Não poderia ter sido escolhido melhor local para a apresentação deste pequeno livro sobre a padroeira de Arouca do que o magnífico espaço da igreja do Mosteiro de Arouca, onde, num dos seus altares laterais, repousam os restos mortais da neta do 1º rei de Portugal, D.Afonso Henriques. A apresentação teve lugar na tarde do domingo 9 de Agosto, observado-se as recomendações de higiene e de distanciamento exigidas por esta pandemia.

igreja_mesa

A apresentação

Coube ao pároco, Pe. Luís Mário, fazer a apresentação dos elementos da mesa desta sessão que era composta pela vereadora da Cultura, Fernanda Oliveira, pelo Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, Carlos Brito e pela autora da publicação, Margarida Rocha.

Luis Mário

Após breves palavras de cada um dos elementos da mesa, coube à autora fazer a apresentação da sua obra que teve a colaboração da ilustradora Tânia Pires, que não pode estar presente.
Falando do porquê desta publicação, Margarida Rocha referiu que o seu objetivo visa contribuir, de uma forma simples e motivadora, para a divulgação da vida da padroeira de Arouca, a beata Mafalda, mais conhecida por Rainha santa Mafalda. E justificou essa divulgação no sentido em que Arouca é aquilo que é, devido à existência de Mafalda Sanches e ao seu importante e reformador papel que desempenhou dentro do Mosteiro de Arouca e na sua vasta área de influência, há cerca de 800 anos. Tratando-se de uma mulher exemplar e excecional, cuja ação perdura ao longo dos séculos, será sempre útil e pertinente a divulgação da sua ação e do seu exemplo de vida que encontra na devoção dos seus fiéis uma justa e digna veneração.

autora

E esse sentimento de veneração encontra-se bem plasmado na letra e na música do Hino à Rainha Santa que foi interpretado pelo coro da Paróquia de Arouca no encerramento desta sessão e que todos os anos é cantado no final da festa à padroeira de Arouca que se celebra a 2 de maio.

A publicação

Tratando-se de uma edição da autora, esta publicação é composta por 57 quadras distribuídas ao longo de 19 páginas intercaladas com 19 ilustrações de Tânia Pires. As quadras obedecem ao esquema rimático ABAB, ou seja em rima alternada, também designada por rima cruzada, o que confere à narrativa um certo ritmo e uma ambiência popular.

capa

No final da narrativa poética encontra-se um pequeno resumo biográfico de Mafalda Sanches, que permite dar uma breve contextualização histórica à filha de D. Sancho I que, tal como as suas duas irmãs Sancha e Teresa, foram declaradas “beatas” pela Igreja Católica, mas “santas” pela voz, pela fé e pela devoção do povo.

Refira-se também que na contracapa desta publicação constam ainda dois pequenos comentários do Bispo de Lamego, D.António Couto e de D.Manuel Linda, Bispo do Porto, atendendo a que as vastas áreas geográficas abrangidas por estas duas dioceses foram, outrora, não só área de influência do Mosteiro de Arouca, como também detentoras de várias propriedades doadas por D.Sancho I a sua filha Mafalda.

autografos

De entre as várias publicações sobre a vida desta personagem tão ligada a Arouca esta é, seguramente, a primeira em verso o que permitirá, de uma forma simples e concisa, contribuir para a divulgação de uma figura ainda tão presente na devoção e na afetividade dos arouquenses.

José Cerca
Fotos de José Roldão

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº522 de  04 de setembro de 2020

{ 0 comentários }

Dos espaços conventuais para os espaços digitais

 Não teve o habitual e grandioso ajuntamento de pessoas, nem o contacto físico e sensorial com os maravilhosos espaços conventuais, das edições anteriores, devido à pandemia que, desde há alguns meses, veio alterar, radicalmente, a normalidades das atividades humanas por todo o mundo.

Por isso, e muito bem, foi preciso alterar, reconfigurar e adaptar a esta nova realidade, a maior parte das atividades, desde há muito já programadas, como foi, entre muitos outros casos, a recriação Histórica desde ano, subordinada ao tema: Arouca História de um Mosteiro.

cadeiral

Em substituição de um vasto conjunto de atividades centradas no espaço monástico e em toda a zona histórica e em que a participação popular e o convívio humano eram as suas principais caraterísticas e base principal do seu grande sucesso, a Autarquia preparou, em alternativa, um conjunto de atividades para o espaço digital e que, ao longo de uma semana (de 11 a 19 de julho) foram dando corpo a esta versão virtual de uma Recriação Histórica que ficará, obviamente, também para a História.

Um vasto e variado programa.

A abertura da versão digital da Recriação Histórica deste ano foi feita através de uma mensagem da Presidente da Câmara, Margarida Belém, que elegeu o Mosteiro de Arouca como tema central desta sua comunicação, até porque ele tem acompanhado, ao longo dos séculos, a evolução dos tempos, tendo sido também testemunho do apogeu e do declínio das ordens religiosas que o habitaram.

trompetistas

Após a abertura oficial, seguiu-se um momento musical com o Grupo de Charameleiros de Arouca.

A música

Possuindo este Mosteiro no seu riquíssimo cadeiral e instalado no seu coro alto, um belo exemplar do rei dos instrumentos, o órgão ibérico datado de 1743, era imprescindível, nesta recriação histórica, dar-lhe a palavra. E foi isso que aconteceu, logo no primeiro dia, através de um excelente momento musical, mediante o qual foi possível admirar a extraordinária sonoridade deste centenário órgão em estilo joanino. A acompanhar o organista Tiago Ferreira, Ivo Brandão foi tecendo interessantes e pedagógicos comentários sobre as peças interpretadas e seus autores, o que fez deste mini concerto um momento cultural e musical muito rico, apesar do “publico” presente se ter restringido aos 104 assentos vazios feitos em madeira de jacarandá do Brasil.

Orgão-Convento_Gabriel-Soeiro-Mendes

Um outro momento musical, inserido neste programa digital, foi proporcionado pelo grupo “Ventos do Atlântico” que interpretou algumas peças de música barroca, num espaço igualmente barroco, como o é o magnífico cadeiral do Mosteiro de Arouca.

A arte e os ofícios

E foi sobre a riqueza artística deste espaço conventual que o Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, Carlos Brito, teve uma conversa virtual centrada nos tesouros artísticos escondidos no Mosteiro de Arouca, apresentando uma possível leitura das pinturas em espaldares de madeira que se encontram no imponente cadeiral barroco do Mosteiro de Arouca.

site_arouca_cadeiral_dscf2665

Além desta, outras conversas se foram desenrolando para o espaço digital, ao longo desta Recriação histórica, abordando, não só a arte de entalhar, pelo entalhador Júlio Leal, como também a conservação e restauro, com Joana Almeida, bem como a arte gastronómica da doçaria conventual.

oficna de restauro

E dentro das conversas virtuais destaque-se aquela em que o Director Regional da Cultura do Norte, Dr. António Ponte abordou, não só sobre as atuais obras para a criação de uma nova estrutura de acolhimento para os visitantes do Mosteiro de Arouca, como também sobre as futuras obras para a instalação de uma unidade hoteleira na ala sul deste Mosteiro, integrada no Programo governamental “Revive”.

contrato_de_concessao_ala_sul_do_mosteiro_de_arouca_1

Lendas à janela

As lendas de Arouca, nomeadamente algumas daquelas que se referem ao seu Mosteiro, fizeram parte também do programa digital desta recriação histórica de 2020.

Além da “lenda de Soror Rosimunda”, interpretada pelo grupo cultural e recreativo de Rossas, também a “Lenda das pegas” na interpretação do Teatro Experimental de Arouca, foi enviada para o espaço digital, tal como a história do “Preto de Terçoso”narrada pelo ator Philippe Leroux, junto ao fontanário dos claustros.

Interpretadas em espaços conventuais, por artistas de Arouca, estas lendas acabaram também por enriquecer o programa digital desta recriação histórica, dirigida essencialmente a um público que permaneceu em suas casas, mas que certamente não deixou de acompanhar, com muito interesse, na janela do seu computador ou da sua televisão, o programa especial que para ele foi preparado devido às contingências pandémicas que afetaram a normalidade das atividades, quer sejam elas culturais, sociais, religiosas ou económicas.

A história do Mosteiro de Arouca em 3 episódios

A grande novidade desta Recriação Histórica em formato digital foi, certamente, a realização de uma minissérie em 3 episódios, produzida em espaços conventuais para os espaços digitais onde foi acompanhada com muito interesse, sobretudo nas redes sociais.

Com um guião muito bem pensado, com a boa interpretação dos intervenientes e a sua boa adequação aos espaços conventuais podemos dizer que a realização desta minissérie foi a cereja sobre o bolo desta recriação histórica.

minissérie

Contando com a participação de 55 atores locais, ela encerrou, assim, em beleza digital, uma recriação histórica que ficará certamente para a história, esperando que a próxima edição supere em participação popular aquilo que faltou, justificadamente, à edição atípica deste ano.

José Cerca
Publicado no jornal “Discurso Directo” nº520 de  24 de julho de 2020

{ 0 comentários }

NÃO GOSTEI DO QUE VI

por jcerca em 2 de Julho de 2020

A nova entrada de acesso ao Mosteiro de Arouca

É natural que qualquer intervenção num edifício histórico, como o é o Mosteiro de Arouca, nunca seja pacífica e esteja sempre sujeita à diversidade de opiniões. Foi o que aconteceu com as obras de requalificação no Centro histórico de Arouca, nomeadamente com a intervenção na praça Brandão de Vasconcelos, mesmo ao lado do Mosteiro de Arouca. É o que acontecerá, naturalmente, com as obras de adaptação para a instalação de uma pousada em espaços deste Mosteiro, de acordo com o projeto “Revive”. E é o que está a acontecer com as obras, ainda a decorrer, para a “Instalação de uma Estrutura de Acolhimento ao visitante” que passará a ser a nova entrada de acesso ao Mosteiro de Arouca e ao Museu de arte sacra nele instalado há cerca de 70 anos.

IMG_2028

Na visita que fiz recentemente a essas obras fiquei desgostoso com a opção que os responsáveis pela elaboração deste projeto tomaram ao decidirem pintar de branco, na zona de intervenção, toda a superfície em pedra, quer das vetustas paredes deste Mosteiro, quer dos seus belos arcos que as suportam.

A localização do elevador que conduzirá os visitantes do rés-do-chão até ao 1º e 2º pisos pareceu-me bem escolhida e adequada, bem como as rampas para a mobilidade de deficientes. O espaço para a instalação de casas de banho pareceu-me correcto e funcional. A preservação de um troço da parede mais antiga deste Mosteiro, possivelmente do sec.XII, e que ficará protegida por um separador de vidro, pareceu-me muito positiva e interessante.

IMG_2024

Embora ainda em fase de conclusão e apesar de todos estes aspetos positivos, não posso deixar de referir que me chocou a pintura em branco que observei sobre o granito, quer das paredes, quer dos arcos presentes naquela zona de intervenção. Sendo o Mosteiro de Arouca um dos maiores mosteiros em granito não se compreende como é que se vai ofuscar a beleza de tanta pedra com a sua pintura em branco.

Dir-me-ão que esta pintura em branco será para estabelecer um maior contraste com o preto da madeira que revestirá parte deste espaço. Mesmo assim, não ficarei convencido, pois o melhor contraste seria, isso sim, entre a naturalidade rústica da pedra e a macieza suave da madeira.

 

IMG_2025

Acredito que os técnicos que optaram por esta solução, que obviamente até veio encarecer mais a obra, lá terão as suas razões, mas quem estava habituado a ver a beleza de tanto granito em estado rústico, certamente que irá ficar desiludido com esta capa branca com que foi coberto e dificilmente encontrará uma razão para tal opção. Aliás, se a parede primitiva vai ficar ao natural – e muito bem – por que motivo não ficarão ao natural também as restantes paredes e sua arquearia?

IMG_2022

A cerca de dois meses para o fim das obras, bem gostaria de mudar de opinião, ao ver o resultado final desta intervenção, mas parece-me difícil que tal venha a acontecer pois, embora seja um leigo em arquitetura, parece-me que a beleza de todo aquele espaço, que funcionará como estrutura de acolhimento, ficará gravemente prejudicada com a capa de branco com que esconderam a genuidade do granito.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº519 de  1o de julho de 2020

 

 

{ 1 comentário }

ENCERRAMENTO DO MÊS DE MAIO EM AROUCA

por jcerca em 3 de Junho de 2020

covid-2-890x512

Tudo tem sido atípico na nossa sociedade, desde que foi decretado o confinamento obrigatório devido à pandemia que, oriunda da cidade de Whuan, na China, tem vindo a alastrar por todo o mundo.

Devido a isso, a vida normal a que todos estávamos habituados sofreu uma enorme alteração, nunca vista, nem sentida e que acabou por afetar todos os sectores de qualquer sociedade.

E nem o sector religioso escapou a esta alteração o que obrigou mesmo ao encerramento dos locais de culto para evitar a propagação do Covid-19.

O mês de maio, tipicamente dedicado a Nossa Senhora, foi também ele afectado, não só no dia 13, tradicionalmente dedicado à maior peregrinação nacional e internacional a Fátima, como também nos restantes dias, onde era tradição a reza do terço em numerosas capelas espalhadas pelo país. E em Arouca aconteceu o mesmo.

 Peregrinação itinerante

 Face a todas essas contingências muitas comunidades cristãs, não só de Arouca, como também de todo o País, organizaram, no fim do mês de Maio, peregrinações com o andor de Nossa Senhora transportado em veículo motorizado.

Tais peregrinações aconteceram também em quase todas as paróquias de Arouca, sobretudo nos dias 30 e 31 de maio, data em que os espaços de culto voltaram a ser reabertos, para a celebração de uma das principais festas católicas, a festa do Pentecostes, considerada a festa do aniversário da Igreja, pois foi nesse dia que ela, após a descida do Espírito santo sobre os primeiros cristãos, começou a expandir-se por todo o mundo.

Andor de NSenhora_RossasApesar dos espaços de culto terem sido reabertos no último fim de semana de maio, com várias exigências de higienização, as procissões não estavam permitidas e por isso, em alternativa, em quase todas as paróquias de Arouca a imagem de Nossa Senhora de Fátima percorreu as principais ruas de cada paróquia, umas no sábado, outras no domingo, umas durante o dia, outras durante a noite.

Esta procissão inédita foi bem acolhida pelas pessoas que a ela se associaram das mais diversas maneiras.Muitas casas iluminaram as suas fachadas,nalgumas janelas acenderam-se velas, de algumas varandas penduram-se colchas e, nalgumas ruas, à passagem de Nossa Senhora de Fátima, eram lançadas pétalas sobre o seu andor.

IMG_1928

Registe-se que a GNR não manifestou qualquer obstáculo a esta expressão de religiosidade popular e que a Junta de Freguesia de Arouca-Burgo colaborou com o transporte do andor de Nossa Senhora pelas ruas da respetiva Freguesia.

O Terço da Esperança

Uma outra iniciativa que, pela sua originalidade, teve bastante eco em muitos média de âmbito nacional e até mesmo internacional, surgiu na Freguesia de Mansores que mobilizou toda a sua comunidade para a construção de um “Terço da Esperança” no seu verdejante vale agrícola e que, pela sua enorme dimensão, era visível do céu.

Mansores_Nossa Senhora no vale

No dizer do presidente da Junta de Freguesia de Mansores , Jorge Oliveira a ideia deste Terço gigante surgiu “para homenagearmos a Nossa Senhora, Maria Imaculada, neste mês de maio, e rezarmos pelas vítimas da COVID-19″,utilizando como pano de fundo o belíssimo vale agrícola de Mansores”.

O desenho deste terço giganteera constituído por fardos de palha plastificados em branco e demorou mais de sete horas a ser executado, com o apoio de alguns tratores. A completar tal terço a imagem de Nossa Senhora, pintada numa tela também branca e que vista de cima, através do recurso a drones, apresentava uma imagem muito bela e artística deste original “Terço da Esperança”.

Em pouco tempo tais fotografias aéreas do vale de Mansores, com o seu gigante Terço, captado do céu, espalharam-se pelas redes sociais e captaram depressa a atenção de muitos médias que fizeram eco desta iniciativa, não só a nível nacional, como também internacional.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº517 de  12 de junho de 2020

{ 0 comentários }

A TÍLIA DA PRAÇA – Cancelamento da Apresentação

por jcerca em 15 de Março de 2020

Escrita a partir do derrube de alguns dos maiores choupos no parque municipal em 2005, durante o último mandato do Dr.Armando Zola, “A Tília da Praça”, da autoria de José Cerca e com ilustrações de José Costa Gomes, é uma narrativa que percorre diversos espaços arouquenses, e que constitui mesmo um excelente subsídio pedagógico de motivação para a celebração do Dia da Árvore e da Floresta nas nossas escolas.

Ao longo da narrativa, o leitor poderá ainda conhecer, em contexto escolar, duas das mais conhecidas lendas de Arouca: a lenda da Senhora da Mó e a lenda das laranjeiras do Burgo, amaldiçoadas pela Rainha Santa Mafalda.

IMG-20200312-WA0009

A apresentação pública desta obra estava prevista para o dia 21 de março, na Loja Interativa de Turismo de Arouca , mas perante a pandemia do COVID-19 o Município de Arouca acionou o plano de contingência e cancelou todas as atividades e eventos culturais, de forma a evitar a propagação do vírus. Neste sentido a projetada sessão de apresentação desta obra foi também cancelada devendo ser agendada, oportunamente nova data a definir.Capa_tilia da Praça

De qualquer maneira, o livro poderá ser já adquirido, quer junto do autor, quer na internet, na página da editora, bem como nas livrarias locais.

Exposição das ilustrações

 IMG-20200312-WA0006

A narrativa de “A Tília da Praça” foi enriquecida com ilustrações do professor arouquense José Costa Gomes e que estarão patentes ao público na Biblioteca Municipal, até ao fim do mês de março.

A abertura da exposição teve lugar no dia 11 de março, mas sem a presença dos alunos do ilustrador, como estava inicialmente previstos , por motivos de precaução, relacionados com a propagação do vírus. Por esse motivo a abertura da exposição teve lugar apenas com a presença do autor e do ilustrador do livro, bem como da vereadora do Pelouro da Cultura e demais pessoal técnico da Biblioteca Municipal.

{ 0 comentários }