por jcerca em 29 de Dezembro de 2025

O Concerto de Natal é daqueles eventos culturais em Arouca que já ganharam personalidade própria e se impuseram pela sua qualidade artística e musical.
Embora levado a cabo pelas mesmas associações, de ano para ano este concerto assume sempre algumas inovações que o distinguem das edições anteriores e lhe conferem um estatuto próprio.
A edição deste ano que teve lugar na igreja do Mosteiro de Arouca, no dia 27 de dezembro, assumiu a modalidade de uma Cantata de Natal intitulada “O Pássaro Azul” e que foi inspirada na obra literária de António Arnaut (1936-2018) personalidade que ficou conhecido no nosso País, como o “Pai do SNS”.
Coube ao maestro Paulo Bernardino, dar vida musical, vocal e instrumental aos textos que compõem “O Pássaro Azul – Contos e Poemas de Natal”, obra publicada pela Coimbra Editora em 1998 e que é composta por 7 contos e 21 poemas.

Já com três interpretações esta foi a primeira vez que a cantata teve o acompanhamento de uma Banda Musical. Além da Banda Musical de Arouca, sob a direção do maestro Ivo Silva, deram vida vocal a esta cantata o Grupo coral de Urrô, o Orfeão de Arouca e a Academia de Música de Arouca.
Vários narradores iam conduzindo, sobre as vozes dos coralistas, ou misturados com os sons instrumentais, a narração de pequenos contos de Natal, não só cheios de beleza literária, como impregnados de profundos sentimentos de sensibilidade humana, tão adequados a esta quadra natalícia.

O compositor desta cantata, Paulo Bernardino, explicou, no final do concerto, um pouco a génese da mesma e agradeceu a todos aqueles que, com o seu enorme trabalho e dedicação, deram voo musical e artístico a este “Pássaro Azul” de António Arnaut.
E foi a junção feliz e bem coordenada da qualidade literária dos textos narrados ao longo da cantata, com a harmonia vocal e a beleza instrumental que fizeram deste Concerto de Natal um evento de grande qualidade, fortemente aplaudido pelo vasto público que encheu, não só a nave da igreja, como também o coro baixo (cadeiral) do Mosteiro de Arouca, tendo sido, simultaneamente, transmitido para as redes sociais.
E no ano em que se comemorou o bicentenário da Banda Musical de Arouca, a estreia desta Cantata de Natal, com versão para banda, foi certamente um belo e significativo momento artístico erguido nas asas deste “Pássaro azul”.

José Cerca
Publicado in Voz Portucalense nº 01 de 07.01.2026
por jcerca em 7 de Dezembro de 2025
Concerto de encerramento do bicentenário
Após um ano repleto de atividades musicais e culturais, chegou ao fim o rico e variado programa das comemorações dos 200 anos da Banda Musical de Arouca, uma das mais prestigiadas bandas do norte do País.
Estas comemorações culminaram com a edição de CD musical cuja apresentação e interpretação do seu conteúdo teve lugar no dia 6 de dezembro, com um excelente concerto na igreja do Mosteiro de Arouca, onde arte barroca e música contemporânea estiveram de mãos dadas.

O concerto abriu com a interpretação de um passodoble evocando a riqueza e singularidade gastronómica da “Carne arouquesa”.
Da gastronomia passou-se, seguidamente, à riqueza da nossa história e do nosso património artístico, através da execução da sinfonia em três andamentos “Ecos de um Mosteiro”, onde a padroeira de Arouca e os espaços por ela habitados no sec.XIII, foram também homenageados nesta sinfonia.

E como não podia deixar de ser, também a riqueza musical do nosso cancioneiro foi evocada na “Fantasia popular” com a interpretação de 4 temas do Cancioneiro de Arouca.
Seguidamente, e virando-se agora um pouco para dentro desta centenária banda musical, foi interpretada a rapsódia “Reia & Rido”, com diversas melodias populares e bem conhecidas, numa homenagem a dois dos mais antigos membros desta banda, o sr. Augusto Correia e o sr. Garrido.

Nem sempre as Bandas Musicais conseguem atuar em magníficos espaços, ricos em história e em arte, como o é a nave da igreja do Mosteiro de Arouca. A maior parte das vezes eram os coretos o seu espaço de atuação. E foi, pois, com a marcha “O coreto” composta pelo arouquense Miguel Brandão e cantada por Simão Oliveira, que este belíssimo concerto da Banda Musical de Arouca encerrou. Longamente aplaudido pelo público presente, este “Coreto” foi, na verdade, uma verdadeira chave de ouro a encerrar as comemorações do bicentenário desta Banda que tem sido uma importante embaixatriz da cultura musical arouquense, ao longo destes dois séculos de existência. Parabéns e obrigado.
José Cerca
por jcerca em 16 de Novembro de 2025

Cerca de 200 jovens do MJS tiveram ontem em Arouca o seu encontro nacional da região norte. Os jovens da região sul encontraram-se nesse mesmo dia na casa salesiana de Manique.
Depois de dadas as boas vindas por um dos jovens de Arouca (Simão Oliveira) no Pavilhão da Casa do Povo de Arouca, onde foram recebidos, a jornada iniciou-se com um belo momento musical oferecido pelo grupo juvenil da Banda Musical de Arouca que foi muito apreciado por todos os jovens presentes.

Terminado este momento musical que fechou com a interpretação do Hino de Arouca e com o Hino a D.Bosco, começaram os trabalhos de reflexão em grupos.

Divididos por grupos etários, orientados pelos respetivos animadores, os jovens, além da Casa do Povo, reuniram-se em espaços da Escola Secundária e da escola do 1º Ciclo.
O dia de reflexão, de convívio e de oração terminou com a celebração da Eucaristia na igreja do Mosteiro de Arouca que foi presidida pelo Provincial dos Salesianos, Pe. Tarcízio Morais e animado pelo grupo de jovens de Arcozelo.

A organização do encontro agradece à Banda Musical de Arouca pela presença do seu grupo juvenil neste encontro do MJS. Agradece, igualmente, à casa do Povo de Arouca, bem como ao Agrupamento de escolas de Arouca pela cedência dos seus espaços para este encontro em Arouca.

por jcerca em 1 de Novembro de 2025
Pelo 4º ano consecutivo que o Mosteiro de Arouca recebe o FIOMS, Festival Internacional de Órgão e Música Sacra, já na sua 5ª edição, e que se estende por 12 Municípios da Grande Área Metropolitana do Porto, envolvendo a realização de 40 concertos, de elevada qualidade artística, ao longo das duas temporadas em que decorre este Festival.

Possuindo o Mosteiro de Arouca um raro exemplar de um órgão ibérico, datado de 1743, este Município não podia, pois, deixar de acolher este evento musical.
Depois de uma primeira parte preenchida com a interpretação de 3 peças para órgão de autores do sec. XVIII, pelo organista Fernando Miguel Jalôto e que permitiram exibir todas as potencialidades sonoras desta bela peça organeira, teve lugar a execução do Requiem de Mozart pelo grupo Ensemble Bonne Corde.

Fundado em 2009, este grupo dedica-se ao estudo e divulgação de música antiga setecentista, tendo na sua direção artística a violoncelista e investigadora Diana Vinagre.
O Requiem de Mozart que este grupo interpretou foi uma das peças que alcançou grande popularidade no nosso País, no sec. XVIII, sendo a versão utilizada recolhida a partir de um manuscrito que faz parte do arquivo musical da Sé de Évora e no qual a orquestra é substituída por um grupo de instrumentos (baixo,violoncelo, fagote e órgão) que acompanham 8 vozes (2 sopranos, 2 contraltos, 2 tenores e 2 baixos).

Calendarizado para a véspera de um fim de semana, profundamente de matriz religiosa, como são a festividade de Todos os Santos e a dos Fiéis Defuntos, este magnífico concerto bem mereceria ter uma maior divulgação, não só por parte das instituições religiosas, como também das Associações e grupos musicais de Arouca.

Na verdade, foi pena que um concerto deste qualidade artística e exibido num espaço tão belo e artisticamente tão rico, tenha passado ao lado da grande parte do público a que se destinava.
José Cerca
Publicado in Voz Portucalense nº 39 de 5.11.2025
por jcerca em 4 de Agosto de 2025

“Mamã, podes escrever um livro a contar a minha história?”
Foi este pedido do pequeno Henrique, portador de uma doença rara, feito à sua mãe, que deu origem a este livro escrito pela arouquense Alice Ramos e que foi apresentado no dia 2 de agosto na Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão.
Trata-se de uma história real, cheia de emoção e perpassada por momentos de incertezas, receios, preocupações e angústias, mas também marcada por momentos de persistência, de confiança, de estímulo e de muita força de vontade do pequeno Henrique, personagem real e central desta narrativa.
Pela primeira vez a apresentação de um livro contou com a presença das personagens principais, neste caso o pequeno Henrique e o seu irmão Afonso, acompanhados de sua mãe, Alice Ramos, a autora desta publicação, com excelente apresentação gráfica e belas ilustrações de Flávia Medeiros.

Na mesa da sessão de apresentação, além das personagens principais, estiveram os pais, a avó Júlia do Henrique que fez a apresentação do livro, bem como a Vice-Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Drª Cláudia Oliveira que se congratulou com mais uma publicação de autores arouquenses.
Durante a sessão de apresentação foi projetado um pequeno vídeo sobre a história de coragem, de inclusão e de força de vontade do pequeno Henrique.
Possuidor de uma doença rara que o impedia de caminhar, a história do pequeno Henrique prende a atenção do leitor ao longo da narrativa do seu breve percurso de vida, quer na Ilha das Flores, onde nasceu (Açores), quer no Continente, onde passou longos períodos de tratamento.
Além do acompanhamento dos pais, familiares e amigos juntou-se ao seu percurso de vida o irmão Afonso que viria a desempenhar um papel importante de estímulo, de motivação e de inspiração para os sucessivos progressos e para as pequenas grandes vitórias que o pequeno Henrique ia conquistando no seu dia a dia, com o apoio desvelado dos pais e sempre sob a tutela inspiradora da pequena estrelinha Matias que passou a brilhar no céu a partir do difícil processo de fertilidade pelo qual os seus pais tiveram de passar até à chegada tão esperada do Henrique.

Sendo esta uma história real e de grande exposição familiar, ela deixará, contudo, de ser pessoal para passar a ser dos leitores, a partir do momento em que é editada e passa para o domínio público, transformando-se assim num emotivo testemunho de vida que poderá ajudar outras famílias a enfrentarem situações de superação de dificuldades e de confronto com desafios imprevisíveis como os que o pequeno Henrique teve de enfrentar, sempre apoiado pela sua corajosa família.
Situações de confronto com a incerteza angustiante e com o desconhecido perturbador vividos nesta historia real poderão ser um estímulo motivador e inspirador para outros pais que tenham que passar por idênticas situações de superação como as que acompanharam o pequeno Henrique.
“Mas esta história não acaba aqui. Continua.” Por isso, os leitores ficarão à espera da sua continuação para continuarem a acompanhar a caminhada de coragem, de determinação e de persistência do pequeno Henrique e do estímulo motivador do seu irmão Afonso.
José Cerca