A cerca do Mosteiro e a Feira das Colheitas

por jcerca em 26 de Setembro de 2011

 Com a tradicional sessão de fogo preso, este ano, frente ao edifício da Câmara Municipal de Arouca, encerrou-se a 67ª edição da Feira das Colheitas que trouxe a Arouca milhares de visitantes, beneficiados pelas excelentes condições climatéricos destes 4 dias de festa e de feira.

Se a mudança do local para o lançamento do fogo preso e de artifício foi uma das inovações positivas desta feira, aquela que motivou mais apreciações favoráveis foi a que se refere às melhorias verificadas na cerca do Mosteiro.

Efetivamente, esse espaço, tão esquecido e abandonado ao longo de todo o ano, abriu as suas portas ao público durante os 4 dias da Feira das colheitas, sendo palco de um conjunto variado de atividades desde as recreativas, às gastronómicas, até às exposições de animais, produtos agrícolas e outras.

O aproveitamento deste amplo e lindo espaço, a que a mata, o regato e o fonte da nogueira conferem ainda maior beleza, deveria ser futuramente melhor aproveitado. Penso mesmo que poderia ou deveria ser integrado na visita ao Mosteiro ao longo de todo o ano, funcionando como mais um dos espaços conventuais abertos aos visitantes do Museu de Arte Sacra.

Na verdade, limpo e desmatado para a Feira das Colheitas, dentro de poucos meses voltará a ser invadido pelas ervas, silvas e matagal até à próxima edição das Colheitas. Ficando integrado nas visitas ao Museu, tal como acontece em muitos conventos possuidores, a maior parte deles, de uma cerca como a nossa, seria uma maneira de manter a sua limpeza e preservação.

As casas da cerca

O abandono da cerca do Mosteiro, ao longo de todo o ano, reflete-se não apenas na invasão dos silvados e das ervas que crescem por todo o lado, mas também na degradação das casas aí existentes. E se a antiga botica do Mosteiro se apresenta ainda em bom estado de conservação, o mesmo não se pode dizer das duas outras casas, uma das quais com ligação ao Convento através de um passadiço em pedra.

As pessoas que neste edição da feira das colheitas percorreram a cerca depararam-se, certamente e com alguma tristeza, com o estado de abandono destas duas construções em pedra, a maior das quais já com o telhado em ruínas.

A sua localização e a sua história ligadas diretamente ao Mosteiro de Arouca, bem mereciam um olhar mais atento e urgente, de modo a que não atinjam a sua total e irreversível degradação.

Pensamos mesmo que, uma vez recuperados, tais construções poderiam transformar-se em equipamentos úteis não apenas durante a feira das colheitas, mas mesmo ao longo de todo o ano.

Mas se o estado destas casas foi, de certo modo, uma nota negativa quanto à preservação do nosso património, a verdade é que a quantidade de fruta abandonada no chão, debaixo da maior parte das árvores do pomar da cerca, constituiu também uma nota negativa e indicadora do desleixo e do abandono a que a cerca tem sido votada.

 Domingos do agricultor

A realização dos Domingos do agricultor na praça Brandão de Vasconcelos foi uma iniciativa da Câmara Municipal de Arouca, considerada muito positiva pela generalidade da população.

Com as futuras obras de requalificação na zona histórica de Arouca, esse espaço ficará, pelo menos temporariamente, impedido de tal realização.

Perante esta circunstância, atrevemo-nos mesmo a sugerir que a cerca do Mosteiro poderia ser o espaço mais adequado para essa iniciativa de cariz agrícola, caso se conseguisse autorização para tal, junto das entidades envolvidas na gestão desse espaço.

José Cerca
Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº793 de 30 de setembro de 2011

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Centro Social Paroquial do Burgo

por jcerca em 23 de Setembro de 2011

1º aniversário

Celebrar um ano de atividade do Centro Social Paroquial de São Salvadora do Burgo é motivo suficiente para se fazer um primeiro balanço sobre o funcionamento desta instituição social, inaugurada a 24 de julho de 2010, no âmbito do Programa PARES.

Para assinalar esta data quis a Direção desta instituição organizar, no dia 16 de setembro, uma confraternização com os utentes, colaboradores, funcionários e membros dos seus corpos sociais.

Além da diretora  do Centro de Segurança Social de Aveiro, drª Helena Terra, estiveram também presentes o Presidente da Câmara Municipal de Arouca, eng.Artur Neves  e a vereadora do pelouro da Educação, drª Margarida Belém.

Depois de agradecer aos colaboradores “que são a grande alma e vida desta instituição” o Presidente da Direção, Pe. Américo Vilar, justificou a presença  das entidades oficiais nesta confraternização como “um estímulo” para o trabalho desenvolvido e como “um agradecimento” pelo apoio prestado a esta obra.

Referindo-se a esta instituição como “um exemplo de referência na promoção social” o Presidente da Câmara salientou também o contributo que a mesma veio trazer, não só para a assistência social, como também para a empregabilidade em Arouca, dando presentemente emprego a 35 pessoa 

Dentro das suas diversas valências esta instituição presta assistência a cerca de 186 utentes, desde o Centro de Dia, serviço de apoio domiciliário (SAD), Creche, ATL, Lar de Infância e Juventude (LIJ) e Banco Alimentar que apoia cerca de 50 famílias carenciadas não só da freguesia do Burgo, mas de mais 9 freguesias do Concelho.

Visita às instalações

Antes do almoço convívio procedeu-se a uma visita às instalações deste equipamento social.  E se no dia da sua inauguração não foi possível estar presente a Diretora da Seguração Social de Aveiro, por motivos de agenda institucional, esta visita deu-lhe oportunidade de percorrer as diversas instalações, agora em pleno funcionamento e de observar a limpeza, a apresentação e a ordem que exprimem o bom gosto e a dedicação de toda uma equipa jovem que aí trabalha ao serviço da instituição.

Aliás, ao referir-se ao balanço deste primeiro ano de funcionamento, a Drª Helena Terra referiria que o motivo desse balanço positivo tem também muito a ver com ”a dedicação dos funcionários desta instituição em cujo rosto é visível o gosto daquilo que fazem”.

Em jeito de balanço

Jornal de Arouca colheu algumas opiniões junto do Presidente da Direção do Centro Social do Burgo, Pe. Américo Vilar perguntando-lhe,  em jeito de balanço, se após um ano de funcionamento do Centro Social do Burgo, terá valido  a pena a loucura deste desafio?

“Em termos gerais posso dizer que, por vezes, é uma loucura trabalhar em determinadas circunstâncias, com o Estado, que relativamente a ele próprio é um desleixado sem conserto e sem emenda, mas relativamente aos que com ele fazem parcerias ou protocolos é “pidesco”, burocrata e até desumano nas exigências que faz em campos típicos da solidariedade e de instituições  sem fins lucrativos  e de objetivos eminentemente sociais que competiriam ao Estado.

Quanto ao caso concreto do Centro Social Paroquial de São Salvador do Burgo de Arouca, estamos satisfeitos. Valeu a pena toda a luta para se vencer e ultrapassar as contrariedades que nos iam sendo colocadas, ao longo da construção dos equipamentos sociais onde foram investidos cerca de 1 milhão e duzentos mil Euros, onde o Estado investiu apenas cerca de 39%.

Ao comemorarmos o 1º ano de funcionamento, mais do que a festa, que é também sempre importante para criarmos mais apoios, de unidade e convívio. As três respostas sociais Creche, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário, estão a funcionar em pleno e com a lotação prevista nos acordos (30 em cada resposta). Os equipamentos sociais tiveram em conta as necessidades sociais envolventes pois não queríamos o impropério e a condenação de construirmos “elefantes brancos” apenas para inglês ver.

Mas resumindo e concluindo, o balanço é positivo e quando está em causa o bem da pessoa todas as loucuras valem a pena.”

 José Cerca
Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº793 de 30 de setembro de 2011

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Manifestação virtual

por jcerca em 21 de Setembro de 2011

Convocada essencialmente a partir da rede social Facebook que alberga já um número significativo de arouquenses, esta manifestação contra as obras de requalificação da praça Brandão de Vasconcelos, marcada para o passado sábado dia 17 de setembro, acabaria por se resumir a poucas dezenas de pessoas, a maior parte delas pertencentes à equipa organizadora do protesto.

Nem sequer os membros da Associação para a Defesa do Património Arouquense e dos partidos que publicamente se manifestaram contra as referidas obras, quer através de comunicados, quer através da colocação de um cartaz na praça, tiveram qualquer representatividade significativa. Mesmo o número daqueles que virtualmente confirmaram a sua presença nessa manifestação, na referida rede social, ficou muito longe da realidade, o que parece demonstrar que é bem mais fácil manifestar-se à frente do ecrã do próprio computador, do que dar o rosto no campo de batalha.

O Projeto de requalificação

A apresentação e a discussão pública deste projeto de requalificação do centro urbano da Vila de Arouca, teve lugar no dia 5 de janeiro de 2010, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Arouca, com a presença dos técnicos responsáveis pela sua elaboração, o arquiteto José Soares e o eng.Pedro Silva, tendo o Presidente da Câmara, eng. Artur Neves, fornecido, então, também alguns esclarecimentos complementares no decorrer da sessão.

Tratando-se de uma zona histórica, quase toda ela dentro da área envolvente do Mosteiro, escrevemos na altura, na imprensa local e na blogosfera, que “fazer-se uma requalificação nestas áreas, é extremamente delicado e sempre sujeito a controvérsias.”

Embora este projeto fosse seguido de um longo período de discussão pública a verdade é que a anunciada “polémica” haveria de surgir muito tardiamente, quando parte das obras se tinham já iniciado, noutras zonas, fora da praça central da Vila e, por isso mesmo, esta manifestação nasceria já marcada, inevitavelmente, com o rótulo “fora de validade”, por mais legítima que possa ser.

Mesmo o simulacro de debate público que se realizou, ainda não há muito tempo, no Hotel S.Pedro, sofreu do mesmo defeito de extemporaneidade, além do total desconhecimento do projeto em causa, tal como foi manifestado pela maior parte dos intervenientes convidados para tal debate.

Aproveitar-se de supostas polémicas para autopromoção pessoal ou para combates partidários inconsequentes, sempre nos pareceu não ser uma boa política.

A polémica “fora do prazo de validade”

Pelas imagens que foram projetadas durante a apresentação do estudo, pareceu-nos logo que houve uma grande preocupação em não agredir todo este conjunto da praça, “conferindo-lhe uma certa uniformidade bastante estética e funcional”.

Esta ideia defendemo-la publicamente logo a seguir à apresentação do projeto e, apesar do muito que se tem escrito, ultimamente, sobretudo na blogosfera e nas redes sociais, continuamos a mantê-la ainda hoje, não obstante o respeito que ideias diferentes nos mereçam.

Num projeto como este, aliar o passado histórico com a modernidade que qualquer vila merece é tarefa muito delicada e que exige muita sensibilidade aos técnicos incumbidos de o desenhar.

Embora tecnicamente leigo no assunto, escrevemos logo após a apresentação pública do projeto, a título de recomendação que “respeitar a memória histórica destes espaços e conjugá-las com perspetivas de modernidade e de futuro são parâmetros que deverão estar sempre presentes num estudo como este”.

Pela apresentação geral do projeto, pareceu-nos  que a filosofia subjacente a este estudo teve em conta estes princípios e revelou uma boa capacidade de compreensão das vivências históricas destes espaços, imprimindo-lhes, ao mesmo tempo, uma equilibrada estética moderna e funcional.

Foi por isso que nunca aderimos à contestação que muito tardiamente surgiu em Arouca sobre estas obras de intervenção e consideramos contraproducente e marcadas com  o rótulo de alguma “irresponsabilidade” todas as que eventualmente venham a surgir, independentemente do direito democrático que lhes assiste.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº174 de 23 de setembro de 2011
Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº793 de 30 de setembro de 2011

 

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“Intimidade intergeracional”

por jcerca em 9 de Setembro de 2011

Ao crime do aborto chamaram-lhe “interrupção voluntária da gravidez” e pretenderam dar-lhe o estatuto de um direito.

Para a eutanásia inventaram o “testamento vital” mesmo sabendo-se que a Constituição da República Portuguesa reconhece o direito à dignidade humana e social, o direito à vida, sustentando que a vida humana é inviolável e que a nenhum caso se poderá aplicar a pena de morte.

Em vez de sodomia fala-se de homossexualidade pretendendo mesmo torná-la um ato normal e até equiparável em direitos à heterossexualidade.

Com o recurso a estes eufemismos pretende-se, de certa forma, atenuar, diminuir ou suavizar  a força do impacto que a realidade a que eles se referem poderá causar na opinião pública.

Um outro eufemismo que começa agora a ganhar força, nomeadamente nos Estados Unidos, é a designação de “intimidade intergeracional” para defender o sexo entre adultos e crianças, com vista à promoção dos “direitos à pedofilia”.

Com esse objetivo foi realizada, recentemente, na cidade de Baltimore uma conferência  organizada  por uma organização pedófila em que cerca de 50 ativistas gays de várias universidades dos EUA, psiquiatras e alguns profissionais de saúde mental pretenderam normalizar a pedofilia, despenalizando-a. O principal propósito desta conferência foi, aliás, eliminar o “estigma” social ligado à pedofilia e redefinir a pedofilia como “orientação sexual” normal.

Nesse sentido, e tal como já se conseguiu remover a homossexualidade da lista de desordens mentais da AAP (Associação Americana de Psicologia) em 1973, pretende-se agora fazer o mesmo relativamente também à pedofilia.

E tal como se invocaram argumentos para normalizar a homossexualidade, o mesmo se está fazendo agora para normalizar a pedofilia e a pederastia, conduzindo assim a sociedade para uma anarquia sexual, fruto da revolução sexual da década de 1960 e cujas sementes ideológicas foram lançadas por Alfred Kinsey, no final da década de 1940.

Mas a verdade é que Kinsey e os seus seguidores que pretenderam erradicar da sociedade a visão judaico-cristã da sexualidade, substituindo-a pela visão “científica” de Kinsey, acabaram por a conduzir a uma anarquia sexual cuja principal consequência, a nível da saúde pública, é o preocupante alastramento mundial do vírus da SIDA, onde se têm gasto milhões e milhões para a combater sem grande sucesso, como atestam as estatísticas mais recentes.

Mesmo assim, insiste-se em implementar nas escolas uma “educação” sexual configurada na doutrina  “científica” da sexualidade humana defendida por  Kinsey e cujo objetivo é fomentar  a promiscuidade e a anarquia sexual,  a começar nos escalões mais novos.

E se comparássemos os kits de “educação” sexual  adotados pelos governos dos diversos países, desde Portugal, ao Brasil ou aos EUA, veríamos que, em comum a todos eles, está esta visão  Kinseana da sexualidade humana.

Esta visão em que o sexo alimenta a diversão, o prazer  e o lucro, desligados de qualquer afetividade é o suporte de uma indústria sexual e de um mercado multibilionário, que inclui a pornografia infantil e adulta, o exibicionismo, a prostituição, os clubes de strip-tease e as casas de alterne, para mencionar apenas alguns ramos desta poderosa indústria sexual, suporte financeiro de todas as campanhas que pretendem normalizar não só a homossexualidade, como também agora a pedofilia a que apelidam eufemisticamente de “intimidade intergeracional”.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº173 de 16 de setembro de 2011

 

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Lamentável disparate

por jcerca em 5 de Setembro de 2011

O senhor Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, que parece  julgar-se dono da Educação em Portugal,  tal como  o dirigente da  FENPROF, Mário Nogueira, ambos  há demasiado tempo à frente destas instituições, disse que foi “um disparate” o ato “imprudente” dos pais que custearam as obras da escola EB 2,3 Francisco Torrinha, no Porto.

E isto porque um grupo de pais de alunos daquela escola decidiu suportar os custos da reabilitação de uns antigos balneários da escola EB 2/3 Francisco Torrinha, para que os seus filhos pudessem frequentar aquele estabelecimento este ano, através da criação de mais duas turmas do 5.º ano.

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) não gostou desta iniciativa cívica de um grupo de cidadãos e considera que eles “cometeram um disparate”. Além disso, e intrometendo-se na gestão da DREN, este dirigente critica a Direção Regional de Educação do Norte por ter autorizado a criação de duas turmas extra naquele estabelecimento de ensino.

Em vez de louvar e incentivar a iniciativa daqueles pais o sr. Albino Almeida critica-os.

Em vez de estipular a ligação entre pais e a escola este senhor procura dar-lhe uma dura machadada

Em vez de se congratular com ações cívicas deste género, este senhor rotula-as de “disparate”.

E fazendo votos de tal “disparate” não seja imitado por outros cidadãos neste País o sr.Albino Almeida espera que “este exemplo seja uma andorinha que não faça mais primaveras”.

Perante tão infelizes afirmações seria altura das Associações de Pais deste País mandarem este dirigente dar uma volta para outros sítios, tal como fazem as andorinhas quando a frio se aproxima, pois o maior disparate, afinal, é ter uma pessoas destas à frente da Confederação Nacional das Associações de Pais.

José Cerca

Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº792 de 15 de setembro de 2011

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