Causou verdadeira decepção, para não dizer revolta e indignação em todos os arouquenses a notícia de que as obras da 2ª fase da Variante, integradas na Concessão Vouga, não iriam estar contempladas no Orçamento da República a aprovar na próxima 4ª feira, mesmo depois desta fundamental obra para todo o Município de Arouca nos ter sido prometida pessoalmente pelo Chefe do Governo, no Verão passado, quando aqui se deslocou em campanha eleitoral.
Daí que a indignação seja ainda maior, perante a falta de palavra do Primeiro Ministro e do próprio partido do Governo.
Para quem trabalha em Arouca e para os arouquenses que trabalham fora de Arouca esta é uma obra de suma importância e que corre o risco de, mais uma vez, ficar adiada, não obstante todas estas promessas e garantias dadas publicamente e por quem de direito.
Todos pela 2º Fase da Via Estruturante Arouca-Feira
Lutar por aquilo a que temos direito e que publicamente nos foi garantido é, não só uma urgente necessidade, como um dever de todos os arouquenses, independentemente das suas opções politico-partidárias.
Está neste momento a correr numa das redes sociais da internet (Facebook) a recolha de elementos para aderirem ao grupo “Todos pela 2º Fase da Via Estruturante Arouca-Feira” e hoje à tarde será apresentada à comunicação social , no Hotel S.Pedro, as reivindicações deste movimento cívico.
Desta incansável luta todos ficaremos a ganhar, sem qualquer pretensão de se colherem dividendos, sejam quais forem eles. O único dividendo aceitável desta luta é contribuir para o justo e merecido bem-estar de toda uma população distante, desde há tantos anos, das rápidas vias de comunicação rodoviária.
Propostas de solução
Entendemos que as reivindicações, num caso como este, não podem ficar limitadas ao folclore mediático do corte de estradas, de manifestações mais ou menos ruidosas à frente da Assembleia da República ou do boicote e actos eleitorais.
Como se trata de falta de dinheiro para concluir uma obra, com menos de duas dezenas de quilómetros, a solução passa, obviamente, pela redistribuição de verbas dentro do bolo orçamental.
Já que se conseguiu uma surpreendente união solidária (mais politica e vingativa do que solidária, cremos nós) da oposição em relação à Madeira, pensamos ser dignos também desse generoso olhar da oposição no momento da aprovação do Orçamento de estado e no que se refere à conclusão da Variante.
Variante: a porta de entrada no Geoparque Arouca
Tendo o Município de Arouca saltado, nos dois últimos anos, para a ribalta internacional e mundial, graças à riqueza e diversidade geológica do seu Geoparque, que entrou na Rede Europeia de Geoparks, trazendo elevado prestigio científico e cultural para o nosso País, não entendemos mesmo esta falta de palavra dos nossos Governantes no que se refere à conclusão desta tão ansiada obra.
Embora esta obra não seja em função do Geoparque, mas sim para justo e merecido benefício de toda uma população, tão isolada das principais vias rápidas, a verdade é que têm sido numerosos os cientistas que o Geoparque tem trazido a Arouca, além de numerosos turistas que, de ano para ano, têm vindo a aumentar e a deparar-se com as reais dificuldades de acesso a uma terra cultural e historicamente tão rica, paisagisticamente tão bela e gastronomicamente tão sedutora.
O Orçamento da Assembleia da República
Como dizia sempre um amigo meu, perante qualquer obra com que se deparasse para realizar, “o dinheiro já está feito, preciso é juntá-lo” também no caso da Variante se poderia dizer o mesmo. O dinheiro existe, o que é preciso é redistribuí-lo justa e equilibradamente.
Dentro do imenso bolo que é o Orçamento do Estado, e sem me considerar minimamente perito no assunto, olhemos apenas para uma dessas substanciais fatias: a do Orçamento para a Assembleia da República, onde estão todos aqueles políticos que elegemos nas últimas eleições e que deveriam representar e zelar pelos interesses dos seus eleitores.
Pois, para sustentar o funcionamento da Assembleia da República, os nossos políticos acautelaram a módica quantia de 191 405 356, 61 Cêntimos (191 Milhões 405 mil 356 Euros e 61 cêntimos) segundo consta na Folha 372 do Diário da República nº 28 – 1ª Série – de 10 de Fevereiro de 2010.
Agora dividam este belo número por cada um dos deputados e vejam o resultado!
Só para curiosidade, seguem algumas rubricas orçamentais que podem dar uma maior transparência a este orçamento da AR e que constam da Resolução da Assembleia da República nº 11/2010,publicada no referido Diário da República:
1 – Vencimento de Deputados : 12 milhões e 349 mil €
2- Ajudas de Custo de Deputados: 2 milhões e 724 mil €
3 - Transportes de Deputados: 3 milhões 869 mil €
4 – Deslocações e Estadas: 2 milhões e 363 mil €
5 – Assistência Técnica: 2 milhões e 948 mil €
6 - Outros Trabalhos Especializados: 3 milhões e 593 mil €
7 – Serviço restaurante, refeitório, cafetaria: 961 mil €
8 – Subvenções aos Grupos Parlamentares: 970 mil €
9 - Equipamento de Informática: 2 milhões e 110 mil €
10 – Outros Investimentos:2 milhões e 420 mil €
11 – Edifícios: 2 milhões e 686 mil €
12 – Transfer’s Diversos:13 milhões e 506 mil €
13 – subvenção aos partidos representados na AR:16 milhões e 977 mil €
14 -subvenções para campanhas eleitorais:73 milhões e 798 mil €
A solução para a Variante
Se a crise a todos diz respeito e por todos deve ser partilhada e não apenas para alguns, a solução para a conclusão da 2ª fase da Variante seria fácil de se encontrar se ao substancial bolo do orçamento da Assembleia da República que totaliza 191 405 356, 61 Cêntimos fosse deduzido uns míseros 10% . Por que motivo o apertar do cinto não começa por aqueles que nos representam na Assembleia da Republica?
Mas se os 10% não chegassem por que não abdicar este ano do 13ºmês de todos os políticos e funcionários do estado com vencimentos superiores a 1500€?
Afinal, o dinheiro existe. Falta é coragem e justiça na sua distribuição.
José Cerca
Só para recordar promessas e mais promessas:
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