Exposição fotográfica em Escariz
Depois da exposição fotográfica “Arouca em 4 tempos” de Nuno Cerca que esteve patente na Galeria da Biblioteca do Agrupamento de escolas de Escariz, teve lugar no dia 2 de dezembro a abertura de mais uma exposição fotográfica, com temática arouquense, intitulada “Por terras do ouro negro”.
Composta por cerca de 2 dezenas de fotos com diversos instantâneos captados nas minas de Regoufe por dois professores: António Garcia, diretor do Agrupamento de escolas de Escariz e Fortunato Silva, professor, recentemente aposentado, do Agrupamento de escolas de Arouca, esta exposição é mais uma iniciativa cultural promovida pela Biblioteca daquele Agrupamento.
A abertura da exposição foi precedida de um breve momento cultural levado a cabo por alunos daquele estabelecimento de ensino e composto pela interpretação a clarinete de dois temas musicais, intercalados da declamação de poemas de 3 poetas portugueses: Cruzeiro Seixas, Fernando Pessoa e Ana Hartheley.
Da exposição fotográfica à intervenção cívica
Tendo a fotografia como hobby, estes professores pretendem fazer desta exposição, não apenas um momento cultural e artístico, mas também um momento provocatório e de intervenção cívica, alertando os responsáveis concelhios para o lamentável estado de abandono que os complexos mineiros de Regoufe e de Rio de Frades apresentam desde há décadas, contribuindo assim para o desaparecimento e destruição de grande parte do seu espólio mineiro.
É indiscutível que estes complexos mineiros assinalam um importante período, não só da história de Arouca, mas também de Portugal e mesmo da Europa.
Efetivamente, foi nesse espaço geográfico, extraindo o volfrâmio do ventre dessas serras arouquenses, que conviveram pacificamente as duas forças que no palco da guerra se degladiavam: os ingleses e os alemães.
Só por esse motivo, de grande importância histórica, esses complexos mineiros bem deveriam já estar promovidos a núcleos museológicos, constituindo assim uma importante fonte de informação sobre um dos períodos mais negros da História da Europa e tornando-se, ao mesmo tempo, um importante polo de atração turística e de desenvolvimento dentro do Geoparque Arouca.
Esperemos que esta exposição fotográfica, além de artística, seja também uma provocação para que, finalmente, se apresse a recuperação deste importante património geológico e histórico de Arouca, incompreensivelmente abandonado, desde há tantos anos.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº185 de 9 de dezembro de 2011
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