II Encontro de Coros Nádia Oliveira
Foram numerosos os momentos musicais que aconteceram ao longo da Semana Cultural 2009.
Desde as diversas participações de alunos e professores da Academia de Música de Arouca, nomeadamente através da actuação da Classe de flautas e violinos nos Claustros do Mosteiro, até aos vários concertos musicais que tiveram lugar no Terreiro de Santa Mafalda, podemos dizer que a música foi uma presença constante ao longo dos dias em que decorreu a Semana Cultural.
De entre as várias manifestações musicais destaque-se a primeira actuação ao público da Orquestra ligeira “Olá Swing” que nos presenteou com uma outra faceta da Banda Musical de Arouca, mais virada para o público juvenil e com um reportório menos clássico.
Mas quem conseguiu atrair um vasto público ao terreiro de Santa Mafalda, apesar das ameaças da chuva, foi o grupo “Os Deolinda”.Interpretando música popular portuguesa inspirada no fado, este grupo, sobretudo através da sua vocalista, despertou um grande entusiasmo no numeroso público jovem que acorreu ao terreiro de Santa Mafalda .
Estilos e espaços musicais
Se foram diversas no estilo as interpretações musicais, ao longo da Semana Cultural, diversos foram também os espaços de actuação dos diversos intervenientes.
E se o amplo terreiro entre o Mosteiro e a Biblioteca Municipal foi adequado para a audição de música ligeira e popular, já o espaço dos Claustros foi palco excelente para a audição dos sons das flautas e dos violinos da Academia de Musica de Arouca.
Mas o espaço por excelência para manifestações musicais de estilo mais clássico e religioso foi o magnífico coro baixo do Mosteiro, também conhecido por Cadeiral do Mosteiro.
Foi nesse rico cenário que tiveram lugar as duas últimas manifestações musicais desta Semana Cultural.
Encontro de coros Nádia Oliveira

Orfeão de Portalegre
Organizado pelo Orfeão de Arouca e integrado na Semana Cultural, o II Encontro de coros Nádia de Oliveira no Sábado e a excelente interpretação da Associação “Vox Angelis” no Domingo, foram dois excelentes momentos musicais que encerraram a Semana Cultural deste ano, promovida, mais uma vez, pela Câmara Municipal de Arouca, com a colaboração de numerosas associações e entidades arouquenses.
Além do coro anfitrião, este II Encontro de Coros teve a participação do Coro de Câmara de S.João da Madeira que interpretou algumas peças religiosas dos sec.XVII e XVIII, tendo terminado a sua participação com a execução de 3 temas de cariz mais popular e que fazem parte de um disco gravado por este coro, precisamente neste espaço de actuação.
Com um reportório variado e que alternou entre a música popular alentejana, a música tradicional do Brasil, de Moçambique e de Cuba e ainda alguns temas religiosos em latim, a actuação do Orfeão de Portalegre trouxe a este Encontro de coros uma diversidade de temas musicais, brilhantemente interpretados através da unidade polifónica da suas vozes.
O encontro terminou com a actuação do Orfeão de Arouca, sob a direcção de Ivo Brandão e que contou com as vozes de Magda Brandão e Mafalda Castro, tendo sido acompanhado ao órgão por António Ricardo Toste.
Após a actuação seguiu-se uma troca de lembranças entre os grupos participantes, bem como a entrega de algumas simbólicas ofertas aos grupos e ás entidades que apoiaram a realização deste evento.
Ouro sobre azul
Contando o Orfeão de Arouca com a presença de um organista açoriano, António Ricardo Toste, habituado a tocar em órgãos ibéricos, teria sido ouro sobre azul se este Encontro de coros tivesse a acompanhá-lo o som emanado pelos tubos do recém restaurado órgão do Mosteiro de Arouca.
Não se compreende que tal não tenha acontecido, tal como referiu não só o apresentador do Orfeão de Arouca, como o próprio Presidente da Câmara.
António Ricardo Toste tocando num órgão moderno, tendo por cima de si um excelente órgão ibérico datado de 1743. Que desaproveitamento!
Compreende-se perfeitamente a existência de regras quanto à utilização desta rara peça da organaria ibérica, datada de 1743 e em que foram recentemente investidos pela Autarquia 255 mil Euros no seu restauro. Só não se entende quais os motivos que terão impedido a sua utilização neste Encontro de coros, tendo sido necessário recorrer ao órgão eléctrico da Paróquia de Arouca.
Sem se pretender banalizar a sua utilização, pensamos que será de todo o interesse, quer para a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, quer para a Autarquia, quer sobretudo para o público em geral, organizar eventos que permitam a utilização do órgão, não apenas com fins religiosos, mas também culturais.
E, quanto a nós, este II Encontro de Coros Nádia Oliveira poderia ter sido um desses eventos, mas que, infelizmente, e por motivos que desconhecemos, não proporcionou a utilização do órgão do Mosteiro, impedindo assim que o ouro do som dos seus tubos fosse derramado sobre o azul das magníficas vozes dos coros presentes neste Encontro.
José Cerca
Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº 58 de 12 de Junho de 2009
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António Ricardo Toste tocando num órgão moderno, tendo por cima de si
um excelente órgão ibérico datado de 1743. Que desaproveitamento!

João César das Neves
O corre hoje, dia 24 de Maio o 43º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Na Mensagem que Bento XVI escreveu para esse dia, o Papa direcciona, de um modo particular, a sua reflexão para quem faz parte da chamada “geração digital”, reconhecendo que estas tecnologias são um verdadeiro “dom para a humanidade”e, por isso, devem ser postas ao serviço de todos os seres humanos e de todas as comunidades e não poderão contribuir, de modo algum, para incrementar “o desnível que separa os pobres das novas redes que se estão a desenvolver ao serviço da informação e da socialização humana.”