O Mosteiro de Arouca e o seu Museu de Arte Sacra têm, ultimamente, recebido visitas de pessoas ou entidades relacionadas com a Igreja, a liturgia ou a cultura religiosa.
Depois da visita de um grupo de bispos portugueses, teve lugar a visita da comunidade paroquial de Poiares da Régua, dirigida pelos Salesianos.
No passado dia 4 de julho foi a vez do Coro Gregoriano do Porto e seus familiares, poderem visitar os espaços conventuais e admirar o rico espólio guardado no Museu de Arte Sacra.
Sendo constituído, na sua grande maioria, por antigos alunos dos seminários do Porto e por padres que pediram a sua redução ao estado laical, o guia desta visita não poderia deixar de ser o Cónego Arnaldo de Pinho, Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.
Cantando o “Veni Creator Spiritus”
Depois de terem percorrido os espaços conventuais acompanhados pelas explicações do guia, os elementos do grupo gregoriano, cantaram, em pleno coro das freiras, o “Veni Creator Spiritus” que foi o cântico que terá inspirado a formação do Coro Gregoriano do Porto por ocasião de uma visita ao mosteiro de Arouca, realizada em Dezembro de 1995 por um grupo de antigos alunos dos seminários do Porto.
Por sua vez, e já dentro do espaço museológico, o mesmo grupo entoou, informalmente, frente à magnífica imagem da Senhora do Ó, uma das antífonas começadas por O : “O Sapientia”.(Ó sabedoria)
Tendo o Mosteiro de Arouca um magnífico órgão ibérico e um reputado organista titular, não se compreende como não foi prevista, pela Real Irmandade, uma pequena receção musical a estes visitantes, tal como tem acontecido noutras circunstâncias e com visitantes com um grau menor de interesse musical e cultural do que o grupo em questão.
Cantando a antífona “O Sapientia”
Por outro lado, possuindo o Museu de Arte Sacra uma rara coleção de antifonários, seria interessante, dadas as caraterísticas, a cultura musical e o interesse destes visitantes, que, excecionalmente, lhe fosse facultada uma visita ao reservado dos Antifonários, dada a considerável atividade e interesse do grupo no âmbito da música gregoriana.
São para ocasiões como esta que este valioso espólio, quer seja o órgão, quer sejam os antifonários, deveriam merecer uma adequada valorização e divulgação, enriquecendo ao mesmo tempo os seus destinatários.
Refira-se que o Coro Gregoriano do Porto foi criado em 1995 com o objetivo de fazer reviver a música gregoriana que é a base do canto tradicional da Igreja, sobretudo nas comunidades monacais.
Composto atualmente por 21 coralistas, oriundos da classe de professores, bancários, jornalistas e comerciantes, este grupo, dedica-se exclusivamente à interpretação do Canto Gregoriano. Além de numerosos concertos dados a convite de Universidades, de Autarquias Locais, Museus, Associações, Paróquias e outras instituições de índole cultural e religiosa, este coro tem também participado em programas de Rádio e de Televisão, possuindo já quatro discos gravados com cânticos gregorianos.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº264 de 05 de julho 2013
Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº26 de 3 de julho de 2013