Bem diz o povo que tristezas não pagam dívidas e o Carnaval 2012 veio, mais uma vez, comprovar isso. De facto, nem a tão falada crise impediu que, por todo o lado, a imaginação, a criatividade e a irreverência dessem lugar a inúmeras manifestações carnavalescas.
Tal como aconteceu um pouco por todo o País, apesar da tão polémica (in)tolerância de ponto, também Arouca saiu à rua para viver mais um Carnaval.
E se na sexta-feira as ruas da Vila foram percorridas pelos pequenos mascarados das nossas escolas, que decidiram participar no desfile infantil de Carnaval, já na 3ª feira de Carnaval, sob o conforto de um sol primaveril, uma multidão acorreu à Vila de Arouca para assistir ao corso do Carnaval 2012.
Apesar das obras na principal artéria da Vila e não obstante a crise que se faz sentir, a verdade é que isso não impediu que o Carnaval deste ano atingisse o brilho, o colorido e a alegria de anos anteriores. E se um ou outro grupo habitual em anos anteriores não marcou presença este ano, a verdade é que foi a Freguesia de Várzea que acabou por se salientar neste desfile, quer pela quantidade de carros e de pessoas envolvidas no corso, quer pela criatividade neles manifestada.
Curiosos neste tipo de desfiles são sempre os cartazes ou as situações representadas, quase sempre críticas e irreverentes, tendo, na maior parte dos casos, como alvo figuras ou situações da política portuguesa, ou até mesmo da realidade local. E o Cavaco, a crise e a Troica não escaparam com divertidos e irreverentes cartazes.
Jogar ao Entrudo
De entre os festejos carnavalescos deste ano há que referir ainda o Concurso do melhor mascarado tradicional organizado pela Câmara Municipal de Arouca e que teve lugar no Jardim do Milénio na 2ª feira à noite.
Apesar do frio que se fazia sentir, muita gente cercou o Monumento ao Milénio, quer para jogar ao entrudo, quer para assistir ao desfile de mascarados.
Depois de um período para inscrição dos mascarados que pretendessem participar no Concurso, desfilando numa passarela montada à frente das portas do Milénio, teve lugar a atuação do TEA – grupo de teatro experimental de Arouca, que através de uma interessante coreografia cénico-musical pretendeu exprimir a libertação de uma Arouca acorrentada.
Após esta atuação seguiu-se o desfile dos 30 mascarados inscritos.
Enquanto o júri constituído por 3 elementos da Câmara Municipal de Arouca e por um professor de EVT, se reuniu para atribuir um prémio aos 3 melhores mascarados, o Centro Cultural de Moldes apresentou a queima do compadre e da comadre que foi acompanhada da leitura de numerosas quadras populares todas elas marcadas pela crítica irreverente e pela ironia a diversos aspetos da realidade política nacional e local.
Os mascarados distinguidos neste concurso foram:
1º Prémio: participante nº14 “Homem dos couratos e o seu cão” a quem foi entregue pelo Presidente da Câmara um Cabaz de Entrudo grande, no valor de 40,00€ , acompanhado de um prémio monetário de 50,00€;
2º Prémio: participante nº4 “Casal franciscano” . Recebeu um Cabaz de Entrudo médio no valor de 35,00€
3º Prémio: participante nº19 “1º Ministro e sua Dama”. Foi contemplado com um Cabaz de Entrudo pequeno no valor de 25,00€.
Foi ainda atribuído o Prémio Criatividade e Inovação ao participante nº6 “O Centauro” que recebeu um prémio monetário no valor de 50,00€.
Ainda dentro deste tema carnavalesco refira-se também a mostra de máscaras de Carnaval construídas pelas comunidades escolares e que está patente ao público no Museu Municipal até dia 4 de Março.
José Cerca



