Combinando o Dia Mundial do Livro, instituído a 23 de abril por decisão da UNESCO desde 1996 e o “Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações”, instituído pelo Parlamento Europeu para o ano de 2012, teve lugar no dia 23 de abril, no Auditório Municipal, uma conversa com o médico e investigador português Daniel Serrão.
Apesar dos seus 85 anos de vida, o fundador do Instituto Português de Bioética, dispensando a comodidade do sofá que lhe foi destinado no palco e prescindindo dos serviços amplificadores do microfone que colocaram à sua disposição, este notável investigador, ao longo de duas horas, prendeu a atenção do público com um discurso fluente e acessível que comprovou a sua grande capacidade comunicativa, aliada a uma notável e clarividente argumentação científica.
Abordando alguns dos temas presentes no livro “Daniel Serrão, aqui à frente de mim” e num estilo bastante coloquial, este médico orientou a sua conversa no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e foi ele próprio um expressivo exemplo de como se pode viver, com entusiasmo e espírito de serviço, a 3ª idade.
Considerou mesmo que a declaração de 2012 como “Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações” tem toda a razão de ser, dado que em Portugal 1 quinto da população portuguesa (cerca de 2 milhões de pessoas) têm mais de 65 anos. E como “viver e morrer não se evita”, também ninguém se “pode reformar de viver”, daí que seja importante que a sociedade e, nomeadamente o poder político, proporcione as melhores condições para se viver com saúde física e mental o ciclo da terceira idade.
Entrando diretamente no tema do envelhecimento ativo, Daniel Serrão considerou 3 grupos de pessoas na terceira idade: as pessoas que são saudáveis, ativas e independentes e que ainda podem prestar um contributo para a sociedade; as pessoa que tendo alguns “achaques”, se acomodam e arranjam pretextos para nada fazerem, tornando-se assim dependentes de outros; e o idoso que é realmente doente, que está acamado, imóvel e dependente de terceiros.
De entre algumas medidas para um envelhecimento saudável, Daniel Serrão acentuou a necessidade da assistência social e respetivas instituições ajudarem as pessoas deste ciclo etário a superarem a sua situação de inatividade, exercitando-as ou motivando-as a exercitarem-se, a mexerem-se, e, sempre que puderem, a andarem, andarem, andarem.
O livro “Aqui diante de mim”
Não sendo Daniel Serrão propriamente o autor deste livro, nem se tratando de uma mera biografia, a verdade é que esta obra, resultante de uma longa entrevista, por mail, feita pelo jornalista Henrique Manuel S. Pereira, contém o essencial do pensamento deste insigne médico e investigador português que é também professor catedrático jubilado de Anatomia Patológica e ainda membro da Academia Pontifícia para a Vida.
Embora não tendo quaisquer lucros na venda deste livro, a verdade é que todos os exemplares que trouxe se esgotaram, tendo cada um deles levado uma dedicatória pessoal do entrevistado.
Esta foi também uma excelente maneira de assinalar o Dia Mundial do Livro no Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre Gerações.
Coube a Margarida Belém, na qualidade de vereadora da cultura da Câmara Municipal de Arouca, fazer não só a apresentação do convidado, como moderar o debate que se seguiu à conversa com este ilustre sénior, comunicativo, lúcido e ativo ali à frente de nós.
José Cerca
Publicado no “Jornal de Arouca” nº807 de 30 de abril 2012
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