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Afogados em papel

17 de Julho, 2008

Li recentemente que os bilhetes de avião em papel vão deixar de existir no fim de Junho, em muitas empresas de aviação que passarão a utilizar apenas bilhetes electrónicos.

Calcula a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), que engloba 240 companhias aéreas em todo o mundo, que tal medida representará uma poupança na ordem dos 2.200 milhões de euros por ano e evitará o abate de 50 mil árvores.

Ora aí está uma medida economicamente inteligente e ecologicamente eficaz e oportuna, que bem mereceria ser seguida por muitos sectores da nossa sociedade, a começar pelas escolas e repartições públicas.

Numa altura em que a informatização da sociedade vai avançando, numa altura em que concursos públicos, declarações de IRS e outros procedimentos administrativos, vão sendo feitos, cada vez mais, electronicamente, poupando resmas e resmas de papel e evitando o abate de centenas de árvores, não se compreende que nas escolas, que deveriam ser as instituições mais vocacionadas para promover estas medidas económicas e ecológicas, junto dos alunos, os professores se vejam, cada vez mais, literalmente afogados em papel, muitos dos quais ninguém lerá.

Como instituição formadora das novas gerações, caberá à escola, a começar pelos seus professores e pessoal administrativo, ir libertando-se, sempre que possível, da informação em suporte papel, em benefício daquela em formato electrónico ou digital.

É que, de facto, esta é mais fácil de utilizar, é mais barata e poupa milhões de euros e de….. árvores.

José Cerca

Artigo publicado no “Jornal de Arouca” nº722 de 15 de Julho 2008

Monumento às trilobites

1 de Julho, 2008

“A big moment for Arouca”


“Ao falarmos de fósseis estamos a referirmo-nos a restos ou vestígios de seres vivos que viveram em épocas geológicas mais ou menos remotas e que ficaram preservadas nas rochas que então se formaram. Desta forma, a sua descoberta e estudo científico contribuíram para o conhecimento e compreensão de diversos capítulos da História da Vida na Terra”.

Carlos Dias

Das pedras parideiras às trilobites

Logo do Geoparque AroucaFoi devido à descoberta deste tipo de fósseis - as trilobites - na louseira de Canelas que Arouca despertou a atenção da comunidade científica internacional, passando a dar-lhe notória visibilidade também no campo científico.

Se já antes das trilobites, o fenómeno geológico das pedras parideiras, no lugar da Castanheira, em plena Serra da Freita, despertara a curiosidade científica, a descoberta de raros exemplares destes fósseis do período Ordovícico, em Canelas, acabaria por redobrar e alargar essa atenção científica internacional.

Como corolário de tudo isto, surge o projecto do “Geoparque Arouca” em que o Município tem vindo a colocar todo o seu empenho.

A big moment for Arouca

Foi perante o Salão Nobre da Câmara Municipal de Arouca, completamente cheio, que no passado dia 17 de Junho, o Município deu as boas vindas a um conceituado grupo de especialistas mundiais em Geologia, oriundos da França, Alemanha, República Checa, Inglaterra, Escócia, China, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Argentina, Estónia, Noruega, Espanha e Portugal.

Foram 47 investigadores no âmbito da Geologia que participaram na 4.ª Conferência Internacional de Trilobites, a “Trilo 08″ que decorreu em Toledo, Espanha e que, como trabalho de campo prévio, se deslocaram a Arouca, antes do início dessa conferência, para tomarem contacto com os fenómenos geológicos das trilobites, das pedras parideiras e das pedras boroas.

Durante a recepção oficial a este grupo de cientistas, que manifestou todo o seu apoio à candidatura do projecto “Geoparque Arouca” às redes Europeia e Global de Geoparks, tomaram posse os corpos sociais da Associação Geoparque Arouca (AGA) que passará a ser, a partir de agora, a entidade responsável pelas acções do projecto, sendo seus principais objectivos conservar, valorizar e promover o património natural e geológico, bem como a promoção turística do Concelho.

O Prof. Dr. Artur Sá, coordenador científico do Projecto do”Geoparque Arouca”, considerou este momento, um grande momento para Arouca, para Portugal e, sobretudo, para o projecto que coordena há cerca de dois anos e meio.
Por sua vez, o Presidente da Câmara, Eng. Artur Neves, manifestou a esperança de que, no próximo ano, possamos contar com a chancela da Unesco a validar, finalmente, o projecto Geoparque Arouca.

“Vida: uma biografia não autorizada”

Estando a decorrer, no presente ano, as comemorações do Ano Internacional do Planeta Terra, fez parte da mesa que se constituiu para a recepção do grupo de investigadores, no âmbito da geologia e que visitaram Arouca nos dias 17 e 18 de Junho, a Prof. Dr. Maria Helena Henriques, coordenadora da Comissão Executiva do Comité Português para as comemorações do Ano Internacional do Planeta Terra.

Além dela, do Coordenador do Projecto do Geoparque e do Presidente da Câmara fez também parte da mesa Richard Fortey, considerado uma sumidade internacional no mundo geológico e autor do best-seller Vida: uma biografia não autorizada”.

Nessa obra, já traduzida em Português, mas ainda não existente na Biblioteca Municipal, o cientista Richard Fortey apresenta a história dos últimos quatro biliões de anos de vida na Terra, desde quando a Terra era um globo desolado, girando no espaço até à origem do Homo sapiens.

Refira-se que Richard Fortey é paleontologista do Museu de História Natural de Londres e membro da Royal Society, sendo também autor de vários livros científicos.

O monumento às trilobites

Desde que as rotundas foram inventadas, muitas delas têm sido, em qualquer terra que as possua, espaços dedicados a personagens ou a temas característicos da região em que se situam.

Aconteceu isso também em Arouca, na nova rotunda situada no cruzamento, a seguir ao Hotel S. Pedro.

Após a sessão solene de recepção, no Salão Nobre da Câmara Municipal, seguiu-se a cerimónia de inauguração do monumento às trilobites, localizado na referida rotunda.

Construído com duas enormes lajes de ardósia de Canelas, nas quais foram afixadas algumas reproduções de trilobites em metal, que se espera não venham a ter o mesmo destino que tiveram os potentes binóculos da Freita, este monumento veio embelezar mais uma das rotundas de Arouca com um motivo adequado à região e arquitectonicamente bem concebido, destacando assim uma das temáticas que está a projectar Arouca internacionalmente, no campo cientifico, através de alguns dos seus raros fenómenos geológicos, nomeadamente o das trilobites.

Trilobites & Arte

Este “big moment for Arouca” terminou com a inauguração de uma exposição, subordinada à temática das trilobites e que contou com a presença de trabalhos de expressão plástica do português Carlos Dias, bem como uma interessante colecção de trilobites, muitas das quais por ele recolhidas em Valongo.

Nessa exposição, aberta ao público na delegação de Turismo de Arouca, até dia 15 de Julho, está também presente um conjunto de trabalhos do checo Radko Saric, inspirados no fascinante mundo das trilobites.

Perante tão variado grupo de cientistas, atraídos a Arouca pelos seus fenómenos geológicos, o Município não poderia, de modo algum, deixar de os brindar com um Porto de honra, acompanhado da nossa variada doçaria conventual e regional.

Foi deste modo que terminou este “big moment for Arouca” no passado dia 17 de Junho.

José Cerca

Artigo publicado no “Jornal de Arouca” nº721 de 1 de Julho de 2008

Centro Juvenil Salesiano de Arouca

27 de Junho, 2008

Apresentação do Projecto de OTL

A ocupação formativa dos tempos livres de crianças, adolescentes e jovens, no período de férias, é uma necessidade que vai ao encontro da preocupação de muitos pais.

Consciente disso e sabendo que as actividades recreativas, culturais e desportivas podem ser uma das maneiras de ocupar formativamente o tempo livre de jovens, desviando-os da ociosidade perigosa, do sedentarismo prejudicial e desenvolvendo, ao mesmo tempo, muitas das suas potencialidades, o Centro Juvenil Salesiano, seguindo a pedagogia de D.Bosco, organizou, durante as férias de Verão, um conjunto de actividades com o objectivo de ocupar crianças e jovens no período não escolar.

Academia Cultur’arte


Aproveitando a presença de duas estagiárias do Instituto Politécnico de Viseu, a Carla Susana e a Joana que elaboraram o Projecto “Academia Cultur’arte” a implementar no Centro Juvenil, em colaboração com outros animadores, foi feita no passado dia 20 de Junho, no auditório dos Bombeiros de Arouca, a apresentação desse projecto aos pais dos inscritos.

Segundo esse projecto, pretende-se proporcionar às crianças e jovens um conceito diferente de Ocupação de Tempos Livres, fazendo desses tempos livres, espaços formativos e enriquecedores, quer individual, quer colectivamente, baseados no brincar, no criar, na exploração, na descoberta. As crianças terão a oportunidade de explorar variadas áreas, desde o teatro, o desporto, a música, até à expressão plástica, e actividades de ar livre, entre outras.

Presente Cultural

De entre as várias actividades, a programar semanalmente, foi referida a ideia do “presente cultural” que cada criança levará para casa, no final do dia.

Exemplos desses presentes poderiam ser a apresentação em casa, de um truque ou de uma habilidade, narração de uma história, reprodução de uma anedota, de um provérbio, de uma curiosidade, entrega de um texto livre ou de um desenho, elaborados durante o dia. Tais presentes teriam como objectivo, não apenas desenvolver a expressão oral, a criatividade e a auto-estima das crianças, mas também promover uma maior ligação entre o OTL e a família.

Depois da apresentação do Projecto elaborado pelas estagiárias, foi feita pela animadora Carla Costa, que coordenou o OTL do Verão passado, uma breve retrospectiva, apoiada na projecção de imagens, das principais actividades então realizadas.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo” nº 7 de 27 de Junho 2008

No mundo da Blogosfera

17 de Junho, 2008

Quem, como eu, assistiu ao nascimento e ao rápido desenvolvimento da informática na nossa sociedade; quem, como eu, acompanhou o início do aparecimento da Internet e a sua vertiginosa expansão por todo o Planeta; quem, como quase todos nós, que crescemos e vivemos no mundo da digitalização e na sociedade da informação; quem como eu e quase todos nós, que presenciámos e continuamos a acompanhar o fenómeno da massificação do telemóvel, com o seu rápido aperfeiçoamento e com as suas irresistíveis sofisticações técnicas e comunicativas; quem há que não tenha já, não só presenciado e constatado, como também vivido e sentido muitos fenómenos interessantes dentro desta sociedade da informação e da comunicação em que todos vivemos.

E um desses fenómenos é o fenómeno da blogosfera que se implantou definitivamente no ciberespaço, continuando a atrair a si milhões de bloguistas nesta pequena aldeia global em que vivemos.

Aliado ao envio de SMS pelos telemóveis, o fenómeno da blogosfera é um fenómeno tão interessante como poderoso, não só no campo da mobilização, como no campo da influencia de opiniões e para o qual o poder político começa agora, lentamente, a aperceber-se dessa força na sociedade.

Basta ver o que aconteceu com a mobilização de centenas de professores através da multiplicação, em série, de SMS enviados para e por telemóveis.

Basta ver a quantidade e variedade de opiniões, por exemplo, sobre a avaliação dos professores e a força de muitas delas, surgidas em dezenas de blogs e rapidamente replicadas e comentadas em muitos outros.

O mundo da blogosfera é, de facto, uma poderosa e incontornável força que está a surgir na sociedade da informação e da comunicação e que é a expressão, não só da liberdade que os cravos de Abril vieram trazer à sociedade portuguesa, como também a expressão do exercício de cidadania que a democracia a todos oferece.

Oxalá que todos os inúmeros bloguistas, exprimindo as mais diversas opiniões e possuindo as mais diferentes convicções, quer religiosas, quer políticas, saibam pautar a sua postura no mundo da blogosfera dentro destes dois parâmetros: o da responsável liberdade e o da sã cidadania.

*****

Aproveito para saudar deste “Meu Mirante” todos os arouquenses que, em diversos blogs, vêm intervindo na sociedade arouquense, através de notícias, comentários e opiniões sobre a realidade da sua terra.

Saúdo, igualmente, todos aqueles que exercem a sua cidadania, escrevendo e opinando, nos meios de comunicação local, nomeadamente na Rádio Regional de Arouca, no “Jornal de Arouca” e no “Roda Viva”, bem como nos diversos portais noticiosos da Internet.

E saúdo, igualmente, todos aqueles que, através do novo Semanário de Arouca, irão contribuir para ver, ouvir e ler em “Discurso-Directo” todos os sinais de progresso e de desenvolvimento da sociedade arouquense a que pertencem.

José Cerca


A Semana Cultural e as Escolas

14 de Junho, 2008

Teatro para a comunidade escolar

Sendo o livro e a leitura elementos fundamentais no desenvolvimento de qualquer sociedade, a Feira do Livro, realizada em Arouca, desde há 13 anos, numa iniciativa da Câmara Municipal de Arouca, tem congregado à sua volta um conjunto de eventos culturais, desde exposições, concertos, palestras, teatro e cinema.

E sendo as Escolas de Arouca aquelas entidades com maior responsabilidade na formação, desenvolvimento e incentivo cultural, não se poderia conceber que elas continuassem alheias a este conjunto de eventos a que, habitualmente, se tem designado por Semana Cultural.

Além da participação com diversos trabalhos de expressão escrita e plástica sobre o património de Arouca, nomeadamente o que se refere às trilobites de Canelas e ao Geo-parque de Arouca, as escolas apresentaram, às diversas comunidades escolares, algumas peças de teatro que traduziram, não só um grande trabalho interdisciplinar, como uma revelação mesmo de novos talentos, no âmbito musical e de expressão dramática.

“Cabe tudo na Caixa” - Agrupamento de Escolas de Escariz

Um desses trabalhos produzido no âmbito do projecto “Cabe tudo na caixa” coordenado pela professora Maria Ester Ferreira e que envolveu alunos não só da EB2,3 de Escariz, como também escolas do 1º ciclo e do jardim de infância desse Agrupamento foi baseado na peça “Pedro e o Lobo”. Além de uma exposição com trabalhos de expressão plástica produzidos a partir da abordagem dessa obra, foi realizada uma Apresentação multimédia sobre o desenvolvimento do projecto nos jardins de infância e foi levado ao palco a representação dramática dessa história de Prokofiev.

“Instrumentos musicais” - Escola E.B.2,3 de Arouca

Tendo também como tema a música e por cenário e adereços alguns instrumentos musicas, artisticamente desenhados, não só no cenário, como na própria vestimenta das personagens, também a Escola E.B.2,3 de Arouca marcou presença no palco dos Bombeiros Voluntários de Arouca, com a representação de duas peças, levadas a cabo pela turma do 5ºD.

As peças apresentadas, “O chorão” e “Os instrumentos musicais” foram ensaiadas pela professora Susana Fonseca em tempos livres dos alunos, a partir de textos adaptados pela professora de Português Rosa Maria Oliveira.

De acordo com a opinião da ensaiadora, estas peças foram fruto, não só da carolice, como também do entusiasmo dos próprios alunos que se disponibilizaram, fora do horário lectivo, a apresentaram estas peças à comunidade escolar.

Iniciação ao teatro - Escola Secundária de Arouca

Possuindo no seu currículo a disciplina de teatro nos 7º e 8 anos, a Escola Secundária de Arouca, apresentou também às diversas comunidades escolares, sobretudo do 1º ciclo e jardins-de-infância, algumas peças ensaiadas não só no âmbito da Disciplina de teatro, mas também integradas no Plano Nacional de Leitura.

Foi o caso do conto “A Estrela” de Virgílio Ferreira. Fazendo parte das leituras integrais do Programa de Português do 7º ano, este conto mereceu uma interessante abordagem dramatizada no palco, feita por alunos do 7ºB da ESA, sob a orientação da professora Ana Guimarães. Tratou-se efectivamente de uma leitura bastante motivadora desse conto, tanto mais que, ao entrar no campo do maravilhoso, despertou uma renovado interesse junto da plateia infantil a quem ele se dirigia.

Uma outra peça também adaptada ao nível etário da assistência foi a representação de “O vendedor de gelados” da escritora Esther de Lemos e levada ao palco pela turma do 8ºB, sob orientação e ensaio da respectiva professora de teatro, Isabel Oliveira.

Através desta representação, conseguiram os pequenos artistas transmitir, ao numeroso público infantil, a mensagem da solidariedade, da amizade e da felicidade que brota dessa mesma solidariedade.

Por sua vez, a turma do 8ºD, sob a orientação da mesma professora, apresentou a “Caça ao Talento“. Com texto escrito por uma das alunas e intérprete da mesma peça, Diana Catarina Pinho, esta divertida representação, além de oferecer momentos humorísticos, serviu também para revelar alguns talentos no campo da música e da expressão dramática.

Ler uma peça de teatro, adaptá-la, escolher os personagens adequados e ensaiá-la para a apresentar em palco leva o seu tempo e exige esforço, paciência e muita dedicação. Foi o que fez a professora Márcia Ferreira com a peça “O Colar” de Sophia de Mello Breyner, na turma do 8ºA da disciplina de teatro.

Desse trabalho que contou também com a colaboração da professora de Português, Ana Isabel Jesus, resultou mais uma subida ao palco de alunos da ESA.

No final do espectáculo os pequenos artistas, questionados por diversos elementos da plateia, manifestaram a sua opinião sobre esta sua experiência de pisarem um palco, tendo todos eles considerado isso como uma “experiência gratificante” e uma maneira diferente de “se expressarem e de conviverem com as pessoas”.

“A lenda da sopa de pedra” - Aicia

Ainda dentro do teatro, embora num outro nível e num contexto um pouco diferente, refira-se, finalmente, a presença de um pequeno grupo de artistas especiais da Aicia que apresentaram no palco o conhecido e engraçado conto da sopa de pedra.

Tanto esta, como as restantes experiências no campo da dramatização, foram um belo contributo às comunidades escolares e que permitiram não só trazer para fora das escolas muito do trabalho que lá se realiza, como também se transformaram numa ocasião e num estímulo à revelação de novos talentos.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo” n.º6 de 13 de Junho de 2008