ASARC VISTA CASA DE CAMILO

por jcerca em 3 de Novembro de 2023

No dia 31 de outubro a Academia Sénior de Arouca realizou uma visita de estudo à casa onde Camilo Castelo Branco passou os últimos 26 anos da sua vida e onde escreveu grande parte das suas obras, em S.Miguel de Seide, no concelho de Famalicão.

Numa altura em que a figura de Camilo trouxe para a comunicação social uma desnecessária e inoportuna polémica, relacionada com o pedido para a retirada do espaço público de uma estátua deste escritor, frente a Cadeia da relação do Porto, proposta à Câmara do Porto, por um grupo de personalidades, a escolha deste 1º itinerário literário da Asarc não poderia ter sido mais adequada e oportuna.

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A casa de Camilo

Recentemente remodelada, a 16 de março de 2022, essa casa habitada por Camilo e Ana Plácido desde 1863 a 1890, abriu ao público em 1922 como Museu camiliano e conserva algum mobiliário, utensílios pessoais do escritor, centenas de cartas, bem como uma grande parte da sua biblioteca particular.

Toda pintada exteriormente com um amarelo vivo para exprimir o poder económico de quem a mandou construir em 1830, Manuel Pinheiro Alves, um português que ganhou avultada fortuna no Brasil e que foi casado com Ana Plácido que viria a apaixonar-se por Camilo, com quem acabaria por casar e aí viver, após a morte do seu primeiro marido.

 A casa-museu: do espólio às vivências

Atendendo ao numeroso grupo arouquense, a visita foi desdobrada em dois grupos simultâneos, acompanhado cada um pelo respetivo guia.

E mais do que o recheio e o ambiente camiliano que esta casa encerra, foram importantes e marcantes as vivências que os guias conseguiram despertar nos visitante seniores, através, não só de uma grande interação com os mesmos, como também mediante a declamação de alguns sonetos de Camilo e através da interpretação de excertos de algumas das suas obras, como, por exemplo, a “Maria Moisés” das Novelas do Minho. Isso permitiu mesmo aos curiosos e atentos visitantes saborear também um pouco da riqueza vocabular da prosa camiliana.

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Foi graças à maneira viva e entusiasmante com que os guias foram percorrendo os diversos espaços desta casa-museu que os visitantes puderam sentir e vivenciar que, dentro daquela casa, coexistiu a luz artística de um génio literário com a escuridão da loucura e do desespero que viria a ter o seu desenlace dramático no dia 1 de junho de 1890, com o suicido do escritor, certamente desencadeado pela sua irrecuperável cegueira.

E se lá dentro, ao lado da secretária de dupla face onde Camilo escrevia, em companhia de Ana Plácido, continua presente a cadeira balouçante que acolheu o desfecho trágico daquele que foi o 1º profissional a viver da escrita, lá fora, diante da casa, permanece a imponente “Acácia do Jorge” a perpetuar outra das muitas vicissitudes da conturbada vida do escritor: a loucura de um dos seus filhos.

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E se o espólio desta casa-museu poderá, facilmente, ser guardado no telemóvel de cada visitante que o deseje, a verdade é que serão as vivências, despertadas pelos guias, a melhor e mais indelével recordação que cada visitante levará consigo na sua memória.

E se tal visita despertar ainda o desejo de conhecer ou revisitar algumas das obras camilianas, tanto melhor. Será oiro sobre azul.

Belezas do Minho

Esta visita à casa de Camilo foi completada com uma breve digressão pela região de Guimarães com uma paragem na Tasca da Carroça para o agradável momento gastronómico que faz sempre parte de qualquer visita de estudo organizada pela Asarc.

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Após almoço, seguiu-se um breve percurso pela zona histórica de Guimarães e uma visita guiada ao Palácio dos Duques de Bragança, com explicação sobre os hábitos e costumes aí vividos pela nobreza no sec. XV, nomeadamente pelo 1º Duque de Bragança, D.Afonso que foi filho (ilegítimo) do rei D.João I.

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E com este recuar no tempo, quer à época camiliana, quer ao período da nossa monarquia medieval, se completou mais uma visita de estudo turístico-cultural organizada pela Asarc e que enriqueceu todos os que nela tiveram o privilégio de participar.

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José Cerca

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