.

2. Numa altura de grande carência de presbíteros que orientem as comunidades cristãs da grande diocese do Porto, não lhe parece que a ida de alguns deles para Roma, como é o eu caso, não será um desperdício de recursos humanos e pastorais?

Em tempo de carestia a Igreja deve ser mais exigente, não só com os candidatos ao ministério sacerdotal mas também com a formação do seu presbitério. Não se prevê, num curto espaço de tempo, um aumento vocacional, pelo que, deste modo, não é um desperdício o Bispo do Porto apostar no futuro da Diocese pela formação do seu clero.

3. Responsável pela orientação pastoral de três grandes comunidades paroquiais, às quais viu, recentemente, acrescentada ainda a paróquia de S.Salvados do Burgo,  será possível fazer um breve balanço desta sua actividade pastoral em terras de Arouca?

O balanço será realizado pelas pessoas que servi. Dei o meu melhor, com as minhas virtudes e limitações, por isso dou graças a Deus pelo meu ministério e pelo povo de Deus a mim confiado.

4. Dos inúmeros acontecimentos que ocorreram, ao longo desta década, nas suas comunidades paroquiais,  quer destacar algum ou alguns deles?

Destaco aqueles acontecimentos que não fazem manchete de jornais. As alegrias, as realizações pessoais, as tristezas e lágrimas choradas pelo povo a mim confiado e que Deus me deu a graça de acompanhar nesta peregrinação da VIDA a caminho da casa do Pai.

5. De entre as inúmeras actividades em que esteve envolvido, o movimento dos escuteiros mereceu-lhe um especial carinho. Está confiante que os escuteiros não irão ficar “órfãos” e acredita que o movimento irá sobreviver após a sua saída?

Os escuteiros não me mereceram um carinho especial. Ao fim de 34 anos de escutismo é normal que me sinta mais à vontade com este movimento. E não, não vão ficar órfãos pois o pároco que vier terá como missão ser assistente do agrupamento, como eu fui até à data.

6. Conhecedor que é da realidade arouquense, após 13 anos de contacto com as diversas camadas sociais, que conselhos desejaria deixar ao seu substituto?

Não me atrevo a deixar conselhos. Eles, pois são 3, vão observar a realidade que os rodeia e saberão servir o povo a eles confiados com toda a generosidade das suas vidas.

7. Na hora da partida para novas responsabilidades que mensagem desejaria deixar às comunidades que teve sob a sua orientação pastoral e aos arouquenses em geral?

Um grande obrigado por me terem acolhido aqui, nesta terra onde sempre me senti em casa. Faço dois pedidos: continuem a rezar por mim (eu rezarei por vós) e acolhei os meus sucessores tão bem ou melhor do que me acolheram a mim (mas acho impossível esta segunda hipótese). Continuai com esse coração grande e acolhedor como até hoje e abri-o ao Amor de Deus.

Bem-haja a todos vós.

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 HOMENAGEM DE DESPEDIDA E AGRADECIMENTO

Tal como irá acontecer nas restantes comunidades paroquiais, a comunidade de S.Bartolomeu de Arouca irá prestar, na missa das 11.15, celebrada na igreja do Mosteiro de Arouca, no dia 15 de agosto, uma singela homenagem de despedida e de agradecimento ao Pe. João Pedro Bizarro que, durante uma década, presidiu à orientação pastoral desta comunidade.

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº417

de 7 de agosto de 2016

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