P_20180429_165551 Festival “Clip D. Bosco 2018”, de curtas-metragens, realizou-se no passado dia 29 de abril, em Mirandela, inserido na 25ª edição dos Jogos Nacionais Salesianos.

O grupo de jovens do Centro Juvenil Salesiano de Arouca, ADS e Clube Bosco foi o grande vencedor. A “curta” foi realizada por Hélder Antunes e José Gonçalves, com o título “Volte-face”. O grupo vai representar Portugal no Festiclip, em Lyon, França, em junho.

P_20180429_170722

Além do primeiro prémio, o grupo de Arouca ganhou o “Prémio Público”, ao qual foi atribuído a maior votação de likes, no Youtube.

«Não temas! Estou contigo» foi o tema que deu mote a este concurso de curtas-metragens. Os jovens arouquenses decidiram abordar um tema pouco falado na sociedade, mas ao mesmo tempo de grande importância nos dias de hoje: o abandono dos idosos e o conflito de gerações.  IMG_20180505_164800

A avaliação dos vídeos esteve a cargo dos seguintes jurados: Orlando Camacho, Administrador da Fundação Salesianos, Carlos Costa, diretor do Curso de Multimédia do Instituto Politécnico de Bragança, Irmã Linda Vieira, Filha de Maria Auxiliadora, Miguel Mendes, designer da Fundação Salesianos e Raul Campeão, animador dos Salesianos de Mirandela. Sobre a curta de Arouca, foi referido que é um trabalho com excelente imagem com um ótimo aproveitamento da luz e das sombras e que cruza três gerações em redor de um tema da atualidade, pouco falado na sociedade.

P_20180429_164924

O próximo desafio deste grupo é representar os Salesianos de Portugal no Clip Bosco em Lyon, França.

Parabéns a todos!

Um Obrigado “Salesiano” ao Professor Carlos Gonçalves pelo apoio.

 O coordenador

 Victor Cruz

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº467 de  18 de maio de 2018

{ 0 comentários }

CJSA_logo

Criada em 1962 sob a orientação do então Colégio Salesiano e designada inicialmente por “Oratório Festivo”, passou a designar-se, mais tarde, Centro Juvenil Salesiano, constituindo-se, em 1981, como Associação Cultural e Recreativa.

Com 56 anos de existência e 37 anos depois de constituída como Associação Cultural e Recreativa, o Centro Juvenil Salesiano acaba de receber a declaração de Utilidade Pública com a publicação no DR do Despacho nº3782/2018 de 3 de abril de 2018.

Um reconhecimento, aliás bem merecido,  pela sua longa história, pelo seu vasto e diversificado currículo de atividades, pelo seu trabalho educativo junto das camadas mais jovens, nomeadamente através do desporto e também pela sua ligação ao Movimento Juvenil Salesiano-MJS, através do sector do grupo dos ADS (Amigos de Domingos Sávio).

Bolo-de-aniversário2-500x375

Breve historial

A Associação do Centro Juvenil Salesiano de Arouca teve origem a partir do Oratório que os padres salesianos criaram, logo que chegaram a Arouca para abrir o Colégio Salesiano, que funcionou em instalações do Mosteiro de Arouca entre 1960 e 1982. Mas os Salesianos não se ocupavam apenas dos alunos internos do seu Colégio. Em 1962 criaram o “Oratório Festivo” para a ocupação formativa dos tempos livres dos jovens.

Sobretudo aos Sábados e Domingos, o Oratório reunia muitas crianças e jovens com atividades desportivas, recreativas e catequéticas.CJS-logotipo_reduz

Tendo funcionado nos primeiros tempos na Botica do Mosteiro, passados alguns anos o Oratório passa a designar-se por Centro Juvenil Salesiano passando a ocupar um espaço mais amplo na ala poente do Mosteiro virada para o terreiro de santa Mafalda.

Embora o desporto fosse uma das atividades principais outras existiam tais como o teatro, a música, o canto, o cinema, a ação formativa, social e  catequética.

Nessa altura o Centro Juvenil chegou a ser o principal fornecedor de jogadores para o Futebol Clube de Arouca, tal não era a dinâmica que a actividade desportiva ocupava desde então.

Para usufruir de determinadas regalias sociais e apoios estatais o Centro Juvenil Salesiano oficializa-se como Associação cultural e recreativa a 6 de fevereiro de 1981, passando a ter uma Direção eleita de entre os seus associados, orientando-se, no entanto, pelos princípios e valores segundo o espírito salesiano, tal como consta nos seus estatutos publicados no Diário da República de III Série N.º 82 de 18 de Abril de 1981.

Embora o desporto constituísse uma das principais atividades do Centro Juvenil, a verdade é que também se notabilizou pelas sessões de cinema e pelos famosos espetáculos de teatro e de variedades, que eram levadas à cena no Salão de Festas dos Salesianos, hoje transformado em Biblioteca Memorial D.Domingos de Pinho Brandão.

Após a saída dos Salesianos

Após a saída dos salesianos em Setembro de 1982, e com o encerramento do Colégio salesiano, o Centro Juvenil passa a ocupar novas instalações ainda dentro do Mosteiro e constitui com a Associação dos Salesianos Cooperadores aquilo a que habitualmente se chama de “família Salesiana de Arouca”

PENTAX DIGITAL CAMERA

Embora mantendo ainda em seu poder o espaço do Mosteiro de Arouca que vem ocupando desde há mais de três décadas, e que brevemente será destinado para a instalação de uma estrutura de acolhimento para os visitantes do Mosteiro de Arouca, em Junho de 2011 o Centro Juvenil Salesiano passou a ocupar o espaço da Escola de trânsito no parque Milénio, por proposta da Câmara de Arouca, fazendo desse espaço a sua nova sede.

Setores e modalidades atuais do Centro Juvenil

Como Associação cultural e recreativa que é, o Centro Juvenil Salesiano, nos últimos anos tem desenvolvido as suas atividades em dois grandes setores: o setor desportivo e o setor cultural e formativo.

Presentemente, o Centro Juvenil, através de diversas modalidades, movimenta cerca de 320 atletas, orientados por vários diretores desportivos da Associação.

CJSA_Futebol

Além do futebol com 120 jogadores inscritos, o CJSA alargou, nos últimos anos a sua atividade desportiva a outras modalidades, tais como o basquetebol (56),o ténis (25), o voleibol júnior (19), a natação (16), o atletismo (11), o montanhismo (9), a ginástica acrobática (41) e o BTT (16). Mas a atividade do Centro Juvenil não se limita apenas ao desporto.

Como Associação salesiana integra o Movimento Juvenil Salesiano através dos grupos formativos dos ADS e do ClubeBosco que desenvolvem atividades de cariz cultural, formativo e social.

CJSA_voleifeminino

O grupos dos ADS (Amigos de Domingos Sávio) são um dos setores do Centro Juvenil, integrados no MJS, conferindo, através das suas múltiplas atividades, quer de âmbito local, quer nacional, o verdadeiro espírito salesiano a esta Associação.

O objetivo formativo destes grupos é ajudar os adolescentes, pré-adolescentes e jovens a aprenderem a viver em grupo e a crescerem como pessoas orientados por valores cristãos, tais como a amizade, a paz, a fraternidade, a solidariedade, a alegria, a responsabilidade e o serviço aos outros.

Atualmente os Grupos ADS integram cerca de 75 jovens e adolescentes divididos em vários escalões etários, assinalados pela cor dos lenços que recebem no dia das suas promessas.  Essa cerimónia religiosa acontece todos os anos em Janeiro ou Fevereiro por altura da festa de S. João Bosco.

CJSA_ads

Este grupo, coordenado por Victor Cruz, recebe o apoio de mais 15 animadores que, a título completamente gratuito, programam e apoiam as diversas atividades desenvolvidas, no âmbito formativo, recreativo, cultural e social.

Trinta e seis  anos depois  da saída dos Salesianos, o Centro Juvenil Salesiano de Arouca, ao ver-lhe atribuída a declaração de Utilidade Pública, recebe-a, não só como uma prova do prestígio que esta Associação goza junto da comunidade local, mas  também como expressão do apreço que o Povo de Arouca continua a dedicar à obra Salesiana.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº466 de  4 de maio de 2018

{ 0 comentários }

MOSTEIRO DE AROUCA: um palco de cultura viva

por jcerca em 22 de Abril de 2018

AEPC_2018_Cartaz

Integrado no Ano Europeu do Património Cultural (AEPC) a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) promoveu o Programa “Dias do Património a Norte”, que engloba 8 concelhos do Norte do País, desde Arouca, Tarouca, Miranda do Douro, Vila Real, Barcelos, Bragança, Mogadouro e Alfândega da Fé.

Coube a Arouca dar o pontapé de saída deste vasto conjunto de eventos que decorrerão até Setembro, tendo a valorização do Património das referidas localidades como motivação central.

Na verdade e segundo o diretor Regional de Cultura do Norte, António Ponte, “pelo seu carácter e valor muito particulares e capital simbólico, os espaços patrimoniais disseminados pela Região Norte reúnem todas as condições para se assumirem como âncora de uma renovada oferta de experiências culturais e criativas únicas, dinamizando a economia, envolvendo as comunidades e valorizando de forma sustentável a sua paisagem natural e cultural”.

Promovida pela Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN), em parceria com os municípios locais, com um investimento total de cerca de 400 mil Euros, cofinanciado pelo Programa Norte 2020, através do FEDER, esta primeira sessão, realizada em Arouca, com um programa bem diversificado, totalmente centrado no Mosteiro de Arouca, revelou-se um verdadeiro sucesso.

O público escolar

O Mosteiro de Arouca foi o 1º palco deste vasto programa dos “Dias do Património a Norte”. Com um programa diversificado e cuidadosamente bem estruturado, este 1º evento não esqueceu o público escolar. Assim, a primeira actividade foi destinada a este público, através da elaboração de um jogo concebido e aplicado pela “Onda Amarela” e que levou as crianças a percorrerem os principais espaços do Mosteiro de Arouca, de uma maneira dinâmica e bem motivadora, sendo-lhe, ao mesmo tempo, fornecidas informações interessantes sobre a história e a vida no Mosteiro de Arouca.

IMG_20180421_111920

Para a grande maioria dos intervenientes neste jogo didático, percorrer os diversos espaços deste Mosteiro, desde os Claustros, à cozinha, à sala do capítulo, ao coro das freiras até à subida ao órgão ibérico, datada de 1743 foi, seguramente, uma verdadeira e entusiasmante aventura.

Pelo seu valor pedagógico pensamos que este jogo, acompanhado de um adequado guião para os professores, deveria fazer parte dos recursos educativos deste Mosteiro, de modo a poder ser replicado, ao longo do ano, com outras turmas. Este belo Mosteiro precisa e merece ser conhecido pelas novas gerações que aí encontrarão páginas da nossa história, bem como raros tesouros do nosso património.

IMG_20180421_110159

Visita guiada ao Mosteiro

Esta iniciativa permitiu que as portas do Mosteiro de Arouca estivessem abertas, durante todo o dia 21 de abril, ao público que desejasse conhecer um pouco da sua história e percorrer os principais espaços deste Mosteiro, bem como da sua cerca envolvente. E foi isso que aconteceu ao longo desta visita. Guiados por um historiador local, (Afonso Veiga) e por um conhecedor das vivências dentro deste mosteiro (José Cerca), sobretudo durante a vigência do ex-Colégio Salesiano que aí funcionou desde 1960 a 1982, os visitantes puderam, não só ir conhecer alguns dados sobre a história deste Mosteiro, como também evocar algumas vivências nos espaços outrora ocupados pelo Colégio Salesiano.

Conversar sobre Património

Este evento dos “Dias do Património a Norte” permitiu, ainda, um momento de reflexão sobre “Património e redes de saber” através de uma conversa nos claustros do Mosteiro de Arouca e em que estiveram presentes o Diretor da DRCN, António Ponte e a Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém. Estando também prevista a presença do Ministro da Cultura, esta não foi possível devido ao falecimento de um seu familiar.

IMG_4301

António Ponte referiu os diversos eventos previstos neste Projeto promovido pela DRCN e salientou a sua importância para a preservação e divulgação do rico património nas diversas localidades abrangidas. Informou ainda que as obras previstas para a instalação de uma estrutura de acolhimento no Mosteiro de Arouca se iniciarão ainda no decorrer deste ano europeu do Património Cultural.

Por sua vez, Margarida Belém, destacou a qualidade do programa organizado pela DRCN, em colaboração com as Câmaras locais, para comemorar o Ano Europeu do Património Cultural e cujo início teve lugar em Arouca. Referiu ainda que o projecto para a requalificação da ala sul do Mosteiro, de modo aí vir a ser instalada uma unidade hoteleira, está em andamento, sendo a Câmara de Arouca, uma das entidades intervenientes nesse logo e delicado processo.

IMG_4302

A conversa propriamente dita sobre património e redes de saber foi conduzida pelo Dr. Carlos Martins que foi acompanhado, nesta reflexão, pelos professores universitários João Bonifácio Serra e José Manuel Varejão.

Desta conversa destacou-se a ideia de que é importante que as pessoas sintam o património como seu. Daí a necessidade de se promover uma articulação com as escolas, com as pessoas, com as redes de saber e com as entidades locais, pois qualquer património sem pessoas é morto.

Património e gastronomia

Os mosteiros têm sempre uma forte ligação com a gastronomia, especialmente com a sua rica doçaria conventual. O Mosteiro de Arouca, como muitos outros, não foge a esta regra. Daí que na programação preparada para este 1º evento dos “Dias do Património a Norte” este item gastronómico estivesse também presente.

IMG_4319

O espaço escolhido não poderia ter sido outro senão a grandiosa cozinha conventual. Enquanto sob a sua imponente chaminé uma peça de vitela arouquesa ia assando, sob a sua enorme mesa, toda em pedra de uma só bloco, tudo estava preparado para servir a vitela assada como em outros tempos era servida para a comunidade feminina que habitava este Mosteiro cisterciense.

IMG_4324

Para conduzir este delicioso momento gastronómico ninguém melhor do que o premiado e bem conhecido chef Marco Gomes que, antes da degustação da vitela arouquesa ao público presente, manifestou o seu enorme prazer por poder estar num espaço magnífico como o é esta cozinha do Mosteiro de Arouca.

Património e música

Vários e diversificados foram os momentos musicais contemplados na programação para este evento. O primeiro foi preenchido pelo grupo “Mão Verde”, mais dirigido a um público infantil mas que acabou por contagiar todo o público que enchia a sala do Capítulo.

IMG_4311

À noite, e desta vez no magnífico cadeiral, ou coro das freiras, foi a vez do grupo “Rua da Lua” através da voz de Tatiana Pinto e do instrumental que a acompanhou, deliciar o público presente pela qualidade vocal e instrumental deste espectáculo em que a tonalidade do fado predominou e encantou.

IMG_4378

O musical do património

Se quiséssemos destacar um momento alto na variada programação deste 1º evento dos “Dias do Património” diríamos que ele foi atingido com a atuação conjunta de elementos de diversos grupos da comunidade arouquense, tais como o Grupo Etnográfico de Danças e Cantares de Fermedo e Mato, o grupo do Centro Cultural, Recreativo e Desportivo de Santa Maria do Monte, o Conjunto Etnográfico de Moldes de danças e corais arouquenses, o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arouca, e Associação de Melhoramentos de Souto Redondo.

IMG_4356

Após a entrada individual de cada um destes grupos,cantando, procedeu-se à atuação conjunto de todos eles, sob a direcção dos artistas António Serginho e Sara Yasmine. Com um trabalho desenhado em grupo, tendo como base a polifonia e as tradições locais, sendo posteriormente trabalhado musicalmente por Serginho, resultou, após 8 ensaios,  um excelente musical original, pleno de alegria e cheio de ritmo e de graça que empolgou toda o vasto público que enchia o cadeiral do Mosteiro de Arouca.

Inicialmente prevista a apresentação deste musical na escadaria monumental da ala sul do Mosteiro, por motivos meteorológicos ela acabaria por ser deslocada para o interior do Mosteiro. Mas a sua interpretação foi de tal modo empolgante que a Presidente da Câmara já garantiu que o musical será repetido na Praça, em data a anunciar oportunamente.

IMG_4359

E deste modo, com o envolvimento de elementos da comunidade arouquense e a orientação de artistas especializados, se constrói também património, mesmo que seja imaterial, como este “musical do património” que ficará certamente a assinalar bem estes “Dias do Património” que tiveram início no Mosteiro de Arouca e se prolongarão até finais de Setembro por mais outros 7 “palcos de cultura viva” escolhidos pela DRCN para assinalar 2018 como Ano Europeu do Património Cultural.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº466 de  4 de maio de 2018

{ 2 comentários }

VISITA DE ESTUDO DA ASARC

por jcerca em 24 de Março de 2018

percorreu espaços emblemáticos da história de Portugal

As visitas de estudo da Asarc são sempre uma maneira de se conviver e enriquecer culturalmente.

A última destas visitas, promovida pela aula de “Cultura e Sociabilidade da Asarc” e aberta a todos os associados, teve lugar no dia 21 de março com destino à cidade dos Templários, tendo como objetivo principal a visita ao famoso Convento de Cristo e, seguidamente, ao não menos famoso Mosteiro da Batalha.

castelo de tomar (1)

Com construção iniciada no sec.XII, o primeiro e no sec.XIV, o segundo e fazendo ambos parte do Património Mundial da UNESCO, desde 1983, a visita a estes dois lugares históricos permitiu aos alunos e associados da Asarc calcorrear importantes e emblemáticos espaços da história de Portugal, evocando momentos do seu passado histórico e admirando a beleza artística e a grandiosidade arquitectónica que ficou materializada, ao longo de vários séculos, nestes dois monumentos nacionais.

castelo de tomar (3)

Depois da subida ao castelo de Tomar, os visitantes iniciaram a visita ao Convento de Cristo, entrando e admirando a famosa charola que era o oratório privativo dos cavaleiros templários no interior das fortalezas.

Com o acompanhamento didático do professor de história, Afonso Costa, os visitantes seniores puderam apreciar a beleza arquitectónica deste espaço conventual, em forma octogonal, que apresenta uma confluência de diversos estilos, desde o românico ao gótico. Nele se pode admirar ainda alguns elementos decorativos manuelinos, bem como um importante conjunto de pinturas e esculturas quinhentistas.

charola (1)

Da charola, que no reinado de D. Manuel I passou a funcionar como capela-mor da igreja conventual, a visita seguiu para os diversos espaços do Convento de Cristo, desde os diversos claustros, à sala do capítulo, aos dormitórios, noviciado, refeitório e cozinha.  Mereceu ainda especial atenção dos visitantes a famosa janela manuelina que foi objecto, como não podia deixar de ser, de inúmeras selfies.

janela manuelina

Depois da visita a este conjunto monumental uma pausa gastronómica num dos restaurantes da região de Tomar.

O mosteiro da Batalha

No Ano Europeu do Património Cultural, designado pelo Parlamento Europeu para chamar a atenção para a importância, para a valorização e para o papel que o vasto património cultural desempenha na sociedade, esta visita de estudo da Asarc a estes dois importantes exemplares do Património Arquitectónico Nacional veio ao encontro destes objectivos, pois permitiu aos seus participantes percorrer dois dos espaços profundamente ligados à história de Portugal.

Batalha (3)

Na verdade, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais vulgarmente conhecido como Mosteiro da Batalha, está intimamente ligado a um dos períodos críticos da nossa história, nomeadamente com a Batalha de Aljubarrota e a sua construção ficou mesmo a dever-se a um voto de D.João I, enquanto Mestre de Avis, relacionado com essa vitória contra os castelhanos.

Batalha (4)

Depois de admirada a imponência exterior do edifício e o rendilhado da sua fachada principal, a visita a este monumento considerado como o expoente máximo da arte gótica em Portugal onde, inclusive, terá nascido  o estilo manuelino, começou com a visita  à capela do fundador, onde repousam os restos mortais não só de D.João I e de D.Filipa de Lencastre, como também  dos seus filhos.

Batalha (1)

Depois da visita a este que foi o primeiro panteão régio nacional e após a passagem pela igreja com três naves, os visitantes seniores percorreram os principais espaços deste mosteiro. Num desses espaços, a famosa sala do capítulo, imortalizada por Alexandre Herculano através do seu conto “A Abóbada”, puderam ver não só o monumento ao soldado desconhecido, como também a famosa imagem do “Cristo das trincheiras” que acompanhou as tropas portuguesas nos campos de batalha da I Grande Guerra.

capelas imperfeitas (1)

A visita a este belo exemplar gótico, cuja construção percorreu cerca de seis séculos, terminou nas célebres “capelas imperfeitas” mandadas construir por D.Duarte para panteão privativo  da sua família e seus descendentes.

Nesse espaço, também de forma octogonal puderam os visitantes seniores admirar o belíssimo e exuberante pórtico manuelino, diante do qual fica a capela com o mausoléu de D.Duarte e D.Leonor de Aragão.

capelas imperfeitas (3)

 José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº464 de  6 de abril de 2018

{ 0 comentários }

ANO EUROPEU DO PATRIMÓNIO CULTURAL

por jcerca em 11 de Março de 2018

Um olhar atento para o Convento de Arouca

Por proposta da Comissão Europeia, o Parlamento Europeu designou 2018 como o Ano Europeu do Património Cultural (AEPC 2018),visando, com esta iniciativa, chamar a atenção para a importância, para a valorização e para o papel que o vasto património cultural desempenha na sociedade.

Várias serão as iniciativas, quer a nível nacional, europeu ou regional, que irão surgir ao longo deste AEPC 2018. Uma delas teve lugar nos dias 9 e 10 de março e foi promovida pela Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN). Tratou-se das Jornadas Técnicas sobre “Novos modelos de gestão do património” tendo a primeira sessão (dia9) decorrido no Porto, na Casa das Artes e a segunda (dia10) no Mosteiro de Arouca.

Um novo modelo de gestão para o Convento de Arouca

Estas jornadas técnicas promovidas pela DRCN constituíram uma ocasião de reflexão, partilha e debate tendo como tema a diversidade do Património Cultural.
Em Arouca, o segundo dia destas Jornadas técnicas, decorreu em diversos espaços do Convento de Arouca. No primeiro espaço, agora designado por Biblioteca memorial D.Domingos de Pinho Brandão, decorreu não só a abordagem do novo modelo de gestão para o Convento de Arouca, ainda em desenvolvimento, como também a apresentação da proposta de um novo programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca.

Este novo modelo de gestão que consubstanciará um caso único a nível nacional, prevê a integração de três parcerias para a gestão do Convento de Arouca, nomeadamente, a Direção Regional de Cultura do Norte, a Câmara Municipal de Arouca e a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

IMG_3665

E foram representantes destas três entidades que estiveram na mesa de abertura desta sessão. Por parte da Real Irmandade esteve presente o seu novo juiz, o dr. Carlos Brito que deu as boas vindas a todos os participantes salientando a importância de se ter escolhido o Convento de Arouca para a realização do segundo dia destas Jornadas técnicas. Por parte da Câmara esteve a vereadora da Cultura, prof.Maria Fernanda Oliveira que se congratulou pela realização deste evento integrado no AEPC 2018 manifestando a sua satisfação por Arouca ter sido escolhida.

A DRCN esteve representada pelo Dr.Agostinho Ribeiro e pela Drª Elvira Rebelo que aproveitou para informar que o concurso para as obras de intervenção no Mosteiro de Arouca já está fechado e que, por isso mesmo, estão criadas as condições para as obras avançarem ainda neste ano europeu do património cultural.

IMG_3668

Refira-se que tais obras englobarão três áreas de intervenção sendo a primeira, a iniciar ainda este ano, a “Instalação de uma Estrutura de Acolhimento ao visitante”, que incluirá, não só a criação de um espaço de recepção, na zona onde outrora funcionou a sede do Centro Juvenil Salesiano, como também instalações sanitárias, um bengaleiro, um vestiário e uma loja de vendas. Atendendo às pessoas com mobilidade reduzida, está ainda prevista, nessa zona, a instalação de um elevador para o primeiro piso, tanto mais que a futura entrada dos visitantes para o Museu será feita a partir desta nova estrutura de acolhimento.

Programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca

Coube ao Dr.Agostinho Ribeiro fazer a apresentação de uma proposta para um adequado programa museológico para o Museu de arte Sacra. Na verdade, e de acordo com o protocolo de gestão tripartida já assinado, compete à DRCN a elaboração do programa museológico, o qual se encontra já em fase adiantada.

Criado em 1933, o Museu de Arte Sacra é uma instituição de natureza museológica tutelada pelo Estado, através da DRCN, estando a guarda e administração dos seus bens entregue à Real Irmandade por uma disposição legal  de 1889, anterior, portanto à  criação do próprio museu.

IMG_3677

Detentor de um acervo artístico, histórico e patrimonial de grande relevância nacional, verifica-se, contudo, e desde há muito, a necessidade de melhorar e actualizar, não só a exposição dos seus ricos objectos artísticos, como também de implementar importantes melhorias no espaço, incluindo o seu alargamento, na iluminação dos objectos e na criação de condições climáticas para a preservação dos mesmos.

Num estudo de diagnóstico feito pela DRCN, verificou-se facilmente que o actual espaço do Museu é francamente deficitário e ultrapassado, quer na forma expositiva, quer no discurso museológico. Constata-se, por outro lado, a inexistência de recursos humanos adequados para as respectivas funções museológicas desta instituição. Acrescente-se a isto a falta de um quadro de pessoal qualificado, a insuficiência de recursos financeiros para a obtenção dos objectivos institucionais e ainda a ausência de um regulamento adequado para o seu funcionamento. Por outro lado, o circuito expositivo e de visita precisará de sofrer algumas alterações, de modo a melhorar a movimentação espacial dos próprios visitantes.IMG_3676

De acordo com o estudo, ainda em fase de elaboração, para a criação de um adequado e moderno programa museológico para o Museu do Mosteiro de Arouca, a nova disposição do seu acervo assentará em três pilares fundamentais. O primeiro versará a vida do Mosteiro, o segundo centrar-se-á nos testemunhos de fé e o terceiro pilar reunirá os objectos artísticos sobre a glorificação do divino.

Embora distribuído pelos 3 pisos, o acervo do Museu organizado segundo estes três pilares temáticos, prevê-se a criação de outros espaços de apoio ao Museu, tais como um auditório, uma sala para os serviços educativos, uma sala para exposições temporárias, um espaço para reservas do Museu, bem como uma Estrutura de Acolhimento ao visitante.

IMG_3669

Depois da apresentação do programa museológico teve lugar, num outro espaço do Convento, a sua cozinha, um momento gastronómico em que os participantes puderam saborear, não apenas algumas variedades da doçaria conventual, como também diversos produtos regionais que deliciaram todos os presentes. Seguiu-se uma visita às diversas salas do Museu acompanhada pelas explicações do Juiz da Real irmandade e do Dr.Agostinho Ribeiro.

Estas jornadas técnicas terminaram no magnífico cadeiral do Mosteiro de Arouca com uma encenação “Teoria 5S” que proporcionou uma interessante reflexão, acompanhada de um certo humor, sobre a conservação das memórias através de um arquivo morto constituído por objectos do passado.

IMG_3680

E dar vida a objectos do passado é o que se pretende com este novo olhar sobre o Mosteiro de Arouca que agora começa, finalmente a desenhar-se com a futura gestão tripartida do nosso melhor ex-libris.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº463 de  23 de março de 2018

{ 0 comentários }