Dizem os manuais básicos de jornalismo que se um cão morder um homem não será motivo de notícia jornalística, mas se um homem morder um cão já o poderá ser, pela invulgaridade do acontecimento.
Também fumar um simples cigarro não será, obviamente, objecto de matéria jornalística ou assunto para notícia televisiva ou radiofónica. Mas o facto do Primeiro Ministro, José Sócrates e o ministro da Economia terem fumado a bordo do avião em que viajavam até à Venezuela, numa visita oficial àquele país, já foi motivo de amplas e desenvolvidas notícias, nos mais diversos média portugueses.
Apesar da tentativa de explicação dada pela empresa que fretou o avião que levava a comitiva oficial portuguesa a Caracas, no sentido de justificar um acto que não tinha qualquer justificação, face à legislação recentemente aprovada no nosso parlamento, o Primeiro Ministro, mais uma vez se saiu airosamente deste recente desaire político, muito embora cometido fora do País e bem longe do território habitado pelos seus concidadãos.
Embora praticando um acto que lhe manchou a sua imagem de rigor e de exigência no cumprimento da lei, José Sócrates teve, pelo menos, a humildade de assumir o seu erro e, sobretudo, a coragem de afirmar, publicamente, que deixava de fumar.
Se, na sequência deste desaire tabagista, muitos outros fumadores lhe seguirem o exemplo, no que se refere à sua acertada decisão de deixar de fumar, estou convencido de que qualquer antitabagista dará por bem empregue a ilegalidade cometida pelo Primeiro Ministro e se prontificará, mesmo, a pagar-lhe a coima, caso ele venha a ser multado por esse seu acto, mesmo que praticado a grandes alturas e escondido por detrás das nuvens.
Ao contrário do Bloco de Esquerda que defende para Sócrates uma “multa exemplar” eu, como antitabagista, defendo mesmo que a Organização Mundial de Saúde, ou pelo menos a Confederação Portuguesa de Prevenção do Tabagismo o devia condecorar pelo sua pública decisão de abandonar, definitivamente, o hábito de fumar.
Que muitos outros o imitem…..pelo menos nisto!
José Cerca