UM FIM DE SEMANA RICAMENTE MUSICAL

por jcerca em 6 de Agosto de 2014

Em espaços e cenários diferentes, e com estilos e públicos variados, o passado fim-de-semana foi marcado por um conjunto de concertos musicais para todos os gostos e que movimentaram milhares de pessoas.

Apesar das desafinações meteorológicas, com temperaturas nada harmoniosas com o Agosto que chegava, a verdade é que teve de ser a música a aquecer aquilo que a meteorologia inexplicavelmente arrefecia.

GNR1

Assim, o primeiro grande momento musical, integrado no  segundo “Sons da Praça”, teve lugar  no anfiteatro da zona histórica de Arouca e foi constituído pela atuação conjunta  da Banda Musical de Arouca e o Grupo GNR, personificado por Rui Reininho e que teve a presença de Isabel Silvestre a interpretar o bem conhecido tema “Pronúncia do norte”.

Desde a polémica remodelação da praça, cujas obras de regeneração da zona histórica, a adaptaram a anfiteatro, este foi, certamente o espectáculo que terá reunido, neste espaço, mais espectadores, mesmo com o tempo a ameaçar chuva.

Embora em estilo completamente diferente e em espaço totalmente emoldurado de arte e de história, como é o cadeiral do Mosteiro de Arouca, decorreu, no dia seguinte, um outro concerto musical, desta vez de música sacra, interpretado por 8 belíssimas vozes à capela, isto é, sem qualquer acompanhamento instrumental.

Apesar de nesse espaço pontificar, em lugar de destaque, o rei dos instrumentos, o órgão ibérico datado de 1743, a verdade é que, desta vez, ele foi apenas espetador e não interveniente neste maravilhoso concerto em que a voz humana, o mais perfeito instrumento musical, nos ofereceu um belíssimo espectáculo de beleza e de harmonia, a ponto de alguém dizer que se tratava de vozes de anjos em corpos humanos.

Concerto Cadeiral (2)
Formado por 4 vozes masculinas e 4 femininas, distribuídas por sopranos, contraltos, tenores e baixos, este octeto musical designado por “Brevis Ensemble” surgiu na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto (ESMAE) com o objectivo de fazer música de qualidade. E na verdade, o reportório que este grupo ofereceu ao público, com interpretação de trechos musicais, desde o sec.XV ao sec. XX, demonstrou o nível de qualidade vocal e de harmonia musical que atingiram, o que mereceu da parte do numeroso público entusiásticos aplausos, no final do concerto.

Depois desta viagem pelo tempo através da música sacra, teria lugar, desta vez em Alvarenga, um outro espectáculo em que o fado seria rei, pela voz da sua intérprete Mariza. E também aqui, no lugar de Santo António, a música congregou mais uma multidão arrastada pela fama da voz desta artista portuguesa, de projecção nacional e internacional.

Mas a música deste fim-de-semana não se ficaria por estes três concertos, tão ricos de público, como diversificados em estilos musicais.

mariza2

Assim, enquanto no dia seguinte, a Banda Filarmónica de Alvarenga apresentaria o seu concerto anual no largo de Trancoso, em Arouca, na praça Brandão de Vasconcelos teria lugar o Festival de folclore de Arouca, organizado pelo Rancho da Casa do Povo de Arouca que trouxe até esta Vila vários grupos folclóricos de diversas partes do País e também do Brasil, cujos cantares e danças estiveram presentes através do Grupo Almeida Garrett.

Foi certamente um fim-de-semana densamente musical, em que a música, através dos seus mais variados estilos, e dos mais diversos intérpretes, constituiu um memoráveis momentos culturais num Verão que teima em não querer afinar pela meteorologia a que estávamos habituados. Que pelo menos a harmonia musical nos compense desta instabilidade da metereologia!

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº318 de 8 de agosto 2014

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