Ano europeu do voluntariado

por jcerca em 20 de Novembro de 2011

O ano de 2011 foi declarado pelo Conselho de Ministros da União Europeia como o Ano Europeu do Voluntariado, com o objetivo de valorizar e promover  o trabalho voluntário, bem como sensibilizar as pessoas para o valor e a importância do Voluntariado, como manifestação de cidadania ativa.

Ser voluntário consiste em exercer uma atividade voluntária e não remunerada em qualquer entidade pública ou instituição sem fins lucrativos que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social.

Ser voluntário é, pois, ajudar pessoas ou entidades por livre e espontânea vontade, sem receber qualquer remuneração por isso. A única gratificação deste tipo de voluntariado poderá estar na satisfação pessoal pela realização de um ato desinteressado de cidadania ativa, ou na possibilidade de adquirir novas experiências, aprender novas coisas e até criar laços afetivos com os destinatários desse mesmo voluntariado.

 Voluntariado silencioso e discreto

Em Arouca, além da maioria das Associações que funcionam à base do voluntariado, mais vulgarmente conhecido por “carolice” há já algumas instituições em que o voluntariado funciona minimamente organizado, desde há algum tempo, como é o caso do Centro de Saúde, do Centro Paroquial Rainha Santa Mafalda, do Lar da 3ª Idade e, mais recentemente, na Academia Sénior, entre muitas outras instituições ou coletividades dispersas por todo o Concelho.

 Há no entanto um tipo de voluntariado que passa habitualmente despercebido das comunidades e que, por isso mesmo, merecerá ser referido.

Trata-se de um voluntariado existente em todas as comunidades paroquiais e que nem sempre será suficientemente notado ou devidamente estimulado pelas próprias comunidades.

É um tipo de voluntariado movido, não tanto por um dever cívico, mas mais por opções pessoais, quase sempre fundamentadas em convicções de índole religiosa e que contribui para dar resposta a desafios que são colocados às próprias comunidades.

Estamos a falar concretamente do trabalho, nada fácil, do serviço de catequese a que muitos pais não darão o merecido valor, muito embora ele seja um valioso contributo para a formação cristã, humana e integral dos próprios filhos.

Mas ainda mais discreto e ignorado do que a catequese é o serviço semanal no arranjo floral e na manutenção dos altares das igrejas paroquiais, bem como o serviço, não menos fácil e exigente, dos cuidados que as alfaias litúrgicas exigem, quer na lavagem, quer na sua passagem a ferro.

É um trabalho discreto que não dá nas vistas, mas cujo resultado é bem visível nos espaços de culto de todas as comunidades paroquiais.

Embora quem o realiza, o faça geralmente de um modo bem discreto, desinteressado e silencioso, a verdade é que as comunidades paroquiais deveriam ter a capacidade de reconhecimento por tão discreto como desinteressado tipo de voluntariado.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº183 de 25 de novembro de 2011
Publicado no “Jornal de Arouca” nº797 de 30 de novembro de 2011

{ 0 comentários }

DECLARAÇÃO DE AROUCA

por jcerca em 15 de Novembro de 2011

Sob os auspícios da UNESCO decorreu no Arouca Geopark (Portugal), de 9 a 13 de Novembro de 2011, o Congresso Internacional de Geoturismo – “Geotourism in Action – Arouca 2011″. Em resultado das discussões ocorridas durante este evento a Comissao Organizadora, de acordo com os princípios estabelecidos pelo Center for Sustainable Destinations – National Geographic Society, apresenta a “Declaração de Arouca”, que estabelece o seguinte:

A Presidente da AGA, DrªMargarida Belém, lendo a Declaração no encerramento do Congresso

1. Reconhece-se a necessidade de clarificar o conceito de geoturismo. Deste modo entendemos que geoturismo deve ser definido como o turismo que sustenta e incrementa a identidade de um território, considerando a sua geologia, ambiente, cultura, valores estéticos, património e o bem-estar dos seus residentes. O turismo geológico assume-se como uma das diversas componentes do geoturismo;

2. O turismo geológico é uma ferramenta fundamental para a conservação, divulgação e valorização do passado da Terra e da Vida, incluindo a sua dinâmica e os seus mecanismos, e permitindo ao visitante entender um passado de 4600 milhões de anos para analisar o presente com outra perspetiva e projetar os possíveis cenários futuros comuns para a Terra e a Humanidade;

3. A valorização do património geológico deve procurar ser inovadora e privilegiar a utilização de novas tecnologias de informação, de preferência para melhorar o conteúdo veiculado pelos clássicos painéis de informação;

4. Recorrentemente as experiências de valorização e informação do património geológico não são inteligíveis pelo público em geral. Normalmente deparamos com autênticos tratados científicos que, ao usarem uma linguagem altamente especializada, implicam a incompreensão dos visitantes e limitam a sua utilidade turística. A disponibilização de informação deverá ser acessível e inteligível para o público em geral, vertida em poucos conceitos básicos e apresentados de forma clara, em resultado da conjugação dos esforços de cientistas, especialistas de interpretação e técnicos de design.

5. Entendemos assim ser tempo de relembrar os princípios básicos de interpretação propostos em 1957 por Freeman Tilden e de aplicá-los ao património geológico:

  • Toda a valorização do património geológico que não se adeqúe, de uma forma ou de outra, à personalidade ou à experiência de vida de um visitante é estéril;
  •  A informação não é interpretação. A interpretação é uma revelação baseada na informação. As duas coisas são totalmente diferentes, mas toda a interpretação apresenta informação;
  • A interpretação de um espaço natural deve provocar e despertar a curiosidade e a emoção muito mais do que ensinar;

6. Encorajamos os territórios a desenvolver o geoturismo, focado não apenas no ambiente e no património geológico, mas também nos valores culturais, históricos e cénicos. Neste sentido, incentivamos o envolvimento efetivo entre cidadãos locais e visitantes, para que estes não se restrinjam ao papel de turistas espectadores, ajudando assim a construir uma identidade local, promovendo aquilo que é autêntico e único no território. Desta forma conseguiremos que o território e os seus habitantes obtenham integridade ambiental, justiça social e desenvolvimento económico sustentado.

Arouca (Arouca Geopark, Portugal), 12 de Novembro de 2011

Jonathan Tourtellot no final do Congresso.

 Jonathan B. Tourtellot ( da National Geographic Society) na sessão de encerramento do Congresso Internacional de geoturismo, não só manifestou a sua concordância e a sua satisfação pela “Declaração de Arouca” como classificou o Arouca Geopark como «um dos melhores geoparques do mundo».

Publicado no “Jornal de Arouca” nº796 de 15 de novembro de 2011

{ 0 comentários }

Congresso Internacional de Geoturismo em Arouca

por jcerca em 14 de Novembro de 2011

Um marco na história do  Geoturismo e do Arouca Geopark

Considerado o maior monumento português construído em granito, rocha essa oriunda da região englobada pelo Arouca Geopark, a realização do Congresso Internacional de Geoturismo não poderia ter tido melhor palco do que o Mosteiro de Arouca.

Foi aí que, de 9 a 12 de novembro, se reuniram alguns dos maiores especialistas em Geoturismo para se debruçarem sobre esta nova vertente no setor do turismo. Desse encontro resultou a “Declaração de Arouca” documento que contribuirá para a clarificação do conceito de Geoturismo  e segundo o qual se deverá entender o Geoturismo como “o turismo que sustenta e incrementa a identidade de um território, considerando a sua geologia, ambiente, cultura, valores estéticos, património e bem-estar dos seus residentes”.

As boas vindas aos congressistas: Welcome!

O encontro foi organizado pela AGA – Associação  Geoparque Arouca e pela Câmara Municipal de Arouca, tendo tido o apoio de algumas instituições, não só locais, como a ADRIMAG, a Real Irmandade Rainha Santa Mafalda e a Caixa de Crédito Agrícola, como também nacionais, como a Entidade Regional de Turismo Porto e Norte de Portugal, as Universidades de Aveiro e de Trás-os-Montes e Alto Douro, o ISLA, bem como a Comissão Nacional da Unesco, entre outras.

A abertura do Congresso

Foi rodeado de um cenário muito colorido e juvenil que se assinalou a abertura deste Congresso Internacional no dia 9 de novembro. No espaço central do Mosteiro de Arouca, constituído pelos seus emblemáticos claustros, teve lugar um desfile de numerosas crianças de algumas das escolas do 1º ciclo de Arouca, vestidas com curiosos adereços referentes a diversos geossítios do Arouca Geopark.

Desfile de abertura do Congresso através dos claustros do Mosteiro de Arouca

Foi certamente um belo momento, alegre e multicolorido, abrilhantado ainda com o lançamento de numerosos balões que, erguendo-se por cima do fontanário central dos claustros, se espalharam pela extensa zona geográfica do território do Arouca Geopark.

A pedra parideira e a trilobite

Da mesa da sessão de abertura que teve lugar no refeitório do Mosteiro de Arouca, técnica e visualmente, bem preparado para este Congresso, fizeram parte, além dos presidentes das entidades anfitriãs, Artur Neves, pela Câmara Municipal de Arouca e Margarida Belém, pela AGA,  Tito Rosa, Presidente do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, em representação da Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural; o embaixador Fernando Andresen Guimarães, Presidente da Comissão Portuguesa da Unesco; Paulo Gomes, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte; Melchior Moreira, Presidente da Entidade de Turismo do Porto e Norte de Portugal; Jorge Mangorrinha, Presidente do Centenário do Turismo em Portugal; Guy Martini, pela Coordenação da rede europeia de Geoparques e Artur Sá, em representação da Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD) e na qualidade de coordenador científico do Arouca Geopark.

 O Programa científico

Durante quatro intensos dias, a Sala do Capítulo e o refeitório do Mosteiro de Arouca, foram espaços de reflexão e de partilha de informação sobre a recente realidade do Geoturismo, tendo não só contribuído para a clarificação do conceito deste novo segmento da atividade turística, como também para o  lançamento de algumas  pistas e orientações sobre a geodiversidade e a geoconservação que quer ficaram consignadas na “Declaração de Arouca”.

O desfile infantil na abertura do congresso

Cerca de centena e meia de participantes, entre os quais representantes de 13 países, muitos deles ligados a instituições académicas, a entidades científicas, ou a organismos ambientais, debruçaram-se sobre esta temática do geoturismo e da geodiversidade, ao longo de 8 painéis em que foram apresentadas 43 comunicações, umas apontando pistas, outras partilhando experiências, algumas clarificando conceitos, outras aprofundando diversas vertentes no âmbito do geoturismo e da geodiversidade.

Além do valioso contributo científico de várias instituições académicas, estiveram também presentes nas dezenas de comunicações apresentadas, algumas empresas especializadas, não só no marketing de Geoparques, como também na criação de recursos de divulgação turística, quer através da realização de vídeos, construção de páginas web, edição de revistas, quer também na produção de sistemas de informação áudio portáteis, consideradas plataformas muito adaptadas à realidade do geoturismo, pela sua mobilidade e grande versatilidade.

O programa cultural e recreativo

Intercalado com o intenso programa científico, quis a organização deste Congresso enriquecê-lo e amenizá-lo, ao mesmo tempo, com um programa cultural e com algumas saídas de campo que muito contribuíram também para dar a conhecer aos participantes a riqueza e a variedade do Arouca Geopark.

Assim, além de uma visita ao centro histórico de Arouca, com destaque para o Mosteiro e o seu Museu de Arte Sacra, guiada pelo Dr. Manuel Joaquim Moreira da Rocha, professor da Faculdade de Letras do Porto, puderam os participantes visitar também o Museu Etnográfico de Arouca, o Museu das trilobites de Canelas, bem como alguns dos 41 geossítios, como a Serra da Freita, a frecha da Mizarela e as pedras parideiras, a pedra boroa e os rios Paiva e Caima.

Um dos momentos musicais do Congresso

Os congressistas tiveram ainda ocasião de apreciar o variado património musical de Arouca, não só através de uma pequena audição do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca, como também através da apresentação de música tradicional portuguesa interpretada, quer pelo Rancho folclórico da Casa do Povo, quer pelo Grupo de Cantas e Cramois de Moldes, quer ainda pelo Orfeão de Arouca.

A inclusão do Festival da Castanha no programa cultural do Congresso permitiu também que os congressistas tivessem ocasião de conhecerem algumas das tradições populares portuguesas, nomeadamente a que se refere ao S.Martinho, quer através de duas pequenas encenações cénicas sobre a lenda deste santo popular, quer através da organização de um magusto, com as inseparáveis castanhas assadas, acompanhadas de vinho e de danças populares.

Estando o Arouca Geopark integrado na Grande Área Metropolitana do Porto e pretendendo este Congresso Internacional dar também a conhecer algumas das potencialidades turísticas do Porto e Norte de Portugal, o quinto e último dia deste Encontro foi ocupado com uma visita a uma das caves do Vinho do Porto em Gaia e com um passeio de barco pelo rio Douro, durante o qual foi servido um almoço flutuante.

Programa gastronómico

A gastronomia é uma realidade importante e imprescindível na oferta de qualquer produto turístico e aquela praticada na região do Arouca Geopark já ganhou fama, não só pela sua irresistível qualidade, como também pela sua grande diversidade. Disso tiveram suficiente prova os participantes neste Congresso internacional.

Un dos momentos gastronómicos do Congresso

Efetivamente, além do excelente jantar de abertura do Congresso, servido em espaços conventuais, os congressistas tiveram ocasião de saborear a variada gastronomia arouquesa, não só na visita que fizeram a dois restaurantes geoparqueanos, o  “Trilobite” em Canelas e o “Refúgio da Freita” no Merujal, como também durante os lanches (coffee-break) que todos os dias foram oferecidos aos participantes durante os intervalos, quer na cozinha, quer na botica do Mosteiro.

Aí, além da doçaria conventual, herdada do saber e da arte gastronómica das freiras, puderam os congressistas deliciar-se com muitas das variedades da doçaria regional, algumas delas inspiradas mesmo em geossítios como a pedra parideira, a trilobite e, mais recentemente, a pedra-boroa.

Mas a variada ementa gastronómica que foi sendo servida ao longo do Congresso, não se limitou à doçaria, mas estendeu-se também a outras produtos locais em que não faltaram o mel, o presunto e o salpicão. E até na prova de frutas e de gelatinas, as trilobites e outros fósseis estiveram presentes em artísticas disposições, aplicando em todas elas a marca do Arouca Geopark.

A Declaração de Arouca

Momento importante e significativo deste Congresso foi a leitura da “Declaração de Arouca” na sessão de encerramento que contou com a presença da Secretária de Estado do Turismo, Dr.ª Cecília Meireles.

Secretaria de Estado do Turismo encerrando o Congresso

Nesse documento ficaram sintetizadas algumas das principais linhas orientadoras saídas deste encontro internacional. Após a sua leitura pela Presidente da AGA, Margarida Belém, Jonathan B. Tourtellot,  da National Geographic Society, manifestou a sua concordância e a sua satisfação pela “Declaração de Arouca” tendo mesmo classificado o Arouca Geopark como «um dos melhores geoparques do mundo». A afirmação recebeu, obviamente, o aplauso entusiasmado de todos os presentes.

Com uma excelente organização técnica e uma elevada qualidade científica das numerosas apresentações que fizeram parte dos oito painéis temáticos; com um impecável programa cultural e gastronómico que o acompanhou, este Congresso Internacional ficará como marco, não só da história do Geoturismo, como do Arouca Geopark.

E não será por mero acaso que, no próximo ano, Arouca voltará a ser palco de dois importantes encontros sobre esta temática, a saber: a realização das I Jornadas Nacionais de Geoturismo e a 11ª Conferência Europeia de Geoparques, esta última ter lugar de 19 a 21 de Setembro de 2012.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº796 de 15 de novembro de 2011

{ 2 comentários }

Com apenas 19 anos de idade, o trompetista espanhol, Ruben Simeó, natural de Vigo, é já detentor de inúmeros prémios obtidos nos maiores concursos nacionais e internacionais. Atuando em grandes auditórios e em variados programas de Televisão e já com alguns discos gravados, este famoso trompetista veio abrilhantar o lançamento do 2º CD da Banda Musical de Arouca que teve lugar no salão dos Bombeiros Voluntários no passado dia 6 de novembro.

Com o salão de festas dos Bombeiros Voluntários de Arouca completamente cheio, o concerto musical de lançamento deste  novo CD da Banda Musical de Arouca, que este ano comemora os 186 anos de existência, foi certamente uma bela manifestação de arte e de cultura, a que a presença deste mundialmente famoso trompetista veio conferir maior brilhantismo pela sua surpreendente atuação.

No decorrer do concerto foram entregues a diversos jovens arouquenses, por este trompetista, diplomas de participação num curso intensivo de trompete que decorreu em Arouca nos dias 5 e 6 de novembro, sob a orientação de Ruben Simeó.

Antes da entrega dos Certificados, os alunos dessa “masterclass” demonstraram os seus conhecimentos de trompete, através de um pequeno concerto dirigido pelo próprio Ruben Simeó.

Todo este concerto de lançamento deste segundo registo discográfico da centenária Banda Musical foi gravado em vídeo para a edição posterior de um DVD sobra a Banda Musical de Arouca.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº796 de 15 de novembro de 2011

{ 1 comentário }

A Lenda de S.Martinho

por jcerca em 12 de Novembro de 2011

Para estrangeiro ver e a tradição manter

Dentro do património imaterial português a tradição do S. Martinho tem perdurado, ao longo dos séculos, na memória popular, por entre castanhas e vinho.

Foi também para mostrar aos visitantes, quer nacionais, quer estrangeiros, que vieram a Arouca para participarem no Congresso Internacional de Geoturismo, que a organização deste evento quis facultar aos nossos visitantes um pouco dessas tradições populares, organizando o Festival da castanha nos dias 11 e 12 de novembro e que fez parte do programa cultural e recreativo deste Congresso.

A lenda na versão da "Semente de Futuro"

Nesse sentido, foram apresentadas duas versões da conhecida lenda de S.Martinho. A primeira, numa versão mais erudita e artística, teve lugar no refeitório do Mosteiro de Arouca (Sala D.Domingos de Pinho Brandão), tendo sido precedida de um desfile de lanternas, através dos Claustros, acompanhado de cantos populares, interpretados pelo Orfeão de Arouca.

Esta versão foi preparada e apresentada pelo grupo de teatro da Associação “Semente de Futuro” de Chave. Além da colaboração do Orfeão de Arouca, contou também com o apoio técnico do Teatro Regional da Serra do Montemuro e foi acompanhada da distribuição de um desdobrável em português e inglês, com excelente impressão a cores e que ajudou os participantes a seguirem o desenrolar da peça.

Refira-se que as lanternas foram artisticamente construídas pela “Semente de Futuro” com o objetivo não só de desenvolver a criatividade artística das crianças e jovens, mas também de valorizar a lã local que, muitas vezes, acaba por ser desperdiçada ou subaproveitada.

A segunda versão da lenda, num estilo mais popular e divertido, esteve a cargo do grupo TEA (Teatro Experimental de Arouca) e teve lugar no pátio dos comuns do Mosteiro onde decorreu o Festival da Castanha.

A lenda na versão do Teatro Experimental de Arouca

Com adereços alusivos à tradição popular do S.Martinho, em que não falta a bela pinga, esta representação, num estilo informal e divertido, não deixou todavia de transmitir a mensagem de solidariedade, de despreendimento e de amor ao próximo que está subjacente a esta tão popular lenda.

Após a apresentação desta peça seguiu-se o magusto com castanhas quentinhas regadas com uma bela pinguinha para manter viva esta velha tradição popular portuguesa.

Atuação do Orfeão de Arouca

Foi certamente uma excelente iniciativa esta do Festival da Castanha, integrado no Congresso Internacional de Geoturismo.

Além da evocação da lenda de S.Martinho, em dois estilos diferentes, este festival contou com a presença de música tradicional portuguesa a cargo dos grupos Os GuriI, os Andarilhos e o DJ Quim Albano.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº796 de 15 de novembro de 2011

{ 0 comentários }