Escola de Órgão do Mosteiro de Arouca

por jcerca em 3 de Setembro de 2011

Ensinar a “tanger órgão”

Arouca pode orgulhar-se de possuir no seu Mosteiro uma rara peça da organaria ibérica. Datado de 1743 este órgão recebeu em 2009 o seu último e mais importante restauro que acabaria por o reabilitar de algumas intervenções anteriores não muito bem sucedidas.

Com esse restauro, no qual foram investidos 380 mil euros, Arouca ficou mais valorizada no seu património e com excelentes condições para promover eventos culturais com este raro instrumento musical dotado de enormes potencialidades sonoras.
Perante isto, seria contraproducente que esse valioso equipamento fosse votado ao esquecimento.

Estando a residir no Concelho de Arouca o antigo organista titular dos órgãos do Santuário de Fátima e atualmente organista titular do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca, o prof.Nicolas Roger, a Real irmandade da Rainha Santa Mafalda  e a Paróquia de Arouca recorreram aos seus conhecimentos  e à sua larga experiência para iniciarem uma pequena escola de órgão, que  funcionou, durante o anterior ano letivo, com 5 alunos arouquenses.

Conscientes da importância desta escola de órgão  para garantir a continuidade da tradição organista do Mosteiro de Arouca, as aulas irão continuar no presente ano letivo, estando já abertas inscrições para novos alunos.

José Cerca

 Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº792 de 15 de setembro de 2011

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Acantonamento na Espiunca

por jcerca em 20 de Agosto de 2011

Conviver com as pessoas e com a natureza

Já na sua 3ª edição o grupo dos ADS do Centro Juvenil Salesiano acantonou na Espiunca de 14 a 20 de agosto, convivendo entre si, convivendo com as pessoas da localidade que já se habituaram à sua alegria e convivendo, sobretudo, com a natureza, não só através dos mergulhos no rio Paiva, como também por meio de passeios que, diariamente, efetuavam na companhia dos seus animadores.

Na praia fluvial da Espiunca

Numa altura em que muitas crianças, parafraseando a escritora Alice Vieira, só têm à sua volta “máquinas, ecrãs, computadores, telemóveis, em vez de pessoas”, faltando-lhes, muitas vezes, o contacto humano, 45 crianças e adolescentes do Centro Juvenil Salesiano, acompanhadas de 5 dos seus animadores, puderam viver uma experiência bastante enriquecedora com atividades diversas que permitiram não só um maior conhecimento da zona envolvente, como também um salutar convívio entre si e uma maior interação com a comunidade local.

Para isso muito contribuíram não só os jogos e as caminhadas realizadas, com destaque para um peddy-paper implicando o recurso a conhecimentos e a objetos da população local, como também a visita a pessoas idosas pertencentes a duas famílias dessa localidade.

Caminhadas ao encontro das pessoas e da natureza

As sessões de cinema ao ar livre, abertas à população, foi também outra iniciativa que contribuiu para uma maior aproximação entre a comunidade juvenil e a comunidade local.

De destacar ainda um workshop de culinária, orientado por dois professores da Escola Secundária que ensinaram o grupo dos mais velhos  a fazerem diversos tipos de pizzas.

Prof.Vitor e Isabel ensinando a fazer pizas

Breves momentos de reflexão e de espiritualidade estiveram também presentes ao longo deste acantonamento.

Um momento alto deste acantonamento foi o “Dia dos Pais” que contou com a presença dos pais e familiares da maior parte dos jovens acantaonados. Além do jantar partilhado entre todos teve lugar uma pequena sessão de variedades onde os pequenos artistas apresentaram um conjunto de números que espalhou alegria e boa disposição entre todos.

Dia dos pais proporcionou alegria e confraternização

Foram, certamente, todas estas atividades, intercaladas com os mergulhos no rio, que contribuíram para enriquecer humanamente e diversificar este acantonamento. Se estivesse limitado ao rio ele não deixaria de ser agradável, certamente, mas seria, seguramente, muito menos enriquecedor.

Um dos seis grupos do Peddy-paper

Um agradecimento ao pároco da Comunidade cristã da Espiunca, Pe. Paulo Teixeira, bem como à respetiva Junta de Freguesia, pela cedência de instalações para este acantonamento.

José Cerca

Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº792 de 15 de setembro de 2011

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Geologia Conventual

por jcerca em 19 de Agosto de 2011

Integrado no Programa “Ciência viva no verão”, teve lugar no dia 19 de agosto uma ação denominada  “Geologia Conventual” organizada pela AGA – Associação Geoparque Arouca e pela Real Irmandade Rainha Santa Mafalda.

A ação, de âmbito nacional, iniciou-se com uma explicação científica sobre a rocha do Mosteiro de Arouca, dada pela Drª Daniela Rocha da AGA. Construídas em granito extraído na região, as paredes do Mosteiro de Arouca são compostas por rochas formadas há cerca de 300 milhões de anos.

Depois desta explicação seguiu-se uma visita aos espaços conventuais e ao Museu de Arte sacra, visita essa acompanhada da explicação histórica dada pelo Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, Prof. Dr. Arnaldo Pinho.

A ação terminou com uma prova de doçaria conventual servida na Cozinha do Mosteiro.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº172 de 9 de setembro de 2011

 

 

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Pastor serrano no Facebbok

por jcerca em 10 de Agosto de 2011

Tem cabras, ovelhas, vacas, campos de batatas e milho e até vinho americano. Mas tudo real, nada virtual como nos trabalhadores facebokianos do FarmVille.

 

Vaca arouquesa na Serra da Freita

 

É o Zeca Zulmiro, pastor e agricultor em Albergaria da Serra, outrora das cabras, mas que também tem a sua página na rede social do Facebook.

- “Gostu du que faço, passear cabras e fazer os campitos nestes arredores” – deixa ele numa das mensagens do seu cantinho da rede social.

Tendo apenas o 4º ano de escolaridade este pastor facebokiano usa a rede social nos tempos que lhe sobram da pastorícia e das lides agrícolas para interagir com os seus amigos virtuais.

A seu pedido, adicionei-o como amigo no meu FB, há dias, e foi a partir daí que comecei a conhecer, virtualmente, este típico pastor da nossa serra da Freita.

 

Igreja de Albergaria da Serra

 

Mesmo através de uma escrita, que se afasta, frequentemente, da norma linguística, Zeca Zulmiro consegue exprimir muito bem, através da sua castiça linguagem, toda a autenticidade da vida serrana, bem como a simplicidade da vida campesina e a espontaneidade coloquial do seu discurso.

Ainda novo nestas lides da internet e das redes sociais, acabou de aprender há dias que, de acordo com o código da internet, (a netiqueta), escrever sempre em letras maiúsculas, quer dizer, do lado de cá, que se está zangado ou a berrar com alguém.

- “Obrigado Zé Cerca, graças a ti já sei escrever a não berrar”

Mesmo principiante, já sabe colocar eventos no Facebook para convidar quem quiser colaborar nas suas lides agrícolas, quer seja apanhando batatas, quer seja cortando a bandeira do milho.

-“Tá a chegare a bandeira do milho….Im bez de ir pa praia daqui, binde-me ajudar. É fácil, é só cortar e butar pa traz.

E para os mais indecisos tenta seduzi-los com a pinguita:

- “Bim-de mas é ajudar na bandeira do milho. Depois dou binho do bo.”

E volta a insistir mais à frente:

- “Binde, que depois há festa em minha casa. Binde ter ao Café e bamos pó campo. Binde, passai a mensage a todos os vossos amigos”

Pois é…., se ainda fosse trabalhar no FarmVille não faltaria gente. Agora trabalhar no duro!….. Então, como ninguém apareceu lá vem o desabafo com toda a sua sinceridade, alguma ironia e um certo espírito de brincalhão:

- “Ubrigado, ninguém apareceu, também bobi o binho todo!”

 

Represa no rio Caima em Albergaria da Serra

 

Mas antes do anúncio para a bandeira do milho, Zeca colocou outro para a apanha da batata:

- “Amanhã apanha da batata, apareço, nau faltem. Preciso de vocês. Fui hoije ha cuprativa da parte da manhã cumprar enxadas pra manhã. Preciso de vocês. Venham há batata. Dou binho!

É surpreendente ver como este pastor serrano utiliza as novas tecnologias  ao serviço da sua atividade na serra ou no campo. E até a máquina fotográfica usa para mostrar como ficaram as suas couves. E a comentar a foto da couve este desabafo:

- “O bicho lixou-me a coibe toda este ano!….”

Mas se o bicho lhe lixa as couves, por vezes são as moçoilas que dão cabo do nosso pastor, que, pelo que parece até tem muito bom gosto:

- “Cá em cima é só xixa boua. Hoje fiquei apaixonado por uma menina que tava perto da praia de Albergaria!”

 

Praia fluvial em Albergaria da Serra

 

Bem, tenho mesmo que sair do virtual e passar ao real, subindo a serra da Freita para ir ao encontro deste pastor tão castiço e, para já, meu amigo virtual no Facebook.

José Cerca

 

Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº792 de 15 de setembro de 2011

 

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Papofobia

por jcerca em 9 de Agosto de 2011

A palavra fobia começou, desde há alguns tempos, a entrar na composição de um conjunto de palavras, desde a homofobia, à clerofobia, até à cristianofobia, palavras que pretendem exprimir o medo ou a aversão a determinados conceitos, seja a homossexualidade, seja a igreja ou até religião cristã.

Agora, em Espanha e a propósito da vinda do Papa Bento XVI para participar na 26ª edição das Jornadas Mundiais da Juventude, criadas por João Paulo II em 1985 e cuja edição deste ano decorrerá em Madrid, de 16 a 21 de Agosto, uma nova fobia está a surgir: a papobia.

Aliás esta fobia não é nova e surge sempre que o Papa, dentro da sua atividade pastoral, visita qualquer País, tal como aconteceu também em Portugal, por ocasião da última visita ao nosso País, em Maio de 2010.

Aproveitando a presença do Papa Bento XVI em Espanha, entre 18 e 21 de agosto, para participar na JMJ2011, onde se espera mais de um milhão de participantes, dois movimentos denominados «Por um estado laico» e «Dos meus impostos, zero para o Papa», estão já a organizar uma manifestação marcada para o dia 17 de agosto contra a visita do Papa.

E em Espanha, tal como aconteceu também em Portugal, o dinheiro gasto nessas visitas é quase sempre o único argumento invocado pelos opositores, mesmo sabendo que muitas das vezes essas visitas não são financiadas por dinheiros públicos e, quando o são, é porque se  trata de  visitas oficiais realizadas entre dois estados soberanos.

Apesar do diretor financeiro da JMJ ter repetidamente esclarecido, em várias entrevistas, que o evento terá “custo zero para os contribuintes” e permitirá uma injeção de mais de 100 milhões de euros na economia espanhola; apesar de ter informado que a visita do Papa será suportada, em 70 por cento, com o dinheiro dos peregrinos, e os restantes 30 por cento serão assegurados através de donativos vindos de empresas e particulares, mesmo assim os organizadores papofóbicos  continuam a insistir na manifestação contra o Papa, mesmo sabendo que “a presença do Papa é também um imenso benefício económico para a sociedade” tal como referiu Fernando Barriocanal, diretor financeiro da Jornada Mundial da Juventude.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº171 de 12 de agosto de 2011

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