Beneficiando das excelentes condições climatéricas e não obstante a tão propalada crise que diária e mediaticamente nos vai enchendo os ouvidos e esvaziando as carteiras, a verdade é que Arouca foi literalmente invadida por uma avalanche de gente que acorreu a esta Vila atraída pela fama que a Feira das Colheitas tem granjeado pelo País.
Não sabemos ainda se, em termos económicos, a feira terá sido um sucesso, mas em termos festivos e turísticos, foi-o certamente, dada a multidão que, durante quatro dias, vinda dos mais diversos pontos do País, escolheu Arouca como destino.
O Programa
Com um programa variado que trouxe a Arouca alguns nomes sonantes da música portuguesa tais como José Malhoa e Luís Represas, entre outros grupos, quer de música tradicional, como o grupo “Pé na Terra”, quer de música pop, como o grupo brasileiro “Reativa”, a feira das Colheitas deste ano ofereceu diversões para todos os gostos e para todas as idades.
Seguindo o esquema tradicional dos anos anteriores o programa contemplou um dia de forte presença filarmónica, com as Bandas de Arouca, Alvarenga e de Figueiredo, bem como, no último dia, a já habitual jornada dedicada ao folclore arouquense.
Além dos diversos concertos musicais e porque a festa não se faz só de música, não faltaram também as numerosas tasquinhas gastronómicas que fizeram as delícias de muita gente, não só com a deliciosa vitela arouquesa, ou o cabrito serrano, acompanhados do verde da região, como também com a doçaria tradicional e conventual. Exposições com variados produtos agrícolas, lojas de artesanato, concursos da broa e do vinho, jogos tradicionais e uma desfolhada à moda antiga foram alguns dos muitos ingredientes que compuseram a ementa programática desta edição da Feira das Colheitas.
Como ponto alto refira-se o desfile etnográfico e o cortejo de açafates pela avenida principal da Vila ao qual se seguiu a atuação dos numerosos ranchos folclóricos do Concelho durante toda a tarde e noite de domingo.
Como principais inovações positivas da edição deste ano, e que mereceram o agrado da generalidade do público, saliente-se a mudança do local para o lançamento do fogo preso e de artifício que teve lugar frente ao edifício da Câmara Municipal. Considerado também muito positivo foi o melhoramento no aproveitamento do amplo espaço da cerca do Mosteiro. Além de valorizar esse espaço escondido todo o ano por detrás da mole imensa do Mosteiro, o seu aproveitamento para albergar muitas das atividades da Feira das Colheitas, foi certamente um dos aspetos mais positivos e elogiados nesta 67ªedição da Feira das Colheitas.
Tal como na edição anterior foi também muito útil o circuito de televisão interna permitindo a transmissão em ecrãns gigantes espalhados pela vila, dos diversos acontecimentos que iam acontecendo, bem como depoimentos do público.
A Ministra da Agricultura
A manifestar o apoio institucional e político a este festa/feira dos agricultores a presença da Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, Assunção Cristas, que veio assinalar a abertura da Feira das Colheitas 2011, seguindo-se a inauguração do novo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Local/ADRIMAG, localizado na zona industrial de São Domingos.
Embora tratando-se de uma associação inter-municipal que visa contribuir para o desenvolvimento rural e integrado da região abrangida pelas Serras de Montemuro, Arada e Gralheira, a ADRIMAG tem a sua sede na vila de Arouca e possui uma zona de intervenção que abrange todas as freguesias pertencentes aos 6 concelhos limítrofes ou vizinhos do concelho de Arouca, apostando na implementação e gestão de programas comunitários e/ou nacionais, que visem a promoção e o desenvolvimento de iniciativas e projetos de interesse para a região.
Criada há 67 anos, também numa época de crise e precisamente para fazer face a essa mesma crise, a Feira das Colheitas de 2011 foi, entre outras coisas, e não obstante a crise que afeta o País e a Europa, uma manifestação do contributo que a agricultura, quando apoiada e bem gerida, poderá representar para vencer mais esta crise.
Seria bom que os responsáveis políticos soubessem ler esta lição e interpretar e valorizar esta prova de vitalidade da força dos agricultores.
José Cerca
Publicado no quinzenário “Jornal de Arouca” nº793 de 30 de setembro de 2011


