DOIS ANOS A PROMOVER CULTURA E DEMOCRACIA EM AROUCA

por jcerca em 4 de Fevereiro de 2018

Criada por escritura notarial no dia 11 de janeiro de 2016, a Associação “Cultura e Democracia” festejou no dia 3 de fevereiro, o seu segundo aniversário com uma conferência pública no auditório da Loja intereativa de Turismo e um jantar que reuniu um considerável número de associados.

Criada a partir da plataforma cívica “Círculo Mais Democracia”, esta Associação teve apenas como objectivo central, ao constituir-se, promover o debate, a reflexão e a partilha com incidências sobre o rico e diversificado território de Arouca, nos seus mais diversos âmbitos.

E essa reflexão, ao longo destes dois anos de actividade, de natureza cívica e cultural, concretizou-se na iniciativa “Conferências de Arouca” que tem trazido a Arouca um conjunto de personalidades de renome nacional, nos mais diversos campos do saber, e que têm proporcionado uma reflexão de qualidade, contribuindo assim para aumentar e estimular cultura e a intervenção cívica neste território.

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Mas a actividade desta Associação, ao longo destes dois anos, não se esgotou nas “Conferências de Arouca”. Na verdade, as “Jornadas de Ciência de Arouca”, numa organização conjunta com o Agrupamento de Escolas de Arouca, foi a actividade que maior impacto conseguiu em Arouca, permitindo, durante dois dias, o encontro de várias gerações de cientistas que iniciaram o seu gosto pela ciência e a sua caminhada de investigação na Escola Secundária de Arouca e que hoje continuam o seu trabalho de investigadores, nas mais diversas áreas, em instituições universitárias, não só nacionais, como também internacionais.

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Já com três edições, a última das Jornadas de Ciência de Arouca teve como tema central as Ciências Sociais.

São inúmeras as personalidades académicas e investigadores que esta Associação trouxe a Arouca e numerosos são os alunos das escolas de Arouca que tem movimentado ao longo das suas diversas iniciativas.

Por isso, podemos mesmo dizer que a criação desta Associação trouxe um importante contributo na animação cultural desta terra, contribuindo assim, para aumentar a CULTURA e aprofundar a DEMOCRACIA, fomentando o diálogo, cimentando a cidadania e promovendo a partilha de saberes adquiridos, nos mais diversos campos do saber e da ciência, ao longo dos tempos, por tão ilustres arouquenses e por tão reputadas personalidades académicas do nosso País.

Repensar a  identidade portuguesa

Uma dessas personalidades que esteve presente na última das “Conferências de Arouca” foi o Professor José Eduardo Franco que veio proporcionar uma interessante reflexão sobre “Cultura e Democracia: a memória, o património e a construção de identidades”.

Como brilhante historiador que é, especializado em História da Cultura, José Franco é ainda poeta, ensaísta e autor de múltipla obra publicada, sendo também Membro da Academia Portuguesa da História.

De entre os vários projetos editoriais que já dirigiu, o último, e talvez o de maior envergadura, foi a edição da Obra Completa do Padre António Vieira em 30 Volumes.       Em 2015, e como reconhecimento dos serviços prestados à Cultura e à Ciência, foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural do Estado Português.

Por tudo isso, a escolha deste palestrante, no segundo aniversário desta Associação, não poderia ter sido melhor.

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Na conferência que proferiu, José Eduardo Franco promoveu uma reflexão sobre o processo dinâmico da construção da nossa identidade, percorrendo através da história da cultura portuguesa, ao longo dos séculos, as diversas maneiras como nos fomos assumindo como povo, quer em momentos de euforia, quer em períodos de crise, ou de ameaças externas.
Constatando que “Portugal foi sempre um País em crise, com intervalos de prosperidade”, o palestrante estruturou a sua reflexão sobre a construção da nossa identidade em quatro pontos ou eixos que foi desenvolvendo recorrendo, com frequência, ao contributo do pensamento do Pe. Manuel Antunes e do filósofo Eduardo Lourenço, referindo simultaneamente um conjunto de outros pensadores que contribuíram para a vasta “literatura da identidade” hoje disponível e com o recurso à qual será possível definir o nosso cartão identitário.

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De entre os diversos elementos constituintes da nossa identidade, José Franco referiu o património como elemento indispensável à manutenção da nossa identidade como povo, daí a importância de o preservar e valorizar.

O tema inesgotável abordado nesta conferência, acabou por receber diversos contributos durante o debate, através de algumas interessantes questões colocadas pelo público presente.

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Depois desta reflexão seguiu-se um jantar que congregou cerca de 8 dezenas de associados e que teve como “sobremesa” final um informal momento musical em que o fado de Coimbra predominou através da voz de Arnaldo Brito, acompanhado à guitarra portuguesa por Fernando Cunha Pereira. Além do fado de Coimbra outras melodias foram surgindo animando o ambiente de convívio e para o qual o próprio palestrante deu também o seu contributo vocal.

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº460 de  9 de fevereiro de 2018

 

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2º DIA VICARIAL DA LITURGIA

por jcerca em 29 de Janeiro de 2018

São vários e diversos os serviços e ministérios que envolvem a liturgia, quer sejam referentes aos atos, quer aos espaços litúrgicos.

Reunir esses diversos agentes para um encontro formativo foi o objectivo do 2º dia vicarial da liturgia organizado pela assessoria vicarial de Arouca-Vale de Cambra e que teve lugar, este ano, na igreja do Mosteiro de Arouca, na tarde do passado Domingo 28 de janeiro.

No momento do acolhimento dos numerosos participantes oriundos das diversas comunidades cristãs desta Vigararia o assessor vicarial da liturgia, Pe. José Joaquim, referiu a importância dos agentes pastorais ao serviço da liturgia receberem formação para desempenharem dignamente a sua função dentro da liturgia. Terminada a sua breve introdução a esta tarde de formação o assessor vicarial referiu a constituição de 5 grupos, de acordo com os diversos serviços litúrgicos, indicando os respectivos formadores.

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Do grupo dos leitores encarregou-se o seminarista estagiário  Fábio Freches, da diocese de Aveiro. Os ministros extraordinários da comunhão e os animadores das assembleias dominicais na ausência do presbítero estiveram a cargo do Pe. Júlio Dinis, pároco de Loureiro e Ul. Os acólitos foram orientados pelo Pe. Carlos Martins do Serviço Nacional de Acólitos e as zeladoras dos altares, comissões de capelas e sacristães, pelo Pe. Augusto Carneiro pároco de Moreira da Maia. Os coralistas dos diversos coros das comunidades paroquiais foram, simultaneamente, formados e ensaiados pelo Pe. José Joaquim Ribeiro.

Esta tarde de formação culminou com a celebração da Eucaristia que foi presidida por D. António Augusto Azevedo, acompanhado por diversos presbíteros e diáconos desta Vigararia.DVL5

Na homilia o Bispo auxiliar do Porto congratulou-se com esta iniciativa no sentido de ajudar a viver melhor o espírito da liturgia a todos os seus diversos intervenientes, tendo destacado a importância da Palavra de Deus rezada e cantada na celebração litúrgica. E referiu que todos são ouvintes dessa Palavra, qualquer que seja a função desempenhada nessa celebração, tendo salientado a necessidade de uma atitude de silêncio, no espaço e no coração, para que a Palavra de Deus se possa transformar em testemunho de vida, de modo a que, através dos diversos serviços, mostremos que somos todos “movidos pelo amor de Deus”.

Dirigido pelo Pe. José Joaquim o numeroso coro, acompanhado por alguns instrumentos de sopro e percussão da Banda Musical de Arouca, veio dar um especial brilho festivo à celebração litúrgica do IV domingo do Tempo Comum.

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Refira-se ainda que, no momento do Ofertório, o coro esteve silencioso para dar destaque à majestosa sonoridade do rei dos instrumentos litúrgicos: o magnífico órgão ibérico do Mosteiro de Arouca datado de 1743. Um momento de arte, beleza e espiritualidade que veio enriquecer a eucaristia com que encerrou este 2º dia vicarial da Liturgia.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº460 de  9 de fevereiro de 2018

Publicado no jornal “Voz Portucalense” nº06 de  07 de fevereiro de 2018

 

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FOI HÁ 24 ANOS: Um novo ciclo para Arouca se iniciou

por jcerca em 5 de Janeiro de 2018

Foi precisamente no dia 7 de Janeiro de 1994 que Arouca iniciou um novo ciclo de desenvolvimento com a tomada de posse do Dr. Armando Zola como Presidente da Câmara Municipal de Arouca.

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Vinte anos após o 25 de Abril uma mudança de pessoas e de métodos de trabalho se verificou na gestão da Câmara Municipal de Arouca, a partir desta data.

Mas, como disse no seu discurso de tomada de posse, mais do que a mudança de pessoas que vão presidir aos destinos do Município “importa essencialmente o trabalho que se vai realizar e para isso precisamos de todos: os vencedores e os vencidos. Afinal,“Todos por Arouca” para que seja Arouca a principal vencedora”.

No seu improvisado discurso, o novo Presidente da Câmara, embora admitindo que iria introduzir “métodos novos” e tentar “práticas diferentes” admitiu contudo que “não podemos honestamente dizer que nestes 17 anos posteriores ao 25 de Abril, que tudo o que se fez tenha sido mal feito. Não foi. Há coisas boas nas gestões anteriores. Há também, certamente, erros. Os próprios que estiveram à frente da administração concelhia em todos estes anos, o reconhecerão e muitos deles os não praticariam, concerteza”.

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E numa atitude de humildade, que sabe reconhecer as coisas boas dos outros e aceitar as próprias falhas, afirmou então Armando Zola: “Quanto às coisas boas vamos procurar continuá-las; vamos aproveitar as experiências do passado e vamos projetá-las no futuro. Quanto aos erros, vamos procurar corrigi-los, fazer coisas diferentes, procurar fazer melhor. Possivelmente, outros erros surgirão. Só não erra quem não age. De qualquer modo, os erros que surjam serão sempre, seguramente, involuntários.”

E logo  após a investidura no cargo definiu duas das suas principais características no modo de atuação à frente dos destinos da Câmara: rigor e independência. “Tudo faremos para agir com rigor, ao serviço de todos, todos indistintamente; todos sem quaisquer favoritismos. Não aceitaremos favoritismos para ninguém. Fomos eleitos numa determinada lista, mas a partir da eleição, a partir da investidura no cargo nós seremos o Presidente da Câmara Municipal de Arouca ao serviço de Arouca e de todos os arouquenses. Precisamos todos unidos de lutar por aquilo que até hoje não conseguimos”.

É indiscutível e salta aos olhos de todos os arouquenses, independentemente da simpatia partidária que tenham, que, a partir dessa data, se inauguraria um novo ciclo de desenvolvimento para todo o município de Arouca e todos concordarão que muita coisa se foi conseguindo, ao longo destes 24 anos, sendo 12 sob a gestão de Armando Zola e 12 sob a presidência de Artur Neves.

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Mas o ciclo que tem vindo a mudar a face do Município ainda não terminou. Com a tomada de posse de Margarida Belém, no passado dia 14 de outubro, “a mesma ambição” de continuar este ciclo de desenvolvimento através de “um novo compromisso” com os arouquenses se concretizou, com a particularidade de ser a primeira vez, na história de Arouca, que uma mulher dirigirá os destinos do seu município.

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E será, certamente, através deste 3º mandato de um mesmo ciclo, iniciado há 24 anos, que, de forma empenhada e comprometida, se dará continuidade ao aumento das melhorias na qualidade de vida de todos os arouquenses, através do desenvolvimento integrado e sustentável do município.

E certamente que a história fará justiça aos principais responsáveis por tal desenvolvimento.

José Cerca

Informação: No grupo “Arouquenses” do Facebook poderá ver a sessão da tomada de posse do Presidente da Câmara Municipal de Arouca que deu início a este novo ciclo.

Aqui poderá ver o vídeo com a sessão de tomada de posse:

 

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº458 de  12 de janeiro de 2018

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JORNADAS DE CIÊNCIA DE AROUCA

por jcerca em 17 de Dezembro de 2017

Numa organização conjunta do Agrupamento de Escolas de Arouca, da Associação “Círculo Cultura e Democracia” e da Câmara Municipal de Arouca teve lugar nos dias 15 e 16 de dezembro a realização das Jornadas de Ciência de Arouca, que, na sua terceira edição, escolheu as Ciências Sociais como tema aglutinador.

Abertura das Jornadas

A sessão de abertura teve lugar num dos auditórios da Escola Secundária, com a presença da Diretora do Agrupamento de Escolas de Arouca, Adília Cruz, que justificou a realização destas Jornadas, vindas aliás na sequência das jornadas anteriores, no sentido de se criar um espaço de debate e de partilha de experiências e trabalhos científicos, não só de alunos e ex-alunos, como também de docentes e de especialistas na área das Ciências Sociais que desempenham um papel essencial na compreensão da realidade, bem como na promoção da qualidade de vida das pessoas.

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Por sua vez, José Rosa, Diretor do Centro de Formação de Professores de Arouca, Vale de Cambra e Oliveira de Azeméis, manifestou o seu agrado pelo programa diversificado e pelos temas escolhidos para estas Jornadas que, durante estes dois dias, irão ser abordados por reputados especialistas nacionais de elevada qualidade académica e científica nas áreas das ciências sociais e humanas.

Sendo a Câmara Municipal de Arouca uma das entidades envolvidas na organização destas Jornadas, a sua Presidente, Margarida Belém, destacou a participação de alunos atuais e antigos dos Agrupamentos de escolas de Arouca e de Escariz, promovendo assim um espaço de partilha de experiências entre arouquenses de diversas gerações.

Finalmente, Manuel Brandão Alves, como Presidente do Círculo Cultura e Democracia, congratulou-se pelo envolvimento, nestas jornadas, de instituições que muito têm contribuído para o desenvolvimento de Arouca, tais como a Adrimag, a Aeca e o Arouca Geopark. Referiu ainda a presença de muitos jovens através das suas escolas, salientando que “nenhuma iniciativa em prol do desenvolvimento será sustentável se não tiver a cultura como suporte”.

Ética e desenvolvimento

Após a abertura das jornadas, teve lugar, ainda na Escola Secundária, a apresentação do primeiro painel subordinado ao tema  “Ética e desenvolvimento” e que foi moderado por Rosa Sousa, professora de Filosofia daquela escola.

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A reflexão sobre este importante tema esteve a cargo do Professor Catedrático da Universidade Autónoma de Lisboa, Luís Moita que, numa linguagem muito acessível ao público, constituído, na sua esmagadora maioria, por alunos daquela Escola, soube captar-lhes a atenção e o interesse para esta temática.

Luís Moita começou por abordar as diferenças entre ética e desenvolvimento, acentuando a importância de um desenvolvimento humano e do contributo da matriz cultural para o esse desenvolvimento o qual nunca poderá existir sem o respeito pelos direitos humanos. Referiu ainda o contributo do ambiente e da ecologia, bem como a importância do capital social que definiu como o conjunto de redes de solidariedade entre as pessoas e que são fundamentais para a implementação desse desenvolvimento humano.

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Filosofando na Escola

De entre as Ciências Sociais, foi a Filosofia que inaugurou as diversas temáticas destas Jornadas, sob a moderação da professora Rosa Sousa.

Coube ao antigo aluno da Escola, Luís Martins, vencedor do prémio nacional 2016 da Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática, apresentar esse ensaio filosófico sobre o contributo da Filosofia para as causas da tolerância no nosso mundo, defendendo o caminho da mediação em vez do caminho do confronto e da intolerância. Um outro seu ensaio refere-se  às redes sociais e cuja reflexão sobre o assunto  levou este aluno a interrogar-se se “ficamos sós porque usamos as redes sociais, ou se usamos as redes sociais porque ficamos sós”. Refira-se que este ensaio foi também distinguido com o 3º lugar no referido concurso.

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Rosa Sousa terminaria este painel da manhã apresentando o projecto “Filosofia para crianças” iniciado já há dois e que envolve crianças de quatro turmas do 1º ciclo do ensino básico de três escolas do Agrupamento (Arouca, Boavista e Moldes).

Com o seu estilo muito peculiar, Rosa Sousa teve uma agradável e divertida conversa com algumas dessas crianças que revelaram uma grande descontracção, espontaneidade e desinibição na sua participação, o que só comprova que a Filosofia pode ajudar as pessoas a “pensarem bem”.

O desenvolvimento, o território e as iniciativas criadoras

Iniciados sob o signo da Filosofia, os trabalhos destas jornadas de Ciências Sociais continuaram, na parte de tarde, na Loja Intereativa de Turismo.

O primeira painel, moderado por Manuel Brandão Alves, Presidente  da ACCD e professor catedrático da Universidade de Lisboa, contou com a presença de 3 importantes instituições que apresentaram o que se vai fazendo em Arouca no que se refere ao desenvolvimento nos diversos sectores do território.

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António Carlos Duarte, em nome da AGA,  referiu algumas das muitas iniciativas que se vêm desenvolvendo dentro do Arouca Geopark.

Carlos Brandão, em nome da AECA, Associação Empresarial de Cambra e Arouca que envolve cerca de 300 empresas, salientou a importância da ligação da AECA às escolas e aos jovens empreendedores e apresentou o contributo desta instituição para o desenvolvimento local, considerando como prioritário a formação a empresários e o fomento à exportação.

João Carlos Pinho, coordenador da Adrimag, que envolve 7 municípios, 2 distritos e 80 freguesias, passou em revista as principais iniciativas ao serviço do desenvolvimento local, ao longo dos 25 anos da existência desta instituição intermunicipal.

Após este primeiro painel da tarde teve lugar uma conferência sobre “Território, desenvolvimento e sustentabilidade” e que foi apresentada por Augusto Mateus, professor catedrático da Universidade de Lisboa e ex-ministro da Economia.

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Começando por afirmar que todos somos habitantes do mesmo Planeta, embora vivendo em Arouca, referiu que o que vai acontecendo no mundo condiciona também o que acontece em Arouca. Constatando que vivemos todos num mundo muito rápido, Augusto Mateus afirmou que para termos desenvolvimento temos que ter crescimento, mas não há crescimento sem investimento. Para o ex-Ministro da Economia as pessoas têm que ser o centro do desenvolvimento, pois qualquer modelo organizativo sem pessoas não serve para nada. De entre a sociedade da informação e da sociedade do conhecimento em que vivemos, Augusto Mateus entende como mais importante para o desenvolvimento a sociedade da aprendizagem e do fazer.

Sustentabilidade e território: o rural e o urbano

O segundo painel desta manhã, moderado por Marcelo Pinho, ex-vereador da Câmara Municipal de Arouca abordou o tema da sustentabilidade e território, com a participação de Sérgio Caetano, presidente da direcção da Associação SOS Rio Paiva, e Adélia Almeida, chefe da divisão de Planeamento e Obras da CMA.

O primeiro, depois de relatar a breve história da Associação que dirige, referiu a importância do habitat do rio Paiva e da sua biodiversidade, referindo algumas iniciativas levadas a efeito na defesa do rio  ainda considerado como  “o menos poluído da Europa”.

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Por sua vez, Adélia Almeida com grande experiência na área do planeamento, referiu algumas mudanças ocorridas na elaboração dos PDM’s e apontou alguns dos desafios no âmbito do planeamento do território.

O 1º dia  destas Jornadas terminaria com mais uma conferência sobre “Espaços rurais, espaços urbanos e ordenamento do território” proferida por Teresa Barata Salgueiro, professora catedrática de Geografia da Universidade de Lisboa. Debruçando-se sobre as relações cidade-campo, e rural-urbano, a palestrante abordou a importância das pequenas e médias cidades na organização do território, numa época de grandes mobilidades.

O programa do 1º dia terminou com um momento cultural proporcionado por alunos do ensino especializado da dança, ao qual se seguiu um jantar-convívio na cantina da Escola Secundária de Arouca servido pelos alunos dos Cursos profissionais de restauração, cozinha, pastelaria e bar. Além dos serviços destes cursos profissionais, refira-se ainda a colaboração dos Cursos profissionais de Turismo, Multimédia e de Animação Sócio Cultural que muito contribuíram para a boa logística destes Jornadas.

As escolas intervêm no território

O programa do 2º dia iniciou-se com a apresentação de alguns projectos de empreendedorismo levados a efeito por alunos dos Agrupamentos de Escolas de Arouca e de Escariz, em parceria com outras instituições.

Coube ao professor de Geografia da ESA, Abílio Sousa, fazer a moderação na apresentação desses projectos que evidenciam assim a capacidade de intervenção das escolas no território.

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O primeiro projecto apresentado, “Ateliers Empreender Criança” foi desenvolvido e apresentado por alunos do 3º ano da Escola Básica de Rossas e da escola Básica de Moldes, em resposta a um desafio lançado pela Associação Industrial Portuguesa, motivando os alunos a desenvolverem a criação de uma ideia de negócio. Depois de concretizado, o projecto foi divulgado à comunidade local, através do evento “Domingo no Parque” promovido pela Câmara Municipal de Arouca.

“Arouca Cream” foi outro projecto desenvolvido por três jovens empreendedores do Agrupamento de escolas de Escariz e que consiste na criação de uma marca de gelados confeccionados artesanalmente com recurso a doces conventuais para serem vendidos, de forma ambulante, em diversos pontos do nosso território. Arriscar, persistir e inovar foi o lema que norteou estes jovens empreendedores que se designaram por JaMaFa.

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Tendo como matéria-prima produtos biológico do Concelho, surgiu o projecto “Maria Granola” levado a cabo por Rita Dias, depois de ter frequentado o Curso Profissional Técnico Auxiliar de Saúde na ESA. Tendo participado no Concurso Jovens empreendedores de Arouca, ganhou o 2º lugar e decidiu avançar com o seu projecto que tem por base sementes, frutos secos e fruta desidratada. Com logotipo, página na Internet e embalagens sugestivas o produto já está a ser colocado em diversos pontos do Concelho.

Inspirada numa lenda sobre Mansores, sua terra natal, Andreia Lima, antiga aluna da escola Secundária de Arouca onde frequentou o Curso Profissional Técnico de Restauração-Cozinha decidiu criar o doce que designou por “Barcas de Mansores” apresentado ao público na última edição da Feira das Colheitas. Com um logotipo sugestivo e uma página atraente e motivadora na internet o produto também já está a ser colocado em diversos pontos do Concelho.

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“Curadoria digital – Desafios tecnológicos” foi o último projecto a ser apresentado por alunos do 6º ano do Agrupamento de Escolas de Arouca, através da projecção de um vídeo enumerando as diversas actividades e iniciativas inerentes a este projecto.

Desenvolvimento do território e demografia

Terminada a apresentação destes interessantes e empreendedores projectos escolares o programa da manhã contou ainda com duas importantes conferências. A primeira sobre desenvolvimento do território e demografia proferida por João Peixoto, Professor Catedrático da Universidade de Lisboa e autor de vários livros e numerosos artigos publicados em revistas nacionais e internacionais.

Numa linguagem muito acessível e de grande clareza, João Peixoto abordou as principais dinâmicas demográficas atuais, bem como as principais tendências de evolução da natalidade, da mortalidade e do envelhecimento, tendo chamado a atenção para as inevitáveis mudanças da paisagem humana, derivadas não só destes factores, como também do papel das migrações para assegurar a sustentabilidade demográfica.

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A segunda conferência sobre “Ordenamento do território” que encerraria o programa da manhã foi proferida pelo investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e ex-Secretário de Estado do Ordenamento do Território, João Ferrão.

Começando por referir  que o ordenamento do território levanta sempre problemas éticos e políticos face aos diferentes interesses em jogo, o conferencista acentuaria  a componente normativa que deve estar sempre subjacente a qualquer ordenamento do território.

Num discurso muito claro e bem sistematizado, João Ferrão abordou seis questões fundamentais sobre o tema em reflexão, concluindo que o ordenamento do território será sempre um meio e nunca um fim.

Escrita e criação – Tertúlia

Com a presença da poetisa e professora Associada da Universidade do Porto, Ana Luísa Amaral e sob moderação de Olga Soares, coordenadora do Departamento de Línguas da Escola Secundária de Arouca o programa da tarde abriu com a realização de uma tertúlia sobre “Escrita e Criação”.

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Depois da declamação de um poema desta escritora feita por uma aluna, a partir da plateia e acompanhada ao piano por Hélder Antunes, Ana Luísa Amaral desenvolveria o tema “o som que os versos fazem ao abrir”, a partir de um excerto sonoro do poema “A Tempestade” de Shakespeare. Após esta entrada, a escritora abordou alguns aspectos da sua produção poética percorrendo alguns dos seus poemas, cuja leitura o público pode acompanhar através de cópias distribuídas no momento.

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Esta tertúlia foi ainda enriquecida com a apresentação de algumas “Experiência D’escritas” levadas a cabo por 4 ex-alunos da Escola Secundária, já com publicações, quer no âmbito da poesia (Hélder Antunes, André Azevedo Vilar e Ana Miguel Carvalho), quer no campo da prosa (Nuno Cerca).

A criação, o homem e o território – Mesa redonda

O extenso e diversificado programa destas Jornadas terminaria com uma mesa redonda moderada por Manuel Sobrinho Simões, Professor Catedrático da Universidade do Porto e Diretor do Ipatimup.

Parafraseando uma frase do escritor Rentes de Carvalho, Sobrinho Simões começaria por dizer que “Deus começou a fazer o mundo por Arouca”, afirmando, logo de seguida, que Arouca é um sítio extraordinário e com enormes capacidades para se desenvolver um turismo científico, histórico, religioso e gastronómico.

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E foi sobre Arouca que se centrou esta mesa redonda. Considerando que o Arouca Geopark veio trazer uma nova realidade ao território, potenciando novos recursos muito atrativos para chamar turistas, desta mesa redonda surgiram alguns desafios muito interessantes para ir ao encontro do desenvolvimento integrado e sustentado deste território.

Na sessão de encerramento destas Jornadas a Vice-Presidente do Agrupamento de Escolas de Arouca, prof Amélia, salientou a participação dos agentes locais, nomeadamente dos alunos dos agrupamentos de escolas de Arouca e de Escariz, agradecendo também a todos os alunos dos cursos profissionais que deram o seu apoio logístico a estas jornadas.

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Manuel Brandão Alves salientou o elevado nível dos conferencistas e agradeceu o empenho e a disponibilidade das entidades organizadoras, bem como a participação dos agentes locais.

Finalmente, Margarida Belém, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Arouca, destacou o papel das escolas do território, bem como das diversas instituições, referindo que todos têm um papel importante no desenvolvimento inclusivo de Arouca.

Considerando que alguns dos participantes neste evento era constituído por docentes do Agrupamento de Escolas de Arouca, o Centro de Formação de Professores AVCOA quis também associar-se  a estas Jornadas prontificando-se a certificar a presença de todos aqueles docentes que nelas participaram.

Refira-se, como nota final, a elaboração de uma publicação em formato de agenda, entregue a todos os participantes, contendo o percurso académico e científico de todos os intervenientes nestas III Jornadas de Ciência em Arouca, bem como uma síntese das diversas conferências apresentadas.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº457 de  22 de dezembro de 2017

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DAS CRIANÇAS QUE FOMOS AOS ADULTOS QUE SOMOS

por jcerca em 2 de Dezembro de 2017

Considerado por muita gente como “uma das pessoas mais ilustres, mais cultas e mais inteligentes de Arouca”, é sempre muito agradável ouvir o Dr. Armando Zola que, durante 12 anos esteve à frente dos destinos da autarquia e sobre a gestão do qual se iniciou a grande modernização do Concelho de Arouca, a qual, 24 anos depois, prossegue ainda a bom ritmo.

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Foi para ouvir a larga experiência deste ex-Presidente da Câmara Municipal de Arouca que a Direção da Academia Sénior convidou o Dr.Armando Zola para a sua primeira palestra deste ano lectivo, no dia 30 de Novembro de 2017.

Depois de enumerar um conjunto diversificado de temas que poderia abordar nesta tertúlia com os alunos e associados da Asarc, e que poderiam ir desde a história local, à filosofia, à teologia, ao direito, passando pelo poder local, pela guerra colonial ou pela revolução do 25 de abril, o que, só por si, revela já a sua vasta cultura e a sua larga experiência de vida, o Dr. Armando Zola optou por abordar e reflectir sobre a vasta e rápida evolução pela qual todos nós passámos nas últimas seis décadas, período esse que abrange a maior parte do público presente.

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Começando por salientar a evolução vertiginosa dessas transformações, o palestrante diria que em poucas décadas fomos atingidos por mais e maiores mudanças do que aquelas que aconteceram durante milénios.

A evolução tecnológica e as transformações sociais que ela produziu no último meio século colocou-nos entre dois mundos que muitos dos mais novos  já não conhecem, apesar desses mundos estarem à distância de poucas décadas. Por isso, entende o palestrante, que somos uns privilegiados por vivermos esses dois mundos, apesar de muitos valores,  muitos hábitos e muitas tradições se terem diluído na voragem dessa rápida transformação social e tecnológica.

Perante o progressivo e inevitável desaparecimento desse mundo, essencialmente rural, é importante e premente – referiu o palestrante – deixarmos testemunho daquilo que vivemos e daquilo que aprendemos, com o risco de tais vivências do passado desaparecerem para sempre da nossa memória colectiva.

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Partilhando dessa preocupação,  e considerando que seria um serviço valioso à comunidade, Armando Zola lançou um desafio à Academia Sénior  para que se deixasse registado para os vindouros vivências desse mundo rural, que as gerações mais novas quase já não conhecem.

E com esse desafio de se registar “Arouca em memória” se encerrou esta primeira tertúlia deste ano na Academia Sénior.

José Cerca

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