O CALVÁRIO DO ABANDONO

por jcerca em 1 de Setembro de 2019

Datado de 1627 e declarado imóvel de interesse público desde 1948, o Calvário de Arouca parece encontrar-se votado ao abandono, apesar de serem numerosos os turistas que, cada vez mais, o visitam, graças ao grande crescimento de visitantes que procuram Arouca, não só por causa dos Passadiços ou do seu Geopark, mas também por outros numerosos motivos de interesse turístico.

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Composto por 6 cruzes, um púlpito de forma cilíndrica e um nicho este monumento está ligado à Capela da Misericórdia de Arouca de onde sai, na Semana Santa de cada ano, uma grandiosa procissão cujo momento alto é o sermão proferido desse púlpito que exibe a data de 1643 gravada na própria pedra.  Este monumento continua a manter, desde há séculos, uma enorme importância, não só religiosa, como também cultural e turística para os arouquenses. É por isso que ele mereceria um maior cuidado na sua limpeza, manutenção e apresentação.

Quem o visita fica chocado com o aspecto de abandono que este monumento revela e que as próprias imagens comprovam. Só o desleixo e a falta de sensibilidade cultural e turística justificam este abandono, tanto mais que não será assim tão difícil e dispendioso mantê-lo livre do lixo e das ervas que o invadem, apesar de se encontrar localizado sobre uma enorme penedia

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A morte recente do seu centenário Sobreiro, que lhe roubou alguma da sua beleza, não pode trazer consigo o abandono deste monumento ao qual falta já uma peça numa das suas cruzes.

Além da limpeza deste espaço, seria necessário consolidar as pedras do muro envolvente, repor o braço da cruz em falta, bem como refazer toda a escadaria de acesso ao mesmo, para bem da estética e da própria segurança dos seus visitantes.

IMG_0029JARDIM DAS OLIVEIRAS

Adjacente ao Calvário existe, desde há vários anos, uma pequena mas  interessante zona verde designada por “Jardim das Oliveiras”.
Constituído por um conjunto de numerosas  oliveiras, diversos bancos para lazer dos seus utentes e alguma iluminação nocturna este espaço enferma do mesmo abandono e da falta de limpeza, apesar de estar directamente ligado ao Calvário, através de uma pequena escadaria de acesso.

IMG_0031Tratando-se de espaços que cada vez mais são frequentados por turistas seria importante que se cuidasse, de uma forma mais permanente, da sua manutenção, pois o que mais desagradará a quem nos visita será sempre o sinal de abandono do nosso próprio património.

IMG_0032José Cerca

 Publicado no jornal “Discurso Directo” nº499 de  06 de setembro de 2019

 

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RECRIAÇÃO HISTÓRICA – Um encerramento apoteótico

por jcerca em 22 de Julho de 2019

Encerradas as portas do Mosteiro às 19.00h de domingo,21 de julho, a animação popular continuou cá fora, quer no Terreiro, quer nas ruas desta Vila que, durante 3 intensos dias, acolheu milhares de visitantes, atraídos por mais uma edição da Recriação Histórica que pretendeu, uma vez mais, dar a conhecer a “História de um Mosteiro”.

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Mas foi, sobretudo, na antiga “Praça de Baixo”, entre o Mosteiro e a antiga Câmara Municipal que o público se concentrou, neste final de Domingo, para assistir a mais um divertido despique entre Bandas Musicais, despique esse que, frequentemente, era perturbado por cenas de altercação entre populares e as forças de segurança, ou até mesmo pelos gritos dos presos que, através das fortes grades prisionais, assistiam também a este despique musical.

O Hino de Arouca

Já emoldurada  de numeroso público, a “Praça de Baixo” (agora transformada em anfiteatro), foi-se enchendo, ao som das bandas, com as centenas de figurantes que deram vida à Recriação Histórica de 2019.

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Vivamente aplaudidos, numa sonora ovação de agradecimento público, pelo contributo que estes 254 figurantes trouxeram, não só à animação das ruas da Vila de Arouca e a toda a sua zona histórica, mas sobretudo ao interior do seu Mosteiro, este momento teve o seu ponto alto com a entoação do Hino de Arouca cantado, vibrantemente, por todos, ao som das Bandas Musicais que, deixando de parte o seu aguerrido despique, se uniram nesta homenagem à sua Rainha Santa e ao Mosteiro que alberga ainda os seus restos mortais.

Entradas pagas. E porque não?

Com uma enorme carga histórica que remonta aos primórdios da nossa existência como Nação (Mafalda Sanches é a neta do 1º rei de Portugal) esta Recriação Histórica, embora centrada nas vivências do sec. XVIII, é talvez o único evento do País que consegue retratar, de uma maneira interessante e o mais fidedigna possível, a vida monástica num Mosteiro, abrindo de par em par, todos as numerosos espaços conventuais utilizados, outrora, por uma numerosa comunidade cisterciense que habitou e deu vida ao Mosteiro de Arouca, até à sua extinção em 1834, prolongando-se, no entanto, o seu funcionamento até à morte da última freira em 1886.

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É, pois, um privilégio raro  aquele que o Município e demais entidades envolvidas na gestão deste monumento nacional, oferece, nestes dias da Recriação Histórica, a todos os numerosos visitantes que a ele acorrem.

Iniciado já a alguns anos pelo Município de Arouca, este evento tem vindo a aperfeiçoar-se, não só recriando novos momentos, de edição para edição, como também abrindo novos espaços, como foi o caso, na edição deste ano, da “Casa dos padres”(actual Biblioteca Municipal), ou ainda da Capela da Misericórdia.

Se se paga, em qualquer lugar deste País, para se visitar muitíssimo menos do que aquilo que esta Recriação faculta aos numerosos visitantes que a ela acorrem, não seria descabido que, em  futuras edições, se estipulasse uma pequena entrada simbólica para acesso a este evento.

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É certo que, nas futuras edições, alguns dos espaços até agora visitáveis, deixarão de o ser devido à sua afectação ao projecto de hotelaria e de alojamento e cujas obras de adaptação estarão para breve. Essa contingência, que até nos parece altamente benéfica para a preservação deste imóvel, não significa, contudo, que esse pequeno contributo dos visitantes para o acesso ao evento não tivesse toda a sua pertinência e a sua quota-parte de justiça, até porque é bastante elevado o esforço orçamental que tal evento exige aos cofres do Município, muito embora, a grande parte dos figurantes seja constituída pela “prata da casa”, nada desprezível.

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Depois de cantado o Hino de Arouca seguiu-se o desfile desde a “Praça de Baixo” até à escadaria monumental que se ergue aos lados e por cima das portas do antigo Celeiro do Mosteiro.

Emoldurada por todos os numerosos figurantes, aos quais se juntaram também os cerca de 200 executantes musicais que, ao longo destes três dias, animaram as ruas da Vila, a beleza  desta grande foto de grupo exprimiu também  a riqueza artística de um evento a que tão alargado número de arouquenses deu vida.

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A encerrar esta edição de 2019 a moldura musical, uma vez mais, do Hino de uma terra que “alberga o corpo de uma rainha que jamais a quis deixar de tanto amor que lhe tinha”.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de  26 de julho de 2019

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MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758

por jcerca em 18 de Julho de 2019

Uma interessante conversa

Estas “Memórias Paroquiais” desconhecidas da maior parte do público, incluindo os arouquenses, representam um retrato curioso e bastante pormenorizado, em muitos casos, sobre a realidade da sociedade portuguesa logo após o terramoto de 1755.

Na origem destas “Memórias Paroquiais” esteve um aviso de 18 de janeiro de 1758 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, que enviou para todos os párocos do reino, um questionário, composto por 70 perguntas, sobre as paróquias e povoações, pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755.

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Reconhecendo a importância desta curiosa recolha de informações, Porfírio Correia, Diretor do Arquivo Distrital de Aveiro, esteve em Arouca, no dia 16 de julho para uma interessante conversa sobre estas “Memórias Paroquiais” referentes a todas as paróquias do Concelho de Arouca em meados do sec.XVIII.

Esta conversa começou com a projecção de um pequeno vídeo realizado pelo Arquivo Distrital de Aveiro sobre “Notáveis da minha terra” onde são apresentados alguns dados bibliográfico sobre um conjunto de arouquenses que se notabilizaram pela sua dedicação à comunidade arouquense, nos mais diversos sectores.

Porfírio Correia que estudou profundamente estas “Memórias Paroquiais”, começou por esclarecer que antes deste singular inquérito já tinha havido um outro, cinco anos antes, mas cujo resultado desapareceu, quase completamente, com o terramoto de 1755.

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Reunidas em 44 volumes, ordenados alfabeticamente, estas Memórias Paroquiais  constituem  “uma fonte de informação incontornável para a realização de estudos de história local”, bem como para investigações sobre o século XVIII português, nas mais diversas áreas, como sejam a organização administrativa, judicial, ou eclesiástica, a demografia, a geografia, as actividades económicas, etc.

Reportando-se ao caso de Arouca o Director do Arquivo Distrital de Aveiro informou que as respostas elaboradas pelos párocos ao interrogatório, solicitando informações sobre as suas paróquias, após o terramoto de 1755, foram dadas por todos os párocos no prazo de dois meses, muito embora uns respondessem de uma maneira mais exaustiva do que outros. Além de algumas respostas muito curiosas, nestas Memórias referentes ao espaço arouquense encontram-se interessantes informações relativas às localidades em si, às serras,  aos rios, ao relevo, às distâncias, às confrontações, ao número de habitantes, à estrutura eclesiástica e vivência religiosa de então. Esta importante documentação fornece ainda dados sobre as principais actividades económicas, nomeadamente, agrícolas, e as rendas pagas ao Mosteiro de Arouca, bem como a referência a alguns danos provocados pelo terramoto de 1755 que, em Arouca se resumem à queda de duas “pirâmides” no Mosteiro de Arouca.

Pela análise destas Memórias é visível o poder da Abadessa junto dos párocos, bem como a grande influência do Mosteiro em todo este território, queixando-se alguns párocos da excessiva carga tributária, chegando um deles (Tropeço) a dizer que o que mais se recolhe na sua paróquia é a “fome”.

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Refira-se, a concluir, que todo este grande manancial informativo, referente a meados do sec.VXIII, se encontra disponível, em forma digital, na Torre do Tombo, apoiado por um mui útil índice que compõe todo o volume 44. (http://antt.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/17/2008/09/Memorias-paroquiais-indice-final-2014.pdf)

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de  26 de julho de 2019

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ATRIBUIÇÃO PÚBLICA DE SUBSÍDIOS

por jcerca em 17 de Julho de 2019

Com o salão nobre da Câmara Municipal de Arouca completamente cheio realizou-se, ao fim da tarde do dia 16 de julho, a cerimónia da  entrega dos subsídios que a Autarquia decidiu atribuir às Associações e demais Instituições sociais do Concelho de Arouca. 370 mil euros foram atribuídos  a cerca de 75 Associações concelhias na área cultural, desportiva e social.

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As Associações contempladas com subsídios acima dos 1.500 euros assinaram um protocolo de colaboração com a Câmara.

Estiveram presentes neste acto público a Presidente da Câmara, Margarida Belém, bem como a vereadora do respectivo pelouro, Fernanda Oliveira.

A Presidente da Câmara justificou esta sessão pública para a atribuição dos subsídios, não só para agilizar o processo do respectivo pagamento, como também para permitir um melhor conhecimento entre as entidades subsidiadas.

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Reconheceu ainda a Presidente da Câmara que os valores atribuídos nunca serão os suficientes para os beneficiados, mas eles representam o contributo possível do Município para ir ao encontro do esforço das numerosas Associações espalhadas pelo Concelho de Arouca. Garantiu ainda que o trabalho de avaliação feito por uma Comissão para o efeito, baseado na análise da documentação apresentada pelos candidatos, foi o mais justo possível.

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de  26 de julho de 2019

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EXPOSIÇÃO DE ANTIFONÁRIOS

por jcerca em 12 de Julho de 2019

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Com a presença da Presidente da Câmara, Drª Margarida Belém e do Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, Dr. Carlos Brito, abriu, ao fim da tarde do dia 12 de julho, o evento “Retratos do Barroco” com a exposição de 4 dos 26 antifonários que fazem parte do acervo histórico do Mosteiro de Arouca, à guarda da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, na sala do Arquivo Histórico do Museu de Arte Sacra de Arouca.

A quantidade de documentos, nomeadamente de manuscritos litúrgicos e musicais guardados nesse arquivo histórico comprova o papel importante que a música teve na vida litúrgica da comunidade religiosa deste grande mosteiro cisterciense, importância  essa comprovada ainda, com o belo exemplar do órgão ibérico, instalado em 1743 no coro alto do Mosteiro de Arouca.

Foi por isso que Margarida Belém referiu, no momento da abertura da exposição, que era um privilégio podermos visualizar a riqueza destes antifonários e admirar a beleza das suas iluminuras, agradecendo à Real Irmandade essa possibilidade que nos deu.

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Por sua vez, Carlos Brito referiu algumas características dos dois antifonários abertos, todos com texto manuscrito e em latim, sobre folhas feitas com pele de animais (ovelhas, carneiros, cabra e cordeiros)  datados, um de 1746 e o outro de 1667, chamando a atenção para o colorido das iluminuras das capitulares. São livros de grande porte atingindo as dimensões máximas de 700x540mm e que eram colocados nas grandes estantes ainda existentes no cadeiral das freiras, para a reza dos diversos ofícios ao longo do dia.

Quanto aos outros dois antifonários fechados, Carlos Brito chamou a atenção para a respectiva encadernação com pasta de madeira revestida a couro e para o pormenor das aplicações metálicas em bronze na capa de cada antifonário.

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Esta exposição deu início ao evento “Retratos do barroco” que se prolongará até ao dia 17 de julho com um conjunto diversificado de actividades, entre as quais podemos destacar a I bienal de Organistas no Mosteiro de Arouca, o jantar barroco nos claustros superiores do Mosteiro, uma Mostra de doçaria conventual e de licores, bem como a realização de vários Workshops.

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Todo este conjunto de actividades culminará com mais uma edição da Recriação histórica que decorrerá entre 19 a 21 de julho e que nos levará ao tempo em que as monjas habitavam o Mosteiro.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de  26 de julho de 2019

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