Desde tempos longínquos que as laranjas fazem parte de uma das muitas lendas criadas à volta da Rainha Santa Mafalda. A mais conhecida tem a ver com as laranjeiras do Burgo (Vila Meã) que terão sido amaldiçoadas pela Rainha quando, um dia, chega ao Mosteiro um Reverendo padre, em estado lamentável que, na qualidade de visitador-mor, se dirigia ao Mosteiro e foi atingido pelo lançamento de laranjas podres e esborrachadas, quando passava pelo Burgo de Vila Meã.
Indignada com esta lamentável falta de respeito e de consideração da rapaziada de Vila Meã para com o visitador-mor, D.Lourenço de Ataíde, sua corte e criadagem de serviço, a Rainha terá proferido a seguinte maldição:
- Eu vos esconjuro, laranjeiras do Burgo! Que venha uma geada que vos creste por uma vez e que não mais, para todo o sempre, ali cresça ou medre qualquer laranjeira”.
Vem a evocação desta lenda a propósito das 14 laranjeiras acabadas de serem plantadas na praça interior situada por detrás da Caixa de Crédito Agrícola, a designada zona H7, e que, durante muitos anos, esteve completamente abandonada, no que se refere ao seu arranjo e limpeza.
Sendo esta uma das primeiras zonas de intervenção da Regeneração Urbana/Polis XXI, entendemos que o tipo de arborização escolhida foi feliz e integrado no património imaterial arouquense, do qual fazem parte as muitas lendas de Arouca, como aquela que aqui evocámos.
Só esperamos é que a rapaziada cá do burgo, no tempo da colheita, não siga o exemplo da rapaziada do Burgo de Vila Meã e faça das laranjas armas de arremesso contra a população, obrigando a Rainha a proferir nova maldição, a partir do vizinho Mosteiro que alberga os seus restos mortais em rico tumulo-relicário, para aí transladados, do primitivo túmulo de pedra, em 15 de junho de 1793.
Refira-se que a Regeneração Urbana do centro histórico de Arouca tem como elemento central o Mosteiro de Arouca, valorizando-o e à sua área envolvente. O objetivo central desta operação é requalificar o centro histórico da vila, conferindo-lhe novos elementos de atratividade, mas mantendo o seu cariz de centro tradicional e local de representação da história e da cultura deste território.
A Regeneração Urbana/Polis XXI resulta de uma parceria entre Câmara Municipal de Arouca, Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, Direção Regional de Cultura do Norte e CCDR-N, financiada em 70% pelo FEDER/QREN.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº181 de 11 de novembro de 2011
Publicado no “Jornal de Arouca” nº796 de 15 de novembro de 2011


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Parabens, Arouca vai ficar mais bonita.
As laranjeiras foi uma ótima escolha,tem tudo a ver com a lenda da Rainha,uniram o útil ao agradável.
Abraço
Muito pertinente a lembrança da estória das Laranjas do Burgo de Vila Meã, como muito boa a escolha, com ou sem intenção, da árvore para o embelezamento dessa zona da vila que acaba de ser beneficiada pela intervenção de Regeneração Urbana em curso no centro histórico de Arouca.
De resto, as laranjeiras eram recorrentemente utilizadas para embelezamento das principais vilas, pese embora o verdete que produzem e as quedas que provocam em praças e passeios.
A propósito, para quem conhece, Vila Viçosa – Alentejo, uma das minhas terras preferidas tem a sua vila, seja na praça principal, seja nos passeios das principais artérias, toda embelezada com laranjeiras, o que torna esta vila igualmente bela e agradável em qualquer estação do ano.
Apesar das implicações que delas decorrem e que referi, gostei da ideia! Oxalá venham a dar bons e proveitosos frutos!