Com a tradicional sessão de fogo preso, este ano, frente ao edifício da Câmara Municipal de Arouca, encerrou-se a 67ª edição da Feira das Colheitas que trouxe a Arouca milhares de visitantes, beneficiados pelas excelentes condições climatéricos destes 4 dias de festa e de feira.
Se a mudança do local para o lançamento do fogo preso e de artifício foi uma das inovações positivas desta feira, aquela que motivou mais apreciações favoráveis foi a que se refere às melhorias verificadas na cerca do Mosteiro.
Efetivamente, esse espaço, tão esquecido e abandonado ao longo de todo o ano, abriu as suas portas ao público durante os 4 dias da Feira das colheitas, sendo palco de um conjunto variado de atividades desde as recreativas, às gastronómicas, até às exposições de animais, produtos agrícolas e outras.
O aproveitamento deste amplo e lindo espaço, a que a mata, o regato e o fonte da nogueira conferem ainda maior beleza, deveria ser futuramente melhor aproveitado. Penso mesmo que poderia ou deveria ser integrado na visita ao Mosteiro ao longo de todo o ano, funcionando como mais um dos espaços conventuais abertos aos visitantes do Museu de Arte Sacra.
Na verdade, limpo e desmatado para a Feira das Colheitas, dentro de poucos meses voltará a ser invadido pelas ervas, silvas e matagal até à próxima edição das Colheitas. Ficando integrado nas visitas ao Museu, tal como acontece em muitos conventos possuidores, a maior parte deles, de uma cerca como a nossa, seria uma maneira de manter a sua limpeza e preservação.
As casas da cerca
O abandono da cerca do Mosteiro, ao longo de todo o ano, reflete-se não apenas na invasão dos silvados e das ervas que crescem por todo o lado, mas também na degradação das casas aí existentes. E se a antiga botica do Mosteiro se apresenta ainda em bom estado de conservação, o mesmo não se pode dizer das duas outras casas, uma das quais com ligação ao Convento através de um passadiço em pedra.
As pessoas que neste edição da feira das colheitas percorreram a cerca depararam-se, certamente e com alguma tristeza, com o estado de abandono destas duas construções em pedra, a maior das quais já com o telhado em ruínas.
A sua localização e a sua história ligadas diretamente ao Mosteiro de Arouca, bem mereciam um olhar mais atento e urgente, de modo a que não atinjam a sua total e irreversível degradação.
Pensamos mesmo que, uma vez recuperados, tais construções poderiam transformar-se em equipamentos úteis não apenas durante a feira das colheitas, mas mesmo ao longo de todo o ano.
Mas se o estado destas casas foi, de certo modo, uma nota negativa quanto à preservação do nosso património, a verdade é que a quantidade de fruta abandonada no chão, debaixo da maior parte das árvores do pomar da cerca, constituiu também uma nota negativa e indicadora do desleixo e do abandono a que a cerca tem sido votada.
Domingos do agricultor
A realização dos Domingos do agricultor na praça Brandão de Vasconcelos foi uma iniciativa da Câmara Municipal de Arouca, considerada muito positiva pela generalidade da população.
Com as futuras obras de requalificação na zona histórica de Arouca, esse espaço ficará, pelo menos temporariamente, impedido de tal realização.
Perante esta circunstância, atrevemo-nos mesmo a sugerir que a cerca do Mosteiro poderia ser o espaço mais adequado para essa iniciativa de cariz agrícola, caso se conseguisse autorização para tal, junto das entidades envolvidas na gestão desse espaço.
José Cerca
Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº793 de 30 de setembro de 2011
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