Fumando acima das nuvens
Sábado, 31 de Maio, 2008Dizem os manuais básicos de jornalismo que se um cão morder um homem não será motivo de notícia jornalística, mas se um homem morder um cão já o poderá ser, pela invulgaridade do acontecimento.
Também fumar um simples cigarro não será, obviamente, objecto de matéria jornalística ou assunto para notícia televisiva ou radiofónica. Mas o facto do Primeiro Ministro, José Sócrates e o ministro da Economia terem fumado a bordo do avião em que viajavam até à Venezuela, numa visita oficial àquele país, já foi motivo de amplas e desenvolvidas notícias, nos mais diversos média portugueses.
Apesar da tentativa de explicação dada pela empresa que fretou o avião que levava a comitiva oficial portuguesa a Caracas, no sentido de justificar um acto que não tinha qualquer justificação, face à legislação recentemente aprovada no nosso parlamento, o Primeiro Ministro, mais uma vez se saiu airosamente deste recente desaire político, muito embora cometido fora do País e bem longe do território habitado pelos seus concidadãos.
Embora praticando um acto que lhe manchou a sua imagem de rigor e de exigência no cumprimento da lei, José Sócrates teve, pelo menos, a humildade de assumir o seu erro e, sobretudo, a coragem de afirmar, publicamente, que deixava de fumar.
Se, na sequência deste desaire tabagista, muitos outros fumadores lhe seguirem o exemplo, no que se refere à sua acertada decisão de deixar de fumar, estou convencido de que qualquer antitabagista dará por bem empregue a ilegalidade cometida pelo Primeiro Ministro e se prontificará, mesmo, a pagar-lhe a coima, caso ele venha a ser multado por esse seu acto, mesmo que praticado a grandes alturas e escondido por detrás das nuvens.
Ao contrário do Bloco de Esquerda que defende para Sócrates uma “multa exemplar” eu, como antitabagista, defendo mesmo que a Organização Mundial de Saúde, ou pelo menos a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo o devia condecorar pelo sua pública decisão de abandonar, definitivamente, o hábito de fumar.
Que muitos outros o imitem…..pelo menos nisto!
José Cerca