Peça de teatro baseada no Diário de Anne Frank
Com o auditório da Loja Interativa de Turismo de Arouca completamente cheio, teve lugar, no dia 12 de outubro, a apresentação de uma peça de teatro baseada no Diário de Anne Frank, escrito entre 1942 a 1944 durante a II Guerra Mundial e levado à cena pela Oficina de expressão dramática “Reinventa-te” da Associação Cultural e Recreativa de Mansores, sob a direção artística e encenação de Joana Silva.
A evocação do tema do nazismo e dos seus campos de concentração esteve sempre presente ao longo da representação desta peça de teatro.

Já com os atores em palco, a peça iniciou-se com uma breve contextualização em voz off, de modo a situar historicamente o ambiente vivido no Anexo 263, durante a II Guerra Mundial.
Trata-se, efetivamente, de um anexo secreto criado na empresa do pai de Anne Frank na Holanda e onde ela se escondeu da perseguição nazi. Foi aí que ela, entre os seus 13 e 15 anos escreveu o seu diário para a ajudar a passar o tempo nesse apertado esconderijo.

Após esta contextualização, a peça iniciou-se com a mudança visual dos atores, trocando as suas roupas pelas fardas de prisioneiros dos campos de concentração nazis.
Escrito no anexo 263 por uma adolescente, a narração deste Diário e a sua evocação, de uma maneira original e criativa, só poderia ter sido feita por uma grupo de adolescentes que, partilhando a narração de cenas deste Diário, conseguiram manter a unidade da narrativa, conferindo-lhe, ao mesmo tempo, alguma variedade visual e dramática, ao longo da peça que evoca um período tenebroso da História mundial.
Dinâmica colaborativa
Após a indicação do destino final e trágico de alguns dos personagens referidos ao longo deste Diário, tendo-se salvado apenas o pai de Anne Frank, a plateia aplaudiu de pé esta original interpretação e esta criativa evocação do Diário de Anne Frank, ensaiado e dirigido por Joana Silva.

Subindo ao palco, a ensaiadora agradeceu a presença do numeroso público, bem como o apoio dos pais dos jovens atores, salientando a colaboração de muitos deles na confecção das roupas, na construção dos cenários e na elaboração das gravações sonoras de apoio à execução da peça.
Por sua vez, Margarida Belém, Presidente da Câmara Municipal de Arouca, salientou o entusiasmo deste grupo de adolescentes e da sua ensaiadora e agradeceu também aos pais por terem acreditado neste projeto teatral que envolveu muitos dos seus filhos.

Viver depois da morte
Tratando-se de uma peça ainda muito atual e que nos faz refletir, remetendo-nos para situações difíceis e bélicas que se vivem no Mundo de hoje, esta evocação do Diário de Anne Frank terminou com um grito proclamado energicamente do palco pelos adolescentes que o interpretaram “Quero continuar a viver depois da minha morte”!…

Esta contradição verbal justifica-se e entende-se bem, até porque as cenas representadas deste Diário de Anne Frank evocam o drama humano tragicamente vivido “naquele que talvez tenha sido o mais terrível período da Humanidade” e sabendo nós que cada vez mais se corre o risco da Humanidade voltar a viver idêntico período.

Daí a pertinência deste grito “para que este genocídio nunca seja esquecido. Para que nunca nos esqueçamos do que a raça humana foi capaz de fazer….E para que nunca deixemos que se repita”.
José Cerca