AROUCA EM QUATRO TEMPOS

por jcerca em 6 de Novembro de 2011

Exposição fotográfica no Agrupamento de escolas de Escariz

Teve lugar no dia 4 de novembro na Biblioteca escolar do Agrupamento de escolas de Escariz a abertura de uma exposição fotográfica de Nuno Cerca composta por 12 fotos sobre a Vila de Arouca registando diversos instantâneos ao longo das 4 estações do ano.

A abertura da exposição foi precedida de um breve momento musical em que foi interpretado um número de violino por uma aluna do 7º ano a frequentar ensino articulado na Academia de Música de Arouca a qual, mediante um protocolo entre esta e o Agrupamento possui, desde há três anos, um espaço para as aulas teóricas e práticas de música, evitando assim que os alunos se desloquem à Vila de Arouca para frequentarem a Academia.

Momento poético e musical a abrir a exposição

Sendo a fotografia uma arte que tem muito a ver com a sensibilidade poética e visual do fotógrafo, esta exposição foi ainda antecedida de um pequeno momento poético, através da declamação de um poema por uma aluna do 8º ano.

Quando decorrem 10 anos após a inauguração da Escola E.B.2,3 de Escariz, a criação desta valência artística na Biblioteca escolar do Agrupamento, através da abertura de uma pequena galeria de arte para exposições ao longo do ano escolar tem como objetivo, no dizer da diretora da Biblioteca, professora Maria Ester Portugal, desenvolver nos alunos a sensibilidade para a vertente artística. Para isso serão realizadas duas exposições por período, não apenas de fotografia, mas também de pintura e de escultura.

Arouca em quatro tempos na galeria da biblioteca escolar

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº181 de 11 de novembro de 2011

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As laranjeiras da Rainha Santa Mafalda

por jcerca em 4 de Novembro de 2011

Desde tempos longínquos que as laranjas fazem parte de uma das muitas lendas criadas à volta da Rainha Santa Mafalda. A mais conhecida tem a ver com as laranjeiras do Burgo (Vila Meã) que terão sido amaldiçoadas pela Rainha quando, um dia, chega ao Mosteiro um Reverendo padre, em estado lamentável que, na qualidade de  visitador-mor, se dirigia ao Mosteiro e foi atingido pelo lançamento de laranjas podres e esborrachadas, quando passava pelo Burgo de Vila Meã.

Indignada com esta lamentável falta de respeito e de consideração da rapaziada de Vila Meã para com o visitador-mor, D.Lourenço de Ataíde, sua corte e criadagem de serviço, a Rainha terá proferido a seguinte maldição:

- Eu vos esconjuro, laranjeiras do Burgo! Que venha uma geada que vos creste por uma vez e que não mais, para todo o sempre, ali cresça ou medre qualquer laranjeira”.

Vem a evocação desta lenda a propósito das 14 laranjeiras acabadas de serem plantadas na praça interior situada por detrás da Caixa de Crédito Agrícola, a designada zona H7, e que, durante muitos anos, esteve completamente abandonada, no que se refere ao seu arranjo e limpeza.

Sendo esta uma das primeiras zonas de intervenção da Regeneração Urbana/Polis XXI, entendemos que o tipo de arborização escolhida foi feliz e integrado no património imaterial arouquense, do qual fazem parte as muitas lendas de Arouca, como aquela que aqui evocámos.

Só esperamos é que a rapaziada cá do burgo, no tempo da colheita, não siga o exemplo da rapaziada do Burgo de Vila Meã e faça das laranjas armas de arremesso contra a população, obrigando a Rainha a proferir nova maldição, a partir do vizinho Mosteiro que alberga os seus restos mortais em rico tumulo-relicário, para aí transladados, do primitivo túmulo de pedra, em 15 de junho de 1793.

Refira-se que a Regeneração Urbana do centro histórico de Arouca tem como elemento central o Mosteiro de Arouca, valorizando-o e à sua área envolvente. O objetivo central desta operação é requalificar o centro histórico da vila, conferindo-lhe novos elementos de atratividade, mas mantendo o seu cariz de centro tradicional e local de representação da história e da cultura deste território.

A Regeneração Urbana/Polis XXI resulta de uma parceria entre Câmara Municipal de Arouca, Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, Direção Regional de Cultura do Norte e CCDR-N, financiada em 70% pelo FEDER/QREN.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº181 de 11 de novembro de 2011
Publicado no “Jornal de Arouca” nº796 de 15 de novembro de 2011

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“A memória de um Mosteiro“

por jcerca em 30 de Outubro de 2011

Concerto de órgão e voz assinala o seu lançamento

Com um programa cultural do qual constou o lançamento da última publicação sobre o Mosteiro de Arouca e também um concerto de órgão, a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda realizou no domingo 30 de outubro o 1º Dia do Irmão.

Decidiu a mesa desta instituição organizar anualmente um encontro de convívio com todos os irmãos, de modo a estabelecer entre eles um melhor conhecimento e uma maior aproximação e dar-lhes conta do funcionamento e das principais atividades da Instituição a que pertencem.

Refira-se que esta instituição é uma das mais antigas do Concelho de Arouca, tendo sido fundada em 1886, não só para preservar o valioso património do Mosteiro de Arouca, após a morte da última freira, como também para festejar condignamente a festa da Rainha Santa Mafalda, no dia 2 de maio de cada ano.

Almoço no antigo refeitório do Mosteiro

Além de uma celebração eucarística concelebrada pelo pároco e pelo Juiz da Real Irmandade em que foram evocados todos os irmãos falecidos, do programa contou ainda um almoço convívio no antigo refeitório do Mosteiro, bem como uma exposição-venda com todas as obras editadas pela Real Irmandade e pelo Centro de Estudos Domingos de Pinho Brandão.

  “A memória de um Mosteiro“

Com quase 500 páginas, esta mais recente obra sobre o Mosteiro de Arouca, fruto de um longo trabalho de investigação feito pelo Professor de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, o Dr. Manuel Joaquim Moreira da Rocha, representa um dos mais extensos e profundos estudos publicados sobre o Mosteiro de Arouca.

Dividido em duas partes, este estudo aborda na primeira “Para além das paredes do Mosteiro: entre o temporal e o eterno” não só a organização e a história do espaço conventual, como também os hábitos quotidianos desta comunidade cisterciense que escolheu o Mosteiro de Arouca como regra de vida.

Neste estudo o autor demora-se ainda na análise que faz do testamento espiritual e da omnipresença da rainha santa Mafalda como guia espiritual das monjas que lhe sucederam ao longo dos séculos. Curioso e interessante é o espaço que é dedicado aos “festejos da beatificação da Rainha em 1793”, os quais motivaram um considerável número de intervenções artísticas, de melhoramentos, de aquisições e até de novas obras.

Lançamento do livro na Sala do Capítulo do Mosteiro de Arouca

Na segunda parte que o autor designou por “Paradisus claustralis – O Mosteiro”, Manuel Joaquim Moreira da Rocha analisa os diversos elementos que compõem este Mosteiro, desde o coro à igreja, com destaque para o túmulo da beata Mafalda, passando pelo celeiro, pelo terreiro e pela cerca.

Sendo o arquiteto maltês Carlos Gimac o grande responsável pela atual traça que o Mosteiro ainda hoje apresenta e que remonta aos sec.XVII e XVIII é compreensível que o autor deste estudo lhe tenha dedicado também um amplo espaço nesta sua obra.

A apresentação desta obra ocorreu num dos espaços mais emblemáticos do Mosteiro, a sua Sala do Capítulo e esteve a cargo do professor da Universidade de Coimbra, Dr. Nelson Correia Borges, muito ligado a Arouca, através dos laços históricos e afetivos que existem entre os Mosteiros de Arouca e de Lorvão.

Afirmando que esta é uma obra que “honra Arouca”, Nelson Borges considerá-la-ia “a mais singular joia de toda a vasta produção científica do autor”.

O autor autografando o livro

Concerto de órgão e voz

Dedicando esta obra um interessante capítulo aos “sons do Mosteiro” (187-199) onde se faz referência às “madres muzicas e tangedoras arouquenses” e sabendo do importante papel que a música desempenhou no Mosteiro de Arouca, o que é comprovadamente atestado, não só pelo seu magnífico órgão ibérico, como também pela qualidade artística dos livros de música religiosa utilizados no coro do Mosteiro, qualidade essa atestada na valiosa coleção de antifonários guardados no Museu de Arte Sacra, a realização do concerto de órgão e voz que se seguiu à apresentação deste livro não poderia ter sido mais adequada e plena de significado histórico e artístico.

Organista e soprano recebendo um ramo de flores

O concerto esteve a cargo do organista Francês Eric Saint-Marc, natural de Tarbes que interpretou diversas peças renascentistas e dos sec.XVII e XVIII , algumas das quais foram acompanhadas pela soprano portuguesa Cecília Blais-Manzoni, natural de Lisboa, mas a residir desde  1983, na cidade de Tarbes, onde vem desempenhando uma intensa atividade não só como coralista e como solista, mas também  na direção de  coros.

Com este concerto de órgão e voz que assinalou também o lançamento do último estudo sobre a história do Mosteiro, Arouca viveu um dia, não apenas culturalmente rico, como significativamente relevante para o estudo e divulgação do seu rico património histórico que, a partir de agora, conta com mais este importante subsídio para o seu estudo: “A Memória de um Mosteiro”.

 José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº795 de 31 de outubro de 2011
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº180 de 4 de novembro de 2011

 

 

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A BELA ADORMECIDA

por jcerca em 26 de Outubro de 2011

Olhares literários sobre Arouca

Coube a uma ilustre arouquense, a Professora Doutora Maria de Lurdes Correia Fernandes, vice-reitora da Universidade do Porto, a apresentação destes 25 “olhares literários sobre Arouca”, coligidos por José António Rocha, natural de Mansores, sob o sugestivo título de “A Bela Adormecida” e que contou com a ilustração, muito ao seu estilo surrealista, de um outro arouquense e bem conhecido como artista plástico, Carlos Belém. Embora fisicamente ausente, Carlos Belém esteve bem presente pela referência artística e pelo testemunho de amizade e de espirito criativo que dele deu o autor desta obra, e que outrora fora seu aluno na Escola Secundária.

A apresentação desta obra teve lugar no auditório da Biblioteca Municipal de Arouca, no passado dia 21 de outubro, estando presente a vereadora da Cultura, Drª Margarida Belém que considerou esta obra como uma “excelente ferramenta de trabalho para a comunidade educativa de Arouca”. Por isso mesmo o autor decidiu oferecer aos alunos e professores de Português, não só da Escola Secundária, como também do Agrupamento de escolas de Arouca e de Escariz cerca de 1500 exemplares, para que os excelentes textos sobre Arouca aí coligidos possam ser trabalhados pelos alunos nas escolas.

Participaram neste sessão de apresentação alguns alunos da Escola E.B.2,3 de Escariz e da Escola Secundária, cabendo-lhes a leitura de alguns textos literários desta coletânea, bem como o seu acompanhamento a flauta.

A sessão de lançamento terminaria também com um momento musical levado a cabo pelo Grupo Cultural e Recreativo de Rossas.

Os olhares literários

Percorrendo alguns destes 25 olhares literários sobre Arouca, a vice-reitora da Universidade do Porto, além de referir a felicidade da escolha do título para esta coletânea, inspirado, aliás, na designação que Jaime Cortesão atribuiu a Arouca quando a visitou nos anos 50 do séc. passado, Maria de Lurdes Correia Fernandes acentuaria esta pluralidade de olhares sobre uma terra que já foi visitada por alguns dos grandes autores da literatura portuguesa e que sobre ela registaram as mais variadas emoções e perceções que então sentiram.

Deste roteiro literário sobre Arouca, guiado por diversos autores, a apresentadora destacou o texto de Abel Botelho que mais tarde daria origem ao filme “A frecha da Mizarela”, bem como o texto de Aquilino Ribeiro lido por uma aluna da Escola Secundária.

Desta multiplicidade de olhares sobre Arouca, revelando diferentes sensibilidades, há uma nota comum à maioria dos autores coligidos, os quais conferem uma natural e bem justificada centralidade ao Mosteiro de Arouca, destacando o rico património artístico que ele alberga.

Como exemplo deste olhar, Maria de Lurdes Fernandes destacou a descrição que José Saramago fez sobre uma sua visita ao Museu de Arte Sacra de Arouca, publicada em 1981 no seu “Viagem a Portugal”. Esta descrição será, certamente, desconhecida da maioria dos arouquenses mas, a partir de agora, ficar-lhes-á muito mais acessível, graças à publicação destes “olhares literários sobre Arouca”. Esta minuciosa e interessante descrição do nosso Prémio Nobel foi também lida por uma outra aluna da Escola Secundária.

Um projeto com algumas frustrações

Depois desta viagem literária, brilhantemente conduzida por Maria de Lurdes Correia Fernandes, coube ao autor, José António Rocha, falar não tanto do livro em si, mas sim das suas vivências pessoais que marcaram a sua vida e que, de algum modo, o conduziram à génese desta obra.

Depois de referir os apoios que recebeu e de agradecer os direitos de autor dos diversos escritores aqui coligidos neste “Bela Adormecida”, José António Rocha referiu algumas frustrações que foi encontrando ao longo do projeto a que meteu mãos.

No seu entender, tal como terá sido seu desejo inicial, a Câmara deveria ter assumido a edição total desta obra, o que acabaria por não acontecer, limitando-se a comparticipar apenas parcialmente nos custos editoriais, obrigando assim o autor do projeto a ter de bater a muitas outras portas.

Uma outra frustração manifestada pelo autor refere-se ao desejo de incluir, como complemento a esta coletânea, um DVD com o filme baseado no conto “A Frecha da Mizarela” de Abel Botelho e que foi realizado por Rino Lupo em 1921.

Seria certamente um complemento muito interessante a esta obra mas que acabaria por não se concretizar por motivos financeiros, mesmo depois do autor ter conseguido os direitos de edição desse DVD.  Assim, apenas constam alguns fotogramas desse filme a ilustrarem as páginas deste “Bela Adormecida”.

A Bela adormecida

Se alguma conotação existe entre Arouca e o conto clássico de fadas cuja personagem principal é uma princesa que é enfeitiçada para cair num sono profundo, até que um príncipe encantado a desperte com um beijo, a verdade é que a realidade de Arouca nos últimos anos parece mesmo provar que essa princesa já despertou, atraindo a si a atenção dos olhares que durante muitos anos a ignoraram.

E esta coletânea, em tão boa hora concebida e, felizmente, concretizada será certamente mais um belo contributo, qual beijo de príncipe, a manter cada vez mais desperta e encantadora esta “Bela adormecida” que é Arouca.

José Cerca

Excerto da “Frecha da Mizarela” interpretada pelo Grupo Cultural e Recreativo de Rossas no lançamento do livro “A Bela Adormecida” em 22.10.2011

Publicado no “Jornal de Arouca” nº795 de 31 de outubro de 2011
 

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II Festival Vicarial da Canção Jovem

por jcerca em 24 de Outubro de 2011

“Enraizados em Cristo, firmes na Fé”

Decorreu no domingo, dia 23 de outubro, no pavilhão Ilídio Pedro, em Vale de Cambra (Lordelo) o II Festival Vicarial da Canção Jovem, organizado pela Vigararia de Arouca-Vale de Cambra e subordinado ao tema “Enraizados em Cristo, firmes na Fé”.

Tendo por objetivos incentivar a criação poética e musical, a partir do Evangelho, promovendo os valores da cidadania e os valores humano-cristãos, este II Festival da Canção Jovem apresentou seis canções, com melodias muito bem conseguidas, através das quais se pretendeu também fazer da canção uma forma de linguagem musical e evangelizadora.

O festival iniciou-se com a evocação em registo vídeo da canção “Segue o Caminho”, vencedora da 1ª edição deste certame vicarial da Canção Jovem.

Seguiu-se depois a atuação do cantor Vítor Pereira da comunidade cristã de Ermesinde que, interpretando diversas canções da sua autoria, quer antes, quer após a apresentação das canções concorrentes, conseguiu pôr toda a plateia a cantar o refrão das suas melodias, criando um ambiente de grande alegria e entusiasmo.

O júri constituído por 3 elementos com papel ativo nas paróquias e com ligação ao mundo da música e da escrita e ainda pelo maestro da Banda Musical da Junqueira e pelo respetivo vigário, embora considerando que todos foram vencedores neste II Festival da Canção Jovem, decidiu distinguir como melhor letra a da canção “Retrato da Fé” interpretada pelo grupo de jovens “Oásis” de Cesar.

Membros do júri do Festival

O júri decidiu, este ano, distinguir também o melhor vídeo de apresentação de cada um dos grupos, cabendo este prémio ao grupo de Jovens de Carregosa, cuja canção “Enraizados e edificados em Cristo” acabaria também por ser considerada a vencedora deste II Festival da Canção Jovem.

No final do Festival, o Pe. Artur Pinto, pároco de Carregosa e Vigário de Arouca e Vale de Cambra, em nome do júri e da organização deste evento, congratulou-se pela realização deste II Festival, considerando que ele constituiu “uma tarde de fé que a todos ajudou, certamente, a enraizarmo-nos cada vez mais em Cristo, de modo a podermos testemunhar, com a nossa vida, quem é Cristo e o que Cristo faz em cada um de nós”.

A canção vencedora

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº179 de 28 de outubro de 2011
Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº38 de 26 de outubro de 2011

Fotos de Marco Marques da Foto David Marques (Vale de Cambra)
Mais fotos e vídeos podem ser encomendados aqui:
www.fdmarques.com

 

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