O OBRIGADO QUE FALTOU

por jcerca em 15 de Setembro de 2020

Sabemos que aquilo que, durante vários anos, foi oferecendo à Paróquia de S.Bartolomeu de Arouca, para ser utilizado ao serviço do culto nesta comunidade cristã, não o fez para receber palmas, nem para arrancar louvores, ou exigir agradecimentos de ninguém.

Estamos a referir-nos à enfermeira Cremilde Semblano Vieira que, durante quase meio século, dedicou grande parte da sua vida ao serviço da enfermagem em Arouca.

Com 88 anos de idade, e nascida em Nespereira do concelho de Cinfães, a dona Cremilde teve uma vida difícil desde a sua infância, mas mesmo assim, nunca deixou de ajudar o seu próximo mais necessitado do que ela.

Mulher de uma grande fé teve sempre um carinho muito grande por Arouca e nomeadamente pelo seu Mosteiro, onde teve uma tia sua como freira organista e que foi uma das últimas a deixar este Mosteiro, após a sua extinção em 1834.

D Cremilda

Foi talvez por isso que, ao longo da sua vida em Arouca, mostrou sempre uma grande generosidade através da oferta de inúmeras alfaias litúrgicas, não só para a igreja paroquial de S.Bartolomeu, como também para diversas capelas da Vigararia de Arouca.

Sabemos que o fez, não por qualquer sentimento de vaidade ou de ostentação, mas motivada pela sua grande Fé, pela sua profunda vivência religiosa e pela continua preocupação pela vida da Igreja que frequentemente manifestava. Mesmo assim, e atendendo à quantidade e diversidade de ofertas que foi fazendo, ao longo dos anos, principalmente para a igreja paroquial de Arouca, pensamos que seria digno, justo e merecedor um agradecimento do Pároco, da Comissão Fabriqueira, ou do Conselho pastoral, em nome de toda a comunidade paroquial que tão enriquecida ficou através da generosidade da dona Cremilde.

igreja conventual

Mas se ninguém o vier a fazer institucionalmente, aqui deixo, como simples paroquiano, um agradecimento público por tudo aquilo que esta humilde paroquiana generosa e desprendidamente doou para o serviço litúrgico e para o culto religioso nesta comunidade cristã de Arouca.

OBRIGADO, dona Cremilde e que o Senhor a recompense.

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº523 de  18 de setembro de 2020

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