VISITA NOTURNA AO MOSTEIRO DE AROUCA

por jcerca em 19 de Abril de 2024

Para assinalar o Dia Internacional dos monumentos e sítios, que ocorreu no dia 18 de abril, a gestão tripartida do Mosteiro de Arouca organizou uma visita noturna aos espaços conventuais, incluindo uma passagem pelo Museu de arte sacra para os cerca de 60 visitantes, previamente inscritos, poderem conhecer e apreciar o seu rico espólio.

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O percurso da visita teve inicio frente à parede de granito que resta do primitivo Mosteiro de Arouca, do sec X, e que está patente na nova entrada para o Mosteiro. Seguidamente os visitantes fizeram uma pequena paragem num dos vários locutórios para visualizarem um pequeno vídeo, em desenhos animados, sobre a vida de Mafalda Sanchez.

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A visita continuou em direção aos Claustros com uma paragem na entrada nobre do Mosteiro onde foi dada breve explicação sobre a função da roda dos enjeitados ou dos expostos e cujo funcionamento permitia o anonimato e a privacidade de qualquer pessoa que aí colocasse, fosse o que fosse, destinado às freiras do Mosteiro cisterciense. Ainda na entrada nobre uma referência à presença das estátuas de S.Bento e S.Bernardo que foram os patronos dessa comunidade religiosa e cuja mudança de regra para a Ordem de Cister ocorreu em 1226 durante o governo de Mafalda Sanchez.

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Os claustros

Como espaço central na arquitetura monástica e elo de ligação às diversas dependências conventuais o Claustro, devidamente iluminado com tochas, proporcionou aos visitantes a fruição da sua beleza e do seu silêncio, apenas acompanhado do cantar da água a cair no seu fontanário central.

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Depois de elucidados sobre a função deste importante e belo espaço, a visita avançou para a cozinha onde foi feita uma breve referência à doçaria conventual que aí teve origem e que, de certo modo, já exprimia, então, algum exagero gastronómico na alimentação regrada das freiras.

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Da ampla cozinha passou-se à sala do capítulo, onde foi feita, não só a explicação das diversas funções que aí decorriam, por parte da comunidade religiosa, como também foi chamada a atenção para os belos azulejos setecentistas que revestem as suas paredes com motivos paisagísticos tão belos como intrigantes.

A paragem no coro baixo ou cadeiral foi o ponto alto desta visita noturna, não só pela riqueza da arte barroca aí presente, como também pela beleza dos retábulos que o envolvem, alguns das quais evocando momentos da vida da rainha santa Mafalda.

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Com os seus 104 assentos em madeira do Brasil, os visitantes tiveram ocasião de perceberem a função das “misericórdias” presentes em cada um dos assentos e de conhecerem a particularidade de nenhuma delas ser igual nos motivos que as identificam.

O imponente órgão ibérico datado de 1743, embora silencioso, contribuiu para a beleza desta visita e motivou a que o guia recordasse a grande e valiosa coleção de antifonários existentes no Mosteiro de Arouca, estando muitos deles já digitalizados e disponíveis, nesse suporte, para consulta dos interessados.

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Esta interessante e rica visita noturna terminou com uma digressão dos visitantes pelas diversas salas do Museu de arte sacra, instalado nos dormitórios conventuais desde 1933 e preenchido com um rico e variado espólio artístico a merecer uma nova disposição e uma melhor exposição, processo esse que já está em andamento.

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Aproximar o público do seu património para melhor o conhecer, apreciar e preservar são iniciativas a incentivar e a enaltecer como esta com que se quis assinalar o Dia Internacional dos monumentos e sítios deste ano.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº603  de 3 de  maio de 2024

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