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A Semana Cultural e as Escolas

14 de Junho, 2008

Teatro para a comunidade escolar

Sendo o livro e a leitura elementos fundamentais no desenvolvimento de qualquer sociedade, a Feira do Livro, realizada em Arouca, desde há 13 anos, numa iniciativa da Câmara Municipal de Arouca, tem congregado à sua volta um conjunto de eventos culturais, desde exposições, concertos, palestras, teatro e cinema.

E sendo as Escolas de Arouca aquelas entidades com maior responsabilidade na formação, desenvolvimento e incentivo cultural, não se poderia conceber que elas continuassem alheias a este conjunto de eventos a que, habitualmente, se tem designado por Semana Cultural.

Além da participação com diversos trabalhos de expressão escrita e plástica sobre o património de Arouca, nomeadamente o que se refere às trilobites de Canelas e ao Geo-parque de Arouca, as escolas apresentaram, às diversas comunidades escolares, algumas peças de teatro que traduziram, não só um grande trabalho interdisciplinar, como uma revelação mesmo de novos talentos, no âmbito musical e de expressão dramática.

“Cabe tudo na Caixa” - Agrupamento de Escolas de Escariz

Um desses trabalhos produzido no âmbito do projecto “Cabe tudo na caixa” coordenado pela professora Maria Ester Ferreira e que envolveu alunos não só da EB2,3 de Escariz, como também escolas do 1º ciclo e do jardim de infância desse Agrupamento foi baseado na peça “Pedro e o Lobo”. Além de uma exposição com trabalhos de expressão plástica produzidos a partir da abordagem dessa obra, foi realizada uma Apresentação multimédia sobre o desenvolvimento do projecto nos jardins de infância e foi levado ao palco a representação dramática dessa história de Prokofiev.

“Instrumentos musicais” - Escola E.B.2,3 de Arouca

Tendo também como tema a música e por cenário e adereços alguns instrumentos musicas, artisticamente desenhados, não só no cenário, como na própria vestimenta das personagens, também a Escola E.B.2,3 de Arouca marcou presença no palco dos Bombeiros Voluntários de Arouca, com a representação de duas peças, levadas a cabo pela turma do 5ºD.

As peças apresentadas, “O chorão” e “Os instrumentos musicais” foram ensaiadas pela professora Susana Fonseca em tempos livres dos alunos, a partir de textos adaptados pela professora de Português Rosa Maria Oliveira.

De acordo com a opinião da ensaiadora, estas peças foram fruto, não só da carolice, como também do entusiasmo dos próprios alunos que se disponibilizaram, fora do horário lectivo, a apresentaram estas peças à comunidade escolar.

Iniciação ao teatro - Escola Secundária de Arouca

Possuindo no seu currículo a disciplina de teatro nos 7º e 8 anos, a Escola Secundária de Arouca, apresentou também às diversas comunidades escolares, sobretudo do 1º ciclo e jardins-de-infância, algumas peças ensaiadas não só no âmbito da Disciplina de teatro, mas também integradas no Plano Nacional de Leitura.

Foi o caso do conto “A Estrela” de Virgílio Ferreira. Fazendo parte das leituras integrais do Programa de Português do 7º ano, este conto mereceu uma interessante abordagem dramatizada no palco, feita por alunos do 7ºB da ESA, sob a orientação da professora Ana Guimarães. Tratou-se efectivamente de uma leitura bastante motivadora desse conto, tanto mais que, ao entrar no campo do maravilhoso, despertou uma renovado interesse junto da plateia infantil a quem ele se dirigia.

Uma outra peça também adaptada ao nível etário da assistência foi a representação de “O vendedor de gelados” da escritora Esther de Lemos e levada ao palco pela turma do 8ºB, sob orientação e ensaio da respectiva professora de teatro, Isabel Oliveira.

Através desta representação, conseguiram os pequenos artistas transmitir, ao numeroso público infantil, a mensagem da solidariedade, da amizade e da felicidade que brota dessa mesma solidariedade.

Por sua vez, a turma do 8ºD, sob a orientação da mesma professora, apresentou a “Caça ao Talento“. Com texto escrito por uma das alunas e intérprete da mesma peça, Diana Catarina Pinho, esta divertida representação, além de oferecer momentos humorísticos, serviu também para revelar alguns talentos no campo da música e da expressão dramática.

Ler uma peça de teatro, adaptá-la, escolher os personagens adequados e ensaiá-la para a apresentar em palco leva o seu tempo e exige esforço, paciência e muita dedicação. Foi o que fez a professora Márcia Ferreira com a peça “O Colar” de Sophia de Mello Breyner, na turma do 8ºA da disciplina de teatro.

Desse trabalho que contou também com a colaboração da professora de Português, Ana Isabel Jesus, resultou mais uma subida ao palco de alunos da ESA.

No final do espectáculo os pequenos artistas, questionados por diversos elementos da plateia, manifestaram a sua opinião sobre esta sua experiência de pisarem um palco, tendo todos eles considerado isso como uma “experiência gratificante” e uma maneira diferente de “se expressarem e de conviverem com as pessoas”.

“A lenda da sopa de pedra” - Aicia

Ainda dentro do teatro, embora num outro nível e num contexto um pouco diferente, refira-se, finalmente, a presença de um pequeno grupo de artistas especiais da Aicia que apresentaram no palco o conhecido e engraçado conto da sopa de pedra.

Tanto esta, como as restantes experiências no campo da dramatização, foram um belo contributo às comunidades escolares e que permitiram não só trazer para fora das escolas muito do trabalho que lá se realiza, como também se transformaram numa ocasião e num estímulo à revelação de novos talentos.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo” n.º6 de 13 de Junho de 2008

Iº ENCONTRO DE COROS Nádia Oliveira

13 de Junho, 2008

Entre o artístico e o espiritual

Seria o XVII Encontro de coros organizado pelo Orfeão de Arouca. Quis o destino que um dos elementos mais proeminentes dessa Associação, a Nádia Oliveira, desaparecesse, fisicamente e de modo trágico, do nosso convívio.

Mediante esse facto, que emocionou toda a comunidade arouquense, a Direcção do Orfeão de Arouca, em homenagem à pessoa e à voz desta jovem arouquense, decidiu passar a designar esse evento anual por “Encontro de Coros Nadia Oliveira.”

O primeiro teve lugar no passado dia 7 de Junho na Igreja do Mosteiro de Arouca e integrado na Semana Cultural, promovida pelo Município.

Homenagem de 100 vozes numa só voz

Coro de SerzedoParticiparam neste 1º Encontro cerca de 100 vozes pertencentes não só ao Coro anfitrião, o Orfeão de Arouca, dirigido por Ivo Brandão, mas também ao coro da Associação Cultural e Recreativa de Serzedo, dirigido por Gergina Teixeira e ainda ao Ensemble Vocal Pro Música, sob a direcção do mastro José Manuel Pinheiro.

O encontro teve ainda a participação especial de um trio de amigos da Nádia Oliveira: Mafalda Campos Leite (soprano), Pedro Rodrigues (tenor) e Leonilde Castro Ramos (piano). Com a sua magnífica interpretação, quis este trio prestar homenagem a uma voz que se calou inesperadamente, mas que continuará presente na memória de todos.

Entre o artístico e o espiritual

Se a excelente execução musical dos grupos participantes acentuou a vertente artística deste 1º Encontro, o espaço onde ele teve lugar acrescentou a esta vertente artística uma sentida dimensão espiritual, reforçada ainda com o predomínio de peças interpretadas em latim.

Orfeão de AroucaTendo o Encontro começado e terminado com a audição gravada da voz da Nádia Oliveira que encheu a ampla igreja do Mosteiro de Arouca, ao mesmo tempo que humedecia os olhos de muitos dos participantes, a vertente emotiva da saudade acabaria assim por encerrar este 1º Encontro que quis ser, acima de tudo, uma homenagem a uma jovem que fez da sua curta vida, um momento de arte, de alegria e de dedicação aos outros.

O encontro terminou com a entrega de lembranças aos vários patrocinadores e aos grupos participantes.

Quis ainda o Orfeão de Arouca entregar aos pais e irmã da Nádia uma lembrança deste 1º Encontro Nádia Oliveira. Por sugestão do pai, Fernando Correia, a lembrança foi recebida pela irmã, Diva Oliveira.

Finalmente usou da palavra o Vice-presidente da Câmara Dr. Campelo que afirmou que a Nádia “adquiriu por direito próprio fazer parte da nossa cultura”.

José Cerca

Artigo Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº 6 de 13 de Junho 2008

Notícias de Moçambique

6 de Junho, 2008

Desde há 24 anos a trabalhar como missionário salesiano em Moçambique, sua terra “por adopção”, o Pe. Zé Maria, vem de vez em quando, junto dos arouquenses, através da imprensa regional, dar notícias da sua actividade em terras de Moçambique.

Desta vez, é através deste novo Semanário a quem ele saúda e deseja os maiores êxitos na sua missão informativa, junto da comunidade arouquense, que ele se dirige aos arouquenses.

Na sua mensagem começa por manifestar o seu contentamento pelo postal de aniversário que recebeu, por ocasião dos seus 78 anos, assinado por um grupo de amigos arouquenses:

“Que alegria me trouxe! Obrigado põe ele, pela amizade, pelo bem que fazeis nesse ambiente e pela oração partilhada. 1000 vezes “Kanimambo” (obrigado em ronga) ou “Mbongile” (obrigado em txopi).

E continua dizendo que “Arouca e Mogofores são duas terras que trago no coração com carinho especial: foram elas onde eu passei mais tempo do meu sacerdócio jovem e onde convivi com gente tão boa, tão amiga e tão generosa…..Tudo isto sem prejuízo dos 24 anos últimos gastos aqui e que me marcaram profundamente: pela pobreza desta gente, pelos jovens tão carenciados, pelos anos difíceis da guerrilha (com falta de tudo, quase) e pela “semente do Evangelho” que vamos semeando por estas terras. Gente sofredora. Gente boa e amiga.”

Falando um bocadinho de si, diz que “continua a sentir-se bem”, para mais este ano em que faz 50 anos de ordenação sacerdotal.

Relativamente à nova comunidade em que agora se encontra, desde há um ano, a Escola Profissional de Inharrime, na província de Inhambane, o Pe. Zé Maria diz que ela, com os cursos de Serralharia, Mecânica, Carpintaria, Construção civil e Electricidade, prepara cerca de 300 jovens para a vida, “uma vida digna, também com a evangelização possível”. Refere ainda que a comunidade cristã que começou há 5 anos “vai crescendo e qualificando-se cristãmente. Isto dá alegria. Devagar, mas vai indo.”

Antes de terminar esta mensagem, este missionário salesiano expressa o seu sentido agradecimento a todas as pessoas, que “com a sua oração, o seu sacrifício, a sua oferta e a sua amizade, nos ajudam e encorajam na formação e na evangelização do querido povo de Moçambique”.

E termina com um “Kanimambo” também ao director e responsáveis do novo Semanário.

“Obrigado-kanimambo, pois, a todos!”

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo” nº5 de 6 de Junho de 2008

Recorda-se que continua aberta na Caixa Geral de Depósitos a conta nº0111022172730, onde qualquer pessoa poderá depositar o seu contributo para apoio à actividade missionária do Pe.Zé Maria.


Fumando acima das nuvens

31 de Maio, 2008

Dizem os manuais básicos de jornalismo que se um cão morder um homem não será motivo de notícia jornalística, mas se um homem morder um cão já o poderá ser, pela invulgaridade do acontecimento.

Também fumar um simples cigarro não será, obviamente, objecto de matéria jornalística ou assunto para notícia televisiva ou radiofónica. Mas o facto do Primeiro Ministro, José Sócrates e o ministro da Economia terem fumado a bordo do avião em que viajavam até à Venezuela, numa visita oficial àquele país, já foi motivo de amplas e desenvolvidas notícias, nos mais diversos média portugueses.

Apesar da tentativa de explicação dada pela empresa que fretou o avião que levava a comitiva oficial portuguesa a Caracas, no sentido de justificar um acto que não tinha qualquer justificação, face à legislação recentemente aprovada no nosso parlamento, o Primeiro Ministro, mais uma vez se saiu airosamente deste recente desaire político, muito embora cometido fora do País e bem longe do território habitado pelos seus concidadãos.

Embora praticando um acto que lhe manchou a sua imagem de rigor e de exigência no cumprimento da lei, José Sócrates teve, pelo menos, a humildade de assumir o seu erro e, sobretudo, a coragem de afirmar, publicamente, que deixava de fumar.

Se, na sequência deste desaire tabagista, muitos outros fumadores lhe seguirem o exemplo, no que se refere à sua acertada decisão de deixar de fumar, estou convencido de que qualquer antitabagista dará por bem empregue a ilegalidade cometida pelo Primeiro Ministro e se prontificará, mesmo, a pagar-lhe a coima, caso ele venha a ser multado por esse seu acto, mesmo que praticado a grandes alturas e escondido por detrás das nuvens.

Ao contrário do Bloco de Esquerda que defende para Sócrates uma “multa exemplar” eu, como antitabagista, defendo mesmo que a Organização Mundial de Saúde, ou pelo menos a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo o devia condecorar pelo sua pública decisão de abandonar, definitivamente, o hábito de fumar.

Que muitos outros o imitem…..pelo menos nisto!

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº719 de 30 de Maio 2008

Rota do Xisto

28 de Maio, 2008

Novo percurso pedestre

Com muita gente, alguma chuva e uns pingos de sol, de vez em quando, inaugurou-se, no passado dia 24 de Maio, mais um percurso pedestre -o PR9 - na Freguesia de Canelas. Apesar da meteorologia ter afastado muitos dos 560 inscritos, mais de 300 pessoas, e no meio delas muita gente nova, percorreram, durante 5 horas, os 16 quilómetros que compõem este novo percurso.

Foi junto à igreja paroquial de Canelas, sob uma bátega de chuva, que já se vinha a anunciar há largos minutos, que o Presidente da Câmara, Artur Neves descerrou o placard de mais um novo percurso pedestre, todo ele traçado dentro desta Freguesia.

Mesmo com aguaceiros, já anunciados pelos meteorologistas, desde há alguns dias, o entusiasmo entre as centenas de participantes, muitos deles vindos mesmo de fora do Concelho, não foi prejudicado, muito embora a chuva tenha acrescentado algumas dificuldades a certos troços do percurso.

A primeira paragem teve lugar no Centro de Interpretação Geológica, junto ao qual foi servida, a todos os caminhantes, uma deliciosa broa com mel, produtos confeccionados na Freguesia, e que foram acompanhados de cachaça com mel.

Aí, e junto ao chamado Museu das trilobites, o Presidente da Câmara descerrou mais um placard, desta vez referente ao GR 28 “Por montes e vales de Arouca”, grande rota que, a partir dali se separa da “Rota do Xisto” em direcção ao Gamarão de Cima, terminando em Arouca.

Segundo informações do Presidente da Câmara, este percurso pedestre e esta grande rota, juntamente com outros já homologados, fazem de Arouca a “capital do pedestrianismo”, atendendo às condições excepcionais que o Concelho possui para a prática destas actividades.

Durante o percurso os participantes foram encaminhados para um miradouro donde puderam desfrutar de uma magnífica vista sobre a queda de água das Aguieiras a despenhar-se no caudaloso rio Paiva. Puderam também, mais à frente, espreitar algumas bocas de minas de exploração do volfrâmio, nomeadamente a mina do pereiro, com uma galeria de cerca de 150 metros, mas só possível de ser percorrida com o auxílio de lanternas.

O troço do percurso mais belo, mas que se tornou um pouco mais difícil, devido à chuva, foi aquele que acompanha, muito de perto, o rio Paiva, desde a praia do Vau ao moinho da ribeira. A beleza do Paiva, ali mesmo ao lado, a riqueza e variedade da vegetação envolvente, a cascata do ribeiro da Estreitinha em toda a sua pujança, o moinho ainda em funcionamento (e que bem poderia estar aberto a todos os quer por lá passaram), fizeram deste troço o verdadeiro ex- -libris deste novo percurso.

A caminhada terminou no largo da capela da Senhora dos Anjos, onde todos os participantes foram surpreendidos com a oferta de dois porcos no espeto, servidos com muito pão, azeitonas , fruta, sumos, vinho e música popular.

A animar este lanche, comido com bastante apetite, esteve a actuação do Rancho Folclórico “As Lavradeiras de Canelas” que cantou e dançou para todos os numerosos caminhantes.

Refira-se que tudo isto foi oferecido pela Junta de Freguesia de Canelas que, como anfitriã, desempenhou um importante papel no lançamento e na inauguração deste novo percurso, muito justamente designado por “Rota do Xisto”.
José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº719 de 30 de Maio 2008