“Intimidade intergeracional”

por jcerca em 9 de Setembro de 2011

Ao crime do aborto chamaram-lhe “interrupção voluntária da gravidez” e pretenderam dar-lhe o estatuto de um direito.

Para a eutanásia inventaram o “testamento vital” mesmo sabendo-se que a Constituição da República Portuguesa reconhece o direito à dignidade humana e social, o direito à vida, sustentando que a vida humana é inviolável e que a nenhum caso se poderá aplicar a pena de morte.

Em vez de sodomia fala-se de homossexualidade pretendendo mesmo torná-la um ato normal e até equiparável em direitos à heterossexualidade.

Com o recurso a estes eufemismos pretende-se, de certa forma, atenuar, diminuir ou suavizar  a força do impacto que a realidade a que eles se referem poderá causar na opinião pública.

Um outro eufemismo que começa agora a ganhar força, nomeadamente nos Estados Unidos, é a designação de “intimidade intergeracional” para defender o sexo entre adultos e crianças, com vista à promoção dos “direitos à pedofilia”.

Com esse objetivo foi realizada, recentemente, na cidade de Baltimore uma conferência  organizada  por uma organização pedófila em que cerca de 50 ativistas gays de várias universidades dos EUA, psiquiatras e alguns profissionais de saúde mental pretenderam normalizar a pedofilia, despenalizando-a. O principal propósito desta conferência foi, aliás, eliminar o “estigma” social ligado à pedofilia e redefinir a pedofilia como “orientação sexual” normal.

Nesse sentido, e tal como já se conseguiu remover a homossexualidade da lista de desordens mentais da AAP (Associação Americana de Psicologia) em 1973, pretende-se agora fazer o mesmo relativamente também à pedofilia.

E tal como se invocaram argumentos para normalizar a homossexualidade, o mesmo se está fazendo agora para normalizar a pedofilia e a pederastia, conduzindo assim a sociedade para uma anarquia sexual, fruto da revolução sexual da década de 1960 e cujas sementes ideológicas foram lançadas por Alfred Kinsey, no final da década de 1940.

Mas a verdade é que Kinsey e os seus seguidores que pretenderam erradicar da sociedade a visão judaico-cristã da sexualidade, substituindo-a pela visão “científica” de Kinsey, acabaram por a conduzir a uma anarquia sexual cuja principal consequência, a nível da saúde pública, é o preocupante alastramento mundial do vírus da SIDA, onde se têm gasto milhões e milhões para a combater sem grande sucesso, como atestam as estatísticas mais recentes.

Mesmo assim, insiste-se em implementar nas escolas uma “educação” sexual configurada na doutrina  “científica” da sexualidade humana defendida por  Kinsey e cujo objetivo é fomentar  a promiscuidade e a anarquia sexual,  a começar nos escalões mais novos.

E se comparássemos os kits de “educação” sexual  adotados pelos governos dos diversos países, desde Portugal, ao Brasil ou aos EUA, veríamos que, em comum a todos eles, está esta visão  Kinseana da sexualidade humana.

Esta visão em que o sexo alimenta a diversão, o prazer  e o lucro, desligados de qualquer afetividade é o suporte de uma indústria sexual e de um mercado multibilionário, que inclui a pornografia infantil e adulta, o exibicionismo, a prostituição, os clubes de strip-tease e as casas de alterne, para mencionar apenas alguns ramos desta poderosa indústria sexual, suporte financeiro de todas as campanhas que pretendem normalizar não só a homossexualidade, como também agora a pedofilia a que apelidam eufemisticamente de “intimidade intergeracional”.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº173 de 16 de setembro de 2011

 

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