ACADEMIA SÉNIOR DE AROUCA

por jcerca em 12 de Setembro de 2019

Início do ano Académico – Oferta formativa

 A ASARC-Academia Sénior de Arouca –é uma instituição criada em 2010 com o objectivo de proporcionar a todos os seus alunos e associados condições físicas, culturais e sociais para uma melhor qualidade de vida na 3ª idade, promovendo, através de diversas actividades, o bem-estar físico, social e mental da população sénior de Arouca. Para esse fim, pretende a ASARC fomentar  a educação não formal junto de pessoas idosas, motivando-as para a participação em actividades culturais e sociais, de modo a promover, ao mesmo tempo, a qualidade de vida e o bem-estar físico e psíquico de pessoas da 3ª idade e de reformados que poderão, através desta instituição, colocar ao serviço da comunidade o saber e a experiencia acumulados ao longo da sua vida activa, bem como aventurarem-se na aquisição de novos conhecimentos.

Nova Direcção da Asarc_LEGENDA

Com esse objectivo a nova Direcção da Asarc organizou, com a colaboração de diversos professores e demais colaboradores, um conjunto diversificado de actividades que estão ao dispor de quem nelas se queira inscrever até final deste mês de Setembro.

Artes, Trabalhos manuais, informática, Ginástica rítmica, dança livre, culinária, teatro, literatura portuguesa, cavaquinhos, canto coral, debates sobre saúde, ética e valores, cultura e sociabilidade e património natural e edificado são algumas das ofertas disponíveis para o presente ano lectivo.

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Além destas actividades, de carácter teórico e prático, a Asarc promove ainda, ao longo do ano, muitas outras, tais como visitas de estudo, passeios temáticos, convívios, palestras, intercâmbios e animação musical e cultural junto de instituições de Arouca.

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Por isso, se tem mais de 50 anos, se é reformado e pretende valorizar e enriquecer este período da sua vida inscreva-se na ASARC e participe nas suas múltiplas actividades.

A Direcção da ASARC

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº500 de  20 de setembro de 2019

 

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DA OBRIGAÇÃO……À DEDICAÇÃO

por jcerca em 10 de Setembro de 2019

A poucos dias do início do novo ano escolar a comunidade educativa de Arouca, bem como a restante população, foi surpreendida pelo pedido de demissão da Directora do Agrupamento de Escolas de Arouca, Drª Adília Cruz.

Mesmo ignorando os motivos que a terão levado a tomar tal decisão, em período tão crítico para o funcionamento do iminente ano lectivo, não faltaram logo, nas redes sociais, alguns comentários, uns de regozijo pela “boa notícia” e porque “já vai tarde”, outros de exigência a pedirem uma “investigação ou auditoria”; outros ainda a misturarem casos pessoais com a ingente gestão de todo um enorme agrupamento de escolas, com centenas de professores e milhares de alunos. Outros, embora reconhecendo o “trabalho positivo” à frente do Agrupamento, entendem que a Directora “não fez mais do que a sua obrigação”, pois  “ para isso era paga”.

Todos estes comentários são próprios de pessoas cujo horizonte é o próprio umbigo e que parecem desconhecer o gigantesco trabalho que é a gestão de um Agrupamento tão grande e complexo como este, mesmo sabendo-se que a Directora é um dos elementos dessa coesa equipa de gestão.

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Da obrigação, à dedicação

Quem conhece um pouco o trabalho de coordenação de uma enorme comunidade educativa e tem acompanhado, mesmo que de fora, os projectos educativos deste Agrupamento, alguns deles merecedores de prémios, a nível nacional e até mesmo internacional, sabe perfeitamente a quantidade enorme de horas que muitos professores dão à escola e que vão mesmo para além dessa mera “obrigação” e que só é possível porque a obrigação se transforma quase sempre em dedicação e em paixão pela causa da educação.

É bem conhecida a enorme capacidade de trabalho, a grande dedicação à Educação e ao Agrupamento de escolas de Arouca que Adília Cruz dirige desde há 10 anos. É também notória a sua capacidade de liderança, bem como o dinamismo pedagógico que sempre imprimiu a todas as diversas vertentes pedagógicas, culturais, artísticas e sociais que envolvem este Agrupamento.
É também conhecida a abertura à comunidade de muitos espaços escolares dispersos pelo Agrupamento, disponibilizando tais recursos materiais à própria comunidade envolvente, mesmo sabendo-se que a Directora do Agrupamento poderia até invocar muitos motivos para o não fazer.

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 Mas o que será talvez menos conhecido e que ultrapassa, de longe, essa tal “obrigação” ou esse referido “pagamento” é o humanismo e o empenho que colocou em vários casos problemáticos e muito sensíveis de alunos que lhe passaram pelas mãos, enquanto Directora do Agrupamento. Casos de violência ou de assédio sexual dentro da própria família e que, pela gravidade de que se revestiam, a Directora tudo fez para que tomassem o rumo mais adequado, trabalhando em sintonia com o Ministério Público e com a própria CPCJ.

Não tendo qualquer “obrigação” de os acolher, mesmo que temporariamente, em sua casa, fê-lo por várias vezes, enquanto se procuravam alternativas, quer de instituições, quer de famílias de acolhimento para tais casos, esquecendo até o transtorno familiar e ignorando os encargos económicos que tais medidas implicavam. E se hoje alguns desses casos parecem estar bem encaminhados, muito se deve à sua persistência, à sua  luta e à sua determinação em se colocar ao lado dos alunos envolvidos.

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Poder-se-ia dizer que não tinha nenhuma “obrigação” em assumir tais responsabilidades e tão grandes encargos com estes alunos(as), mas fê-lo por própria opção e fê-lo, sobretudo, por ter consciência da delicadeza e da gravidade das situações dos mesmos, não descansando enquanto não se encontrou a solução mais adequado para tais casos.

Perante estes e outros casos que lhe passaram pelas mãos, enquanto Directora do Agrupamento, nenhuma avaliação caberá nos frios parâmetros com que qualquer professor é sujeito na sua carreira. A melhor avaliação caberá, sim, na palavra OBRIGADO e no estatuto de MÃE que um desses casos problemáticos e delicados lhe atribuiu. Em nome desse e de muitos outros casos, OBRIGADO, Adília Cruz.

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O CALVÁRIO DO ABANDONO

por jcerca em 1 de Setembro de 2019

Datado de 1627 e declarado imóvel de interesse público desde 1948, o Calvário de Arouca parece encontrar-se votado ao abandono, apesar de serem numerosos os turistas que, cada vez mais, o visitam, graças ao grande crescimento de visitantes que procuram Arouca, não só por causa dos Passadiços ou do seu Geopark, mas também por outros numerosos motivos de interesse turístico.

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Composto por 6 cruzes, um púlpito de forma cilíndrica e um nicho este monumento está ligado à Capela da Misericórdia de Arouca de onde sai, na Semana Santa de cada ano, uma grandiosa procissão cujo momento alto é o sermão proferido desse púlpito que exibe a data de 1643 gravada na própria pedra.  Este monumento continua a manter, desde há séculos, uma enorme importância, não só religiosa, como também cultural e turística para os arouquenses. É por isso que ele mereceria um maior cuidado na sua limpeza, manutenção e apresentação.

Quem o visita fica chocado com o aspecto de abandono que este monumento revela e que as próprias imagens comprovam. Só o desleixo e a falta de sensibilidade cultural e turística justificam este abandono, tanto mais que não será assim tão difícil e dispendioso mantê-lo livre do lixo e das ervas que o invadem, apesar de se encontrar localizado sobre uma enorme penedia

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A morte recente do seu centenário Sobreiro, que lhe roubou alguma da sua beleza, não pode trazer consigo o abandono deste monumento ao qual falta já uma peça numa das suas cruzes.

Além da limpeza deste espaço, seria necessário consolidar as pedras do muro envolvente, repor o braço da cruz em falta, bem como refazer toda a escadaria de acesso ao mesmo, para bem da estética e da própria segurança dos seus visitantes.

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Adjacente ao Calvário existe, desde há vários anos, uma pequena mas  interessante zona verde designada por “Jardim das Oliveiras”.
Constituído por um conjunto de numerosas  oliveiras, diversos bancos para lazer dos seus utentes e alguma iluminação nocturna este espaço enferma do mesmo abandono e da falta de limpeza, apesar de estar directamente ligado ao Calvário, através de uma pequena escadaria de acesso.

IMG_0031Tratando-se de espaços que cada vez mais são frequentados por turistas seria importante que se cuidasse, de uma forma mais permanente, da sua manutenção, pois o que mais desagradará a quem nos visita será sempre o sinal de abandono do nosso próprio património.

IMG_0032José Cerca

 Publicado no jornal “Discurso Directo” nº499 de  06 de setembro de 2019

 

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RECRIAÇÃO HISTÓRICA – Um encerramento apoteótico

por jcerca em 22 de Julho de 2019

Encerradas as portas do Mosteiro às 19.00h de domingo,21 de julho, a animação popular continuou cá fora, quer no Terreiro, quer nas ruas desta Vila que, durante 3 intensos dias, acolheu milhares de visitantes, atraídos por mais uma edição da Recriação Histórica que pretendeu, uma vez mais, dar a conhecer a “História de um Mosteiro”.

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Mas foi, sobretudo, na antiga “Praça de Baixo”, entre o Mosteiro e a antiga Câmara Municipal que o público se concentrou, neste final de Domingo, para assistir a mais um divertido despique entre Bandas Musicais, despique esse que, frequentemente, era perturbado por cenas de altercação entre populares e as forças de segurança, ou até mesmo pelos gritos dos presos que, através das fortes grades prisionais, assistiam também a este despique musical.

O Hino de Arouca

Já emoldurada  de numeroso público, a “Praça de Baixo” (agora transformada em anfiteatro), foi-se enchendo, ao som das bandas, com as centenas de figurantes que deram vida à Recriação Histórica de 2019.

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Vivamente aplaudidos, numa sonora ovação de agradecimento público, pelo contributo que estes 254 figurantes trouxeram, não só à animação das ruas da Vila de Arouca e a toda a sua zona histórica, mas sobretudo ao interior do seu Mosteiro, este momento teve o seu ponto alto com a entoação do Hino de Arouca cantado, vibrantemente, por todos, ao som das Bandas Musicais que, deixando de parte o seu aguerrido despique, se uniram nesta homenagem à sua Rainha Santa e ao Mosteiro que alberga ainda os seus restos mortais.

Entradas pagas. E porque não?

Com uma enorme carga histórica que remonta aos primórdios da nossa existência como Nação (Mafalda Sanches é a neta do 1º rei de Portugal) esta Recriação Histórica, embora centrada nas vivências do sec. XVIII, é talvez o único evento do País que consegue retratar, de uma maneira interessante e o mais fidedigna possível, a vida monástica num Mosteiro, abrindo de par em par, todos as numerosos espaços conventuais utilizados, outrora, por uma numerosa comunidade cisterciense que habitou e deu vida ao Mosteiro de Arouca, até à sua extinção em 1834, prolongando-se, no entanto, o seu funcionamento até à morte da última freira em 1886.

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É, pois, um privilégio raro  aquele que o Município e demais entidades envolvidas na gestão deste monumento nacional, oferece, nestes dias da Recriação Histórica, a todos os numerosos visitantes que a ele acorrem.

Iniciado já a alguns anos pelo Município de Arouca, este evento tem vindo a aperfeiçoar-se, não só recriando novos momentos, de edição para edição, como também abrindo novos espaços, como foi o caso, na edição deste ano, da “Casa dos padres”(actual Biblioteca Municipal), ou ainda da Capela da Misericórdia.

Se se paga, em qualquer lugar deste País, para se visitar muitíssimo menos do que aquilo que esta Recriação faculta aos numerosos visitantes que a ela acorrem, não seria descabido que, em  futuras edições, se estipulasse uma pequena entrada simbólica para acesso a este evento.

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É certo que, nas futuras edições, alguns dos espaços até agora visitáveis, deixarão de o ser devido à sua afectação ao projecto de hotelaria e de alojamento e cujas obras de adaptação estarão para breve. Essa contingência, que até nos parece altamente benéfica para a preservação deste imóvel, não significa, contudo, que esse pequeno contributo dos visitantes para o acesso ao evento não tivesse toda a sua pertinência e a sua quota-parte de justiça, até porque é bastante elevado o esforço orçamental que tal evento exige aos cofres do Município, muito embora, a grande parte dos figurantes seja constituída pela “prata da casa”, nada desprezível.

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Depois de cantado o Hino de Arouca seguiu-se o desfile desde a “Praça de Baixo” até à escadaria monumental que se ergue aos lados e por cima das portas do antigo Celeiro do Mosteiro.

Emoldurada por todos os numerosos figurantes, aos quais se juntaram também os cerca de 200 executantes musicais que, ao longo destes três dias, animaram as ruas da Vila, a beleza  desta grande foto de grupo exprimiu também  a riqueza artística de um evento a que tão alargado número de arouquenses deu vida.

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A encerrar esta edição de 2019 a moldura musical, uma vez mais, do Hino de uma terra que “alberga o corpo de uma rainha que jamais a quis deixar de tanto amor que lhe tinha”.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de  26 de julho de 2019

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MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758

por jcerca em 18 de Julho de 2019

Uma interessante conversa

Estas “Memórias Paroquiais” desconhecidas da maior parte do público, incluindo os arouquenses, representam um retrato curioso e bastante pormenorizado, em muitos casos, sobre a realidade da sociedade portuguesa logo após o terramoto de 1755.

Na origem destas “Memórias Paroquiais” esteve um aviso de 18 de janeiro de 1758 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, que enviou para todos os párocos do reino, um questionário, composto por 70 perguntas, sobre as paróquias e povoações, pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755.

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Reconhecendo a importância desta curiosa recolha de informações, Porfírio Correia, Diretor do Arquivo Distrital de Aveiro, esteve em Arouca, no dia 16 de julho para uma interessante conversa sobre estas “Memórias Paroquiais” referentes a todas as paróquias do Concelho de Arouca em meados do sec.XVIII.

Esta conversa começou com a projecção de um pequeno vídeo realizado pelo Arquivo Distrital de Aveiro sobre “Notáveis da minha terra” onde são apresentados alguns dados bibliográfico sobre um conjunto de arouquenses que se notabilizaram pela sua dedicação à comunidade arouquense, nos mais diversos sectores.

Porfírio Correia que estudou profundamente estas “Memórias Paroquiais”, começou por esclarecer que antes deste singular inquérito já tinha havido um outro, cinco anos antes, mas cujo resultado desapareceu, quase completamente, com o terramoto de 1755.

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Reunidas em 44 volumes, ordenados alfabeticamente, estas Memórias Paroquiais  constituem  “uma fonte de informação incontornável para a realização de estudos de história local”, bem como para investigações sobre o século XVIII português, nas mais diversas áreas, como sejam a organização administrativa, judicial, ou eclesiástica, a demografia, a geografia, as actividades económicas, etc.

Reportando-se ao caso de Arouca o Director do Arquivo Distrital de Aveiro informou que as respostas elaboradas pelos párocos ao interrogatório, solicitando informações sobre as suas paróquias, após o terramoto de 1755, foram dadas por todos os párocos no prazo de dois meses, muito embora uns respondessem de uma maneira mais exaustiva do que outros. Além de algumas respostas muito curiosas, nestas Memórias referentes ao espaço arouquense encontram-se interessantes informações relativas às localidades em si, às serras,  aos rios, ao relevo, às distâncias, às confrontações, ao número de habitantes, à estrutura eclesiástica e vivência religiosa de então. Esta importante documentação fornece ainda dados sobre as principais actividades económicas, nomeadamente, agrícolas, e as rendas pagas ao Mosteiro de Arouca, bem como a referência a alguns danos provocados pelo terramoto de 1755 que, em Arouca se resumem à queda de duas “pirâmides” no Mosteiro de Arouca.

Pela análise destas Memórias é visível o poder da Abadessa junto dos párocos, bem como a grande influência do Mosteiro em todo este território, queixando-se alguns párocos da excessiva carga tributária, chegando um deles (Tropeço) a dizer que o que mais se recolhe na sua paróquia é a “fome”.

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Refira-se, a concluir, que todo este grande manancial informativo, referente a meados do sec.VXIII, se encontra disponível, em forma digital, na Torre do Tombo, apoiado por um mui útil índice que compõe todo o volume 44. (http://antt.dglab.gov.pt/wp-content/uploads/sites/17/2008/09/Memorias-paroquiais-indice-final-2014.pdf)

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de  26 de julho de 2019

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