A memória de um Mosteiro

por jcerca em 23 de Outubro de 2011

O Mosteiro de Arouca, desde há alguns anos, tem vindo a ser objeto de estudo por parte de professores e investigadores, nomeadamente da Universidade de Coimbra e do Porto, enriquecendo assim a bibliografia sobre este monumento nacional.

O estudo mais recente publicado sobre ele intitula-se “A memória de um Mosteiro Santa Maria de Arouca (séculos XVII-XX) do Professor Doutor  Manuel Joaquim Moreira da Rocha. A apresentação desta será feita pelo Professor Doutor Nelson Correia Borges, da Universidade de Coimbra e membro da Real Irmandade de Lorvão.

A cerimónia do lançamento terá lugar no dia 30 de outubro pelas 14.15h  na Sala do Capítulo.

Integrado no lançamento terá lugar pelas 15.15h, no cadeiral do Mosteiro, um concerto de  “órgão e voz” pelo organista Francês Eric Saint-Marc, acompanhado pela soprano Cecília Blais-Manzoni.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº794 de 15 de outubro de 2011
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº178 de 21 de outubro de 2011

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Recital Orgão & Voz

por jcerca em 22 de Outubro de 2011

Vai ter lugar no dia 30 de outubro, pelas 15.15h no cadeiral do Mosteiro de Arouca um recital de orgão e voz com a participação do organista francês Eric Saint-Marc  e da soprano portuguesa Cecília Blais-Manzoni.

Este duo franco-português tem feitos várias digressões pelo nosso País estando a realizar durante a 2ª quinzena de outubro, concertos em Lisboa, nomeadamente no Mosteiro dos Jerónimos, e na Basílica dos Mártires. A digressão terminará no Mosteiro de Arouca com um concerto no seu  orgão ibérico datado de 1743.

Éric SAINT-MARC (Organista)

Nasceu em 1973 em Tarbes (França). Estudou no Conservatório Nacional de Música de Pau nas classes de Órgão, Solfejo e Harmonia.

Em 1993, é nomeado organista titular da Igreja St Jacques de Pau, e, em 2003, é igualmente nomeado titular na Igreja de St Martin, títulos que ainda mantém atualmente.

Cecília BLAIS-MANZONI (Soprano)

Nasceu em Lisboa, em 1953.  Aos 14 anos, sob a direção de seu pai, o maestro Jorge Manzoni, Cecília iniciou a prática do canto no Coral «Luisa Todi» de Setúbal, onde começou a cantar como coralista e como solista.

A partir de 1983, veio viver para  a cidade de Tarbes, onde reside atualmente.

A sua digressão desta vez terminará em Arouca com este concerto de orgão e voz executado no nosso orgão ibérico datado de 1743.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº178 de 21 de outubro de 2011
Publicado no “Jornal de Arouca” nº794 de 15 de outubro de 2011

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Viver em comunhão, formar para a comunhão

por jcerca em 9 de Outubro de 2011

Jornada catequética da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra

Realizou-se no dia 1 de outubro, no Santuário de Santo António de Vale de Cambra, da paróquia de Vila Chã, uma jornada de reflexão com a presença de cerca de 140 Catequistas, oriundos de algumas paróquias da Vigararia de Arouca-Vale de Cambra.
O dia de reflexão foi orientado pelo Bispo Auxiliar do Porto, D.João Lavrador que, a partir do tema diocesano para a pastoral deste ano  apresentou alguns pontos de reflexão para os catequistas sobre o que é viver em comunhão e sobre a corresponsabilidade na missão da Igreja.

Após esta reflexão seguiu-se um debate, por grupos, nas instalações do Santuário, a partir de algumas questões colocadas a cada um dos grupos, orientando essa discussão numa tríplice perspetiva do verificar, do reconhecer e do atuar.

A apresentação do resultado desta reflexão, feita em cada um dos grupos, teve lugar, após o almoço partilhado, revelando-se verdadeiramente enriquecedora, sobretudo através dos comentários que D.João Lavrador fazia no fim de cada grupo de questões postas à reflexão dos grupos.

Esta jornada de reflexão catequética vicarial terminou com a celebração da Eucaristia durante a qual teve lugar a cerimónia do compromisso dos catequistas, bem como a entrega dos diplomas àqueles que frequentaram o Curso de Iniciação realizado na Vigararia durante o ano passado.

Durante a celebração foi também organizado um ofertório solene em que foram levados ao altar objetos referentes a cada uma das 13 comunidades paroquiais aí representadas.

No  final, e como gesto de agradecimento, cada um dos concelhos que integram a Vigararia, Arouca e Vale de Cambra, ofereceu ao bispo auxiliar do Porto, dois cabazes com produtos caraterísticos de cada um desses concelhos.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº176 de 07 de outubro de 2011
Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº35 de 06 de outubro de 2011

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A CERCA DO MOSTEIRO DE AROUCA

por jcerca em 3 de Outubro de 2011

Das quintas sociais aos talhões agrícolas

Muitos arouquenses se lembrarão ainda das capacidades produtivas dos terrenos da cerca do Mosteiro, durante os períodos em que ela esteve sob a responsabilidade do ex-Colégio Salesiano e da última comunidade religiosa que o habitou.

Os diversos produtos agrícolas aí criados, desde a fruta á hortaliça variada, sustentavam não só a comunidade dos Salesianos, como muitos desses produtos eram ainda vendidos ao público.

É triste e desconsolador ver como, em plena época de crise, ainda em fase crescente, muitos terrenos agrícolas, não só em Arouca, como pelo País todo, continuam abandonados, devido também, mas não só, a uma errada política agrícola e a um insuficiente sistema de incentivos à produção e ao escoamento dos produtos.

Infelizmente os terrenos da cerca do Mosteiro de Arouca, são também vítimas não só dessa errada política agrícola, como também de um certo desleixo e falta de coordenação relativamente à preservação do nosso património local.

As quintas sociais

Considerado inicialmente uma iniciativa muito válida e inovadora o projeto das quintas sociais da Câmara Municipal de Arouca, parece não ter ainda atingido os objetivos esperados, não tanto por falta de interessados, mas por ausência de infraestruturas nas respetivas quintas.

Mesmo assim, pensamos que, se devidamente regulamentada e suficientemente  estimulada, a transformação da cerca do Mosteiro em talhões agrícolas que viessem a ser postos à disposição dos interessados, através  de concurso público, seria uma maneira interessante de rentabilizar as capacidades produtivas da quinta conventual, contribuindo assim, não só para a sua manutenção, como também para enfrentar a crise que a todos afeta, de uma maneira ou de outra.

É certo quer o Mosteiro de Arouca, classificado como monumento nacional desde 1910, é partilhado na gestão do seu amplo espaço, por diversas entidades, com destaque para a Real Irmandade da rainha Santa Mafalda e para a Paróquia de Arouca, tendo estado, durante vários anos, também ocupado pela chamada “zona agrária” de Entre Douro e Minho. Isto não impedirá, contudo, de se equacionar entre todos os responsáveis pela sua gestão esta hipótese dos talhões agrícolas.

Os talhões agrícolas

Teoricamente falando, transformar a cerca em talhões agrícolas seria uma maneira de restituir a esse espaço a finalidade histórica que, desde sempre, foi atribuída a qualquer cerca conventual: a produção de alimentos para sustento das respetivas comunidades monacais cuja regra de vida se baseava, na maior parte delas, no lema beneditino “ora et labora” (oração e trabalho) que o patrono da Europa, S.Bento, instituiu para as suas comunidades monacais.

Na ausência de comunidade religiosa no Mosteiro de Arouca, o que aconteceu em 1886 com a morte da última freira ou, para sermos mais precisos, desde 1982, com a saída da comunidade salesiana do Mosteiro de Arouca, a cerca deixou de cumprir a sua finalidade específica, ficando praticamente abandonada.

Mesmo durante os anos em que aí funcionou a delegação da Região Agrária de Entre Douro e Minho, com sede em Braga, não nos parece que a cerca tenha obtido um especial aproveitamento produtivo, como seria desejável. E até a parte da cerca afeta ao Centro paroquial da Rainha Santa Mafalda deixou de produzir e de ser fabricada tal como acontecera antigamente.

Perante tudo isto seria interessante que se pensasse numa nova modalidade de rentabilizar, cultural e economicamente, a cerca do Mosteiro.

Um projeto como este, se eventualmente vier a ser ponderado, deveria contemplar não só a elaboração de um regulamento de utilização desses talhões, como também a existência de um responsável técnico que orientasse e aconselhasse os potenciais fabricadores dessas parcelas da cerca do Mosteiro. 

A elaboração de uma mapa com os talhões disponíveis para concurso público e a instalação de infraestruturas, quer para a rega, quer para a guarda das alfaias agrícolas, deveriam também ser equacionadas com vistas à implementação do projeto.

Competirá, obviamente às entidades responsáveis pela gestão desse património, bem como à autarquia, estudar a viabilidade desse projeto, mesmo tendo em conta a existência de uma zona afeta a escavações arqueológicas, na cerca.

A semente da ideia está lançada ao terreno. Esperemos que germine em boa hora e com bons frutos.

José Cerca

 Publicado no “Jornal de Arouca” nº794 de 15 de outubro de 2011

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Feira das colheitas em época de crise

por jcerca em 27 de Setembro de 2011

 Beneficiando das excelentes condições climatéricas e não obstante a tão propalada crise que diária e mediaticamente nos vai enchendo os ouvidos e esvaziando as carteiras, a verdade é que Arouca foi literalmente invadida por uma avalanche de gente que acorreu a esta Vila atraída pela fama que a Feira das Colheitas tem granjeado pelo País.

Não sabemos ainda se, em termos económicos, a feira terá sido um sucesso, mas em termos festivos e turísticos, foi-o certamente, dada a multidão que, durante quatro dias, vinda dos mais diversos pontos do País, escolheu Arouca como destino.

 

O Programa

Com um programa variado que trouxe a Arouca alguns nomes sonantes da música portuguesa tais como José Malhoa e Luís Represas, entre outros grupos, quer de música tradicional, como o  grupo “Pé na Terra”, quer de música pop, como o grupo brasileiro “Reativa”, a feira das Colheitas deste ano ofereceu diversões para todos os gostos e para todas as idades.

Seguindo o esquema tradicional dos anos anteriores o programa contemplou um dia de forte presença filarmónica, com as Bandas de Arouca, Alvarenga e de Figueiredo, bem como, no último dia, a já habitual jornada dedicada ao folclore arouquense.

Além dos diversos concertos musicais e porque a festa não se faz só de música, não faltaram também as numerosas tasquinhas gastronómicas que fizeram as delícias de muita gente, não só com a deliciosa vitela arouquesa, ou o cabrito serrano, acompanhados do verde da região, como também com a doçaria tradicional e conventual.  Exposições com variados produtos agrícolas, lojas de artesanato, concursos da broa e do vinho, jogos tradicionais e uma desfolhada à moda antiga foram alguns dos muitos ingredientes que compuseram a ementa programática desta edição da Feira das Colheitas.

Como ponto alto refira-se o desfile etnográfico e o cortejo de açafates pela avenida principal da Vila ao qual se seguiu a atuação dos numerosos ranchos folclóricos do Concelho durante toda a tarde e noite de domingo.

Como principais inovações positivas da edição deste ano, e que mereceram o agrado da generalidade do público, saliente-se a mudança do local para o lançamento do fogo preso e de artifício que teve lugar frente ao edifício da Câmara Municipal. Considerado também muito positivo foi o melhoramento no aproveitamento do amplo espaço da cerca do Mosteiro. Além de valorizar esse espaço escondido todo o ano por detrás da mole imensa do Mosteiro, o seu aproveitamento para albergar muitas das atividades da Feira das Colheitas, foi certamente um dos aspetos mais positivos e elogiados nesta  67ªedição da Feira das Colheitas.

Tal como na edição anterior foi também muito útil  o circuito de televisão interna permitindo a transmissão em ecrãns gigantes espalhados pela vila, dos diversos acontecimentos que iam acontecendo, bem como depoimentos do público.

A Ministra da Agricultura

A manifestar o apoio institucional e político a este festa/feira dos agricultores a presença da Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, que veio assinalar a abertura da Feira das Colheitas 2011, seguindo-se a inauguração do novo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Local/ADRIMAG, localizado na zona industrial de São Domingos.
Embora tratando-se de uma associação inter-municipal que visa contribuir para o desenvolvimento rural e integrado da região abrangida pelas Serras de Montemuro, Arada e Gralheira, a ADRIMAG tem a sua sede na vila de Arouca e possui uma zona de intervenção que abrange todas as freguesias pertencentes aos 6 concelhos limítrofes ou vizinhos do concelho de Arouca, apostando na implementação e gestão de programas comunitários e/ou nacionais, que visem a promoção e o desenvolvimento de iniciativas e projetos de interesse para a região.

Criada há 67 anos, também numa época de crise e precisamente para fazer face a essa mesma crise, a Feira das Colheitas de 2011 foi, entre outras coisas, e não obstante a crise que afeta o País e a Europa, uma manifestação do contributo que a agricultura, quando apoiada e bem gerida, poderá representar para vencer mais esta crise.

Seria bom que os responsáveis políticos soubessem ler esta lição e interpretar e valorizar esta prova de vitalidade da força dos agricultores.

José Cerca
Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº793 de 30 de setembro de 2011

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