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No ano em que ocorrem 220 anos da beatificação da Rainha Santa Mafalda (27 de julho de 1793) e na data em que se celebra o Dia Internacional da família (15 de maio) quis o curso de História da Academia Sénior de Arouca (ASARC) fazer uma visita cultural, percorrendo os espaços que unem os laços familiares da padroeira de Arouca, cujos restos mortais se encontram no Mosteiro de Arouca, dentro de um belíssimo túmulo-relicário, em ébano com aplicações em prata e bronze dourados, inaugurado a 15 de julho de 1793, por altura da sua beatificação, sendo seu autor o entalhador portuense José Francisco de Paiva.

O primeiro espaço visitado foi o Mosteiro de Lorvão que, tal como o de Arouca, mudou da ordem beneditina para a Ordem de Cister, no sec.XIII, sob o governo de D.Teresa. Embora sendo inicialmente masculino, este foi o primeiro mosteiro feminino a seguir a ordem de Cister em Portugal.

Aí, acompanhados pelo guia do Mosteiro, Dr. José Pisco, os alunos da ASARC visitaram, não só os principais espaços conventuais, mas também a sala do tesouro e um pequeno museu  com algumas peças de escultura, pintura, paramentos e outros objetos pertencentes ao espólio daquele Mosteiro. 

De destacar nessa visita, os túmulos das beatas Teresa e Sancha, irmãs da Rainha Santa Mafalda, construídos em prata e expostos na capela-mor da Igreja do Mosteiro de Lorvão, tendo sido fabricados em 1715, pelo ourives portuense Manuel Carneiro da Silva.

Igreja de Santa Cruz, junto ao túmulo de D.SanchoI

De Lorvão os visitantes seguiram para Coimbra, onde, depois de terem almoçado no “Cantinho dos Reis” tiveram ocasião de  visitar a Mosteiro de Santa Cruz, cujas origens remontam a 1131, mas que foi reconstruída no sec.XVI em estilo manuelino.

Além da igreja, da sacristia, do claustro do silêncio e da sala do capítulo, destaque-se a visita dos túmulos reais  de D.Afonso Henriques e D.Sancho I, respetivamente, avô e pai da Rainha Santa Mafalda e que foram mandados construir por D. Manuel I aquando da sua visita a Coimbra em 1502.

À entrada do Mosteiro de Celas

Daqui passaram os estudantes séniores,  para a visita de mais um Mosteiro cisterciense, com laços familiares à padroeira de Arouca, o Mosteiro de Celas fundado por sua irmã D.Sancha, provavelmente, em 1213. É de todos, o mais pequeno e do qual só restam hoje o claustro do sec.XVI, a pequena igreja de planta circular e abóbada manuelina, o cadeiral e a sala do capítulo.

Esta visita por Mosteiros com laços familiares à rainha santa Mafalda e que foi guiada pelo prof.de História, Afonso Veiga, terminou com uma agradável caminhada pela Mata Nacional do Bussco, mandada plantar pela Ordem dos Carmelitas Descalços em 1630.

No Bussaco

Esta “peregrinação” pelos espaços conventuais com laços familaires à Rainha Santa Mafalda proporcionou aos seus participantes um dia culturalmente rico, socialmente saudável e ambientalmente reconfortante, indo assim, certamente, de encontro aos objetivos da ASARC.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº258 de 24 de maio 2013

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HORAS DE UM TEMPO IMPERFEITO

por jcerca em 11 de Maio de 2013

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Poesia para um tempo de crise

Publicar poesia numa época e numa sociedade em que só a dimensão económica parece contar e em que a poesia da vida é ofuscada pela psicose da crise socioeconómica em que vivemos é, digamos assim, uma proeza para quem a escreve e uma aventura para quem a edita.

 Apesar disso e muito embora todos nós vivamos “Horas de um tempo imperfeito” e bem difícil, a verdade é que, com este mesmo título, foi apresentado, no cadeiral do Mosteiro de Arouca, no dia 10 de maio, um livro de poesia de Pedro Marques, no qual o autor reuniu um conjunto de poemas escritos na década de 1984 a 1994, sobre os mais diversos temas.

Natural de Santo Tirso, a residir em Felgueiras e com ligações a Arouca, não só por relações familiares, resultantes do casamento com uma arouquense, mas também por relações laborais, tendo trabalhado, durante alguns anos, no Tribunal de Arouca, a apresentação de José Pedro de Carvalho Marques foi feita por Artur Neves. Congratulando-se com apresentação pública de mais um livro, cerimónia essa que tem sido frequente em Arouca, durante o seu mandato como Presidente da Câmara Municipal, Artur Neves referiu a multiplicidade de valências de Pedro Marques, desde professor, bancário, jornalista, músico, técnico de contas, bancário e até mesmo autarca.            

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Embora com diversas publicações já feitas, “Horas de um tempo imperfeito”  é a sua primeira obra de poesia agora publicada e cuja apresentação foi feita pela Drª Conceição Lima. No entanto, Pedro Marques ao agradecer à Câmara de Arouca a maneira atenciosa e colaborante como abraçou esta apresentação e depois de evocar a sua profunda ligação a Arouca, afirmou que, na verdade, Conceição Lima é a verdadeira autora deste livro, pois se não fosse ela e o seu empenho ele não existiria.

Por sua vez, considerando o autor um homem multifacetado e ligado a um conjunto diversificado de atividades sociais, culturais, religiosas, musicais e etnográficas, Conceição Lima referiu que esta primeira obra de poesia espelha o retrato do autor. Através dos seus poemas descobrimos um homem introspetivo e solitário, mas em profunda comunhão com a natureza; um homem de Fé, mas permanentemente intranquilo; um homem ansioso, sempre desejoso de chegar mais alto e que aspira ao infinito, qual condor que a capa do livro expressivamente apresenta.

Durante a apresentação da obra, Conceição Lima, que também escreveu o prefácio, foi lendo alguns dos poemas desta coletânea, como exemplificação de alguns traços do autor sobre a sua maneira de estar no mundo e de observar e sentir dentro de si a realidade que o cerca, considerando que a poesia é também “uma terapia da alma”:

A minha alma é espaço

Enorme, onde o eco se perde!

Está vazia!!!….

(Alma vazia –pag.94)

Momento musical

Amante da arte, apreciador da música e com Arouca profundamente enraizada nas suas memórias, a apresentação desta obra de Pedro Marques não poderia ter melhor palco e cenário mais adequado do que o magnífico cadeiral do Mosteiro de Arouca, onde pontifica um imponente órgão ibérico, datado de 1743 e cuja magnífica sonoridade, através das mãos de Nicolas Roger, seu organista titular, veio dar mais brilho e conferir maior perfeição a estas “Horas de um tempo imperfeito”.

Além de algumas peças de órgão, alternou ainda a declamação de poemas o som de clarinete por dois alunos da Academia Musical de Arouca, o Rui e o Micael.

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Seguiu-se uma sessão de autógrafos aos livros adquiridos pelo público presente e um Porto d’honra na cozinha conventual.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº257 de 17 de maio 2013

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CISTER, SABERES, SABORES e….SONS

por jcerca em 6 de Maio de 2013

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Depois de uma interrupção de quatro anos, realizou-se de 1 a 5 de maio, a VIª edição do evento “Cister, Saberes e Sabores” organizado pela Associação Anima Património em parceria com a Câmara Municipal de Arouca, aglutinando um vasto leque de colaborações, por parte de diversas Associações e entidades do Concelho de Arouca.

Com um conjunto diversificado de atividades, este evento permitiu abrir ao público os amplos e numerosos espaços conventuais, há vários anos fechados, e durante estes cinco dias, ocupados com exposições de fotografia e de pintura, oficinas de conservação e restauro, teatro e projeção de filmes, com destaque para o “Mulheres da Beira”, realizado na Vila de Arouca em 1921.

Relativamente às exposições de fotografia, que ocuparam os longos corredores do piso superior do Mosteiro, além da exposição sobre “Diálogos abstracionistas da Água” do fotógrafo arouquense Óscar Valério, mereceu interesse especial o arquivo fotográfico de Adílio Ferreira da Silva, com numerosas fotos antigas, sobre espaços e pessoas da Vila de Arouca.

Os espaços, outrora ocupados pelos dormitórios do antigo Colégio Salesiano, foram reservados a exposições de pintura, destacando-se “Silêncio efémero” da artista plástica autodidata Maria da Glória Tavares Fernandes,e uma outra com obras diversas do artista Camol d’Évora.

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Ateliers sobre técnicas de restauro, quer em pano, madeira, papel ou cerâmica, bem como oficinas de conservação e restauro de talha, pintura e escultura, ocuparam outros dos numerosos espaços conventuais. E também o linho mereceu um espaço adequado mostrando os variados artefactos que as suas diversas fases exigem, até ser obtido o preciso pano, a partir da planta do linho.

CISTER

A ordem de Cister foi fundada em 1098 na abadia de Cister na Borgonha (França). Em Portugal, os cistercienses estabeleceram-se em 1144, no antigo mosteiro beneditino em S. João de Tarouca, e, em 1153, em Alcobaça.

Em Arouca, é com a entrada de D. Mafalda, filha de Sancho I, na comunidade monacal, em 1220, que o Mosteiro, então beneditino, muda para a regra de Cister.

OS SABERES

Sendo a figura de D.Mafalda Sanchez a primeira e principal referência cisterciense no Mosteiro de Arouca, a edição deste ano escolheu-a como tema aglutinador do Colóquio “Ao tempo de Mafalda Sanchez” coordenado cientificamente pela Drª Maria Helena da Cruz Coelho.

Tendo como pano de fundo personagens e ambientes históricos relacionados com a figura de D.Mafalda Sanchez, este VI Colóquio, trouxe a Arouca um excelente naipe de investigadores medievais da Universidade de Coimbra, de Lisboa e de Évora.

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As oito comunicações apresentados por estes investigadores, proporcionaram, a maior parte delas, o desvendar de aspetos históricos interessantes e que contribuíram, certamente, para um maior aprofundamento da vida deste figura tutelar do Mosteiro de Arouca, a quem se deve a introdução da ordem cisterciense.

Apesar do tema apelativo para qualquer arouquense que se preze da história do seu passado e do seu rico património cultural; apesar do brilhante naipe de investigadores convidados pela grande investigadora da história do Mosteiro de Arouca, a drª Maria Helena Cruz, foi pena verificar-se a ausência de muitos arouquenses, sobretudo daqueles que têm responsabilidades, não só culturais, como também docentes na comunidade arouquense.

OS SABORES

Além dos numerosos saberes que a ordem Cisterciense nos legou em toda a Europa, são os sabores, quer referentes a doçaria conventual, quer a licores ou outros produtos gastronómicos, aqueles que ainda hoje perduram em muitos mosteiros, constituindo, em muitos casos, um suporte económico das suas comunidades.

Por isso mesmo, a edição deste ano de “Cister, saberes e sabores” não podia deixar de incluir uma mostra/venda desses produtos, oriundos de diversos Mosteiros de todo o País que expuseram aos visitantes, no antigo refeitório do Mosteiro de Arouca, não só a sua doçaria conventual, como também os seus licores, as suas compotas, os seus frutos secos e outros produtos diversos.

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O fabrico ao vivo de doçaria conventual, nomeadamente as castanhas doces com origem no Mosteiro de Arouca, foi uma atividade que mereceu a curiosidade dos milhares de visitantes que foram passando pela cozinha conventual.

Mas também os produtos agrícolas locais, nomeadamente vinhos e compotas estiveram patentes para venda ao público nos claustros superiores.

Os espaços exteriores do Mosteiro, nomeadamente a sua cerca, com a botica e as suas ervas aromáticas estiveram também abertas aos visitantes, permitindo-lhes um agradável passeio por esses espaços.

OS SONS

A animação musical foi uma componente importante na programação do “Cister, saberes e sabores” deste ano. Músicas de diversos estilos e de várias épocas, foram sendo apresentados, nos diversos espaços conventuais, ao longo destes cinco dias.

Assim, pelos CLAUSTROS superiores e inferiores ecoaram as vozes harmoniosas e polifónicas do grupo de cramois do Conjunto Etnográfico de Moldes, bem como os sons do Quarteto de Metais.

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O CORO DAS FREIRAS, outrora habituado às melodias gregorianas, que as freiras elevavam a Deus, muitas vezes acompanhadas  pelo majestoso órgão ibérico, que aí pontifica, foi também palco dos mais diversos géneros de música. Foi aí que a música trovadoresca do sec.XIII ecoou também numa excelente interpretação do grupo “Vozes Alfonsinas” que ofereceu ao público 15 temas de música trovadoresca de autores galego-portugueses. Foi um momento raro e culturalmente muito rico pela interpretação de melodias reconstituídas a partir de fontes medievais e interpretadas por um grupo que, desde a sua criação em 1995, se tem vindo a afirmar no panorama nacional, como um dos mais criativos e sólidos grupos musicas na área da música trovadoresca.

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Mas também os sons do órgão ibérico, acompanhado de violino, de flauta e de solistas do Instituto Piaget, ecoaram harmoniosamente neste belo cenário de arte e religiosidade, onde foram interpretadas peças de importantes compositores clássicos dos sec. XVII e XVIII.

Por sua vez a SALA DO CAPÍTULO acolheu os acordes de piano que, pela mão de Ivo Brandão, acompanharam o programa “Voz dos sentidos” emitido  em direto pela Rádio Informédia, de S.João da Madeira.

Mas foi a IGREJA CONVENTUAL o espaço que mais momentos musicais acolheu. Desde o Grupo Coral de Urrô, que animou a Celebração da festa da rainha Santa Mafalda, até à Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música de Fornos (Santa Maria da Feira) que encerrou o dia da festa da padroeira com um excelente concerto junto ao seu túmulo-relicário. De todos os momentos musicais, que ocorreram na Igreja Conventual foi, certamente, o Concerto do Ano da Fé, organizado pelo Grupo coral de Urrô, aquele que mais público reuniu. Acompanhado pela Orquestra Per Gaya, este Concerto reuniu mais de 100 vozes oriundas da maior parte dos coros das comunidades cristãs do concelho de Arouca.

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Um outro tipo de música, bem diferente dos anteriores, teve lugar no antigo SALÃO DE FESTAS, onde atuou a Orquestra S.João Batista de Cepelos, naquilo que terá sido o último espetáculo aí apresentado, uma vez que, dentro de pouco tempo, o palco aí deixado pelos Salesianos, desaparecerá, em virtude das obras para a instalação da Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão, por parte da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº256 de 10 de maio 2013

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FÉ, ARTE E CULTURA UNIDAS PELA MÚSICA

por jcerca em 5 de Maio de 2013

Integrado no Ano da Fé e inserido num belo cenário de arte sacra, como o é a magnífica igreja do Mosteiro de Arouca, teve lugar no dia 4 de maio, um Concerto musical que reuniu mais de uma centena de vozes e que foram acompanhadas pela Orquestra Per Gaya da Escola de Música de Perosinho, dirigida pelo maestro João Costa.

Foram interpretados vários trechos de música sacra de importantes compositores, tais como, entre outros, Haendel, Vivaldi, Mozart, Gounod e Cesar Franck. Algumas dessas peças tiveram a participação vocal dos solistas Vítor Sousa, Miguel Rodrigues, Luísa Barriga e Maria João Gomes.

Concerto Ano da Fé

Expressão de unidade na fé foi, não só a presença do bispo auxiliar do Porto, D.João Lavrador, neste concerto, como também a possibilidade que este evento permitiu de congregar quase todos os grupos corais que animam as celebrações nas comunidades paroquiais do concelho de Arouca, totalizando mais de uma centena de vozes, que cantaram, em uníssono, o “Credo Domine” do Pe. Cartagena e que foi eleito como Hino do Ano da Fé.

O concerto terminou com a interpretação do Hino à Rainha Santa Mafalda de Arouca, num arranjo musical do compositor Paulo Bernardino, organista da capela da Universidade de Coimbra.

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Ainda dentro das festividades da Rainha Santa e no ano em que ocorrem 220 anos da sua beatificação, este hino, interpretado mesmo em frente ao seu altar, constituiu uma bela homenagem à padroeira de Arouca, cuja memória, permanece, desde há séculos, ligada à história deste Mosteiro e cuja devoção continua viva no coração dos seus devotos.

Além de uma manifestação de fé, expressa através da música e do canto coral, este concerto, organizado pelo Grupo Coral de Urrô, foi também uma expressão de evangelização da qual a música pode, e deve também ser, um importante veículo nos tempos em que vivemos.

A beleza do cenário em que decorreu este concerto, a sonoridade vibrante das vozes dos coralistas e a harmonia dos instrumentistas que as acompanharam, proporcionaram um ambiente de beleza e de espiritualidade que, certamente, encheu a alma e elevou o espírito de quantos tiveram o privilégio de assistirem a esta manifestação de fé, de arte e de cultura, no Mosteiro de Arouca.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº256 de 10 de maio 2013

Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº18 de 8 de maio de 2013

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Rainha Santa, vinde valer-nos!

por jcerca em 4 de Maio de 2013

Arouca celebra a festa à sua padroeira

Rainha Santa, vinde valer-nos! Nesta hora incerta de sombra e luz.

Foi com este apelo, vibrantemente cantado diante do altar da Padroeira de Arouca, e junto ao seu túmulo-relicário, pelos numerosos fiéis que encheram completamente a igreja do Mosteiro de Arouca que, no passado dia 2 de maio, se encerraram as cerimónias religiosas em honra da Rainha Santa Mafalda.

O ponto central das festividades foi a Eucaristia solene, presidida pelo Bispo Auxiliar do Porto, D.João Lavrador, concelebrada por 10 sacerdotes e um diácono permanente e que  foi transmitida em direto pela Rádio Regional de Arouca. A animação musical da celebração esteve a cargo do Grupo Coral de Urrô que foi acompanhado ao órgão de tubos pelo prof. Nicolas Roger, organista titular do Mosteiro. Mais uma vez se fez representar nesta festa uma delegação do Mosteiro de Lorvão, que, este ano, veio acompanhada do seu pároco.

Além da Ordem de Malta, esteve também presente, nesta festa, um grupo de freiras cistercienses, e de outras ordens religiosas, que vieram participar na mostra de doçaria conventual, integrada no evento “Cister, saberes e sabores” que decorreu em Arouca de 1 a 5 de maio.

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Durante a homilia, D.João Lavrador lembrou que “celebrar a festa da Rainha Santa Mafalda é reconhecer a verdade do amor de Deus revelado em Jesus Cristo, presente na vida e na ação desta grande mulher, por isso elevada à glória da santidade.”

E embora a vida e a ação de Santa Mafalda se situem em contextos distintos dos atuais, o Bispo auxiliar do Porto lembrou que “o exemplo de Santa Mafalda é iluminador para a nossa vida, no contexto da cultura atual.” E concluiu que a vida de Santa Mafalda é, “no seu conjunto, nas suas palavras, nos seus gestos, no seu estilo, nas suas convicções e prioridades, exemplo de evangelização.”

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Depois da Missa seguiu-se a adoração ao SS.mo que terminou, no final da tarde, com a procissão solene pelas ruas da vila de Arouca, acompanhada, não só por uma grande multidão de fiéis, mas também pelos sons da Banda Musical de Arouca e pelas diversas irmandades do Concelho.

Procissão festa Rainha santa

Celebrada em plena época de crise, mas com saberes e sabores de Cister, a festa em honra da Rainha Santa, no ano em que ocorrem 220 anos da sua beatificação, foi uma grande jornada de fé, de cultura e de tradição popular que trouxe a Arouca milhares de devotos que vieram implorar a sua proteção nesta “hora incerta de sombra e luz”.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº256 de 10 de maio 2013

Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº18 de 8 de maio de 2013

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