Deseducação sexual

por jcerca em 26 de Maio de 2009

Que educação sexual?

Desde há décadas que se houve falar de educação sexual no nosso País, sem que alguma vez se tenha chegado a efectivá-la de uma maneira equilibrada, sensata ou que se que tenha conseguido qualquer plataforma de consenso, quer quanto à sua concepção, quer quanto à sua aplicação nas escolas.

Confundindo-se quase sempre educação sexual com mera informação sexual, a maior parte dos projectos apresentados pelos partidos, ignorando a complexidade e delicadeza da sexualidade humana, sobretudo da população em idade escolar, centram os seus projectos de Educação Sexual nas escolas, na distribuição de preservativos, de meios contraceptivos, incluindo, agora, a pílula do dia seguinte, tal como defende o PS e o  BE que  quer mesmo a sua entrega às jovens que as pretenderem.

Sobre este assunto não resisto a transcrever aqui um artigo de João César das Neves publicado no Diário de Notícias do dia 25 de Maio.

José Cerca

2090006

DESEDUCAÇÃO SEXUAL

A educação sexual é indispensável na formação de todos. Por isso, as escolas devem interessar-se pelo tema e dar aulas sérias e formativas. Há anos que a questão é discutida nos meios didácticos e políticos e o Parlamento tem analisado sucessivos projectos de lei. Apesar disso, a educação sexual não melhorou nem se prevê que melhore nas próximas décadas em Portugal. Os responsáveis só complicam um assunto que não precisa de ajuda para ser difícil.

A educação política também é essencial e as escolas devem incluí-la. Mas que pensaria se esses programas lectivos fossem baseados nos projectos de um partido minoritário e extremista, por exemplo o Bloco de Esquerda? Que acharia se na escola as crianças e jovens aprendessem que “a energia deve ser pública” (porque não o pão?), que no meio da crise se deve adoptar a semana de 35 horas e palermices semelhantes? Para não falar na ditadura do proletariado e revolução permanente, escondidas nas suas raízes maoístas e trotskistas. Seria um terrível abuso do sistema educativo.

É exactamente essa infâmia que tem sido cometida nos últimos anos no campo da educação sexual escolar. Um grupo de iluminados, defendendo fanaticamente posições extremistas que assumem como únicas razoáveis, tem capturado o ensino impondo essas ideias como “educação sexual”. Ideias que, por acaso, são opostas às da maioria das famílias portuguesas, que esses especialistas desprezam como conservadora e tacanha, pretendendo iluminá-la do alto da sua ciência.

De forma sub-reptícia nos corredores do ministério ou abertamente nos debates políticos, tem-se assistido a intensa campanha para coagir a sociedade a seguir alguns princípios, autodenominados de progressistas, justos e livres. Esses princípios são aqueles a que a sociedade até há pouco chamava “porcalhões”. As aulas devem mostrar órgãos sexuais às crianças e explicar os detalhes de carícias, coito e contracepção. A masturbação é natural, o impulso sexual deve ser promovido, se praticado com segurança, e há perfeita equivalência entre todas as opções sexuais. Pudor, castidade e matrimónio são disparates.

Já deve ter reparado que no nosso tempo existe uma intensa controvérsia acerca das questões da família e do sexo. Aspectos consensuais há milénios são momentaneamente polémicos e vivemos enorme confusão de valores e critérios. Isso não nos deve escandalizar, porque todas as gerações têm os seus debates fundamentais. Se vivêssemos há uns séculos, ver-nos-íamos envolvidos em discussões, hoje abstrusas, acerca do sistema político, empresarial ou religioso. Aliás são os mesmos activistas revolucionários que, órfãos dessas antigas lutas político-económicas, vêm agora atacar a instituição familiar com a fúria dos velhos combates laborais. A alcova substituiu a empresa e o direito à greve foi trocado pelo direito ao deboche. Os esquerdistas andam agora paradoxalmente aliados a marialvas e proxenetas.

Em consequência, o Governo, incapaz de resolver desemprego e falências, preocupa-se com a facilitação do divórcio dos casais e a promoção do casamento de homossexuais. Os ministros, que fizeram explodir o défice, subsidiam abortos e querem distribuir preservativos gratuitos nas escolas. O mais incrível é não se darem conta do ridículo. As gerações futuras vão rir à grande com a tolice dos nossos políticos que pateticamente se encarniçam a regular o baixo-ventre.

Devemos terçar armas nas lutas do momento mas sem temer pelos valores vitais. Em breve, as posições extremistas contra o matrimónio e a castidade, hoje julgadas indiscutíveis e gritadas com fúria, serão tão cómicas e obsoletas como são as ideias económicas do Bloco de Esquerda, tão respeitadas há 50 anos (altura em que também o PS as defendia). As tolices acabam sempre vencidas. O mal são as vítimas que criam entretanto.

Felizmente, não são os partidos, deputados e especialistas em educação que dão aulas, mas os professores. Professores que em geral têm filhos e amam a família. O mundo é sempre melhor que a caricatura legal.

joao_cesar_das_nevesJoão César das Neves

Fonte: DN 2009-05.25

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1 Zorro 27 de Maio de 2009 às 9:56

Que bem que JCdN escreveu sobre este assunto.
Quem escreve assim não é certamente gago!
Do mesmo já não se pode falar dos xuxas tarados, que de tanto… já andam gagos das ideias e das palavras.
Votem na sondagem no site http://www.pnr.pt. Lá podem votar entre uma lista com TODOS os partidos. Não é uma sondagem encomendada.
O partido que vai à frente, apesar de ser o da casa, é o único que não concorda com este modelo de europa. A votação na restante plateia de partidos, dá bem para ter uma ideia do que aí vem.
João César das Neves, escreva mais, que adoro ler os seus artigos de opinião. Brilhantes!
A Bem da Nação!

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